
Capítulo 19
O Ponto de Vista do Vilão
Nono Mês, Ano de 2423 d.C.
Capital Imperial – Belgrado
Belgrado era conhecida como a Joia do Norte. Não importava o quão longe se viajasse, não havia lugar mais seguro do que esta cidade—ou assim acreditava o povo do Império Valeriano.
Afinal, era ali que o Palácio Imperial se erguia, onde residia o humano vivo mais forte—o Quarto Imperador, Maekar Valerion, um homem conhecido como O Fenômeno. Um descendente direto do lendário guerreiro que havia salvado o mundo três séculos atrás—a Uma Espada.
Mas hoje, Belgrado estava mais viva do que nunca.
A razão era simples.
A cidade estava sediando a cúpula anual—uma reunião das forças mais poderosas do império, realizada uma vez por ano.
Estavam presentes as três grandes famílias nobres, juntamente com a própria Família Imperial.
Dentro de um grandioso palácio, uma enorme mesa de conferência havia sido montada, cercada por quatro tronos imponentes.
No lado leste, sentado em um trono branco adornado com uma estrela dourada, estava um homem idoso com longos cabelos brancos. Apesar de sua idade avançada, ele ainda exalava uma aura de autoridade, sua postura tão reta quanto uma lança desembainhada. Ele estava sentado com os olhos fechados, irradiando uma presença serena. Atrás dele estava uma jovem na casa dos vinte anos, seus olhos negros como azeviche e cabelos brancos formando um contraste impressionante. Hoje, no entanto, sua expressão estava particularmente sombria.
“Ainda aqui, Leonidas? Quantas vezes terei que ver seu rosto enrugado? Seus ossos velhos não se fartaram ainda?”
Leonidas levantou a cabeça, seguindo a voz até sua fonte.
No lado oeste, sentado em um trono de gelo gravado com uma lua crescente, estava um homem que parecia ter seus quarenta e poucos anos. Sua pele era mortalmente pálida, como se congelada por um inverno eterno. Seu cabelo azul profundo e olhos vítreos lhe davam uma presença arrepiante.
Este era ninguém menos que Baelor Moonlight, o atual lorde da Família Moonlight—uma existência de Rank SS temida em todo o império. O Demônio de Gelo.
Mas Leonidas permaneceu imperturbável pelo tirano à sua frente, respondendo com uma voz calma e firme.
“No dia em que eu não puder mais servir minha família, eu me retirarei por conta própria. Até lá, você continuará vendo este rosto... Baelor.”
Baelor riu suavemente. “Sempre tão inflexível como sempre. Não é à toa que a Família Starlight conseguiu perdurar por tanto tempo.”
Para um ouvido destreinado, poderia ter soado como um elogio. Mas Leonidas entendeu o significado oculto. Baelor estava claramente se referindo à morte do antigo Lorde da Família Starlight—Abraham.
Outrora, a Família Starlight tinha sido a mais poderosa das três grandes casas. Agora, eles haviam caído para o fundo.
Leonidas, é claro, não era tolo. Ele entendeu a implicação de Baelor. Mas antes que a tensão pudesse aumentar, outra voz cortou o ar.
“Muito bem, muito bem. Devo dizer, é um prazer ter um membro da velha geração entre nós. Homens como Leonidas são sempre bem-vindos aqui—para nos guiar rumo a um futuro melhor.”
Todos os olhos se voltaram para o orador.
No lado sul, sentado em um trono de chamas, sua superfície gravada com o símbolo do sol, estava um homem com cabelos ruivos flamejantes e uma barba que ardia como fogo vivo. Ele parecia ter seus cinquenta anos.
Este era Lorde Iris Sunlight, conhecido como o Rei da Guerra.
“Fico feliz que alguém aqui ainda valorize tal sabedoria.”
Leonidas riu, e Iris se juntou a ele.
“Já que o Imperador ainda não chegou, não há necessidade dessa tensão. Vamos falar sobre a pessoa que está atrás de você, Baelor.”
A atenção da sala se voltou para ela.
Todos, sem exceção, haviam lançado olhares furtivos para ela durante toda a reunião—até mesmo Leonidas.
Ela era simplesmente deslumbrante demais.
A jovem que estava atrás de Lorde Baelor Moonlight parecia uma boneca de porcelana trazida à vida. Seu cabelo branco como a neve caía em cascata por suas costas como uma cachoeira de prata, seus olhos azul-safira brilhavam como pedras preciosas raras, e sua pele pálida parecia brilhar sob as luzes tênues do palácio.
Ela era Seris Moonlight—a mulher por quem Frey Starlight havia amado uma vez a ponto da loucura.
“Cada vez que a vejo, ela fica ainda mais bela”, ponderou Iris. “O que você diz, Baelor? Por que não casá-la com meu filho?”
Atrás de Iris estava um jovem com cabelos ruivos flamejantes, sua presença régia e seu olhar cheio de confiança inabalável.
“Ambos estão programados para entrar no templo este ano. Um casamento entre eles beneficiaria ambas as famílias. Uma boa combinação, você não concorda?”
“Haha, tão direto como sempre, Iris”, disse Baelor antes de se virar para Circe.
“Minha sobrinha é realmente bela. Sua proposta é certamente atraente, Iris. No entanto... isso é algo que deixei para ela decidir.”
Seris lançou um breve olhar para o jovem confiante à sua frente. Durou apenas um segundo antes que ela voltasse o olhar para frente, seu rosto inexpressivo, ilegível.
“Por mais lisonjeira que seja a oferta de Lorde Iris, não tenho interesse em tais assuntos. Meu foco é unicamente no meu dever para com minha família.”
Baelor encolheu os ombros em tom de desculpa. “Você a ouviu.”
“Haha, bem, isso é lamentável.”
Felizmente, Iris Sunlight era um homem de visão ampla. Ele não se ofendeu.
Naquele momento, Baelor Moonlight voltou sua atenção para Leonidas, e Eris seguiu o exemplo.
Sempre que Seris era mencionada, um nome inevitavelmente vinha à mente.
“Isso me lembra de algo importante, Leonidas... Ouvi dizer que o filho de Abraham entrou nas Terras do Pesadelo há um ano e nunca mais voltou. Isso é verdade?”
Pela primeira vez, a expressão calma de Leonidas vacilou. Atrás dele, Ada se saiu ainda pior—suas unhas cavaram fundo em suas palmas.
Ela ainda se recusava a acreditar que Frey realmente se fora.
Por tradição, cada família nobre era representada por dois indivíduos—o lorde da família e o herdeiro aparente.
Este era o caso para as famílias Moonlight e Sunlight.
Mas para os Starlights, as coisas eram diferentes. Seu lorde havia falecido, deixando Leonidas, o chefe do Conselho do Senado, para representá-los.
Ada não estava pronta ainda. Apesar de deter o título de Lorde, ela permaneceu em segundo plano.
Mas ela sabia que este não era o seu lugar.
Era para ser de seu irmão—Frey.
Leonidas se recompôs e respondeu uniformemente.
“Frey Starlight perdeu sua vida durante uma expedição de treinamento nas Terras do Pesadelo. Por mais doloroso que seja, o destino não tem sido gentil com nossa família. Perdemos Abraham, e então seu filho logo depois.”
Ada fechou os punhos ainda mais forte.
Ela sabia o quão hipócrita este velho era. Ninguém havia ficado mais feliz com a morte de seu irmão do que o próprio Leonidas.
“Que lamentável... verdadeiramente lamentável”, murmurou Baelor. “Ele costumava visitar meu palácio com bastante frequência, afinal.”
Ele tentou soar arrependido, mas sua expressão o traiu.
Pela primeira vez, a expressão de Seris mudou ligeiramente ao se lembrar do garoto de cabelos negros e olhos negros.
Claro, ele tinha vindo por ela todas as vezes.
Ela tentou permanecer educada, dados os laços entre suas famílias.
Ela pensou que tinha enterrado essas emoções há muito tempo.
Mas Frey Starlight conseguiu reacendê-las... da pior maneira possível.
Além de seu pai, não havia ninguém que ela desprezasse mais do que ele.
Ele a havia perseguido implacavelmente, seja por charme ou manipulação.
Seu próprio nome a repugnava.
“Hmph. Vamos encerrar esta conversa agradável por aqui”, interrompeu Baelor. “Eu particularmente não gosto de falar sobre os mortos... Além disso, ele está aqui.”
A atmosfera na sala mudou instantaneamente.
O único trono vazio estava na posição norte—um grande assento dourado, maior do que o resto.
Agora, seu legítimo dono havia chegado.
As grandes portas do salão se abriram quando um homem fortemente blindado entrou, sua presença avassaladora. Com uma voz estrondosa, ele anunciou,
“Curvem-se diante do Imperador!”
Todos se levantaram quando um homem na casa dos quarenta anos entrou, seu cabelo dourado brilhando como a luz do sol, seus penetrantes olhos amarelos ardendo como fogo.
O humano mais forte vivo—Maekar Valerion.
Atrás dele estava uma versão mais jovem de si mesmo—seu primogênito, o Príncipe Herdeiro Aegon Valerion.
Todos na sala sabiam por que o Imperador estava furioso.
“Que a cúpula comece”, declarou Maekar, sua voz grave e imponente.