
Capítulo 128
O Cão Louco da Propriedade do Duque
Capítulo 128. Conseguir o que Precisa Ser Conseguido
Edward encarava Caron com um olhar vazio, o peso do fracasso o oprimindo. Ele se perguntava onde tudo tinha dado errado, porque não era para isso ter acontecido.
O plano era simples. Eles só precisavam neutralizar os espíritos dos elfos e, em seguida, invadir sua aldeia, enfraquecida e indefesa. Era uma operação direta, mas o resultado foi diferente de suas expectativas.
Boom!'Argh!'
'P-Por favor, poupe minha vida!'
Foi um completo desastre.
Os subordinados que seguiram Edward desde seus dias em uma ordem de cavaleiros agora estavam encurralados, à beira do abismo.
Alguns foram derrubados pelos brutamontes do Bando Pirata Tubarão Branco, enquanto outros sucumbiram ao veneno de Bessic. Mesmo aqueles com a sorte de se manterem firmes estavam sendo gradualmente eliminados pela magia espiritual dos elfos.
Acabou, pensou Edward. O que ele antes havia descartado como uma vitória fácil havia se transformado em sua sepultura."...Como pode ser?" ele murmurou.
Um ressentimento amargo em relação à Rainha, aquela que o havia abandonado, surgiu das profundezas de seu coração. Ele não conseguia compreender a escolha dela. Tudo o que ele tinha feito era seguir suas ordens, cumprindo sua vontade à risca. Então, ele não conseguia entender por que ela havia escolhido este momento para descartá-lo.
Embora, no fundo, ele já soubesse a resposta.
Clang!Tudo surgiu daquele pirralho astuto, Caron Leston, aquele que estava se aproximando dele. Desde o momento em que a operação deles desmoronou, até a repentina mudança de ideia da Rainha...
A mente de Edward entendia isso muito bem, mas seu coração se recusava a aceitar.
"Caron Leston!" ele rugiu, reunindo cada gota de mana que lhe restava.
Apesar do cansaço que pesava sobre seu corpo por causa de seu combate com Bessic, Edward forçou suas reservas de mana esgotadas à superfície. Ele não podia morrer ali. Ele tinha que sobreviver e viver o suficiente para pagar por essa humilhação.
Mas com seu corpo maltratado atingindo seu limite, era impossível.
Clang!Quando sua lâmina atacou, atingiu a espada azul escura de Caron, apenas para perder sua força instantaneamente. Cada choque de suas espadas espalhou os últimos vestígios do mana de Edward.
Este mero garoto de dezessete anos—uma criança, na verdade—era inquietantemente preciso, explorando cada abertura com eficiência implacável.
A batalha já estava perdida. E, no entanto, Caron não se apressou em terminá-la. Em vez disso, ele desmontou as defesas de Edward uma a uma, como se estivesse zombando dele.
Ele é um demônio, pensou Edward amargamente.Como um cavaleiro, ele deveria respeitar a honra de seu oponente, mesmo no calor da batalha. Mas Caron... Não havia um pingo de honra nele.
Boom!'Argh!'
Uma onda violenta surgiu debaixo dos pés de Edward, atingindo seu torso. Sangue jorrou de sua boca em torrentes.
Sua visão ficou turva, mas através da névoa, ele viu Bessic cair. O homem, que havia lutado com fúria implacável, finalmente encontrou seu fim nas mãos dos camaradas de Caron.
Edward pensou que se eles tivessem lutado juntos desde o início, talvez pudessem ter superado isso. Mas agora, tal arrependimento não tinha sentido.
'Ah...'
Em todo o vasto campo de batalha, Edward era o último de pé. Os poucos piratas que sobreviveram aos espíritos dos elfos perderam até mesmo a vontade de resistir e estavam fugindo por suas vidas, mas os golems de Etyron não permitiam tal fuga. Os nagas também não eram exceção.
Aqueles que deveriam estar fornecendo suporte com magia foram emparelhados com uma figura imensamente poderosa. Mesmo à primeira vista, era claro que a figura era tão poderosa quanto um guerreiro de 8 estrelas. Pela primeira vez, o verdadeiro desespero invadiu o coração de Edward. Não havia como sair daquele lugar agora.
"Caron Leston," ele disse, sua voz pesada enquanto ajustava sua empunhadura em sua espada e fixava seu olhar no jovem à sua frente. "Não desonre a última honra que me resta."
Sua voz era baixa, tremendo levemente enquanto ele encarava o demônio à sua frente. "Enfrente-me com sua melhor esgrima. É tudo o que peço."
Edward esperava ao menos essa clemência, mas a resposta que recebeu não poderia ter estado mais longe de suas expectativas.
"Honra? Para um pirata?" A voz de Caron era zombeteira, afiada como a lâmina que empunhava. "A ideia de um pirata honrado é como dizer que existe um 'mago negro benevolente'. Puro disparate—algo que não existe neste mundo."
Ele sorriu, levantando sua espada com facilidade enganosa, e a girou em um arco simples e não refinado.
Nem valia a pena chamar de técnica de espada—era apenas um golpe básico. Mas Edward, levado ao seu limite, mal conseguia reunir forças para bloqueá-lo.
Thwack!Aquele golpe aparentemente sem esforço estilhaçou pedaços da armadura de Edward, um por um. Seu corpo não conseguiu resistir à aura infundida na lâmina de Caron por mais tempo.
"Você veio aqui para destruir o futuro de elfos inocentes", disse Caron, sua voz gotejando desdém. "E agora você fala de honra?"
A risada zombeteira do demônio ecoou nos ouvidos de Edward. Em um acesso de raiva desesperada, ele forçou seu núcleo a funcionar em overdrive, sua voz se elevando em um grito desafiador. "Você acha que eu vou morrer tão facilmente?"
Este era o mana que ele havia cultivado ao longo de uma vida inteira. Mesmo que não pudesse mudar o resultado, ele se certificaria de que sua morte tivesse significado.
Mas naquele momento...
Squelch.A espada azul escura de Caron perfurou o peito de Edward. Mana surgiu da lâmina, e uma dor horripilante se espalhou por ele, como se incontáveis insetos estivessem dilacerando seus órgãos por dentro.
Ele não conseguiu nem mesmo realizar o ataque que pretendia. O mana de Caron se espalhou por ele em um instante, assumindo o controle de seu núcleo e caminhos de mana com facilidade aterrorizante.
Thud.Edward caiu de joelhos. Sua visão ficou turva enquanto ele olhava para o jovem parado sobre ele. Reunindo o último de sua força, ele forçou uma maldição final. "Você... terá um fim miserável um dia—"
Antes que ele pudesse terminar sua frase, no entanto...
Slash!Caron arrancou sua espada, Guilhotina, do peito de Edward. E sem hesitação, ele a passou limpamente pelo pescoço de Edward.
Thud.A cabeça decepada de Edward caiu no chão, seus olhos sem vida ainda abertos.
Caron cuspiu saliva tingida de sangue na terra, um sorriso torto se espalhando em seu rosto.
"Um pirata, tentando dar algumas últimas palavras grandiosas?" ele zombou, balançando a cabeça. Ele girou Guilhotina levemente, sacudindo o sangue que revestia sua lâmina. Então, olhando para a cabeça de Edward com desapego frio, ele murmurou em voz baixa: "Você morreu como a praga que é. Isso combina perfeitamente com você."
Com isso, Caron se virou para olhar para seus camaradas. Eles também não estavam em boa forma.
As mãos de Leo tremiam incontrolavelmente, como se o veneno que corria em suas veias tivesse tomado conta completamente. Perto dali, a armadura de Leon estava danificada e disforme, dobrada grotescamente em alguns lugares. Utula não estava muito melhor. Sangue jorrava de seu ombro, onde o machado de Bessic havia rasgado até mesmo seus músculos duros como ferro.
Vendo a condição deles, Caron soltou uma risadinha seca e gracejou: "O quê, é tão difícil cuidar de um inimigo moribundo?"
Leo, gaguejando com respirações ofegantes, conseguiu uma resposta fraca. "A-A-Antídoto... para v-veneno... V-Você tem um?"
"Leo," disse Caron.
"O-O quê?" Leo respondeu.
"Não existe um ditado que diz que as dificuldades na juventude valem a pena passar? Já que você está nisso, por que não desenvolver alguma resistência ao veneno? Apenas aguente aí," Caron sugeriu.
"Eu estou realmente p-prestes a m-morrer de verdade... Eu juro que vou..." Leo gaguejou.
"Nah, as pessoas não morrem tão facilmente," disse Caron com um sorriso, dando a Leo um joinha alegre.
Sem esperar por uma resposta, ele desviou sua atenção de seus camaradas em apuros e olhou para o fundo da aldeia.
"Acabou," ele comentou.
À distância, um grupo de elfos montados em lobos corria em direção ao campo de batalha em velocidade máxima.
Momentos depois, um pássaro enorme feito de chamas rugindo voou para o céu. Ele disse: "Eu vou queimar cada um de vocês até o último."
"Ifrit," murmurou Caron.
O fato de Ifrit ter se revelado aqui significava que Orion, o contratante de Ifrit e o capitão da patrulha dos elfos, havia chegado.
"Não deixem aqueles que invadiram a floresta saírem vivos!" Orion instruiu.
À medida que os elfos montados em lobos chegavam, os defensores dentro da aldeia começaram a emergir também, formando uma frente unida.
Caron soltou uma longa respiração enquanto examinava a cena. Ele ponderou consigo mesmo: "Bem, então, o que eu deveria exigir desta vez?"
A batalha havia terminado. Tudo o que restava agora era entregar a conta aos elfos.
Seus lábios se curvaram em um sorriso satisfeito que só cresceu em um sorriso mais largo quando ele disse: "Só de pensar nisso já está me dando água na boca."
***
Uma vez que os elfos se juntaram à batalha a sério, o campo de batalha foi rapidamente trazido sob controle. Os piratas não tinham chance de escapar. Afinal, esta era a Grande Floresta do Sul, e ninguém poderia esperar superar os elfos, que eram abençoados pelas matas.
Whoosh.Orion se virou para Leo, que ainda tremia por causa dos efeitos do veneno, e invocou um espírito da água para limpar seu sistema. Uma vez que o antídoto fez seu trabalho, Orion silenciosamente fixou seu olhar em Caron.
Em voz baixa, ele disse: "Se não fosse por você, estaríamos reunindo os corpos de nossos parentes agora. Você nos ajudou de novo, Caron. Não tenho certeza de como podemos retribuir essa dívida."
Ele olhou ao redor do campo de batalha, coberto com os corpos de piratas. Sem o grupo de Caron, a aldeia teria sido reduzida a ruínas muito antes que os elfos pudessem montar uma defesa.
"Eu não teria pensado que a própria Rainha se envolveria," Orion murmurou.
Ele também tinha ouvido falar da mulher humana que eles chamavam de Rainha. Ela também era conhecida como a governante dos mares do sul. Uma guerreira que havia alcançado o ápice de 8 estrelas nunca poderia ter sido parada pela força da Aldeia Eär sozinha.
"É um alívio que ela se retirou pacificamente," disse Caron. "Honestamente, nós também não esperávamos que a Rainha aparecesse."
Mesmo agora, o resultado parecia quase como um golpe de sorte divina. Se eles não tivessem conhecido Kerra, ou se a Rainha não tivesse sido persuadida, o melhor que eles poderiam ter esperado era escapar com suas vidas.
Orion perguntou em um sussurro curioso: "Como você convenceu a Rainha?"
Caron respondeu com um sorriso: "Vamos chamar isso de ofensiva de charme."
A expressão de Orion se contorceu levemente. Ele perguntou: "Você... foi tão longe por nós...?"
"...Que tipo de bobagem você está imaginando agora?" Caron rebateu com um gemido.
"Bem, mesmo como um elfo, eu diria que você é muito bonito. É possível que você fosse o tipo dela..." Orion parou, claramente entretendo alguns pensamentos bastante duvidosos.
Caron levantou um punho em direção a Orion e disse: "Nem mesmo brinque sobre algo assim! Você sabe quantos anos a Rainha tem?"
"Sem ideia," Orion admitiu.
"Ela tem pelo menos oitenta anos!" Caron protestou.
Orion arregalou os olhos como se isso não importasse nem um pouco, então disse: "Oitenta? Essa é a idade ideal. Qual é o problema?"
"Não pense nisso em termos de elfo, pelo amor de Deus," Caron murmurou, balançando a cabeça.
"É humor élfico," Orion respondeu com um sorriso astuto. Sua voz suavizou quando ele acrescentou: "Mas eu estou realmente curioso sobre como você a persuadiu a ir embora."
"Ela é uma pessoa calculista," Caron disse simplesmente.
"Calculista?" Orion perguntou.
"Ela pesou o custo de me cruzar contra manter algum tipo de relacionamento. No final, ela fez sua escolha," Caron explicou.
Orion assentiu, sua expressão pensativa enquanto ele dizia: "Parece que a Rainha tem você em alta conta."
"Talvez. Acho que sim?" Caron respondeu com um encolher de ombros.
"Se eu fosse a Rainha, eu teria feito a mesma escolha," disse Orion.
"Isso foi um elogio?" Caron perguntou.
"Foi," Orion confirmou.
Com um aceno casual de sua mão, ele conjurou uma parede imponente de chamas à distância, garantindo que nenhum pirata escapasse.
"Você descobriu o que a Rainha estava procurando?" ele perguntou.
"Ela estava atrás do tesouro de Etyron," Caron respondeu.
"Mas com Etyron morto, não há como acessá-lo," Orion disse, confuso.
"Agora há. Um filhote nasceu," Caron anunciou.
Orion piscou e disse em descrença: "Isso é difícil de acreditar."
"Deixamos o filhote na aldeia por enquanto. Você o verá em breve. Além disso, há algo que eu preciso discutir com seus elfos sobre o filhote," disse Caron.
Enquanto os dois continuavam sua conversa, algo incomum chamou a atenção de Caron.
"O que eles estão fazendo?" ele murmurou.
Ao contrário dos piratas espalhados, que estavam fugindo caoticamente, os nagas que estavam na retaguarda estavam se comportando de forma estranha. O grande crocodilo, Leviatã, havia sido cortado em dois pela lâmina de Kerra, e Caron esperava que os nagas lançassem algum tipo de último ato desesperado.
Em vez disso, quase cem nagas estavam ajoelhados no chão, depondo suas armas.
Mesmo Orion, que lutou contra nagas por anos, franziu a testa em confusão. Ele murmurou: "Nagas geralmente escolhem a morte em vez da captura. Por que eles...?"
Antes que ele pudesse terminar seu pensamento, Kerra saltou da localização dos nagas e pousou levemente ao lado de Caron. Ele olhou entre Caron e Orion então perguntou: "Caron Leston, quem é este?"
"Este é Orion Guardavento, o capitão da patrulha dos elfos. Orion, este é Kerra Acht." Caron os apresentou um ao outro.
"O cavaleiro do Imperador Malevolente. Então, esta é a pessoa que você estava procurando..." Orion disse.
"Momento perfeito," disse Kerra, acenando brevemente com a cabeça. Ele se virou para ambos e acrescentou: "Os nagas querem se render. Mais especificamente, eles pediram para falar com você, Caron Leston."
"Comigo? Por que comigo?" Caron perguntou, intrigado.
"Como eu saberia?" Kerra respondeu com um encolher de ombros. Ele então olhou para Orion. "Ah, e a propósito, este pedido vem de alguém que afirma ser o herdeiro do Reino Naga. Aparentemente, um membro da realeza está entre eles. Eu deveria... apenas matar todos eles?"
Essa era certamente a opção mais segura. Os nagas eram conhecidos por sua magia negra, e não estava fora de questão que eles pudessem tentar algo traiçoeiro. Mas com Kerra e Orion ao lado, não havia como os nagas conseguirem fazer algo tolo.
"Se eles fossem tentar algo, eles já teriam feito isso agora," Caron raciocinou. Após uma breve pausa, ele disse: "Vamos ouvir o que eles têm a dizer."
Foi só trinta minutos depois que Caron percebeu que essa era a melhor decisão que ele poderia ter tomado.
[1] - Guilhotina: Nome da espada de Caron.