
Capítulo 125
O Cão Louco da Propriedade do Duque
Capítulo 125. A Rainha
A mulher fitava o chão lá do alto. Todos os presentes perceberam imediatamente quem ela era.
Era a Rainha. Aquela palavra existia para ela e somente para ela.
A presença opressora que ela exalava varreu o campo de batalha como uma onda imparável, sufocando todos sob seu peso.
“...Caron”, Leo murmurou, quase como se estivesse hipnotizado.
Aquela era uma força dominante, uma presença que podia até mesmo superar a de Kerra — um ser de poder absolutamente esmagador.
A intensidade pura de sua aura pressionava os ombros de todos, não deixando dúvidas de que ela era uma força incomparável.
“...Esqueçam o plano de matar todos eles”, disse Caron. Aquilo não era algo que ele havia previsto. Mas, novamente, nada jamais saía como planejado.
Agora, a questão não era como matá-la — era como sobreviver a ela.
Aquela mulher era uma calamidade. Um desastre ambulante — não, voador — em todos os sentidos da palavra.
Mas Caron sorriu ao olhar para a Rainha, aparentemente imperturbável, e ela pareceu ter notado seu sorriso.
“Ela está vindo”, disse Leon.
Assim que ela falou, o grifo que carregava a Rainha começou a descer, cortando em direção a Caron e seu grupo como um raio.
Caron desembainhou a Guilhotina em um movimento rápido e gritou: “Todos, preparem-se!”
O ar vazio se partiu quando o grifo avançou, um borrão de luz cortando o campo de batalha. Em um piscar de olhos, o que era um ponto distante apareceu bem na frente deles.
Boom!
Um flash ofuscante irrompeu do cavaleiro do grifo, engolindo o grupo de Caron em seu rastro.
“Arghh!”
“Urgh!”
“Ughhh!”
Gritos de dor escaparam deles quando a violenta onda de energia os atingiu.
Mesmo assim, nenhum deles vacilou. Cada um se agarrou firmemente às suas armas, olhos fixos na figura acima, determinados a não perder a compostura.
Momentos depois, uma voz lânguida ecoou em seus ouvidos. “Que admirável. Vocês são verdadeiramente os netos do Duque Halo.”
Era uma voz jovial, de tal forma que ninguém poderia adivinhar sua idade real.
Caron engoliu o sangue que subia em sua garganta e forçou um sorriso firme. Olhando para a Rainha, que pairava acima deles, ele a cumprimentou em tom de brincadeira: “Sua primeira apresentação é um pouco rude, não acha, Vossa Majestade? Para ser honesto, esse tipo de coisa geralmente faz meu tipo... mas foi bem picante”.
“Gostou?”, perguntou a Rainha com um sorriso malicioso.
“Este nível de pimenta? É mais tortura do que uma iguaria. Machuca”, respondeu Caron.
“Essa era a intenção. Eu queria que doesse, então fico feliz que tenha funcionado”, respondeu a Rainha.
“Você tem... gostos únicos”, disse Caron secamente.
“Você vai entender quando tiver a minha idade. Qualquer um que viveu tanto quanto eu e alcançou esse tipo de posição desenvolve um senso de humor distorcido. É a única maneira de manter a sanidade. E acredito que seu avô não seja diferente”, explicou a Rainha enquanto seu olhar penetrante se fixava em Caron.
Parecia que todo o peso de sua presença recaía sobre ele sozinho, sufocando o ar de seus pulmões. Era como se a própria atmosfera tivesse se transformado em um leito de espinhos, despedaçando-o pedaço por pedaço.
E, no entanto, Caron sabia — não era nada mais do que uma ilusão.
Qualquer ser que alcançasse o auge de 8 Estrelas já havia há muito tempo ultrapassado o reino da humanidade. Até mesmo a aparência da Rainha deixava isso claro. Ela não parecia ter mais de trinta e poucos anos, no máximo. Era uma prova de como ela havia transcendido os limites mortais, revertendo a própria marcha do tempo.
“Caron Leston”, a voz da Rainha ecoou, ressoando nos ouvidos de Caron.
Caron olhou para ela com um sorriso tenso e disse: “Para a própria Rainha saber meu nome... Devo admitir, é uma grande honra”.
“O ser divino da Família Ducal de Leston”, respondeu a Rainha com um leve sorriso. “Como eu poderia não notar?”
Enquanto ela falava, ela saltou graciosamente de seu grifo. Ela pousou levemente no topo da pequena colina onde Caron e seus companheiros estavam. Ela tinha quase um metro e oitenta de altura, com um físico esculpido impecavelmente e uma armadura tingida com sutis tons carmesins, ampliando a pura intimidação de sua presença. Ela segurava uma lança preta frouxamente ao seu lado, seu olhar penetrante fixo diretamente em Caron.
“Caron”, chamou Leo.
“Fique atrás de nós”, disse Leon.
“Nós vamos ganhar tempo para você”, acrescentou Utula firmemente.
Os companheiros de Caron o instaram a recuar enquanto se colocavam na frente dele.
Os lábios da Rainha se curvaram em um sorriso divertido com sua demonstração de lealdade. “Ah, que camaradagem comovente. Estão tentando salvar o mais jovem? Verdadeiramente, é emocionante.”
Seu carisma avassalador irradiava dela em ondas, uma força que transcendia a mera mana. Era uma aura indescritível, que fazia com que qualquer um em sua presença sentisse como se tivesse que cair de joelhos.
Se até mesmo Caron estava lutando sob aquele peso, seus camaradas só podiam estar se sentindo pior.
“Caron, você tem que viver”, disse Leon, sua voz tremendo.
Com a Rainha agora em jogo, havia apenas uma opção restante — seu melhor e único movimento era garantir a sobrevivência de Caron.
Ao ouvir as palavras de Leon, tanto Leo quanto Utula assentiram silenciosamente em concordância.
Mas Caron, com sua voz calma, mas resoluta, respondeu: “Não chegou a isso”.
“Caron, não é—”, começou Leon.
“Ela parece querer algo de mim”, interrompeu Caron, seu tom firme. “E sejamos honestos — se ela decidir nos perseguir em seu grifo, não vamos chegar muito longe de qualquer maneira.”
Mesmo que ele levasse as habilidades de Pluto ao limite, a fuga era impossível.
Um cavaleiro que alcançou 8 Estrelas era uma força além da humanidade — um ser absoluto que nenhum deles poderia esperar desafiar.
A Rainha sorriu, claramente satisfeita com suas palavras, então disse: “Exatamente como ouvi. Você é inteligente, rápido para avaliar a situação. Se ao menos meus subordinados fossem metade tão espertos quanto você.”
“Eu ouço isso com frequência”, respondeu Caron.
“Já pensou em se tornar um pirata? É uma linha de trabalho bastante agradável”, sugeriu a Rainha.
“Eu não sou exatamente fã do mar”, respondeu Caron.
A Rainha riu, então disse: “Bem, talvez você queira começar a gostar agora. Estou planejando enterrar seu cadáver no mar”.
Uma intenção assassina irradiava dela, afiada o suficiente para fazer a pele de Caron formigar.
Whoosh!
Sua intenção de matar aberta ressoou com a Guilhotina, a espada vibrando em resposta à tensão.
Caron sorriu levemente enquanto levantava a Guilhotina, perguntando casualmente: “O Mar do Sul é frio, por acaso?”
“É mais quente que o Mar do Norte”, respondeu a Rainha. “Tenho certeza de que você vai gostar.”
“Oh, mas eu prefiro mares frios”, ponderou Caron antes de acrescentar com polidez exagerada: “Vossa Majestade, posso humildemente dizer algo?”
Divertida com suas teatralidades, a Rainha assentiu com um leve sorriso e respondeu: “Por que eu não concederia a um homem moribundo seu último desejo? Vá em frente.”
“Por que não resolvemos isso com uma conversa?”, propôs Caron.
A audácia da declaração fez com que a intenção assassina da Rainha se intensificasse. Sua voz, gotejando fúria, veio logo em seguida. “Você é um engraçadinho, não é? Depois do que você fez com meus homens, você ousa vomitar tais bobagens?”
“Mas, Vossa Majestade, vocês nos atacaram primeiro”, rebateu Caron, sua expressão calma. “A maioria chamaria isso de legítima defesa.”
“Você fala como se já tivesse morrido antes”, disse a Rainha, estreitando os olhos. “Você não parece temer a morte nem um pouco. Deixe-me lembrá-lo, garoto, há limites para o quanto você pode se esconder atrás do nome de sua família. E você já cruzou essa linha.”
Whoosh!
A lança em sua mão começou a vibrar com mana violenta e bruta que se acumulava em sua ponta. O próprio ar parecia se rasgar quando sua mana aumentou, o espaço ao redor da lança escurecendo em um preto ameaçador.
“Existe uma lei não escrita entre os piratas”, disse ela com um sorriso frio. “Sangue deve ser pago com sangue. Simples, não é?”
Seu olhar penetrou Caron como se o desafiasse a reagir.
“Mas estou curioso para ouvir as bobagens que você vai vomitar em seguida”, acrescentou ela. “Então, vamos fazer um acordo.”
“Estou ouvindo”, disse Caron.
“Se você conseguir bloquear minha lança uma vez, darei a você a chance de falar suas bobagens”, declarou a Rainha.
Caron levantou a Guilhotina com um leve sorriso e respondeu: “Que misericordioso de sua parte”.
“E sua resposta é?”, insistiu a Rainha.
“Eu aceito o acordo”, respondeu Caron.
Tomando sua posição, ele olhou para trás para seus companheiros e instruiu: “Todos, recuem. Vocês podem ser pegos nisso”.
“...Caron, você não pode lidar com isso sozinho—”, começou Leon, mas Caron a interrompeu.
“Por favor, eu imploro”, disse Caron firmemente. “Leon, leve Leo e Utula com você e fiquem para trás.”
Leon hesitou, mas acabou assentindo ao ver o olhar resoluto no rosto de Caron. Ela colocou uma mão nos ombros de Leo e Utula, puxando-os para uma distância mais segura.
Enquanto seus companheiros recuavam, Caron soltou um pequeno suspiro de alívio. Sua expressão relaxou ligeiramente enquanto ele se voltava para a Rainha e dizia: “Não há necessidade de prolongar isso, não é? Vamos começar.”
Whoosh!
Os sete mares que se aninhavam no núcleo de mana de Caron começaram a ressoar violentamente.
A visão arrancou um pequeno som de aprovação da Rainha. “7 Estrelas aos dezessete anos. Impressionante, Caron Leston. Mas não será suficiente.”
Shinggggg!
A lança deixou sua mão, cortando o ar e correndo em direção à garganta de Caron com uma velocidade aterrorizante.
A lança voou em direção a Caron.
Não havia nenhuma técnica intrincada por trás do arremesso, apenas um movimento simples e direto. No entanto, essa simplicidade não decorria de uma falta de habilidade da parte da Rainha. Era porque ela era tão esmagadoramente poderosa que nenhuma sutileza era necessária.
Craaaack!
A mana de 8 Estrelas imbuída na lança rasgou tudo em seu caminho com força brutal. Até mesmo o ar envolvido na lança foi destruído, deixando uma longa cicatriz preta trilhando em seu rastro.
Whoosh!
Os sete mares dentro do coração de Caron rugiram para a vida, suas ondas surgindo incessantemente. A mana daquelas águas ilimitadas fluiu para fora, formando um novo mar que se inchava ao seu redor.
Era uma maré alta. O mar, levado ao seu limite absoluto, retardou tudo em seu alcance.
Caron segurou a Guilhotina em um ângulo inclinado, seus olhos fixos na trajetória da lança. Ele pensou: Não há como desviar disso.
O caminho da lança era cruelmente preciso. Se ele tentasse evitá-la, a lança infalivelmente rasgaria seus camaradas.
O desafio da Rainha era claro: Ele lidaria com o peso sozinho ou transferiria o fardo para aqueles ao seu redor?
Para Caron, a escolha não foi difícil de fazer. Na verdade, foi tão direta que uma estranha sensação de euforia percorreu seu corpo.
Eu vou aguentar o golpe, pensou Caron.
A conclusão era simples. Ele ia parar a lança impossível. Essa era a única coisa que ocupava sua mente inteiramente.
Boooooom!
A lança colidiu com o mar de Caron, desencadeando uma onda de choque que o sacudiu. A mana sozinha parecia que poderia estilhaçar todos os ossos de seu corpo. Uma dor agonizante o percorreu, semelhante a ser dilacerado ainda vivo. Por um momento fugaz, sua visão ficou turva, ameaçando puxá-lo para baixo.
Mas Caron se recusou a perder o foco.
Whoosh!
Ele canalizou um fluxo implacável de mana para o mar que se chocava com a lança. Ao mesmo tempo, ele começou a empunhar uma esgrima capaz de bloquear aquela lança.
Eu não vou conseguir bloquear esta lança com as Artes da Espada do Lobo do Oceano, pensou Caron.
Ele rapidamente tomou sua decisão. Nenhuma das técnicas que ele havia dominado nesta vida poderia bloquear um ataque desta magnitude.
Mas se ele levasse em conta sua vida anterior... Havia uma.
Havia uma técnica que era capaz de parar esta lança monstruosa.
Whoosh!
Uma chama azul escura se acendeu na ponta da Guilhotina, tremeluzindo ferozmente. Sem hesitação, Caron brandiu sua espada, deixando um rastro de chamas. Do inferno azul floresceram incontáveis pétalas, caindo como uma chuva de estrelas.
Era a Forma de Espada Imperial 7: Flores Caídas.
As pétalas há muito esquecidas que haviam se perdido para o mundo cinquenta anos atrás com a morte de Cain Latorre se desdobraram na borda da espada de Caron.
Fwoosh!
Centenas de pétalas se espalharam por cima do mar que cercava Caron. Elas flutuaram graciosamente, pousando sobre a superfície da água antes de convergir rapidamente em um único ponto. Em meros momentos, elas se uniram em um escudo massivo, sua superfície composta de pétalas azuis escuras.
E desta vez, o poder de Pluto infundiu o escudo, envolvendo-o em escuridão.
Shhhhhh—
A escuridão consumiu toda a luz circundante, tornando o escudo quase imperceptível a olho nu.
CRACKKKK!
A lança da Rainha, cortando o mar, finalmente atingiu o escudo com força devastadora. O impacto o distorceu violentamente, espalhando pétalas em todas as direções.
A onda de choque resultante percorreu Caron, sacudindo todo o seu corpo. A dor era imensa, mas ele rangeu os dentes, despejando cada grama de foco nas pétalas rodopiantes.
Tudo isso aconteceu em um piscar de olhos — um choque de poder em um nível incompreensível para a maioria dos observadores.
Este era seu plano o tempo todo, não era? Caron pensou enquanto fixava seu olhar na Rainha além da lança.
Sua expressão outrora confiante havia endurecido, sua compostura substituída por uma resolução fria.
Crackkk!
Finalmente, a lança perfurou o escudo e disparou em direção ao peito de Caron. Mas não era mais a mesma lança que havia sido quando deixou sua mão. Sua velocidade foi visivelmente reduzida.
Whoosh!
Caron estendeu a mão, a mana correndo para seu braço enquanto ele agarrava o eixo da lança pouco antes que ela pudesse perfurar seu peito.
“Argh—”
O sangue subiu em sua garganta, um gosto amargo enchendo sua boca enquanto ele engolia a dor. Cada centímetro de seu corpo gritava em agonia, mal se mantendo unido. E, no entanto, Caron apertou seu aperto na lança e fixou seus olhos nos da Rainha.
A Rainha soltou uma risada curta e incrédula, então perguntou: “Que tipo de lunático você é? Um monstro? Não, até mesmo chamá-lo de monstro parece... inadequado.”
Antes que ela pudesse continuar, Caron, ainda agarrando a lança, conseguiu um sorriso malicioso apesar de seu corpo trêmulo. Ele retrucou: “Ei, você não deveria ter envelhecido graciosamente? Quantos anos você tem, uns oitenta? E você está aqui jogando uma lança em alguém jovem o suficiente para ser seu neto. É por isso que não consigo respeitar os mais velhos.”
Ele ajustou sua postura. Embora todo o seu corpo gritasse de dor, ele se recusou a terminar as coisas assim.
“Você disse que sangue deve ser pago com sangue. E... Você me disse para bloquear seu ataque — não que eu não pudesse revidar”, continuou Caron.
“O que você está planejando, seu tolo—”, começou a Rainha.
“O que parece?”, interrompeu Caron, seu sorriso se aprofundando.
“É abuso de idoso.”
Depois de dizer essas palavras, Caron agarrou a lança com força e a arremessou de volta em direção à Rainha com toda a sua força.