O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 26

O Ponto de Vista do Vilão

- Frey Starlight POV -

...

'Ah, isso é o paraíso.'

Eu estava imerso em uma banheira enorme — o primeiro banho decente que eu tinha em um ano inteiro.

Levantando uma mecha do meu cabelo comprido e molhado que tinha caído sobre o meu rosto, murmurei:

'Preciso cuidar melhor de você em breve.'

'Venha, Balerion.'

Um brilho violento irrompeu da tatuagem de serpente no meu braço enquanto um metal frio e negro se espalhava pela minha mão esquerda, formando uma lâmina aterrorizante.

Eu segurei minha amada espada perto de mim.

'Você me salvou lá atrás, meu caro amigo. Muito bem.'

'Vamos, vamos limpar você também.'

Balerion não precisava ser afiado ou receber manutenção — seu fio era assustadoramente afiado, sua durabilidade incomparável. Ele não quebrava, enferrujava ou perdia o fio, não importava quanto tempo passasse. Não era chamado de Terror Negro à toa.

Passei várias horas na banheira antes de finalmente sair.

Com apenas uma toalha enrolada na minha cintura, saí e encontrei Carmen sentada em uma luxuosa área de espera, claramente me esperando.

'Eu pensei que ficaria esperando aqui para sempre… Como ousa me fazer esperar tanto tempo?'

Dei de ombros.

'Você que me disse para me limpar.'

'Olha só para você. Quantas pessoas têm coragem de me responder assim?'

'Haha, o que posso dizer? Acho a Srta. Carmen charmosa demais para segurar a minha língua.'

Ela se levantou do assento, aproximando-se de mim com passos lentos e deliberados.

'Palavras doces não vão te levar a lugar nenhum, sabia...'

A mão dela alcançou meu braço esquerdo, os dedos traçando minha pele nua.

'Fez uma tatuagem?'

As pontas dos dedos dela roçaram o intrincado desenho da serpente, hipnotizadas pelos seus detalhes finos.

'Meu amiguinho aqui é incrível, não é?'

'Você ainda não me contou… como você sobreviveu todo esse tempo?'

Virei a cabeça.

'Aconteceu de eu tropeçar nas ruínas de uma seita antiga. Encontrei uma técnica antiga lá e me escondi todo esse tempo. Além disso, os recursos da minha irmã ajudaram.'

'Hmm?'

A mão de Carmen continuou sua jornada, deslizando pelo meu peito e abdômen.

'Rank D… não, D- ?'

'Srta. Carmen, isso é assédio,' eu zombei em tom de brincadeira.

'Assédio? De quem para quem, garoto? Você é malemá metade de um homem que atingiu a maturidade recentemente.'

Eu ri em resposta.

'Eu posso ser um jovem tolo, mas até eu fico sem jeito quando uma mulher bonita toca meu corpo nu.'

Tecnicamente, se você somar os anos da minha vida anterior, minha idade mental estava mais perto dos trinta.

Mas eu tinha que admitir — o toque de Carmen era como um detector de talento. Ela tinha determinado meu rank com apenas um simples toque.

Ouvindo meu último comentário, a mão dela finalmente parou.

'Parece que eu tenho sido boazinha demais com você, hein?'

Ela fechou o punho e bateu levemente no meu estômago.

Uma onda de força invadiu meu corpo, me derrubando de joelhos.

'Ugh… Isso foi brutal.'

Com um sorriso malicioso, ela estendeu a mão para mim.

'É, foi. Você é Rank D-. Encontrou uma técnica nas Terras do Pesadelo e sobreviveu todo esse tempo, hein?'

Eu balancei a cabeça.

'Sua história tem muitos buracos. Você faz as Terras do Pesadelo parecerem um parquinho.'

Ela fez uma pausa por um momento antes de continuar.

'E você ainda não explicou como bloqueou meu ataque mais cedo.'

Ela ainda estava cavando isso…

'Eu já te disse… eu dei sorte.'

'Sorte? Você acha que a sorte fez isso?'

Ela levantou o punho perto do meu rosto.

Naquele momento, eu entendi o que ela queria dizer.

Era pequeno — tão pequeno que eu não tinha notado de imediato — mas definitivamente estava lá.

Um ferimento minúsculo.

Um que eu tinha infligido.

'Droga… Balerion, seu idiota…'

'O número de pessoas que podem me ferir é muito pequeno… muito menos alguém no Rank D.'

O olhar penetrante dela se fixou no meu.

'O que você está escondendo, Frey~?'

Eu permaneci em silêncio, evitando o olhar dela.

O que eu poderia dizer?

Qualquer desculpa que eu desse agora só a deixaria mais irritada, então eu escolhi ficar quieto.

Após um longo e tenso concurso de encaradas, ela finalmente recuou.

'Tudo bem. Todo mundo tem seus segredos.'

Ufa.

'Obrigado por entender.'

Carmen voltou para o assento dela enquanto eu aproveitava a chance para colocar algumas roupas.

Então, um pensamento me atingiu.

'Srta. Carmen, perdoe a minha curiosidade… mas eu sempre me perguntei — por que você está me ajudando?'

'Hmm?'

Ela parou justamente quando estava prestes a acender um cigarro.

'Essa é uma pergunta um pouco tardia, não acha?'

Verdade… Já fazia um ano inteiro.

'Antes tarde do que nunca.'

'Tsk.'

'Preciso corrigir essa sua boca esperta.'

Ela tragou profundamente antes de exalar fumaça no ar.

'Eu tenho um bom olho, Frey… e eu confio nos meus instintos.'

'Instintos, hein?'

Ela realmente me ajudou todo esse tempo só por causa de um palpite?

Carmen permaneceu em silêncio por um tempo, seu rosto ilegível enquanto ela dava outra tragada no cigarro.

Então, ela encontrou o meu olhar.

'Bem… isso é parte disso. Mas eu também devo a ele uma grande dívida.'

'A ele?' Eu perguntei, intrigado.

'Seu pai.'

'Ah.'

Infelizmente, eu não sabia quase nada sobre aquele homem.

Eu sentei do outro lado dela.

'Eu agradeço. Obrigado.'

'Eu não preciso da sua gratidão, garoto. Eu faço o que eu quero.'

Eu ri.

'Claro.'

Na hora seguinte, ela me atualizou sobre tudo que eu tinha perdido no ano passado.

No começo, eu não me importei muito — os assuntos deste mundo não me diziam respeito.

Mas então, meu corpo enrijeceu quando ela mencionou o evento principal.

'A esposa e a filha do Imperador foram sequestradas pelos Ultras. Uma batalha brutal se seguiu, com todas as famílias nobres participando. No final, eles conseguiram resgatar a filha do Imperador… mas a Imperatriz não sobreviveu.'

Eu segurei minha cabeça com força.

'Isso é um desastre.'

Notando minha mudança repentina de comportamento, Carmen ergueu uma sobrancelha.

'O que foi?'

Eu não me dei ao trabalho de responder. Afinal, eu tinha acabado de perceber o quão idiota eu era.

Como diabos eu esqueci um evento tão importante?

O ataque dos Ultras ao castelo…

Foi um incidente importante — um onde Frey tinha estado profundamente envolvido na história original.

A filha do imperador tinha sido amiga de infância de Frey. Fraco e impotente, ele tinha recorrido aos Ultras, buscando o apoio de demônios.

Em troca, eles exigiram uma prova do seu valor. Ele entregou — ajudando no sequestro da princesa, explorando a confiança dela nele.

No final, a garota morreu, e Frey obteve o poder que buscava.

Mas aquele mesmo incidente se tornou a razão para a sua eventual morte.

Era assim que era para acontecer.

Mas eu tinha reescrito o evento inteiro sem saber.

No momento em que Frey deveria ter causado a morte da princesa… eu tinha estado preso dentro da Seita das Sombras.

A princesa — que era para ter morrido — ainda estava viva.

Uma carta curinga tinha acabado de entrar em jogo.

Uma variável que iria destruir o curso dos eventos completamente.

'Droga,' eu amaldiçoei em voz baixa.

Até mesmo um único fator inesperado era mais do que suficiente para alterar tudo. Apenas o fato de ela ter sobrevivido estava fadado a desencadear um efeito cascata, remodelando o futuro que eu pensava que conhecia.

O destino de Frey tinha mudado.

'O que eu faço?'

Devo ir e matá-la agora?

Impossível. Eu morreria antes mesmo de pisar no palácio.

De repente, as memórias de Frey da garota inundaram a minha mente.

Droga.

Tudo bem. O que tiver que acontecer, acontece.

Eu não me importo — contanto que ela não fique no meu caminho.

'Ei, Frey, você perdeu a cabeça? Por que você está murmurando sozinho?'

A voz de Carmen me trouxe de volta à realidade.

'Desculpe, virou um hábito.'

'Bem, não exagere. Tente se recompor.'

Naquele momento, os olhos de Carmen brilharam.

'Hmm… Parece que eles estão aqui.'

Eu franzi a testa.

'Quem?'

Ela sorriu.

'Venha ver por si mesmo. Seu retorno é o maior evento em todo o império agora.'

Eu me levantei e a segui.

'Sério?'

Enquanto caminhávamos, passamos por vários servos que estavam correndo em nossa direção, claramente prestes a entregar a mesma notícia. Mas Carmen tinha sentido a chegada deles muito antes — a presença dela sozinha parecia dominar toda a propriedade.

Quando chegamos aos portões, eu vi uma enorme procissão de carruagens chegando e parando.

Havia tantas…

'Eu realmente tenho que lidar com isso?'

Com um sorriso provocador, Carmen respondeu, 'Sim.'

Eu suspirei.

Naquele momento, uma figura familiar com cabelo branco veio correndo em minha direção.

'Ada…'

Eu sorri calorosamente e acenei para ela.

Mas ela não parou.

Em vez disso, ela se jogou em mim, envolvendo os braços ao meu redor tão apertado que eu lutei para respirar.

Eu congelei — eu não esperava por isso.

Os soluços dela encheram meus ouvidos, a voz dela tremendo enquanto ela sussurrava,

'Você voltou… Você realmente voltou.'

Lágrimas escorriam pelo rosto dela como cachoeiras gêmeas.

Por um momento, eu hesitei. Eu não queria formar nenhum laço com este mundo.

Mas essa garota era diferente.

Eu não teria sobrevivido sem ela.

Mesmo depois de tudo que o velho Frey tinha feito com ela… ela ainda tinha sido meu maior apoio.

'Só desta vez.'

Eu retribui o abraço dela, sussurrando suavemente no ouvido dela.

'Eu voltei… Ada.'

Na grandiosa entrada do Solar Starlight, sob os olhares atentos de todos os presentes, os irmãos se reuniram.

Alguns estavam em descrença.

Alguns estavam atordoados.

E Leonidas, assistindo do fundo, cercado pelo seu séquito — estava furioso.

O filho de Abraham estava vivo.

Não só ele tinha sobrevivido — ele agora estava diante dele.

Mesmo enquanto segurava sua irmã nos braços, o olhar de Frey cortou a multidão como uma lâmina, se fixando em Leonidas.

Um olhar frio e predatório.

Os olhos deles se encontraram.

Ambos caçadores, prontos para devorar o outro.

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