O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 123

O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 123

A menção do nome 'Caron Leston' fez o rosto de Bessic se contorcer em desgosto. Era um nome que ele conhecia bem. O nome pertencia ao neto mais novo do renomado Grão-Duque Halo, que havia ganhado fama em todo o Império Orias.

'E qual a razão para revelar seu nome?', perguntou Bessic, sua voz baixa e estridente enquanto apertava seu machado de batalha, rangendo os dentes em frustração.

Ele pensava em Caron como um pirralho que não podia ter mais de vinte anos—um novato de uma família ducal. No entanto, ali estava ele, sorrindo como se achasse tudo divertido, bem na frente dele. A pura arrogância naquela expressão despertou uma profunda irritação no peito de Bessic.

'Você achou que eu tremeria de medo com o nome da sua família?', perguntou Bessic.

Ele detestava a arrogância inata dos nobres e seu maldito senso de direito. Até mesmo os nobres do Reino do Sul frequentemente exibiam o mesmo olhar condescendente ao encontrá-lo pela primeira vez.

'Você é só um pirralho convencido', ele cuspiu.

Ainda assim, até mesmo aqueles nobres pretensiosos implorariam por suas vidas com um machado pressionado em suas gargantas. Seus ares altivos desmoronando, dando lugar a lágrimas e súplicas—era um espetáculo que Bessic apreciava, um de seus passatempos favoritos.

'Eu me pergunto que tipo de cara você vai fazer', ele zombou, lambendo os lábios em um sorriso grotesco.

Ele não conseguia entender por que o neto mais novo da estimada família Leston estava ali, de todos os lugares, mas uma coisa era certa: este garoto tinha vindo para interferir em seus planos.

'Ouvi dizer que o Grão-Duque Halo te idolatra... Me faz pensar em qual alto resgate eu posso conseguir por você', Bessic ponderou em voz alta.

O sorriso de Caron se alargou e ele disse: 'Você é um homem grande como um urso, revirando os olhos como um esquilo assustado. Não está cansando a boca de tanto falar sozinho?'

'Eu vou arrancar essa língua da sua boca primeiro', Bessic rosnou, sua paciência se esgotando.

Ele avaliou rapidamente Caron. Os rumores sobre o mais novo da família Leston ser um prodígio não eram novidade para ele. Histórias sobre as habilidades de Caron se espalharam até mesmo para os distantes mares do sul, longe do alcance do império. Se esses rumores viajaram tão longe, era uma prova de quão extraordinário ele era.

Mas agora, frente a frente com o jovem, Bessic percebeu que os contos o haviam subestimado grosseiramente.

Isso é... absurdo, pensou ele, percebendo a total impossibilidade de avaliar a habilidade de Caron. Significava que a esgrima de Caron estava em um nível igual ao dele.

E isso não era tudo.

'Morraaa!'

'Aaaaargh!'

Bessic se perguntou que diabos era aquela habilidade monstruosa que havia levado metade de seus homens à loucura por algum poder estranho. Era sinistro demais para pertencer a um descendente de uma família nobre.

'Você poderia confundi-lo com um demônio', ele murmurou com uma risada amarga.

Diante dessas palavras, Caron casualmente balançou sua espada, acenando com aprovação fingida, então disse: 'Eu não sou um demônio, mas a espada? Sim, é uma espada demoníaca. Certificada pelo Santo do Reino Sagrado, nada menos, então você pode confiar em mim nessa.'

Aquela indiferença insuportável irritou os nervos de Bessic.

'Se eu te derrotar, meus homens vão parar com o frenesi', Bessic rosnou.

'Ah, eu não posso garantir isso', Caron respondeu levemente. 'Esta é a primeira vez que a uso em humanos, afinal. Ainda assim, obrigado por se voluntariarem como meus cobaias.'

'Seu pirralho arrogante!', gritou Bessic.

Ele não entendia como essa loucura estava se espalhando, mas uma coisa estava clara: quanto mais rápido ele terminasse com esse caos, melhor. Mesmo enquanto ele estava ali, mais de seus homens estavam sucumbindo ao frenesi, seus números crescendo a cada segundo.

Whoosh!


Finalmente, Bessic avançou em direção a Caron. O enorme machado em suas mãos cortou o ar com força esmagadora.

Ele ainda é só um pirralho, pensou ele, um sorriso zombeteiro puxando seus lábios.

Na batalha, o que mais importava era a experiência.

Todos conheciam as renomadas Artes da Espada Lobo do Mar da família Leston. Mas só porque alguém se destacava na esgrima não significava que sempre vencia. O domínio sobre uma arma era meramente uma ferramenta para auxiliar na vitória, não uma garantia dela.

Clang!

A lâmina de Caron desviou o machado de Bessic sem esforço, redirecionando sua força. Mas Bessic havia previsto isso. Seu sorriso se alargou enquanto ele torcia seu corpo com o ímpeto, girando no lugar.

Então—

Clatter!

Dezenas de pequenos recipientes se espalharam de dentro do casaco de Bessic, espalhando-se pelo chão. No instante seguinte, ele pisou forte e lançou-se para trás com força explosiva.

Boom!

A onda de choque de seu passo acionou os recipientes, liberando uma nuvem de fumaça verde cheia de agulhas venenosas.

Whizz! Whizz! Whizz!

As agulhas voaram em todas as direções, cada uma revestida com um veneno potente o suficiente para nocautear um elefante. Até mesmo a fumaça verde em si era misturada com toxinas—uma névoa mortal projetada para sufocar e incapacitar. Nem mesmo um cavaleiro 7-Estrelas poderia escapar de tal veneno potente ileso.

Enquanto a nuvem tóxica se espalhava rapidamente, o sorriso de Bessic se tornou mais sinistro. Ele pensou: Não há para onde correr.

Essa técnica já havia neutralizado inúmeros cavaleiros antes. A maioria dos guerreiros estava tão fixada em seu enorme machado de batalha que assumia que era sua única arma. Embora ele estivesse confiante em suas habilidades com o machado, sua verdadeira força estava em outro lugar.

'Eu já consigo ver claramente você envenenado e implorando por um antídoto', Bessic murmurou, saboreando a imagem de Caron de joelhos. Aquele veneno era seu trunfo, uma ferramenta que lhe havia trazido inúmeras vitórias com facilidade.

Um pirralho inexperiente como ele não teria visto isso chegando, Bessic pensou, confiante de que Caron não teria evitado o veneno a essa distância. Ele esperou a uma distância segura para que a névoa tóxica se dissipasse, certo de seu triunfo.

Mas então—

Whoosh!

A névoa venenosa girou, espiralando para cima como se estivesse presa em um redemoinho.

'Uau', a voz de Caron ecoou, calma e zombeteira. 'Usar veneno em cima dessa estrutura volumosa? Impressionante.'

A névoa verde se dissipou em um instante, revelando Caron parado no meio dela.

'Você é um sujeito mais complicado do que eu pensava', ele comentou, sorrindo enquanto fixava seus olhos em Bessic. 'Se não fosse por este escudo, eu estaria em apuros.'

Quando Bessic ouviu a menção de um escudo, seus olhos se voltaram para a mão esquerda de Caron, e sua expressão se contorceu em descrença.

O 'escudo' de que Caron falava nada mais era do que o próprio tenente de Bessic. O corpo do homem estava crivado de agulhas com pontas de veneno, e sangue preto escorria de sua boca.

'Bem a tempo, ele estava correndo em nossa direção. Achei que ele seria um escudo decente', disse Caron com indiferença, dando de ombros enquanto jogava o tenente trêmulo no chão na frente de Bessic.

O corpo do tenente desabou flácido aos pés de Bessic, suas convulsões desaparecendo na imobilidade.

'Honestamente, eu poderia ter desviado de tudo', Caron admitiu, seu tom leve. 'Mas isso teria sido um desperdício, não é? Você se esforçou tanto para preparar essa armadilha—eu tinha que pelo menos prová-la.'

Bessic pensou que Caron, o desgraçado, devia saber de antemão que veneno seria usado. Ele estreitou os olhos, um rosnado baixo escapando de sua garganta. 'Como você sabia?'

Caron riu e respondeu: 'Suas unhas. Elas estão descoloridas—escurecidas. Esse é um sinal claro de manuseio de veneno.'

O estômago de Bessic afundou. Em uma troca tão breve, Caron havia notado até o menor detalhe. Para alguém que nem tem vinte anos, sua percepção era assustadoramente aguçada.

'E usar recipientes para dispersar veneno assim... Esse é um truque do Sultanato Pajar, não é? Você é de lá? Difícil imaginar um rato do deserto como você se voltando para a pirataria, no entanto', Caron acrescentou, sorrindo enquanto inclinava a cabeça. Seu sorriso se alargou em algo muito mais sinistro.

'Bem, é minha vez agora', disse ele, balançando sua espada preguiçosamente antes de apontar um dedo para Bessic.

'Vamos lá, garotos', ele chamou, sua voz como uma provocação. 'Mordam ele.'

Diante dessas palavras, os homens frenéticos de Bessic se viraram, seus olhos selvagens de loucura, e correram em direção ao seu líder.

'Aaaaargh!'

'Matem ele!'

A maré de caos mudou, e os próprios subordinados de Bessic investiram contra ele, suas mentes perdidas para o frenesi.


'Uau, você é realmente um desgraçado sangue frio, hein?', Caron comentou, estalando a língua enquanto olhava para Bessic.

Derrubar seus companheiros não era algo que alguém pudesse fazer facilmente. Mesmo entre piratas, tinha que haver pelo menos um resquício de lealdade. Mas lealdade era um conceito estranho para este homem chamado Bessic.

Slash.

O enorme machado de Bessic cortou o ar, ceifando seus subordinados frenéticos sem hesitação. Seu rosto cheio de raiva estava salpicado com o sangue deles, e sua ferocidade era tão esmagadora que até mesmo alguns dos lacaios enlouquecidos saíram de seu frenesi.

'C-Chefe! Por favor, me descul—'

Slash!

O pedido de desculpas não importava. A clemência de Bessic era inexistente. Com um golpe de seu colossal machado de batalha, vários pescoços foram cortados em um instante. Não demorou muito para que os piratas infectados pela Raiva sob seu comando fossem abatidos.

Bessic, agora pingando sangue, voltou seu olhar assassino para Caron. 'Você não vai ter uma morte indolor', ele rosnou, sua voz grossa de ameaça.

A aura opressiva de um cavaleiro 7-Estrelas pesou sobre Caron como uma onda gigante. Mas em vez de vacilar, Caron sorriu com diversão e disse: 'Bom. Esse é o tipo de olhar que eu gosto de ver.'

Um tempo atrás, tal intensidade poderia ter deixado Caron desconfortável. Mas agora, ele encarou a intenção assassina de Bessic de frente, sua compostura inabalável.

Whoosh!

O núcleo de mana dentro dele ressoou, os sete mares que ele havia dominado zumbindo em harmonia para criar um eco profundo e ressonante. O poder percorreu seu corpo, inflamando seu espírito de luta.

Seu treinamento com Kerra o impulsionou ao reino de 7-Estrelas. Ele mal conseguia conter seu desejo de testar a força de seu novo poder.

Mas...

Boom!

Os planos de Caron foram interrompidos quando uma nova figura emergiu de trás de Bessic.

'Bessic, recomponha-se. Você está perdendo o controle', disse um cavaleiro de meia-idade ao pousar graciosamente, seu bigode bem cuidado conferindo-lhe um ar de autoridade.

A expressão de Bessic se contorceu de raiva e ele gritou: 'Edward! Esta é a minha luta!'

'Não, não é. Esta é uma missão confiada a nós pela Rainha. Sua raiva imprudente não pode ser permitida arruiná-la', Edward respondeu secamente, seu olhar penetrante se voltando para Caron.

'...Caron Leston', disse ele, sua voz carregada de reconhecimento.

Edward sabia das histórias que cercavam o novo 'Cão Louco' da família Leston. Caron era uma anomalia imprevisível, uma carta selvagem que nem mesmo a Rainha havia previsto. Um cavaleiro 7-Estrelas, um portador de poderes sinistros capazes de levar as pessoas ao frenesi... Caron era um enigma, uma força que desafiava as expectativas.

'Eu sou Edward Kandaile. Acredito que você já ouviu falar de mim', declarou Edward.

Caron riu, seu sorriso tingido de escárnio enquanto ele dizia: 'Como eu saberia o nome do cachorrinho de alguém?'

O insulto era flagrante, grosseiro e longe de qualquer coisa que se assemelhasse à decoro nobre.

'...Você não tem nem mesmo a aparência de refinamento nobre', Edward murmurou, sua expressão se fechando.

'Ah, por favor. Um pirata pontificando sobre refinamento?', Caron rebateu, a zombaria escorrendo de suas palavras.

Edward manteve sua compostura. Ceder a tal isca seria tolice. Um verdadeiro profissional não deixaria que emoções passageiras comprometessem a missão.

'Não tínhamos intenção de entrar em confronto com você. Este confronto não fazia parte de nossos planos', disse Edward. 'Não buscamos conflitos desnecessários. Se você se retirar da vila agora, o consideraremos inocente. Eu juro pelo nome da Rainha. A mesma oferta se estende aos elfos. Se todos vocês desocuparem a vila pacificamente, não haverá derramamento de sangue.'

'Edward! Quem te deu o direito de tomar tal decisão?!', Bessic rugiu, sua frustração transbordando.

'Esta é a vontade de Sua Majestade', Edward respondeu friamente, seu tom frio. 'Este assunto está muito além da alçada de um mero bruto como você.'

A situação estava espiralando para o caos, e Caron não pôde deixar de rir. Observar os chamados camaradas se destruindo era um espetáculo raro e divertido.

'E quem é burro o suficiente para confiar nas promessas de piratas?', ele respondeu, seu sorriso se alargando.

'A Rainha prometeu', Edward respondeu firmemente.

'Sim, mas ela ainda é uma pirata. Mesmo que um ladrão receba um título chique, ele ainda é apenas um ladrão. Só porque você desenha linhas em uma abóbora não a transforma em uma melancia', Caron gracejou, suas palavras escorrendo de escárnio.

Ele havia mudado suavemente o alvo de seu insulto. Com isso, a expressão de Edward finalmente se quebrou, sua calma vacilando pela primeira vez.

'Se você se recusar, morrerá aqui', disse Edward friamente enquanto seus subordinados cercavam Caron, cortando qualquer chance de fuga.

Era um cerco impecável, executado com precisão.

'Escolha entre suas duas opções', exigiu Edward. 'Deixe a vila ou morra onde está.'

Caron sorriu, sua expressão diabolicamente divertida. 'Você pode deixar seu amigo daquele jeito ali?'

'...Do que você está falando?', perguntou Edward, seus olhos se estreitando em confusão.

'Parece que a Raiva finalmente se espalhou', disse Caron casualmente.

Naquele momento...

'Edwaaaaard!', gritou Bessic. Consumido pela raiva, ele balançou seu enorme machado de batalha diretamente em Edward.

Caron observou o caos se desenrolando com um aceno de cabeça satisfeito, dizendo com um sorriso: 'Viu? É isso que acontece quando você não trata seus amigos direito.'

E assim, o verdadeiro pandemônio começou.

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