
Capítulo 109
O Cão Louco da Propriedade do Duque
Capítulo 109
Dez minutos dentro das negociações...
— Cinco gotas — disse Caron.
— Duas gotas — rebateu a regente.
— Cinco gotas — insistiu Caron.
— ...Duas gotas — disse a regente.
Caron e a regente se encaravam como duas montanhas imóveis, nenhum dos dois disposto a ceder sequer um centímetro.
— Já consigo sentir o poder da Mãe fluindo através de você — apontou a regente. — Parece que você já consumiu o Orvalho da Árvore do Mundo uma vez. Como sabe, os efeitos diminuem bastante após a primeira dose.
— Ah, tudo bem — respondeu Caron com desinteresse. — Pretendo compartilhar com meus companheiros.
— Nesse caso, que tal três gotas? — sugeriu a regente.
— Sim, cinco gotas — disse Caron, sem ceder. Seu estilo de negociação era totalmente desafiador, como se a estivesse provocando a escalar a situação.
Pela primeira vez em anos, a regente sentiu seu temperamento se inflamar. Ela protestou: — Desde que a Mãe perdeu sua vitalidade, até mesmo produzir o Orvalho se tornou uma raridade. Cinco gotas seria um tremendo—
— Pense nisso como um investimento — interrompeu Caron suavemente. — Um investimento generoso agora garantirá que eu complete esta missão com sucesso. Além disso, você realmente não tem outra escolha... Ahem, de qualquer forma, confie em mim.
O humano diante da regente era o próprio tema da profecia da Mãe. Ela se lembrou das palavras que a Mãe havia compartilhado certa vez.
"Quando a escuridão profunda envolver a floresta, um nascido da minha vitalidade me salvará e libertará o povo da floresta."
Era inegável. Caron Leston era aquele previsto na profecia. Seus Olhos Espirituais despertos, um presente concedido a ela como regente, confirmavam isso sem questionamento.
Com grande esforço, ela se recompôs, forçando um leve sorriso ao responder: — Então, o que acha desta proposta?
— Estou ouvindo — disse Caron.
— Três gotas do Orvalho da Árvore do Mundo e... eu te ensinarei Magia Espiritual — ofereceu a regente.
— Magia Espiritual? — repetiu Caron.
Pela primeira vez na negociação, a regente havia despertado o interesse de Caron. Seu olhar firme cintilou com curiosidade. Mas o momento foi fugaz. Com um encolher de ombros, ele rejeitou a oferta.
— Eu realmente não sou talentoso em nada além de esgrima — disse ele sem rodeios.
Desde sua reencarnação, Caron havia tentado se ramificar além da esgrima. Uma vez, ele até pediu a Fayle e contratou um mago pessoal como tutor. No entanto, isso durou menos de uma semana antes que ele desistisse completamente.
Uma perda de tempo, pensou Caron.
Existiam, de fato, Espadachins-Magos neste mundo, pessoas que empunhavam tanto magia quanto esgrima. No entanto, boatos sobre espadachins mágicos tendiam a desaparecer rapidamente.
Isso porque...
Todos eles morrem, pensou Caron.
Muitos Espadachins-Magos, encorajados por sua fama, acabavam perecendo cedo. A ideia de empunhar tanto esgrima quanto magia soava impressionante na teoria. No entanto, na realidade, era longe de ser prático.
A questão fundamental residia na forma como a mana era usada. A esgrima, por exemplo, focava em condensar mana eficientemente, enquanto a magia enfatizava maximizar o efeito. As duas abordagens eram opostas uma à outra.
Assim, reconciliar esses dois princípios opostos exigia um nível quase impossível de maestria. Além disso, usar mana condensada para magia exigia a invenção de fórmulas mágicas totalmente novas. Era uma tarefa assustadora até mesmo para os praticantes mais talentosos.
Eu não tenho talento para isso, nem sinto necessidade de tentar, pensou Caron.
A menos que ele fosse um dragão, seria um feito impossível com suas habilidades naturais. Investir seu tempo em refinar sua esgrima renderia resultados muito melhores.
— Não importa se você não tem talento para magia — disse a regente, seu tom notavelmente mais brilhante. — Magia Espiritual e magia tradicional compartilham a mesma raiz na mana, mas são forças totalmente diferentes.
Ela continuou: — O princípio central da Magia Espiritual é a troca equivalente. Se você oferecer mana a um espírito, o espírito lhe emprestará poder de valor igual. Não há necessidade das fórmulas complexas que a magia exige.
Caron ergueu uma sobrancelha e disse: — Mesmo entre os humanos, Invocadores de Espíritos são incrivelmente raros. E eu nunca ouvi falar de um cavaleiro praticando Magia Espiritual. Isso não é... inédito?
— É exatamente por isso que você se tornaria excepcional se a dominasse — disse a regente com convicção.
A oferta era convincente. Então, a próxima pergunta que Caron tinha em mente era se era valiosa o suficiente para abrir mão de duas gotas do Orvalho da Árvore do Mundo.
É claro, pensou Caron.
Durante a última batalha contra os demônios assassinos, ele testemunhou em primeira mão o quão úteis os Espíritos podiam ser. Espíritos do Vento aprimoravam a mobilidade e permitiam o combate aéreo. Espíritos da Água forneciam cura. Os outros Espíritos elementais tinham cada um suas forças.
Se ele pudesse utilizar essas forças à vontade, ele poderia abordar as batalhas com muito mais versatilidade. Isso criaria mais variáveis para explorar, dando a ele uma vantagem estratégica significativa.
— Você já consumiu o Orvalho da Árvore do Mundo, o que aumentou muito sua afinidade com os Espíritos — disse a regente, olhando fixamente em seus olhos. — Nem todos que tomam o Orvalho se tornam um Invocador de Espíritos, mas eu vejo um potencial imenso em você.
Suas palavras pareceram tocar uma corda.
Peguei ele, pensou a regente.
O interesse estava estampado no rosto de Caron. Inicialmente, ela havia planejado ensiná-lo sem compromisso. Mas, dada a sua reação, era justo torná-lo uma condição da negociação.
— Então, é possível fazer contrato com vários espíritos? — perguntou Caron, mostrando interesse.
A regente balançou a cabeça com pesar e respondeu: — Infelizmente, isso está além de sua aptidão. Com sua afinidade, você provavelmente só poderá fazer contrato com um tipo elemental. Eu recomendaria água—
Whoosh.
O zumbido baixo de Guillotine de repente encheu o ar.
— Desculpe por um momento — disse Caron. Cuidadosamente, ele colocou um dedo no pomo de sua espada amaldiçoada, dirigindo-se a ela internamente. O que é?
A voz de Guillotine ecoou em sua mente. "Pensando em fazer um contrato com um Espírito, hein, Dono?"
Bem, eles estão oferecendo, respondeu Caron.
"Por que se preocupar com os quatro tipos elementais? É só escolher aquele sombrio logo."
Caron olhou para a pequena figura ronronando esfregando-se contra sua perna. Era o Espírito da Escuridão a quem Guillotine se referia — aquele sobre o qual ele não sabia nada. Era fofo, mas suas habilidades permaneciam um mistério.
Então Caron se virou para a regente e perguntou: — Qual é a força de um Espírito da Escuridão?
A regente hesitou, sua expressão ficando estranha antes de responder: — Como mencionei antes, os Espíritos da Escuridão são um tipo de espírito primordial. Atualmente, nem suas habilidades nem os métodos para fazer contrato com eles são totalmente compreendidos—
Mas antes que ela pudesse terminar, Guillotine interrompeu. "Esqueça os métodos. Eu posso simplesmente devorá-lo."
Whoosh!
De repente, a mana de Guillotine surgiu para fora, engolindo o Espírito Sombrio por completo.
— Seu bastardo imprudente! — gritou Caron enquanto agarrava Guillotine com força, tentando assumir o controle de seu poder. Mas era tarde demais. A mana se dissipou, não sobrando nada do Espírito.
— ...Guillotine, a Espada da Execução — murmurou a regente, seu tom carregado de desaprovação. — É tão feroz quanto a Mãe descreveu.
Caron ficou momentaneamente confuso com a súbita situação inesperada e disse: — A verdadeira natureza desta espada demoníaca finalmente veio à tona. Regente, por favor, tenha paciência comigo enquanto eu—
Mas antes que ele pudesse terminar, um choro suave soou.
Miau!
Em meros segundos, o Espírito da Escuridão reapareceu, emergindo da mana de Guillotine. Sua pele outrora preta como breu agora brilhava com um tom azulado profundo, reminiscente da lâmina de Guillotine.
Naquele momento, Caron apertou o peito devido a uma dor aguda que o percorria. Parecia que seu núcleo de mana estava sendo dilacerado.
"Contrato completo. O que achou? Muito bom, não é?" perguntou Guillotine.
— É melhor se preparar para a fornalha — rosnou Caron entre dentes cerrados.
"Não, espere! Escuta, Dono! Você está dizendo isso porque não entende a verdadeira natureza deste Espírito—"
— Cale a boca — disse Caron firmemente enquanto lançava um olhar furioso para Guillotine.
Então a regente, momentaneamente atordoada, disse: — Parabéns... Caron Leston. Você agora é um Invocador de Espíritos—
Mas suas palavras foram interrompidas quando a escuridão se espalhou de Caron, espalhando-se rapidamente para envolver os arredores.
***
— Isso é... — a regente soltou uma exclamação silenciosa enquanto olhava ao redor.
O que havia sido uma área ensolarada agora estava envolta em uma noite inesperada. A escuridão da breu os cercava, tornando impossível discernir qualquer coisa além do alcance do braço. E, no entanto, em vez de sentir medo do desconhecido, ela foi atingida por uma inexplicável sensação de calma.
— Oh — murmurou ela, percebendo rapidamente a fonte da escuridão.
Fwoosh!
Uma chama cintilou para a vida na ponta dos dedos dela, lançando uma luz quente na escuridão opressiva. Logo, ela viu Caron parado ali perplexo.
Encontrando o olhar dela, ele deu um sorriso envergonhado e disse: — Isso não foi intencional, Regente. É esse quem está fazendo...
Miau.
Empoleirado no ombro de Caron estava o Espírito da Escuridão, ainda em sua forma felina. O puro absurdo de seu poder era inegável. Embora o fenômeno provavelmente estivesse confinado à área imediata, foi o suficiente para ilustrar o quão formidável era este espírito.
Por um momento, a regente simplesmente observou a criatura em silêncio. Então, em uma voz suave, ela disse: — Pluto. Esse é o verdadeiro nome do seu Espírito.
Entre o extenso conhecimento que ela recebeu da Árvore do Mundo, o verdadeiro nome deste espírito havia sido incluído.
— Pluto... — repetiu Caron, sua expressão tingida de surpresa. — Um nome real com certeza. Eu suponho que combina com este.
Caron franziu levemente as sobrancelhas e soltou uma risada fraca.
Envolver completamente a área em escuridão não era alguma técnica especial. Como se estivesse fazendo uma demonstração, o espírito simplesmente espalhou sua aura para fora, mergulhando tudo dentro de um certo raio em completa escuridão.
Isso é irreal, pensou Caron.
A verdadeira questão, no entanto, reside no fato de que todo esse poder emanava diretamente do núcleo de mana de Caron. Quase metade de sua mana havia sido drenada em um instante, deixando-o tonto e mal conseguindo se manter de pé. Era grosseiramente ineficiente.
Isso não era tudo. A pior parte era...
— Eu não consigo controlar isso — disse Caron.
Miau!
O poder esmagador de Pluto permaneceu inteiramente além de seu alcance.
A regente, no entanto, não pareceu surpresa. Acenando com a cabeça, ela disse: — Isso é uma coisa comum para aqueles que formam seu primeiro contrato espiritual. Quando a alma do espírito se liga ao invocador pela primeira vez, ela cria o que chamamos de sobrecarga de ressonância.
Ela olhou ao redor dos arredores escurecidos mais uma vez antes de acrescentar: — Na verdade, frequentemente usamos essa sobrecarga de ressonância para avaliar a capacidade de um invocador.
— Qual é a sua avaliação da minha capacidade, Regente? — perguntou Caron sem rodeios.
A regente riu suavemente, embora seu sorriso carregasse uma pitada de descrença. Ela então disse: — É absurdamente vasta.
— Obrigado pelo elogio — respondeu Caron.
Naquele momento, vozes familiares chamaram à distância.
— Regente!
— Caron!
As vozes do grupo de Caron e Orion soaram, urgentes e frenéticas.
Caron se virou para a borda da escuridão, de onde as vozes pareciam vir. Ele podia ver seus companheiros vagando em confusão, suas expressões tensas de preocupação. Eles, sem dúvida, pensaram que era um ataque.
— Estou bem! — gritou Caron em voz alta, mas parecia que sua voz não conseguia alcançá-los.
Mas seus companheiros continuaram gritando, procurando freneticamente na escuridão. Mesmo estando perto um do outro, eles se comportavam como se estivessem completamente sozinhos.
— Onde está todo mundo? Leo! Utula! — chamou Leon.
— Droga! Isso é magia negra? E se houvesse um traidor na cidade...? Leon! Caron! — gritou Leo.
Enquanto Caron observava a situação, ele foi capaz de descobrir uma das habilidades que essa escuridão tinha.
Bloqueia os sentidos deles, ele percebeu.
Mesmo Leon, um cavaleiro de 6 estrelas, parecia desorientado pela escuridão. Embora o efeito exigisse que o inimigo entrasse no domínio de Pluto, esta era meramente a habilidade de base do Espírito. E se essa habilidade fosse apenas a ponta do iceberg...
— Isso é... alucinante — murmurou Caron em voz baixa, uma mistura de espanto e descrença em sua voz.
O puro potencial do poder de Pluto era surpreendente.
— Então, é assim que a reencarnação se sente — disse ele com um sorriso, observando seus companheiros tropeçarem em confusão.
Parecia que os infortúnios de sua vida anterior estavam finalmente sendo recompensados.