
Capítulo 127
O Cão Louco da Propriedade do Duque
Capítulo 127
A Rainha montou em seu grifo após concluir a negociação com Caron. Do alto, ela olhou para ele e disse com um sorriso irônico: "Caron Leston, você deve ser o humano mais insano que já encontrei. Não costumo reconhecer a loucura, então se orgulhe disso."
"Só posso expressar minha humilde gratidão por sua generosidade ilimitada, Vossa Majestade", respondeu Caron.
"Generosidade, uma ova", zombou a Rainha.
A negociação tinha sido um sucesso. A Rainha concordou em retirar suas forças e, em troca, foi prometido dois décimos dos tesouros armazenados no tesouro de Etyron.
"A Senhora não voltaria atrás em sua palavra, não é, Vossa Majestade?", perguntou Caron, erguendo uma sobrancelha.
"O que quer dizer?", perguntou a Rainha, em tom seco.
"Por exemplo, a Senhora pode pegar o tesouro, mas atacar a vila élfica novamente", disse Caron, com um tom casual, mas incisivo.
As sobrancelhas da Rainha se juntaram, sua irritação clara quando ela disse: "Há duas coisas que mais desprezo neste mundo. Primeiro, quebrar uma promessa. Segundo, fazer qualquer coisa que não seja lucrativa. Atacar a vila élfica viola ambos. Existem inúmeras oportunidades mais lucrativas do que perseguir elfos. Por que eu desperdiçaria meu tempo?"
Seus lábios se curvaram em um sorriso enquanto ela olhava para ele. Ela pensou: Vou deixar por isso hoje.
Se quisesse, ela poderia convocar reforços e encharcar a Grande Floresta em sangue. Mesmo que tropas adicionais chegassem de Galad, todo o seu exército ainda os superaria, levando a um conflito ainda maior.
Mas ela não via necessidade de ir tão longe. O cálculo de custo-benefício não batia. Em vez de derramar sangue sem motivo, ela decidiu que seria mais vantajoso manter seu relacionamento tênue com aquele jovem monstro arrogante.
Não há necessidade de antagonizar a família Leston por enquanto, ponderou ela.
Caron Leston era um monstro aterrorizante. Com apenas dezessete anos, ele não apenas ultrapassou o nível de um talento promissor, mas também atingiu um reino capaz de resistir à sua lança.
E não era apenas Caron quem havia chamado sua atenção. Atrás dele estavam dois indivíduos emanando o brilho brilhante de Mana Azure. Ao lado deles também estava um gigante sem nome, mas seu foco permaneceu nos primos de Caron.
O espírito inflexível deles era evidente: eles não haviam dado um único passo para trás, mesmo sob a pressão de sua aura formidável. Esse tipo de resiliência não era algo que se desenvolvia da noite para o dia.
Caron Leston, aquele monstro, deve ser quem os está liderando, pensou a Rainha. Não havia dúvida de que sua influência os havia moldado.
Se os netos influenciados por Caron Leston se juntassem à Família Ducal de Leston, liderada pelo Grão-Duque Halo Leston, as coisas seriam diferentes. O Castelo Azureocean, já quase invencível, se tornaria uma força imparável com esses herdeiros em suas fileiras.
É uma geração de ouro, murmurou a Rainha, acenando para si mesma enquanto observava Caron e seus companheiros.
Comparar ganhos imediatos com benefícios futuros era muitas vezes desafiador, mas, neste caso, a escolha era óbvia. Caron, por si só, tinha um valor além de qualquer tesouro de dragão. E a Rainha prezava coisas valiosas.
"Se algum dia tiver tempo, venha visitar o Mar do Sul", ofereceu ela com um sorriso provocador.
"Tenho a sensação de que acabarei sendo esfolado vivo se fizer isso", retrucou Caron, fingindo apreensão.
"É muito mais bonito e habitável do que o Mar do Norte, onde Sabina reside", respondeu a Rainha.
Ao mencionar Sabina, os olhos de Caron se arregalaram em surpresa. Ele perguntou: "A Senhora conhece Lady Sabina? Qual é a sua relação com ela?"
A Rainha assentiu lentamente, sua expressão ilegível. Ela respondeu: "Velhas inimigas. Deixemos por isso mesmo."
"Ah, entendo", disse Caron, embora sua curiosidade claramente persistisse.
"Uma vez recebi uma carta sobre você", disse a Rainha. "Minha querida velha amiga não parava de se gabar de quão brilhante era seu sobrinho-neto."
Caron assentiu, finalmente entendendo. "Ah, isso explica tudo. A Senhora pegou leve comigo."
Se ela tivesse falado sério, ele não necessariamente teria morrido, mas não havia dúvida de que teria perdido pelo menos um membro.
Com suas palavras, a Rainha soltou uma risada suave. "O lançamento de lança anterior foi, de fato, um dos meus ataques de força total, então não se deprecie."
"Então a Senhora está dizendo que tentou matar o amado sobrinho-neto de sua velha amiga?", perguntou Caron, erguendo uma sobrancelha.
"Se você tivesse morrido com isso, Sabina não teria cantado seus louvores até sua garganta secar, não é verdade?", respondeu a Rainha suavemente.
Diante de sua lógica impecável, Caron coçou a nuca e murmurou: "Então acabei insultando a amiga da minha tia-avó, chamando-a de senil e perguntando para onde todos os seus anos tinham ido?"
"Isso resume bem", disse a Rainha com um sorriso malicioso. "Por quê? Está se sentindo culpado agora?"
Caron balançou a cabeça firmemente e respondeu: "Se a Senhora tivesse me dito antes, eu teria me contido. Então, a culpa não é minha, certo?"
"Você é insano", disse a Rainha, rindo baixinho.
"Obrigado pelo elogio", respondeu Caron com um sorriso. Então, apontando para a colina, ele acrescentou: "A propósito, quando a Senhora planeja retirar suas forças?"
Abaixo, os piratas, antes desorganizados, pareciam ter recuperado alguma aparência de ordem, provavelmente graças à presença da Rainha.
"Eu apreciaria se a Senhora cumprisse sua promessa mais cedo ou mais tarde", continuou Caron, seu tom meio provocador, mas persistente.
A Rainha bufou e disse: "Foi você quem rejeitou minha proposta. Seja grato por eu estar indo embora tão facilmente."
"...Então a Senhora está guardando rancor. De qualquer forma, a Senhora vai simplesmente deixar seus subordinados assim?", perguntou Caron, inclinando a cabeça.
A Rainha pegou as rédeas do grifo e perguntou: "Você ainda não entende por que eu os enviei aqui primeiro, mesmo tendo vindo pessoalmente?"
Agora que ela mencionou, era estranho. Apesar do massacre de seus homens, a Rainha não fez nenhum movimento decisivo.
"Oh", murmurou Caron, percebendo. Balançando a cabeça, ele comentou: "Então, a Senhora usou as mãos de outra pessoa para limpar a casa. Que implacável."
"Bessic", disse a Rainha, seu tom frio e distante. "A ganância daquele homem não conhece limites. Eu tolerei antes, mas ele cruzou a linha. Quanto a Edward... Ele sabe muitos segredos. Sua lealdade é excessiva e ele entra em conflito com os outros com muita frequência. Ele perturba a coesão."
Ela falava de seus subordinados como se estivesse avaliando mercadorias, seu tom desprovido de emoção.
"Não seria mais simples se a Senhora lidasse com eles pessoalmente?", perguntou Caron, sua expressão contorcida em desgosto.
A Rainha riu, balançando a cabeça enquanto dizia: "Eles precisam morrer pela sua mão. Dessa forma, suas mortes unirão o resto de meus subordinados em ressentimento em relação a você."
Seu raciocínio frio e calculista enviou um arrepio pela espinha de Caron.
Vendo sua expressão, a Rainha ofereceu um leve sorriso e disse: "Algum dia, quando você se encontrar em uma posição como a minha, você entenderá. Tudo, até mesmo a guerra, se torna uma extensão da política."
"E quanto aos nagas?", perguntou Caron, sua voz pesada.
"Isso é para você resolver", respondeu a Rainha casualmente antes de voltar seu olhar para Kerra, que estava silenciosamente ao lado de Caron.
Sua voz suavizou ao dirigir-se a ele. "Kerra Acht, da última vez que nos encontramos, eu temia que você acabasse tirando sua própria vida. Mas agora, vendo você vivo e bem, devo admitir que fica bem em você. Um rosto que vale a pena manter por perto. Se você mudar de ideia, sinta-se à vontade para visitar meu palácio. Terei um quarto pronto para você."
"Se manda, Rainha", rosnou Kerra, sua voz baixa, mas fervendo de desprezo.
"Sempre tão espinhoso como sempre", disse a Rainha com uma risada. "Envelhecer juntos não seria tão ruim, sabe?"
Com um guincho agudo, o grifo abriu suas asas enormes, preparando-se para carregá-la para o céu.
Guincho!
"Bem, então, até a próxima, meus queridos lobinhos", disse a Rainha com um sorriso antes de desaparecer de vista em um piscar de olhos.
Quando sua figura desapareceu completamente de vista, Caron desabou no chão com um baque surdo.
"Ha..." Ele soltou uma respiração trêmula. "...Isso foi um golpe de sorte ridículo."
Um encontro com a Rainha não fazia parte do plano, e Caron estava bem ciente de quanta misericórdia ela havia demonstrado a ele.
"Argh..." Conforme a tensão drenava de seu corpo, ondas de dor o invadiram.
Kerra, que estava por perto, rapidamente se moveu para apoiá-lo. Usando mana que ressoava suavemente, ele se inclinou e sussurrou diretamente no ouvido de Caron, mantendo suas palavras em segredo.
"Quem mandou você provocar a Rainha, Comandante? Aquela mulher é um desastre ambulante. Sobreviver a este encontro é nada menos que um milagre – um milagre de verdade."
Kerra então enfiou a mão em seu casaco e tirou um pequeno frasco cheio de líquido dourado. "É um elixir. Aqua disse para te dar isso."
Este elixir era a melhor poção de cura criada por alquimistas anões. Embora não pudesse rivalizar com o Orvalho da Árvore do Mundo, suas propriedades restauradoras chegavam perto.
"Aqua fez?", perguntou Caron, erguendo uma sobrancelha.
"Ela trouxe quando saímos do covil. Aquela garota deve ter algum tipo de previsão – parece que ela previu que isso aconteceria", respondeu Kerra com um sorriso malicioso, destampando o frasco e entregando-o a Caron.
Sem hesitar, Caron engoliu o elixir. O líquido amargo deslizou por sua garganta e, quase imediatamente, a dor excruciante começou a diminuir.
"Ufa." Ele exalou profundamente e devolveu o frasco vazio para Kerra antes de dizer: "Me dê uns dez minutos. Eu devo estar quase curado até então."
Os efeitos do elixir foram extraordinários. Ele já podia sentir seus ossos quebrados se curando em uma velocidade surpreendente.
"Eu vou lidar com o campo de batalha", disse Kerra, pegando sua espada enquanto se levantava. "Você descansa e se reagrupa com os outros."
Assim que ele começou a se afastar, a voz grave de Guillotine ressoou na mente de Caron. "O que diabos é aquilo?"
Caron seguiu a direção da atenção de Guillotine. Emergindo da retaguarda do campo de batalha, onde as forças naga se reuniram, estava uma criatura enorme. Um crocodilo monstruoso, colossal mesmo à distância, rugia ferozmente.
"É um Leviatã, um monstro do fundo do mar. Parece que aqueles bastardos nagas não estão planejando perder sem lutar." [1]
[1] - Leviatã: Na mitologia, é uma criatura marinha gigantesca, frequentemente associada ao caos e à destruição. Aqui, refere-se a um monstro colossal utilizado pelos nagas.
Mesmo à primeira vista, era claro que a criatura era incrivelmente perigosa.
"Droga", murmurou Kerra, estalando a língua em aborrecimento. Ele olhou para Caron. "Não descanse. Se mova em dez minutos."
"...Você não acabou de me dizer para descansar?", perguntou Caron.
"Isso foi antes daquilo aparecer. Eu vou lidar com o monstro. Apenas cure-se rapidamente e acabe com os piratas restantes", respondeu Kerra secamente.
"Você consegue lidar com isso sozinho?", perguntou Caron com ceticismo.
Kerra deu a ele um sorriso incrédulo e disse: "Quem você pensa que eu sou? Eu sou Kerra Acht, o cavaleiro 8-Estrelas. Aquele monstro não é nada para mim."
"Engraçado, você não pareceu se sair muito bem contra a Rainha mais cedo...", comentou Caron secamente.
"O que foi isso? Hah! Apenas me observe. Você verá do que sou capaz", disse Kerra. Com isso, ele se lançou para frente, chutando o chão com uma velocidade ofuscante.
Caron o observou correr em direção ao Leviatã e soltou um pequeno suspiro. Virando-se para seus companheiros, ele disse: "Preparem-se, todos. Temos piratas para eliminar."
Os outros assentiram silenciosamente, sua determinação clara.
E assim, a batalha começou a chegar ao fim.
***
"Argh", Edward gemeu, olhando furiosamente para Bessic, que estava diante dele, ofegando como uma fera selvagem.
O resultado de sua batalha havia sido decidido há muito tempo. Lidar com um inimigo que havia perdido toda a razão não era difícil, mas o veneno que Bessic havia liberado periodicamente agora estava se espalhando pelo corpo de Edward.
Whoosh.
Um zumbido fraco ecoou quando Edward usou seu mana para suprimir as toxinas até certo ponto. Estreitando os olhos para Bessic, ele disse: "A Rainha nunca te perdoará."
A Rainha havia aparecido no campo de batalha. Ninguém sabia exatamente quando ela havia se juntado a eles, mas com sua chegada, a conclusão da guerra havia se tornado inevitável.
Ela era a personificação da vitória. Mesmo Caron Leston, o brilhante prodígio da Família Ducal de Leston, não poderia começar a se comparar à proeza da Rainha.
Bessic zombou, sua voz rouca e zombeteira. "A Rainha, a Rainha! Quanto tempo você vai gritar o nome dela como um pirralho choramingando?"
"...Que patético", respondeu Edward friamente.
"Seu tolo. Onde está essa sua Rainha onipotente agora, hein?", perguntou Bessic.
"A Rainha está, sem dúvida—" Edward começou, mas então hesitou.
Algo parecia errado. Ele poderia ter jurado que tinha visto o grifo que ela cavalgava antes, mas ele não conseguia mais sentir sua presença esmagadora.
Edward se perguntou se ela havia sido derrotada por Caron Leston.
Isso é impossível, pensou ele.
A ideia era impensável. A lacuna entre um 7-Estrelas e um 8-Estrelas era intransponível por pura sorte. E, no entanto, a ausência do poder da Rainha era inegável.
"Olhe para você, agindo como se fosse tão esperto sozinho. No final, você acabou não sendo diferente de mim, seu bastardo", Bessic cuspiu, sangue escorrendo de seus lábios. Seu rosto marcado se contorceu em um sorriso grotesco. "Você ainda não entendeu, não é? Aquela cobra de mulher sempre planejou nos usar como ferramentas descartáveis."
"...Isso é absurdo", respondeu Edward, sua voz tremendo ligeiramente enquanto ele encontrava o olhar de Bessic.
Foi então, no entanto, que ele percebeu que Bessic havia se livrado de sua loucura. O homem estava lúcido e estava rindo de Edward.
"Um herói? Eles não são nada mais do que outra engrenagem na grande máquina da Rainha – uma que ela pode substituir a qualquer momento. Eu descobri isso há muito tempo. Parece que você só está percebendo agora", disse Bessic.
Edward balançou a cabeça em descrença. Ele se recusou a aceitar. Não, ele não podia se dar ao luxo de fazer isso. Ele acreditava ser um aliado de confiança da Rainha. Então, ele não conseguia entender por que ela estava o abandonando agora.
"Curioso para saber por quê?", Bessic provocou.
"Silêncio! Não profane meus ouvidos com suas bobagens!", gritou Edward.
"É porque ela encontrou algo – ou alguém – que brilha mais do que você. Como, por exemplo..." Bessic sacudiu o queixo em direção a algo atrás de Edward.
Apesar de si mesmo, Edward se virou para olhar. Ele sabia que era melhor não desviar sua atenção durante uma luta, mas a presença avassaladora atrás dele tornava impossível ignorar.
O que ele viu foi...
"Vocês se conectaram e ficaram mais próximos? Dizem que os homens se aproximam depois de uma boa luta", veio uma voz alegre.
Era Caron Leston, o jovem arrivista que Edward tinha visto antes, caminhando em direção a eles com seus camaradas.
"Com toda essa conversa, vocês quase parecem amigos", acrescentou Caron, seu tom brincalhão enquanto ele erguia sua espada azul escura. Ele olhou entre Bessic e Edward, um sorriso malicioso se curvando em seus lábios.
"O urso astuto parece que já sabia, mas acho que você não sabia, não é, Bigode? Coitado. Como é ser descartado pela Rainha?", ele perguntou provocativamente. Sua voz pingava zombaria, seu sorriso se alargando com diversão.
"Mas ei, pelo menos você tem um companheiro para a vida após a morte. Deem as mãos agora – eu farei rápido e limpo", acrescentou.
Com essas palavras, a espada de Caron começou a irradiar uma luz intensa.
Whoosh!
Caron e seus companheiros avançaram em uníssono, descendo sobre os piratas restantes.