O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 15

O Ponto de Vista do Vilão

- Ponto de Vista de Frey Starlight -

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Avanço, atirando às cegas enquanto corro.

Atrás de mim, dezenas daquelas criaturas grotescas, semelhantes a caranguejos, me perseguiam.

Não havia chance de lutar contra elas – não quando mal consegui matar uma enquanto ela já estava ferida.

Corro o mais rápido que posso, apertando meu ombro machucado, minha respiração irregular.

O som de dentes rangendo ecoava atrás de mim. Eu não ousava olhar para trás – não precisava. Sabia exatamente o quão aterrorizante seria a visão.

Eles estavam vorazes, desesperados para cravar suas garras em mim, tanto que colidiam uns com os outros em seu frenesi.

Seu número continuava crescendo. A distância entre nós continuava diminuindo. Seus ataques chicoteavam, alguns errando por meros centímetros.

Eu sabia que não duraria. Não desse jeito. Lutar nem era uma opção.

Forcei minha mente a correr, procurando uma saída. Mas não importa o quanto eu pensasse, não importa o quanto eu tentasse – uma verdade ficou clara.

Eu ia morrer aqui.

E para piorar as coisas… havia aquela névoa obscurecendo minha visão.

“Espera… névoa?”

Voltando à realidade, percebi que estava correndo pela névoa há algum tempo.

Uma névoa densa e sufocante – tão espessa que eu não conseguia mais ver nada.

Naquele momento, meu coração afundou.

Parei de correr imediatamente e me escondi atrás de uma árvore.

Envolvendo meus braços ao redor do meu corpo, apertei meus olhos com força.

Porque essa névoa só podia significar uma coisa.

E eu rezei – rezei com cada fibra do meu ser – para que eu estivesse errado.

O fato de que as criaturas ainda não tinham me despedaçado confirmou meu pior medo.

Eu não tinha ideia de quando havia entrado em seu domínio, mas agora, eu estava dentro do território de um dos monstros mais mortais em todas as Terras do Pesadelo.

O Perseguidor da Névoa.

Cobri minha cabeça e me encolhi, mantendo meus olhos fechados.

Não importa o que aconteça… não importa o que eu ouça… eu não devo abrir meus olhos.

Era a única maneira de sobreviver.

Sentei-me congelado, ouvindo o massacre se desenrolar ao meu redor.

O som nauseante de carne sendo despedaçada.

Os gritos agonizantes das criaturas que me perseguiram.

Corpos caindo no chão. Sangue espirrando. Membros voando.

Era como um campo de batalha – um massacre.

Resisti ao impulso primitivo de correr, forçando-me a ficar imóvel, meu mundo consumido pela escuridão.

Gradualmente, a carnificina diminuiu. E então – silêncio.

A quietude se estendeu, interminável e sufocante. Alguns minutos pareceram horas.

Mantive meus olhos fechados, meu coração batendo forte, rezando para que o pesadelo passasse.

E então, justamente quando pensei que tinha acabado, um sussurro roçou meu ouvido.

“Frey…”

A voz de uma garota. Suave. Gentil. Quase… suave.

Um toque delicado roçou meu peito. Mas em vez de conforto, um peso insuportável se instalou no meu estômago.

“Frey…”

Desta vez, a voz era familiar. Ada.

Algo estava sussurrando para mim com a voz da minha irmã. Me tocando.

“Olhe para mim… Frey.”

A voz se enrolou em mim como uma serpente, insistente, convidativa.

Mas mesmo assim – mesmo quando meu corpo gritava para que eu respondesse – eu me recusei a abrir meus olhos.

“O que foi? Você não me ama mais, Frey?”

Uma voz diferente agora.

Uma que eu não reconheci.

Mas quem quer que fosse, não ia me deixar em paz.

Um corpo macio e quente se pressionou contra minhas costas, me abraçando.

“Olhe para mim… Frey.”

Droga. Saiam de perto de mim, suas criaturas imundas.

Rangei os dentes, amaldiçoando interiormente, rezando para que esse tormento terminasse.

A voz ficou quieta por um momento antes de falar novamente.

“Olhe para mim, *******.”

…O quê?

Enrijeci. Aquele nome…

Ninguém deveria saber esse nome.

Porque esse era o nome pelo qual eu era chamado no meu mundo antigo.

“Olhe para mim, *******… Você não me ama mais?”

Meus lábios tremeram. Meu corpo inteiro estremeceu.

Como poderia não tremer?

Essa era a voz da minha mãe. A voz da minha mãe de verdade.

Apertei minha mandíbula com tanta força que doeu. Eu sabia que isso não era nada além de uma ilusão. Eu sabia disso.

Mas isso… isso era demais.

Essa era a voz dela.

“Abra seus olhos, meu filho.”

A voz do meu pai.

“Sentimos sua falta, irmão…”

A voz do meu irmão.

Mordi meu lábio até que o sangue escorresse pelo meu queixo.

Minha família.

A saudade me atingiu, avassaladora, sufocante.

Quase cedi.

Eu podia sentir o calor deles – o abraço que eu tanto sentia falta. Eu queria estender a mão. Eu queria me agarrar.

Mas eu sabia…

No momento em que eu abrisse meus olhos, tudo acabaria.

Em meio à minha batalha mental, o calor desapareceu. O toque gentil sumiu.

E em seu lugar, algo mais surgiu.

Algo massivo. Algo desumano.

“Abra seus olhos, sua imundície!”

O sussurro se foi.

Substituído por algo monstruoso.

Uma voz tão terrível, tão desumana, que minha mente conjurou o demônio mais horripilante que podia imaginar.

“Olhe para mim, seu bastardo inútil.”

A voz raspou minha sanidade como unhas no vidro.

A batalha dentro da minha mente se arrastou, interminável e torturante.

Eu não tinha ideia de quanto tempo se passou. Minutos. Horas. Dias.

Mas eu fiquei ali. Olhos bem fechados.

Me ancorei na dor, recusando-me a soltar, recusando-me a perder o controle da realidade.

E então—

Sumido.

A presença desapareceu. As vozes pararam.

Silêncio.

Mas eu ainda não me movi.

Horas se passaram. Uma após a outra. E ainda assim, permaneci imóvel.

Somente quando tive certeza de que realmente havia acabado, abri meus olhos lenta e cautelosamente.

Por um momento, minha visão ficou turva, lutando para se ajustar da escuridão para a luz.

Mas então, a clareza retornou.

A névoa se foi.

E ao meu redor—

Dezenas. Não, centenas de cadáveres.

Os membros decepados das criaturas caranguejo estavam espalhados pelo chão como conchas descartadas.

Era um campo de batalha. Um massacre.

Um massacre unilateral.

Lutei contra a vontade de vomitar e sentei ali, completamente exausto.

“Em que tipo de inferno eu entrei?”

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As Montanhas Oklas – Fortaleza da Família Starlight

Sentado em sua grande escrivaninha, o leão imortal, Leonidas Starlight, examinava uma pilha de documentos, seus dedos folheando as páginas distraidamente. No entanto, outra montanha de papelada pairava, esperando por sua atenção.

Seu trabalho parecia interminável.

Diante dele estava uma figura mascarada envolta em um elegante manto preto. Ele permaneceu imóvel, não querendo perturbar Leonidas, esperando silenciosamente sua vez de falar.

Horas se passaram antes que Leonidas finalmente olhasse para cima, encontrando o olhar do homem mascarado.

“Você voltou rápido… Khalifa.”

Khalifa inclinou a cabeça.

“De fato.”

“Presumo que você traga notícias.”

“Você presume corretamente.”

Khalifa fez uma pausa por um momento antes de continuar.

“Frey Starlight pereceu dentro das Terras do Pesadelo.”

“Hmm… Você o matou pessoalmente?”

“Infelizmente, não. Mas posso confirmar sua morte.”

Leonidas inclinou a cabeça ligeiramente.

“E como você pode ter tanta certeza?”

“É simples. Eu o vi entrar no domínio de uma das criaturas mais aterrorizantes do Pesadelo… o Perseguidor da Névoa.”

Os olhos de Leonidas se estreitaram.

O Perseguidor da Névoa – seu nome sozinho carregava um peso imenso.

Afinal, aquela abominação era um ser monstruoso, e nem mesmo o próprio Leonidas confiava em suas chances de sobrevivência se um dia se encontrasse em seu domínio.

Era poderoso, mas pior do que isso, possuía ataques que visavam a mente, tornando-o um pesadelo absoluto de lidar.

Em seus 150 anos de vida, ele nunca tinha ouvido falar de uma maneira de escapar da criatura uma vez presa em sua névoa.

Então, sim, Frey estava morto – além de qualquer dúvida.

“Você deveria ter recuperado seu corpo… ou pelo menos o que restava dele.”

“Minhas desculpas, Lorde Leonidas, mas mesmo com minhas habilidades de teletransporte, me falta coragem para entrar na névoa.”

Exala…

Leonidas suspirou.

“Não importa. Você se saiu bem… Pode ir.”

“Como você comanda.”

Com um sussurro de ar deslocado, Khalifa desapareceu, não deixando nenhum vestígio de que ele alguma vez estivesse ali.

Leonidas se recostou em sua cadeira opulenta.

“Então, é assim que termina… Abraham, você estava errado. Seu filho nunca foi o escolhido, afinal.”

Ele fechou os olhos, lembrando-se daquela noite fatídica… a batalha colossal na qual toda a família lutou sob o comando de Abraham Starlight.

Eles venceram no final, mas a um preço. Naquela noite, Abraham jazia em uma poça de seu próprio sangue, suas palavras finais todas sobre seu filho.

E agora… aquele filho estava morto.

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