O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 124

O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 124

Caron observava o caos se desenrolando entre seus inimigos, um leve sorriso de diversão brincando em seus lábios.

Isso está melhor do que eu esperava, pensou.

Boom!

Bessic, o Sexto Herói, virou seu enorme machado em direção a Edward sem hesitação. Sua fúria não se limitava apenas a Edward; os subordinados deste também foram pegos na tempestade de violência indiscriminada. Meio louco e movido pela raiva, Bessic não mais distinguia entre amigo ou inimigo, golpeando qualquer um ao seu alcance.

'Então, é isso que acontece quando frustrações reprimidas explodem de uma vez?', perguntou Guillotine.

'Certamente parece ser', disse Caron.

'Que habilidade desagradável e maligna você tem. Combina perfeitamente com você.'

Caron riu, absorvendo a cena. Embora ele inicialmente pensasse que tal técnica não funcionaria naqueles que haviam alcançado um nível superior de poder, o estado atual de Bessic provou o contrário. Parecia que até mesmo um cavaleiro 7-Estrelas podia sucumbir sob as condições certas.

'É só uma questão de quebrar a compostura deles, não é?', Caron ponderou em voz alta.

Quanto mais alto o nível de alguém, mais importante se tornava manter o controle emocional. A calma era a base de um combate eficaz. Mas Bessic, apesar de sua patente, não conseguiu manter este princípio básico. Sua perda de compostura, combinada com seu complexo de inferioridade subjacente em relação a Edward, tinha sido a tempestade perfeita para sua queda.

A raiva de Bessic, dirigida a Edward com hostilidade implacável, não nasceu da noite para o dia. Estava claro que essa animosidade estava fervendo há muito tempo. A Raiva apenas serviu para atiçar as chamas, dando a ele o empurrão final para deixar suas frustrações explodirem.

Caron sorriu e chamou Edward, sua voz carregada de zombaria: 'É por isso que a comunicação é importante, mesmo entre amigos. Você deveria ter esclarecido esses mal-entendidos à medida que surgiam. Agora olhe para essa bagunça.'

O maxilar de Edward se contraiu enquanto ele fixava um olhar penetrante em Caron.

'Você não tem sequer honra como um cavaleiro?', Edward exigiu. 'Não consigo acreditar que o neto do Duque Halo se rebaixaria a táticas tão sorrateiras. Você deveria se envergonhar!'

Parecia que suas palavras tinham a intenção de provocar Caron, mas Caron simplesmente assobiou e coçou a orelha, como se as palavras de Edward não fossem nada além de um ruído irritante.

'Honra? O quê, vou ganhar uma medalha da Associação Continental de Cavaleiros se eu começar a jogar limpo? Por que eu precisaria de honra para lidar com um bando de piratas?', Caron retrucou zombeteiramente.

'Eu não pensei que você, o neto do Duque Halo, seria essa desgraça—', Edward começou.

'Por favor, espalhe a palavra', Caron interrompeu com um sorriso. 'O neto mais novo do Duque Halo é um lunático sem honra. Eu adoraria isso. Sério, é o sonho da minha vida.'

As provocações de Caron continuaram implacavelmente, e Edward mordeu o lábio em frustração, lutando para manter a compostura. O flagrante desrespeito de Caron pelo decoro da cavalaria era exasperante. Ele era uma afronta a tudo em que Edward acreditava, um cavaleiro sem senso de orgulho ou dever.

'...Você não trará nada além de vergonha para sua casa', Edward rosnou.

'Eu te disse que esse é o objetivo, seu idiota de bigode', Caron respondeu alegremente. 'Quantas vezes eu tenho que te dizer? Ah, falando nisso, esse seu bigode ridículo é genético? Sinto muito por seus filhos se eles estiverem condenados a herdá-lo—'

'Seu bastardo!', Edward rugiu, sua contenção finalmente se rompendo.

Com um golpe furioso, ele liberou uma onda de mana de sua espada, a mana da lâmina formando um arco letal que disparou em direção ao pescoço de Caron. Era um ataque à altura de um cavaleiro 7-Estrelas, poderoso o suficiente para cortar aço.

Caron sorriu, levantando Guillotine para enfrentar a força que se aproximava. Com um movimento de seu pulso, ele desviou o ataque mortal com facilidade.

'Vamos lá', ele disse com um tom zombeteiro. 'Quem você acha que ficaria parado e aceitaria isso?'

Comparado ao poder que Kerra exercia, o ataque de Edward não era nada. O sorriso de Caron se alargou enquanto ele provocava Edward ainda mais.

'Mas você tem problemas maiores agora', disse Caron.

'Eu vou arrancar sua cabeça aqui mesmo—' Edward começou, mas suas palavras foram interrompidas por outra explosão estrondosa.

Boom!

'Edwaaaaard!', Bessic gritou enquanto seus olhos ardiam com raiva incontrolável, trazendo seu enorme machado para baixo em um golpe devastador que mal errou Edward. Ele atingiu o chão com força abaladora. Edward saltou para trás a tempo, mas Bessic avançou implacavelmente.

'Você não passa de um lacaio da Rainha!', Bessic berrou.

'Bessic!', Edward gritou de volta, sua voz impositiva. 'Concentre-se em subjugar Caron Leston! Essa é a prioridade!'

'Cale a boca!', Bessic rugiu. 'Eu não recebo ordens de você! Se a Rainha quer que algo seja feito, ela pode vir e me dar a ordem ela mesma!'

'Seu bastardo burro!', Edward rosnou, aparando outro dos golpes ferozes de Bessic.

Clash!

Depois de desviar o machado de Bessic, ele rapidamente olhou para o lugar onde Caron tinha estado, mas seus olhos só encontraram espaço vazio.

Onde diabos ele foi?, pensou Edward.

Edward pensou que Bessic, o tolo, tinha arruinado o cerco. A oportunidade de capturar Caron Leston tinha escapado por entre seus dedos. Mas Edward não podia se dar ao luxo de perseguir Caron por mais tempo.

Isso porque os subordinados de Bessic, agora tão enlouquecidos quanto seu líder, estavam avançando, seus olhos selvagens de frenesi. Era o caos em sua forma mais pura.

'Comandante! Um grupo de homens enlouquecidos está correndo em nossa direção!', um dos homens de Edward o avisou.

'Todos eles foram vítimas da feitiçaria de Caron Leston!', outro gritou.

'Caron Leston!', Bessic rugiu, sua voz ecoando pelo campo de batalha.

O culpado responsável por essa bagunça, no entanto, não estava em lugar nenhum. Ninguém sabia onde os planos meticulosos de Caron começavam e terminavam.

Naquele momento, a voz zombeteira de Caron soou à distância. 'E o que exatamente vocês todos podem fazer?'

O campo de batalha há muito se dissolveu em derramamento de sangue indiscriminado. A maioria de suas forças dependia da Tripulação Pirata Tubarão Branco liderada por Bessic. Mas agora, com alguns desses piratas sucumbindo à loucura da Raiva, a situação tinha saído do controle. Alguns dos homens amaldiçoados até se voltaram contra as forças naga estacionadas na retaguarda, mostrando os dentes como bestas raivosas.

Tudo isso—cada grama desse caos—foi causado por um jovem nem sequer com vinte anos de idade. Era absurdo, quase risível, quanta devastação ele podia desencadear.

Se ele escapar, acabou, pensou Edward sombriamente. Ele tinha que capturar Caron aqui e agora. Se aquele lunático ficasse solto, a taxa de sucesso de sua missão despencaria.

Assim que Edward se preparava para avançar, Bessic se tornou um obstáculo mais uma vez.

'Você está me ignorando de novo. Ótimo. Eu vou garantir que você nunca mais possa me ignorar', disse Bessic.

Boom!

Gás tóxico irrompeu de vários locais, espalhando-se rapidamente. Um punhado de homens de Edward tossiu sangue, desabando à medida que o veneno os dominava.

Edward lançou um olhar frio para Bessic, sua paciência chegando ao limite. Ele disse: 'Você realmente perdeu a cabeça.'

'Eu te desprezei desde o momento em que nos conhecemos. Eu deveria ter feito isso há muito tempo', Bessic cuspiu, seus olhos flamejando com ressentimento.

'Se a morte é seu desejo, eu de bom grado o concederei', Edward rosnou enquanto o poder dentro dele aumentava.

Mas, pouco antes que ele pudesse liberar sua fúria—

Fwoom!

Uma explosão de mana azul irrompeu por trás deles, indicando que os nagas tinham lançado um feitiço abissal em larga escala. A luz do feitiço estilhaçou a barreira defensiva dos elfos, e o escudo protetor que tinha envolvido a aldeia desapareceu.

O que se seguiu, no entanto, foi uma visão que nenhum deles tinha antecipado. Eles se perguntaram se o escudo também tinha ocultado uma ilusão.

No momento em que a barreira caiu, incontáveis elfos e espíritos emergiram da área que ela tinha protegido, armados e prontos.

Mas isso não era tudo.

Whoosh!

Atrás dos piratas, vindo do caminho que eles tinham percorrido, um exército de golens estava ali como se estivesse à espreita. Esses golens não eram constructos comuns. Suas formas ameaçadoras irradiavam uma presença sinistra que deixava claro que eles eram tudo menos triviais.

Quando Edward percebeu a razão, ele soltou uma risada amarga e disse: 'Então é por isso que Caron Leston se mostrou... Para dividir nossa atenção.'

Então outra coisa também o atingiu. Ele reconheceu os golens. Antes que eles viessem para cá, a própria Rainha os tinha alertado sobre esses mesmos constructos.

'Caron Leston... Você já fez contato com a cria, não é?', Edward comentou.

Não havia dúvida. Aqueles golens eram os guardiões da cria, mas perceber isso agora não tinha sentido. Era tarde demais.

'Então nós éramos os que estavam cercados o tempo todo...' Edward murmurou para si mesmo, sua voz carregada de descrença.

Então naquele momento—

Boom!

Fwoooom!

Os golens lançaram uma barragem de raios de energia devastadores. Um ataque implacável e impiedoso começou, e o campo de batalha foi consumido pela destruição.

***

Espíritos da terra ergueram paredes de solo, selando a força inimiga em ambos os lados. À frente estava a aldeia, e atrás estavam os golens de Etyron.

Os piratas e nagas, que se aliaram, agora se viram presos em todos os lados. Embora a formação fosse áspera e construída às pressas, o cerco estava completo.

'...Isso realmente funcionou?', Leo murmurou, um toque de espanto em sua voz enquanto ele olhava para o campo de batalha.

A princípio, ele tinha estado cético em relação ao plano de Caron, mas no final, Caron tinha conseguido.

Ssshh.

'Não é perfeito', disse Caron com um encolher de ombros, emergindo através da sombra de Leo. 'Funcionou porque eles eram piratas. Se eles tivessem sido um exército regular treinado... Eu nem teria tentado.'

'Caron', disse Leo.

'A Raiva funcionou melhor do que eu esperava', Caron continuou com um sorriso presunçoso. 'Sorte nossa que Bessic é tão derrotista. Aquele cara está envolvido em sua própria auto-aversão. Estou feliz por ter dado uma espiada com Pluto primeiro.'

Caron observou enquanto os espíritos e golens lançavam ataques implacáveis sobre os piratas, acenando lentamente para si mesmo. O sucesso deste plano foi o resultado de uma confluência fortuita de fatores.

'Você realmente acha que essa escória pirata sabe como realizar uma operação adequada? E isso nem sequer é o mar—é terra. Eles não passam de ralé em terra. Claro, talvez eles seriam um problema no mar, mas aqui? Eles são inúteis', Caron acrescentou.

Se seus oponentes tivessem sido soldados regulares, a batalha teria se desenrolado de forma muito diferente. Os soldados teriam implantado batedores para identificar ameaças com antecedência e verificado completamente por armadilhas, mágicas ou não.

Mas piratas eram diferentes. Os tolos gananciosos, cegados pelo fascínio dos despojos, tinham avançado como cães sem mente.

Ironicamente, a Tripulação Pirata Tubarão Branco, liderada por Bessic, tinha sido a principal razão para o sucesso de sua operação.

'Se eles tivessem sequer um padre, eles não teriam se desfeito tão mal', Caron ponderou.

Esta batalha também tinha fornecido dados valiosos sobre a Raiva. Era um poder semelhante à contaminação mental, causando confusão e caos ao afetar a mente. Se tivessem havido padres entre os piratas, eles poderiam ter neutralizado a maldição com bênçãos ou hinos. Mas, claro, piratas não eram exatamente conhecidos por viajar com padres.

Boooom!

Boom!


Os piratas, que tinham sucumbido à maldição e ao bombardeio implacável de todos os lados, enfrentaram devastação total.

'Agora isso é uma batalha', Caron murmurou, seu tom tingido de satisfação.

Para os pobres tolos presos no cerco, era nada menos que o inferno.

Miau!

Tendo completado sua tarefa designada, Pluto retornou e se aninhou contra a perna de Caron, ronronando afetuosamente.

'Bem feito, Pluto', disse Caron com um sorriso suave, acariciando o pelo aveludado do gato.

A operação não tinha vindo sem um preço. Quase vinte por cento de suas reservas totais de mana tinham sido consumidas. Mesmo depois de romper para 7-Estrelas e ver sua capacidade de mana disparar, perder um quinto dela não era uma questão trivial. Era um lembrete severo de que esse poder não podia ser usado imprudentemente.

Ainda assim, Caron não se sentia nem um pouco insatisfeito. Os resultados valeram a pena.

Ele tomou um gole de água infundida com Orvalho da Árvore do Mundo diluído, deixando suas propriedades restauradoras percorrerem-no enquanto ele examinava o campo de batalha.

Seria ideal se a situação se resolvesse sozinha a partir daqui, mas ele sabia melhor do que esperar por isso. A probabilidade de tal resultado era tristemente baixa.

'Eu tenho um mau pressentimento sobre algo...' Caron comentou.

Era um instinto, um que ele não conseguia expressar em palavras. Essa intuição nunca o tinha desviado antes, e agora sussurrava um aviso claro.

Por que isso?, Caron se perguntou.

Este sentimento inquieto não era apenas um pensamento passageiro; ele se agarrava a ele persistentemente. Ele se perguntou se tinha negligenciado alguma coisa.

Os dois heróis de quem eles tinham sido mais cautelosos estavam atualmente travados em combate, trocando golpes um com o outro. As coisas não poderiam ter ido mais favoravelmente. E ainda assim, essa sensação persistente de desconforto se recusava a deixá-lo, como a sensação irritante de sair do banheiro sem se limpar adequadamente.

Hmm... É por causa dos nagas?, Caron se perguntou.

Os nagas não tinham feito muito para se destacar ainda. Além de neutralizar a barreira defensiva da aldeia, suas contribuições não tinham parecido particularmente ameaçadoras. Claro, eles provavelmente estavam preparando outro feitiço, mas esse desconforto não parecia vir deles.

'...O que eu perdi?', Caron murmurou para si mesmo.

Sua vida era um ímã para o caos. Desde o momento em que ele tinha saído do Castelo Azureocean, uma série de infortúnios o tinha seguido. Não havia como tudo continuar a correr tão bem. Tinha que haver mais.

Uma situação onde nagas tinham se aliado a humanos era uma colaboração sem precedentes. Certamente, um evento tão monumental não poderia terminar em um gemido.

Enquanto Caron se afundava mais profundamente em seus pensamentos, Leon, que tinha estado silenciosamente observando a batalha ao lado dele, perguntou em voz baixa: 'Você não acha que suas forças são um pouco decepcionantes para estarem vindo atrás de uma cria de dragão?'

'Você está certo', Caron respondeu.

Embora Aqua fosse extremamente fofa, para outros ela era meramente a cria do temido Dragão Amaldiçoado, Etyron—um ser tão perigoso quanto eles vinham.

'Eles disseram que a Rainha consegue o que quer, certo? Se esse tipo de pessoa estivesse atrás de uma cria, ela realmente enviaria apenas esse tipo de força?', Leon se perguntou.

Suas palavras acertaram o alvo, apontando exatamente o que Caron tinha perdido. Dois combatentes 7-Estrelas eram inegavelmente formidáveis, mas eles se perguntavam se isso era realmente poder suficiente para capturar a cria do Dragão Amaldiçoado.

Caron pensou sobre qual decisão ele teria tomado se fosse ele orquestrando tal operação.

'Eu traria cada grama de poder que eu pudesse reunir', ele admitiu sombriamente.

E se a Rainha fosse trazer seu poder total...

'...Então a própria Rainha viria', Caron terminou.

Mas assim que ele chegou a essa conclusão—

Boom!

Uma lança maciça veio disparando à distância, rasgando o campo de batalha em uma única varredura devastadora. Em meros momentos, ela obliterou os golens que Caron tinha estacionado para bloquear a retirada dos inimigos.

E então, quando a poeira baixou, um monstro apareceu no céu. Era um grifo, um monstro com uma cabeça de águia e um corpo de leão. Em suas costas estava sentada uma mulher, sua mão direita agarrando uma lança maciça.

Havia apenas uma pessoa em todo o continente capaz de domar um grifo e arremessar uma lança com tal poder destrutivo. Era a Rainha Pirata, Kynda Reynolds.

Um dos outros nomes pelos quais ela era conhecida veio à mente, enviando calafrios pela espinha de Caron.

'...Lança Divina', Caron disse calmamente.

O olhar penetrante da Rainha Pirata encontrou Caron em meio ao caos, tão afiado quanto a própria ponta de sua arma.

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