O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 110

O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 110. Por Que Você Está Abrindo Seus Olhos Desse Jeito?

Enquanto Caron se esforçava para dissipar a escuridão, a regente interveio, oferecendo conselhos.

— A Magia Espiritual sempre começa com a comunicação — explicou ela. — Um espírito e seu invocador não são mestre e servo, mas companheiros. Se você tratar seu espírito como um amigo, ele, por sua vez, o aceitará.

Um espírito não era a arma de um invocador. Era um parceiro para toda a vida e um amigo constante. A abordagem élfica da Magia Espiritual começava com essa verdade fundamental. Em vez de um relacionamento unilateral, o objetivo era construir um laço mútuo onde ambas as partes se apoiassem.

Caron assentiu, sinalizando que entendia, e disse: — Um amigo. Sim, posso trabalhar com isso.

Ele estendeu a mão, gentilmente pegando Pluto de seu ombro com as duas mãos. Mana potente irradiava da pequena criatura, uma força tangível que formigava em sua pele.

Miau!

Pluto soltou um grito agudo, aparentemente contente. Tentáculos de escuridão continuavam a escorrer do espírito, mas pareciam estranhamente reconfortantes, não opressivos. Caron até se sentiu relaxando, como se a presença da própria escuridão o embalasse. Era quase o suficiente para fazê-lo se sentir... sonolento.

'Dono! Depleção de mana!', Guillotine chamou mentalmente.

— Ah, era depleção de mana — Caron murmurou, balançando a cabeça.

Não era sonolência. Uma tontura começou, piorando a cada segundo. Essa pequena criatura consumia mana a uma taxa impressionante. Comparado a brandir as Artes da Espada Lobo do Oceano, Forma 6, isso estava em um nível totalmente diferente. Seu mana estava esvaindo-se como água de um vaso quebrado.

— Faça um pedido ao seu espírito — a regente aconselhou Caron. — Se você pedir sinceramente, seu espírito responderá naturalmente aos seus pedidos.

Caron sorriu, voltando sua atenção para Pluto, e disse: — Tudo bem, amigão. Estou pedindo educadamente. Por favor, vamos terminar com isso.

Esse espírito havia caído em seu colo como uma bênção do céu. Seu poder avassalador já havia provado seu valor, chegando justamente quando Caron mais precisava. Mas sua satisfação não durou muito.

Miau?

Pluto inclinou a cabeça, olhos dourados arregalados em confusão.

Esse pequeno safado..., Caron pensou.

Os olhos dourados do Espírito brilharam com uma luz travessa. Apesar do pedido educado de Caron, a escuridão não recuou. Na verdade...

Whoooosh!

A escuridão se expandiu, espalhando-se para fora enquanto Pluto sugava ainda mais mana do núcleo de Caron.

Observando a cena, Guillotine falou em um tom baixo e divertido. 'Parece que ele quer desafiá-lo.'

Guillotine parecia certo. Pluto não desviou o olhar, encarando Caron diretamente com uma intensidade inflexível. Era um impasse.

Encarando os olhos de Pluto, Caron sorriu, o canto de sua boca se elevando. Ele comentou: — Ah, é assim que você quer jogar?

— Caron Leston, acalme-se! — a regente interrompeu urgentemente. — Você precisa tratar seu espírito como um amigo—

Mas Caron a cortou com um sorriso afiado, dizendo: — É assim que eu trato meus amigos.

Whoosh!

O Mana Azure dentro de Caron começou a jorrar para fora, fluindo livremente para o ar circundante. Mesmo nas profundezas da escuridão, o brilho azul escuro de seu mana brilhava intensamente.

Hissss!

O Mana Azure pressionou Pluto com força implacável, envolvendo todo o corpo do espírito. Pluto se debateu, soltando um assobio agudo e desafiador na direção de Caron.

Mas Caron não afrouxou o aperto. Segurando Pluto firmemente, ele ofereceu ao espírito um sorriso brilhante, quase provocador.

Whoosh!

O mana de Caron se entrelaçou com a escuridão de Pluto, colidindo e agitando-se para criar ondulações poderosas no ar. Duas forças opostas se enfrentaram, igualmente pareadas em sua intensidade.

— Você é bem forte, não é? — Caron comentou, seu tom impressionado e divertido.

Miau!

Pluto soltou um grito animado, seus olhos dourados se estreitando enquanto encarava Caron. A escuridão ao redor deles pulsava violentamente, e até o oceano pareceu tremer em resposta.

No entanto, Caron ajustou seu mana com facilidade praticada, neutralizando a escuridão de Pluto sem perder o ritmo. A escuridão opressiva que havia engolido a área agora estava sendo dilacerada pela energia oceânica de Caron.

Enquanto a batalha bruta de força se arrastava, o suor começou a escorrer pela testa de Caron. E ainda assim, apesar da tensão, um sorriso persistia em seus lábios. Isso sim é divertido, ele pensou.

Para o olho destreinado, talvez parecesse uma competição grosseira de força bruta. Mas, na realidade, era muito mais intrincado.

O choque não se limitava a um único ponto; ele se desenrolava em todos os lugares onde o oceano e a escuridão se encontravam. Em meros segundos, inúmeras trocas de mana ocorreram, cada uma exigindo precisão e controle.

Nem mesmo em sua vida anterior Caron havia experimentado uma batalha de mana tão intensa e primordial. Seu sorriso se aprofundou, a excitação flamejando em seus olhos. Devo adicionar isso à minha rotina de treinamento, ele ponderou.

O constante ato de equilíbrio da distribuição e controle de mana estava aprimorando suas habilidades em tempo real. A cada segundo que passava, ele podia sentir seu domínio sobre seu próprio mana se tornando mais forte.

— Entendi agora — Caron disse.

Miau?

— Mas vamos acabar com a rebelião aqui — ele avisou. — Force mais, e isso vai deixar de ser divertido.

O oceano inchou mais uma vez, suas ondas quebrando com renovado vigor. O delicado equilíbrio entre seus poderes se estilhaçou em um instante. O mana de Caron avançou, consumindo a escuridão com velocidade implacável.

Observando a cena se desenrolar, a regente arquejou em choque. Ela sussurrou: — Isso... Isso é impossível.

Na superfície, parecia que seus poderes estavam simplesmente colidindo caoticamente. Mas ela viu a verdade por trás disso. A sobrecarga de ressonância está se estabilizando, a regente pensou.

A energia discordante que havia estado furiosa momentos antes estava se suavizando. As ondas outrora violentas do mana de Caron agora abraçavam a escuridão de Pluto, fundindo-se em harmonia.

Mas isso... Isso era um processo que dificilmente poderia ser chamado de Magia Espiritual. A maneira como Caron subjugou Pluto, forçando-o à submissão com puro poder, estava longe dos princípios de equilíbrio e parceria que definiam a disciplina. Se algo, se assemelhava a uma briga. Era como assistir dois cães raivosos lutando para reivindicar o domínio, cada um tentando rasgar o outro.

Por todos os padrões convencionais, o contrato entre Caron e Pluto deveria ter se dissolvido no momento em que começaram a se enfrentar. Mas, em vez disso, o oposto estava acontecendo. Quanto mais seus poderes colidiam, mais forte o vínculo entre eles parecia crescer.

...Isso definitivamente não é Magia Espiritual, a regente pensou.

Parecia que a Magia Espiritual que ela e os elfos haviam refinado cuidadosamente ao longo de incontáveis anos estava sendo completamente invalidada.

Swish.

Finalmente, a escuridão foi totalmente consumida pelo oceano.

— Você se divertiu? — Caron perguntou, ainda segurando Pluto.

O Espírito da Escuridão mexeu ligeiramente as patas dianteiras e assentiu.

Miau!

A expressão no rosto de Pluto era de pura satisfação, quase absurdamente alegre para um espírito que havia estado exalando tanta energia selvagem apenas momentos antes.

A regente olhou para a cena, seu rosto frouxo de descrença. — Não posso acreditar que esse método bárbaro realmente funcionou... — ela murmurou.

Caron riu e deu a Pluto um chacoalhão divertido enquanto respondia: — É assim que as amizades são feitas: através de uma boa briga. Uma pequena disputa de mana aqui, algumas facadas ali quando estamos entediados... Ah, isso me traz lembranças. Aquele cara Halo, as facadas dele eram algo incrível.

A regente não conseguia entender que tipo de pessoa pensava em amizade dessa forma. Ainda mais chocante era o fato de que Pluto, ouvindo as palavras sem sentido de Caron, assentiu em concordância como se tudo fizesse perfeito sentido.

...Dizem que os espíritos são atraídos por aqueles que se assemelham a eles... a regente ponderou. Ela soltou um suspiro suave enquanto olhava para o rosto pálido e exausto de Caron. Um espírito louco havia escolhido um louco. Talvez o ditado 'os semelhantes se atraem' nunca tenha sido mais adequado.

— A propósito, Regente — Caron disse, sorrindo enquanto se virava para ela. Mesmo que seu rosto estivesse palidamente fantasmagórico, seus brilhantes olhos azuis brilhavam com uma vitalidade estranha. Ele perguntou: — Considerando tudo, isso não significa que eu consegui este contrato inteiramente sozinho?

— Eu vou conceder isso — a regente respondeu relutantemente.

— Bom. Então quatro gotas — Caron disse.

— ...Com licença? — a regente perguntou.

— Estou pedindo quatro gotas de Orvalho. Eu até descontei uma do preço, especialmente porque seu conselho foi útil — Caron disse.

Ao ouvir essas palavras, a regente não pôde deixar de soltar outro suspiro. O destino do nosso povo está realmente nas mãos desse lunático? ela pensou preocupada.

Pela primeira vez em sua vida, ela sentiu uma pontada de ressentimento em relação à própria Árvore do Mundo.

***


A comoção inesperada no santuário da Árvore do Mundo chegou a uma conclusão abrupta.

— Você confiou em mim o suficiente para pagar a recompensa antecipadamente, então vou garantir que esta missão seja um sucesso. Não se preocupe com nada, Regente! — Caron declarou com um sorriso confiante.

— ...Sim... É melhor que você faça... — a regente respondeu com um suspiro pesado.

No final, a recompensa havia sido definida em quatro gotas de Orvalho da Árvore do Mundo.

Tendo arrebatado com sucesso o Orvalho da regente, Caron sorriu e disse: — Juro na honra da Família Ducal de Leston, vou levar esta missão até o fim. Se eu falhar, você pode responsabilizar toda a casa.

Vendendo o nome da família sem hesitação, Caron não mostrou um pingo de vergonha.

Leo, que havia chegado atrasado à cena, sussurrou para Leon: — Leon, Caron está usando o nome da família de novo.

— É só Caron sendo Caron — Leon respondeu, mal lhe dando uma olhada.

— Ele não deveria ser impedido? — Leo perguntou.

— E quem vai fazer isso? — Leon rebateu.

— ...Ah. Leo rapidamente percebeu que não havia ninguém presente que pudesse controlar Caron. No mínimo, eles precisariam de Sir Zerath para lidar com esta situação.

Enquanto os dois primos trocavam olhares exasperados, a conversa entre Caron e a regente continuava.

— Há algo que me deixa curiosa — a regente disse.

— Por favor, sinta-se à vontade para perguntar, meu estimado cliente— não, Regente — Caron respondeu.

— O que você planeja fazer com o Orvalho da Mãe? — a regente perguntou.

O Orvalho da Árvore do Mundo era um tesouro tão precioso que uma única gota poderia agitar todo o continente. A própria ideia de liberar quatro gotas no mundo de uma vez era inimaginável.

A resposta de Caron, no entanto, foi surpreendentemente simples. Ele disse: — Nós vamos usá-lo, é claro.

Para aqueles que brandiam mana, o Orvalho era um elixir entre os elixires, além do preço e impossível de adquirir através de qualquer quantidade de riqueza.

— Há um ditado — Caron acrescentou com um sorriso. — "Se você vai morrer, pode muito bem se divertir primeiro."

A expressão da regente azedou e perguntou: — Você está sugerindo que vai bebê-lo e morrer?

— ...É só uma metáfora — Caron respondeu.

— Sim, eu entendo que é uma metáfora — a regente disse.

— Então por que— Caron começou.

— Eu te achei tão ultrajante que estava apenas provocando você também. Considere isso humor élfico — a regente disse secamente, interrompendo-o.

Pego de surpresa, Caron ficou momentaneamente sem palavras. A regente, tendo marcado seu ponto, tomou seu tempo observando os companheiros de Caron. Um era da tribo gigante, e dois parentes da Família Ducal de Leston. Ela já tinha uma boa ideia de por que Caron havia exigido quatro gotas do Orvalho.

— Você planeja dar o Orvalho para eles, não é? — a regente perguntou.

— Deixe o gigante de fora — Caron respondeu com desdém. — Eles não podem aproveitar o mana adequadamente de qualquer maneira. Que utilidade o Orvalho da Árvore do Mundo teria para eles?

Utula bateu no peito indignado e disse: — Isso machuca, Caron Leston!

— Devo fazer com que não machuque? — Caron perguntou.

— Me desculpe! — Utula respondeu.

Com Utula rapidamente subjugado, Caron voltou sua atenção para a regente e perguntou: — A propósito, só por curiosidade... O que aconteceria se eu bebesse todo o Orvalho sozinho?

Era uma pergunta totalmente à la Caron.

A regente franziu a testa e respondeu: — Se concedesse poder ilimitado, nós, elfos, já teríamos conquistado o continente. Os efeitos que você está imaginando só podem ser experimentados uma vez na vida.

— Eu só estava perguntando. Eu só considerei seriamente uma vez, eu juro — Caron disse.

— Você poderia esperar alguns efeitos curativos, mas nada mais — a regente disse.

— A Árvore do Mundo realmente não facilita as coisas — Caron comentou.

— Mãe está no centro da harmonia e do equilíbrio — a regente explicou calmamente.

Caron não esperava que um elixir desse calibre viesse sem restrições. Se o que a regente disse não fosse verdade, os elfos já teriam produzido um campeão incomparável agora.

Mesmo assim, não havia como negar o imenso valor do Orvalho. Para um usuário de mana, uma única gota era suficiente para superar seus limites atuais completamente.

É um pouco decepcionante, mas é o que é, Caron pensou.

Ajudar seus camaradas a crescer era gratificante o suficiente, então ele decidiu se contentar com isso.

Se eu os guiar, eles devem ser capazes de absorver o Orvalho em cerca de uma semana, Caron calculou.

Se eles fossem usar o Orvalho da Árvore do Mundo, eles tinham que maximizar seus efeitos. Então, com um leve aceno para si mesmo, Caron se virou para seus camaradas.

Leon estremeceu e perguntou: — ...Por que você está olhando para nós desse jeito?

— Vamos treinar até morrermos por uma semana — Caron disse com um sorriso.

Todo o sangue escorreu de seus rostos.

— Não se preocupem, as pessoas não morrem tão facilmente. Eu até consegui para vocês todo o Orvalho da Árvore do Mundo, então não há como vocês morrerem — Caron os tranquilizou.

Nenhum deles se atreveu a discutir. A mão de Caron já estava firmemente apoiada no punho de Guillotine, e nenhum deles teve a coragem de desafiar um tirano brandindo uma espada.

E assim, uma semana de treinamento exaustivo à portas fechadas foi iniciada.

— Vai acabar antes que vocês percebam — Caron disse.

Fiel à sua palavra, a semana passou num piscar de olhos.

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