
Capítulo 111
O Cão Louco da Propriedade do Duque
Capítulo 111
Uma semana depois, nos portões do sul de Galad, Orion estava com a unidade de patrulha para se despedir de Caron e seu grupo.
— Parabéns, Caron Leston. Você alcançou um crescimento notável — disse Orion, seus sentidos apurados notando rapidamente o aumento significativo na força de Caron.
— Só tive sorte — respondeu Caron com um sorriso casual, acenando levemente. Ele comentou: — Parece que a floresta é realmente um campo de treinamento ideal.
— Você alcançou 7 Estrelas? — perguntou Orion.
— Quase, mas definitivamente estou mais forte do que antes — admitiu Caron. Para enfatizar seu ponto, ele estalou os dedos, liberando uma pequena faísca de escuridão.
Vendo isso, Orion assentiu com um olhar de compreensão, então perguntou: — Então, você conseguiu controlar totalmente o poder de Pluto?
— Controlar pode ser um exagero... Nós apenas nos tornamos um pouco mais amigáveis — respondeu Caron.
— Na Magia Espiritual, nada é mais crucial do que a harmonia com seu espírito. Você está indo na direção certa. Sinto muito por não poder ter ajudado mais — disse Orion, então suspirou enquanto olhava brevemente para os companheiros de Caron.
Não havia precedente para lidar com um espírito como Pluto, porque nenhum elfo jamais conseguiu formar um contrato com um. A expressão de Orion tornou-se melancólica ao estudar o grupo, notando suas conquistas. Se alguma coisa, o grupo de Caron parecia ter crescido ainda mais significativamente do que o próprio Caron.
— Que progresso impressionante — observou Orion.
— Você consegue perceber que eles ficaram mais fortes, certo? — disse Caron orgulhosamente. — Graças ao Orvalho da Árvore do Mundo, todos fizeram grandes progressos.
—...Mas você está realmente bem com isso? — perguntou Orion hesitantemente.
Apesar de sua força recém-descoberta, os camaradas de Caron olharam para ele com intenções assassinas em seus olhos, como se ele fosse seu inimigo mais amargo.
Caron acenou com um gesto de desdém e disse: — Eles estão apenas um pouco frustrados. Uma vez que saiam e lutem em algumas batalhas de verdade, eles vão se acalmar.
Rilhando os dentes, Leo murmurou: — Cuidado com suas costas, Caron.
— Uau, é por isso que você não deve acolher pirralhos ingratos — provocou Caron. — Leo, graças a mim, você é um cavaleiro 6 Estrelas agora. Já ouviu falar de algo chamado gratidão?
—...É sério que quem nos torturou por uma semana inteira está dizendo isso? — retrucou Leo.
— Tortura? O que você está dizendo? Aquilo foi treinamento. Treinamento puro e disciplinado — respondeu Caron presunçosamente.
— Treinamento? V-Você nos usou para testar as habilidades de Pluto... Argh! — Leo estremeceu, reprimindo visivelmente as memórias traumáticas, e ficou em silêncio.
Ao lado dele, Leon e Utula cerraram os punhos com força, claramente ainda furiosos.
— Caron — disse Leon friamente —, é melhor você cumprir sua promessa. Depois desta missão, você vai levar uma surra por uma hora inteira.
— Vou garantir que você entenda a fúria de um guerreiro — rosnou Utula, sua voz carregada de raiva mal contida.
Suas palavras carregavam uma raiva tão intensa que era impossível imaginar os horrores aos quais Caron os havia submetido na semana passada.
Caron, no entanto, apenas riu e ajustou sua espada como se suas ameaças fossem nada mais do que brincadeiras.
Orion ofereceu um leve sorriso ao puxar um envelope de dentro de seu casaco. Ele disse: — Este é um presente meu para você.
Caron pegou o envelope dele, abrindo-o lentamente para revelar um pequeno documento guardado lá dentro. O papel continha ilustrações e descrições intrincadas. Era um mapa detalhado da Grande Floresta do Sul.
— Eu ia designar um guia para você — explicou Orion —, mas imaginei que você não gostaria de um.
— É realmente certo entregar um mapa como este a um humano? — perguntou Caron, erguendo uma sobrancelha.
O mapa descrevia o terreno da Grande Floresta do Sul com detalhes requintados. Enquanto os humanos apenas mediram a vastidão da floresta, eles nunca conseguiram criar um mapa tão preciso. Afinal, traçar um mapa como este exigia agrimensores habilidosos, e nenhum agrimensor humano jamais ousou se aventurar tão fundo. Como resultado, o mapa em si era um ativo estratégico inestimável. Se caísse nas mãos dos gananciosos, o desastre certamente se seguiria.
— É um sinal de quanta confiança depositamos em você — disse Orion, encontrando os olhos de Caron com um olhar firme. Ele apontou para uma marca amarela no mapa, então perguntou: — Você vê este ponto marcado em amarelo?
— Sim — respondeu Caron, inclinando-se.
— Esse é o lugar que a própria regente indicou. Seja o que for que você esteja procurando, é provável que esteja lá — explicou Orion.
De fato, o mapa apresentava um ponto amarelo brilhante perto do mar do sul.
— Como você pode ver, não está longe do mar do sul — continuou Orion. — Essa área pode ser perigosa nesta época do ano, pois é provável que os Nagas estejam ativos. Se você se deparar com eles...
Ele tocou em outro ponto no mapa — um lugar chamado 'Vila Eär' — e disse: — Vá para esta vila e solicite apoio. É um lugar onde as raízes da Mãe são profundas, lar de muitos elfos que de bom grado o ajudarão.
Foi um gesto atencioso.
— Mas e essas linhas? — perguntou Caron, apontando para dois caminhos diferentes marcados no mapa. Um era vermelho, o outro azul. A linha vermelha levava ao caminho ocidental, e a linha azul levava ao caminho oriental.
— A linha vermelha é um atalho, enquanto a linha azul é um desvio — explicou Orion.
— Parece que a rota azul leva muito mais tempo — observou Caron. — Qual é a diferença entre os dois?
Orion exalou um pequeno suspiro antes de responder em voz baixa: — A diferença é se você evita a zona proibida completamente ou apenas a atravessa brevemente.
— A zona proibida? — repetiu Caron.
— Há um covil de dragão abandonado ao longo do caminho vermelho. Seu proprietário original desapareceu há muito tempo, mas os Guardiões que ele deixou para trás ainda permanecem. É por isso que a área é designada como proibida — explicou Orion.
A expressão de Caron iluminou-se com intriga, então perguntou: — Quanto tempo o caminho vermelho nos pouparia?
— Pelo menos seis dias — respondeu Orion. — É por isso que eu marquei como uma opção.
— Então, é uma escolha entre um atalho perigoso ou uma rota segura, mas lenta. Simples o suficiente — disse Caron com um encolher de ombros. Sem hesitação, ele acrescentou: — Vamos pegar o caminho vermelho.
Orion assentiu em compreensão e disse: — Suponho que você já passou tempo suficiente aqui. Eu respeito sua decisão.
— Hein? Nós não estamos com pressa — respondeu Caron, coçando a orelha casualmente antes de exibir um sorriso.
— Então, por que escolher a rota perigosa? — perguntou Orion, perplexo.
— Você disse que o caminho vermelho era perigoso, então é claro que vamos pegar a rota perigosa — respondeu Caron com uma risada.
—...Por que isso? — perguntou Orion, confuso.
— De que outra forma vamos crescer? Eu me recuso a deixar meus camaradas se tornarem flores de estufa frágeis — disse Caron.
Foi uma resposta tão tipicamente Caron que Orion só pôde encolher os ombros. Embora sentisse uma pontada de simpatia pelos camaradas de Caron, havia pouco que ele pudesse fazer. Era o destino deles seguir este homem.
— Que a fortuna o favoreça — disse Orion finalmente.
E com isso, o tempo deles na cidade chegou ao fim, e a missão foi retomada.
***
Enquanto Caron e seu grupo seguiam para o sul em direção à Grande Floresta do Sul, Halo estava no extremo norte, recebendo um relatório de Zerath através do orbe de comunicação. As notícias que ele recebeu sobre Caron e os outros membros mais jovens da família superaram suas expectativas.
— Leo alcançou 6 Estrelas, e Leon está se aproximando do pico de 6 Estrelas... De fato, essa é uma notícia maravilhosa — comentou Halo, soando satisfeito.
— Sim, meu Senhor — respondeu Zerath através do orbe.
— Parece que Caron tem um grande carinho por seus primos. É uma atitude louvável — acrescentou Halo com um leve sorriso.
Ao seu redor jaziam os corpos sem vida de inúmeras feras, um testemunho de uma batalha recente. Com uma expressão satisfeita, ele se empoleirou em cima da pilha de criaturas mortas.
— Esta pode muito bem ser a maior geração da história da família — ponderou Halo.
Cada membro da geração mais jovem havia ultrapassado 6 Estrelas — do neto mais velho, Hugo, ao mais jovem, Caron. Embora a família fosse conhecida por seu talento excepcional, essas conquistas superaram em muito a geração anterior, um feito verdadeiramente inspirador.
No centro desse sucesso incomparável estava ninguém menos que o mais jovem, Caron Leston.
— Caron disse algo sobre seu próprio progresso? — perguntou Halo.
— Ele mencionou que pode alcançar 7 Estrelas em breve — relatou Zerath. — Ah, e há um detalhe incomum... Ele fez um contrato com um espírito.
— Um espírito? — A testa de Halo franziu enquanto ele queimava o sangue de bestas demoníacas de sua espada com um lampejo de mana. Ele instruiu: — Conte-me mais.
— Tudo o que sei é que o contrato foi com um Espírito da Escuridão. Ele não elaborou mais — disse Zerath.
— Um Espírito da Escuridão... Esse é um tipo raro. Eu não sabia que tais espíritos sequer existiam — murmurou Halo.
— De acordo com o Jovem Mestre Caron, é distinto dos quatro espíritos elementais usuais — esclareceu Zerath.
— Que interessante — disse Halo, com a curiosidade despertada.
Na história da Família Ducal de Leston, ninguém jamais havia feito um contrato com um espírito. Tais acordos eram ainda mais raros entre os humanos.
Ainda assim, Halo não estava excessivamente alarmado. Não havia regras proibindo contratos com espíritos e, dado que era Caron, ele estava bem com isso.
— Parece que Caron ganhou uma nova fonte de poder — concluiu Halo.
— Estou um pouco preocupado que ele possa negligenciar sua esgrima — admitiu Zerath.
— Zerath — disse Halo firmemente —, você acha que Caron é do tipo que abandona sua espada simplesmente porque ganhou um novo poder?
—...Não, meu Senhor — admitiu Zerath.
— Quanto mais armas ele tiver, melhor. Ele é inteligente; ele deve ter considerado valioso. Ainda assim, não faria mal confirmar alguns detalhes sobre o Espírito da Escuridão. No meu caminho de volta, visitarei a Torre de Magia e perguntarei sobre Espíritos da Escuridão — disse Halo.
Embora Halo confiasse no julgamento de Caron, ele preferia não deixar nada incerto. Levantando-se de seu assento em cima dos cadáveres de bestas, ele começou a caminhar pela costa coberta de neve.
— Isso é tudo que você tem a relatar? — perguntou Halo.
— Há mais um assunto, meu Senhor — disse Zerath, sua voz baixa.
— Continue.
— O Rei do Mar do Sul fez um movimento. Dois dos Sete Heróis lideraram suas frotas em direção à Grande Floresta do Sul — relatou Zerath.
— Que oportuno — murmurou Halo.
Os mares do sul eram ricos e quentes, ao contrário das duras águas do norte. Com inúmeras ilhas espalhadas por ele, a área prosperava com o comércio e a pesca abundante. Enquanto isso, o Rei do Mar do Sul era o governante dessas águas. Quando os reinos do sul foram devastados pela guerra, o rei liderou suas forças para assumir o controle dos mares.
— A Rainha fez um movimento ela mesma — comentou Halo.
Também conhecida como a Rainha Pirata, ela havia unido inúmeras facções piratas sob seu comando, transformando-as em uma força formidável. O nome de Kynda Reynolds era um dos poucos que surgiam ao discutir as figuras mais fortes do continente.
— Por que ela se moveria em direção à Grande Floresta do Sul? Esse é território Naga — perguntou Halo em voz alta.
— Isso não está confirmado, mas há um rumor de que eles estão atrás do filhote do Dragão Amaldiçoado — respondeu Zerath.
— O Dragão Amaldiçoado? Você quer dizer o dragão verde, Etyron? — perguntou Halo.
— Sim, meu Senhor — disse Zerath.
Etyron era um notório dragão verde que havia destruído um reino do sul inteiro séculos atrás. Durante a invasão demoníaca trezentos anos antes, ele se aliou aos demônios, traindo a humanidade.
Nosso primeiro ancestral matou aquele bastardo com a Guilhotina. Por que o nome dele está surgindo agora? Halo se perguntou, seu olhar se aguçando.
Ele parou por um momento, então perguntou: — Caron e os outros estão indo em direção ao mar que faz fronteira com a Grande Floresta do Sul, correto?
— Sim, meu Senhor — confirmou Zerath.
— Suponho que eles possam encontrá-los — disse Halo.
— Devo enviar reforços? — perguntou Zerath.
Halo hesitou antes de balançar a cabeça lentamente. Ele instruiu: — Passe informações sobre os piratas para os elfos e deixe que eles cuidem disso. Vamos observar por enquanto.
A menos que a própria Rainha Pirata interviesse, Halo não via necessidade de agir diretamente.
— Deixarei isso para Caron. Será uma boa experiência para ele, especialmente porque ele enfrentou principalmente cavaleiros até agora — acrescentou Halo.
Os Sete Heróis eram os comandantes de confiança da Rainha Pirata, cada um liderando sua própria frota. Cada um deles era temível, e até mesmo o mais fraco entre eles era 7 Estrelas.
No entanto, Halo tinha fé em Caron. Se tivesse sido quatro anos atrás, talvez ele tivesse se preocupado, mas agora, Caron havia se tornado um verdadeiro monstro.
— Podemos transmitir essas informações diretamente às crianças? — perguntou Halo.
— O orbe de comunicação seguro foi destruído, então isso não é possível — admitiu Zerath.
— Isso é lamentável, mas tudo bem. Voltarei ao Castelo Azureocean em uma semana. Relate quaisquer atualizações — disse Halo.
Encerrando a comunicação, Halo exalou profundamente, sua respiração visível no ar gelado. Ele murmurou: — Caron... Não será fácil desta vez.
Piratas não eram nada como os inimigos que Caron havia enfrentado antes. Eles eram implacáveis e astutos, e até sacrificariam seus próprios aliados para garantir a vitória.
— Espero que você possa me entreter novamente — disse Halo para si mesmo, seus lábios se curvando em um leve sorriso.
Com isso, ele agarrou sua espada mais uma vez e se virou para a costa, onde inúmeras bestas estavam surgindo sobre o horizonte.