O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 111

O Ponto de Vista do Vilão

A Guerra da Luz…

A guerra que virou a maré a favor do Império contra os Ultras, quinze anos atrás.

Foi travada apenas aqui, nas terras ocidentais do Império, onde os navios dos Ultras cobriam o mar como um enxame de gafanhotos.

Uma guerra de iguais—ambos os lados liberando toda a sua força.

Mas uma força inclinou a balança.

Um demônio humano—Dragoth, o antigo líder dos Ultras.

Ele era aterrorizante o suficiente para ser comparado aos demônios de mais alta patente, e alguns alegavam que ele até superava Astaroth, o 19º entre eles.

Mas o Império tinha seu próprio monstro—Abraham Starlight.

Um empunhava a Espada do Luar.

O outro, a Irmã Sombria.

'A batalha deles eclipsou a própria guerra. Desde a era lendária, o mundo não testemunhava um confronto como aquele...'

'Cada golpe de suas espadas podia apagar um Desperto de Classe S inteiro.'

Ada estava ao lado de Reem, ambas assistindo ao duelo cataclísmico—uma batalha que remodelou o próprio continente.

Ada era perspicaz. Demais para perder algo crucial.

'Não importa como eu olhe… comparando os dois lados, o Império era claramente mais forte.'

Uma aliança de famílias nobres e grandes guildas.

Três potências de Classe SS+—Abraham, Imperador Maekar e Lorde Drogo.

Inúmeros guerreiros de Classe SS abaixo deles.

Então, por que…

Por que Abraham Starlight estava enfrentando Dragoth sozinho?

Não importava como ela olhasse para o Lorde das Trevas, Dragoth não era humano.

Ele era algo vil vestindo a pele de um homem.

A mente de Ada girava com perguntas. Mas ao lado dela, Rem apenas balançou a cabeça.

'O que aconteceu naquele dia… permanece enterrado nas memórias daqueles que estavam lá.'

A guerra tinha chegado ao seu clímax.

Ada assistiu com a respiração suspensa enquanto seu pai se confrontava com aquela coisa, o campo de batalha uma visão de fogo infernal e ruína.

Rem, sentada calmamente, falou em voz baixa.

'Abraham nunca deveria ter lutado contra aquele monstro sozinho… ou pelo menos, era o que todos acreditavam.'

Naquele momento, uma explosão trovejante rachou os céus, afogando o campo de batalha em luz ofuscante.

'Mas, de novo… quem era Abraham?'

Dos destroços e da fumaça, uma figura solitária emergiu, arrastando atrás de si o cadáver mutilado de um monstro.

'Se Dragoth era a maior besta que já viveu… então Abraham era o milagre que apagou tais bestas da existência.'

A respiração de Ada ficou presa em sua garganta.

Seu pai estava ali. Ileso.

Vitorioso.

O cadáver de Dragoth—uma massa disforme de carne e sangue enegrecido—jazia descartado a seus pés.

'Isso… isso não é o que me contaram.'

A mente de Ada cambaleou enquanto ela tentava reconciliar o que via com as histórias em que sempre acreditara.

Dizia-se que Abraham mal havia vencido, derrotando Dragoth, mas sucumbindo a seus ferimentos logo depois.

Mas o que ela estava vendo agora…

Era algo inteiramente diferente.

Seu pai tinha saído sem um arranhão.

'Aquele homem… Abraham Starlight… é um mistério até para mim. Em todos os meus anos, nunca vi nada parecido.'

A voz de Rem era ilegível.

O que elas estavam assistindo era uma memória—preservada, como um filme sendo exibido diante delas.

Então—a expressão de Abraham mudou.

Ada não conseguiu decifrá-la.

Alegria. Esperança. Medo.

Uma mistura avassaladora de emoções brilhou em seu rosto.

Sem aviso, Abraham jogou o cadáver de Dragoth de lado, como se não fosse nada.

Então, em um único passo—ele desapareceu.

Um raio de luz queimou em seu rastro.

Apenas alguns poucos sabiam o que realmente aconteceu naquele momento.

Abraham havia desaparecido.

Na época, todos acreditavam que ele ainda estava lutando contra Dragoth. Eles aproveitaram seu suposto sacrifício para impulsionar os Ultras de volta—

E eles tiveram sucesso.

'Eu não entendo… para onde meu pai foi?'

Rem balançou a cabeça.

'Eu não sei.'

Uma pausa. Então, ela continuou.

'Tudo o que eu sei… é que ele retornou logo depois. E quando ele retornou—'

Uma figura caiu do céu, colidindo com as ruínas do campo de batalha.

Abraham.

Ada enrijeceu, um suspiro estrangulado escapando de seus lábios.

Este não era o mesmo homem que ela tinha visto momentos atrás.

No instante em que ele aterrissou, um dos maiores guerreiros de Starlight desabou de joelhos.

O corpo que antes carregava um poder imensurável agora estava quebrado—irreconhecível.

Seu braço direito—antes intocável—começou a rachar, vazando uma substância estranha e enegrecida.

E então, lentamente…

Seu braço virou pó.

Seu sangue derramou-se livremente no chão.

'Pai!'

Ada avançou, mas não conseguiu alcançá-lo. Isso era apenas uma memória.

Ela cerrou os punhos, tentando suprimir suas emoções.

Então—ela viu.

Seu pai estava segurando algo.

Os lamentos de uma criança enchiam o ar—um bebê, mal com um ano de idade.

Apesar de sua força esmaecida, Abraham sorriu, embalando a criança em seu braço restante.

E assim—o choro parou.

Um garotinho, com cabelos pretos macios e pele pálida.

'Aquele é… Frey?'

O coração de Ada batia forte em descrença.

Seu irmão?

Aqui? Neste momento?

Frey estava aninhado nos braços de seu pai, mas o corpo de Abraham estava se desfazendo.

No entanto, ele ainda segurava seu filho como se ele fosse a coisa mais preciosa que existia.

Então—uma sombra emergiu.

Um homem, vestido de preto.

Suas únicas características visíveis eram seus olhos azuis brilhantes, irradiando como lanternas na escuridão.

O estranho pegou Frey das mãos de Abraham.

Abraham sorriu fracamente para ele.

'Cuide dele.'

Sua voz era mal um sussurro.

Rachaduras se espalharam por seu rosto.

Mesmo quando seu corpo desmoronava, seus olhos permaneceram fixos em seu filho.

O homem de manto murmurou algo, mas Ada não conseguiu distinguir as palavras.

E ainda assim—ela não entendia mais nada.

Ela tinha vindo procurando respostas.

Em vez disso—ela só tinha encontrado mais perguntas.

Porque aquela figura misteriosa que tinha acabado de pegar Frey…

Era o mesmo homem que tinha visitado seu escritório um mês atrás.

O mesmo homem que tinha mostrado a ela coisas que ela nunca deveria ter visto.

'O que está acontecendo? O que aconteceu com meu pai? Que tipo de inimigo poderia ter feito isso com ele?'

Abraham Starlight era muito mais forte do que as lendas afirmavam.

Ele tinha aniquilado Dragoth, um monstro de Classe SS+, sem sofrer um único ferimento.

Então, que tipo de força ele tinha enfrentado… para deixá-lo em tal estado?

Ada não conseguia nem começar a imaginar.

E então—o homem de manto desapareceu com Frey.

A história que o mundo conhecia se desenrolou.

Os aliados de Abraham chegaram, cercando-o.

Tudo o que encontraram foi o cadáver de Dragoth… e Abraham, à beira da morte.

Todos acreditavam que ele mal havia sobrevivido à sua batalha, sofrendo ferimentos fatais no processo.

Era o que todos presumiam.

E então—Abraham Starlight morreu.

A última palavra que ele falou foi o nome de seu filho.

E assim, um dos maiores guerreiros de Starlight caiu.

Sua espada desapareceu, para nunca mais ser vista.

Ada e Rem assistiram em silêncio.

'O que… aconteceu?'

'Eu não sei.'

Ada cerrou os punhos.

'Então, por que me mostrar este passado?!'

Ada tinha chegado a um beco sem saída—o que ela viu diante dela estava além de sua compreensão.

Rem permaneceu tão calma como sempre.

'Eu não sei o que aconteceu com Abraham, mas ele certamente não morreu de morte natural. Quer tenha sido a batalha contra Dragoth ou o que se seguiu… Abraham foi deliberadamente deixado sozinho.'

A morte de Abraham Starlight levantou inúmeras questões—de uma forma ou de outra.

Entre aqueles que vislumbraram até mesmo um fragmento da verdade… havia aquela pessoa.

Rem gesticulou em direção a uma figura observando à distância, com uma expressão complicada em seu rosto.

Era Drogo Moonlight.

Depois de deixar Abraham lutar contra o guerreiro mais forte do inimigo sozinho e testemunhar o homem que tinha sido um espinho em seu lado por anos perecer, Drogo foi deixado com emoções conflitantes.

O homem que o tinha ofuscado por tanto tempo tinha ido embora, mas ele não sentia nenhuma sensação de libertação.

Em vez disso, ele percebeu que essas correntes agora o prenderiam para sempre.

Aquele homem estava morto… e com ele, todas as chances que Drogo tinha de se tornar o mais forte tinham desaparecido.

Drogo não era responsável pelo que aconteceu. Ele não foi quem conspirou contra Abraham.

No entanto, um homem de sua posição sabia.

Ele sabia que algo estava errado—a maneira como Abraham tinha sido isolado daquela forma…

Mas ele escolheu permanecer um espectador.

'Mas… meu pai não morreu por causa de Dragoth.'

A voz de Ada vacilou.

Rem assentiu.

'Isso é verdade. O que quer que tenha matado Abraham… não era humano.'

Mas isso não mudou o fato de que muitos o queriam morto naquela noite.

Naquela noite… tudo mudou.

Especialmente dentro de Drogo Moonlight.

Desespero—seu sonho tinha sido completamente destruído.

Arrependimento—por ficar parado e não fazer nada.

Frustração—um peso insuportável em seu peito.

E então, Drogo descontou naqueles ao seu redor.

Pouco a pouco, ele começou a mudar. E quando seu coração enfraqueceu… ele se tornou a presa perfeita para criaturas que prosperavam com tais emoções.

'Impossível...'

Ada murmurou em descrença enquanto Rem revelava as consequências da guerra.

Ela viu tudo, com uma clareza horripilante—o tirano, Drogo, transformando-se em outra coisa.

Quantas vidas ele tinha tirado simplesmente porque alguém o irritava?

Seus desejos sexuais tinham aumentado drasticamente, a ponto de ele violar algumas mulheres contra a vontade delas.

Tudo em uma tentativa fútil de preencher o vazio dentro dele—um vazio que nunca poderia ser preenchido.

Ada não conseguia aceitar.

'Ele era uma das pessoas mais fortes de todos os tempos… não tem como ele ter caído assim, não por tal razão...'

Rem assentiu.

'Você está certa. Ele não cairia tão facilmente.'

De repente, a bibliotecária levantou a mão, liberando uma luz azul brilhante.

O brilho envolveu a memória inteiramente, moldando uma imagem de algo que tinha permanecido invisível até agora.

A respiração de Ada ficou presa em sua garganta.

Uma entidade estranha e escura—uma mulher com um rosto palido de forma antinatural e olhos selados por fios sinistros.

Ela era enorme, seu longo cabelo preto fluindo como tinta no vazio.

Aquela entidade tinha prendido Drogo Moonlight com dezenas de fios sinistros.

'O que… é aquilo?!'

'Um demônio.'

A expressão de Rem escureceu.

'Um demônio vil que se alimenta de emoções negativas.'

Este tipo de demônio era conhecido como Spey.

Não classificados entre os demônios superiores devido à sua fraqueza, mas eram perigosamente insidiosos—possuindo aqueles com vontades frágeis com uma facilidade perturbadora.

E esse foi o catalisador que alimentou a corrupção dentro de Drogo Moonlight…

Violência. Luxúria.

Nada disso fazia mais sentido.

Isso era tudo o que Ada conseguia pensar.

'Um demônio como aquele controlou o lorde… sem que ninguém percebesse?'

Rem deu um sorriso fraco e cansado.

'Claro… isso é impossível.'

Ela apontou para alguém que estava assistindo tudo se desenrolar desde o início.

Ada o reconheceu instantaneamente.

Baylor Moonlight.

O irmão mais novo. O atual lorde da família Moonlight.

Ele tinha visto tudo. Ele sabia que algo estava distorcendo a mente de seu irmão.

No entanto, ele não fez nada.

Não—ele fez pior do que nada.

Ele garantiu que ninguém mais percebesse. Ele habilmente escondeu tudo e deixou Drogo espiralar ainda mais na loucura.

'Por que ele não impediu?'

A voz de Ada estava tensa de raiva.

Rem apenas balançou a cabeça.

'Às vezes… humanos se tornam muito piores do que demônios.'

De estupro a massacre sem sentido…

Dia após dia, escalou.

Até que o número de filhos de Drogo cresceu além da medida.

A cena mudou novamente, exibindo uma pessoa em particular.


Anos se passaram.

Um após o outro.

Até que eles alcançaram um certo evento.

Uma garota, com dezoito anos, estava sentada no coração de um jardim, cercada por dezenas de crianças que a olhavam com olhos cheios de admiração.

'Rose Moonlight.'

Ada a reconheceu instantaneamente. Ela era da sua geração, afinal.

'Você é bem informada, Ada Starlight.'

Ada assentiu.

'Eu a via frequentemente em reuniões de família… Ela era filha do lorde. Mas se eu me lembro corretamente… ela morreu.'

Rem confirmou suas palavras.

Uma garota com cabelos brancos e olhos azuis impressionantes—delicada, incrivelmente linda.

A joia preciosa da família Moonlight.

Entre as crianças mais próximas dela, uma se agarrava fortemente a ela.

'Seris Moonlight.'

Ela tinha sido apenas uma criança naquela época.

Cada criança naquele jardim—tanto meninos quanto meninas—eram irmãos, compartilhando o mesmo pai… Drogo Moonlight.

Mas suas mães eram vastamente diferentes.

No entanto, entre eles, apenas Seris e Rose compartilhavam a mesma mãe—irmãs de sangue.

Foi por isso que Rose tinha sido a pessoa mais próxima de Seris, especialmente depois que sua mãe faleceu em circunstâncias misteriosas.

Ada e Rem assistiram à cena emocionante diante delas.

'Rose Moonlight… Aquela garota era a prova viva dos crimes mais hediondos de Drogo Moonlight.'

Neste ponto exato, Drogo tinha começado a perder os últimos vestígios de razão, transformando-se no lorde louco que as pessoas passaram a temer…

E cometendo uma das atrocidades mais horríveis já enterradas dentro da família.

A cena continuou mudando—revelando a verdade completa e não filtrada.

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