O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 112

O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 112

Já se passaram quatro dias desde que Caron e seu grupo partiram de Galad. E, como Orion os havia avisado, a jornada em direção às regiões sul da Grande Floresta estava longe de ser fácil.

Era tão difícil que até mesmo Leon, que geralmente era gentil e amável, havia sido levada ao limite da loucura.

— Leon, você poderia me dar um pouco de sal...? — Leo perguntou, mas foi interrompido.

— Argh... Leo! Já não te disse para parar de desperdiçar meu sal? Some daqui! Mal tenho o suficiente para mim! — Leon gritou.

— Leon... Por que você está sendo tão dura...? — Leo perguntou hesitante.

— O quê? Quanto tempo tenho que ficar te importunando? Se não tem sal, coma cru! Olhe para Utula ali! Ele está mastigando tudo, ossos e tudo! — ela acrescentou.

Aborrecido, Leo mordeu a carne de veado em suas mãos com visível ressentimento. Então, ele lançou um olhar acusatório para Caron e reclamou: — Se ia ser tão ruim assim, por que não pegamos um caminho mais fácil? Por que temos que procurar problemas?

A jornada de quatro dias tinha sido muito pior do que Leo esperava. Havia ataques implacáveis de monstros dia e noite, e um terreno implacável com quase nenhum caminho adequado.

De todas as missões em que Leo havia estado, esta era, sem dúvida, a pior. Mas a pior parte de tudo era a comida. Caron, aquele lunático, só havia embalado comida suficiente para dois dias.

— Quando seu estômago está cheio, o treinamento não vai tão bem — Caron disse casualmente. — E ei, podemos sempre coletar comida ao longo do caminho. Qual é o problema, Leo?

— O problema? Poderíamos ter estocado tudo em Galad desde o início, quando tivemos a chance! — Leo rebateu.

— Você sobreviveu muito bem naquela floresta infestada de monstros demoníacos da última vez, não foi? — Caron apontou.

— Isso porque não havia nada para comer naquela época, seu idiota! — Leo respondeu.

— Bem, pense da mesma forma agora. O que é tão difícil nisso? Na verdade, isso tudo é para o seu benefício, Leo — Caron disse.

O raciocínio distorcido de Caron não tinha fim. Mas o que mais enfurecia Leo era...

— Então, por que é que sua mochila continua produzindo charque sem parar? — Leo perguntou.

Caron não havia procurado comida uma única vez. Enquanto todos os outros passavam fome, ele estava felizmente mastigando charque e pão.

Leo já estava desconfiado em Galad quando viu Caron carregando sua mochila.

— Os elfos fazem um charque fantástico. Preciso comprar mais quando voltarmos para o Castelo Azureocean — Caron comentou com um sorriso inocente.

Era completamente impossível argumentar com Caron.

Leo queria discutir mais, mas Leon interveio para amenizar a situação. Ela disse: — Caron sempre foi obcecado por charque. Apenas deixe para lá.

— Mas Leon... — Leo começou.

— Depois da missão, nós o transformaremos em charque nós mesmos. Ele ama tanto charque, não faria mal para ele experimentar em primeira mão — Leon interrompeu enquanto encarava Caron com intensidade assassina.

Leon tinha sido incrivelmente gentil quando se conheceram, mas desde que entraram na floresta, algo nela havia mudado drasticamente.

No entanto, Caron apenas sorriu brilhantemente e assentiu, então disse: — Estou totalmente preparado para suportar todo o seu ódio. Por favor, desprezem-me o quanto quiserem. Se isso os tornar mais fortes, eu de bom grado...

— Cale a boca — Leon o cortou.

— Não precisa ser tímida sobre isso — Caron respondeu com um sorriso presunçoso.

Satisfeito com suas travessuras, ele puxou um mapa de seu casaco. Graças às anotações da unidade de patrulha, determinar sua localização atual não era muito difícil.

— Estamos quase na metade do caminho — Caron anunciou.

Eles estavam agora em uma área que fazia fronteira com a zona que os elfos haviam explicitamente marcado como proibida. Em outras palavras, eles não estavam longe do covil de um dragão.

Caron lentamente virou seu olhar, examinando os arredores. Ele murmurou para si mesmo: — A vegetação parece um pouco diferente.

A razão pela qual a área ao redor do covil de um dragão era tão perigosa era clara. Era devido à presença dos Guardiões do dragão; eles eram monstros que protegiam o covil. Sua natureza variava dependendo do dragão que serviam, mas Caron já sabia exatamente a qual dragão este covil pertencia.

Era o infame dragão venenoso, Etyron, cujo nome aparecia nas crônicas de Rael Leston, o fundador da família de Caron. Etyron já havia reivindicado as regiões sul da Grande Floresta.

— Pluto — Caron chamou suavemente.

Uma sombra fluiu de sua mão, tomando a forma de um gato.

— Miau! — O felino azul escuro esfregou sua cabeça afetuosamente em Caron.

— Vá e dê uma olhada ao redor da área — Caron instruiu.

— Miau... — Pluto balançou a cabeça em clara oposição, ganhando um suspiro exasperado de Caron, que então levantou seu punho ligeiramente.

— Quer que eu use isso em vez disso? — ele ameaçou com um sorriso.

A intimidação flagrante funcionou como um encanto. Pluto havia se aproximado de Caron na última semana, mas foi principalmente devido a táticas semelhantes. Lembrando-se das lições recentes, Pluto disparou, derretendo-se nas sombras da floresta.

Uma das habilidades de Pluto era Ocultação das Sombras, o que lhe permitia explorar sem saltar pela floresta como um cachorrinho excitado. Caron só precisava compartilhar a visão de Pluto para coletar informações.

'Pelo menos isso me poupa algum trabalho,' Guillotine comentou com um tom satisfeito.

Até agora, o grupo de Caron havia confiado inteiramente nos sentidos aguçados de Guillotine. Finalmente, eles tinham capacidades de reconhecimento adequadas.

'Etyron,' Guillotine ponderou. 'Ainda me lembro do momento em que cortei seu pescoço. Devo te contar a história? Vamos ver, por onde devo começar...'

— Uau, isso soa fascinante — Caron interrompeu secamente.

'...Eu nem sequer comecei ainda,' Guillotine disse.

— É por isso que é fascinante — Caron respondeu.

Ignorando a voz da espada, Caron se concentrou na visão de Pluto.

O covil de Etyron havia sido abandonado por três séculos, desde que seu mestre foi morto. Mas ainda era a antiga morada de um dragão, repleta de armadilhas mágicas, Guardiões remanescentes e incontáveis perigos. Mesmo após trezentos anos, os elfos ainda evitavam a área por um bom motivo.

'Aqueles covardes de orelhas pontudas,' Guillotine zombou. 'O mestre deles está morto, então os Guardiões devem ter se dispersado também. Elfos típicos—sem senso de aventura...'

— Guillotine — Caron interrompeu.

'O quê?' Guillotine perguntou.

— Cale a boca por um momento — Caron respondeu.

A observação de Guillotine não estava errada. Sem seu mestre, os Guardiões deveriam ter desaparecido ou diminuído em número.

No entanto, o que a visão de Pluto revelou foi totalmente inesperado. Pendurados nas árvores estavam numerosos casulos, dos quais monstros estavam ativamente eclodindo. Golems se moviam entre eles, cuidando dos casulos como cuidadores.

Este lugar não está abandonado, Caron pensou.

As funções do covil pareciam operacionais. Embora o número de Guardiões ainda fosse relativamente baixo, a atividade sugeria que o covil só havia sido reativado recentemente.

— Hmm... — Caron franziu a testa enquanto seus pensamentos corriam. Isso contradizia as informações que Orion lhes havia dado.

Orion não teria mentido para nós, Caron raciocinou. Isso deixava apenas uma possibilidade: os próprios elfos desconheciam esta situação.

— Guillotine, você tem certeza de que Etyron está morto? — Caron perguntou.

'Certo o suficiente para ter forjado armas de seu cadáver. Ele também não voltou como uma criatura morta-viva. Por quê? Mudou de ideia sobre ouvir minha história?' Guillotine perguntou.

— O covil está ativo novamente — Caron respondeu.

'...O quê? Isso é impossível...' Guillotine hesitou antes de oferecer uma hipótese. 'Talvez um filhote tenha surgido? Mas por que agora, depois de mais de trezentos anos? Espere... Você não está planejando verificar isso, está?'

— Eu pareço insano para você? — Caron respondeu.

Não havia necessidade de correr tal risco. A reativação do covil era, sem dúvida, sinistra, mas era uma questão para os elfos resolverem, não para eles.

Caron rapidamente tomou sua decisão, anunciando: — Nós vamos dar a volta.

Não fazia sentido cutucar um vespeiro. Embora levasse um dia extra, contornar para oeste ao longo da costa era a opção mais segura. Caron havia deliberadamente escolhido caminhos perigosos para ajudar seus camaradas a ficarem mais fortes, mas esta era uma linha que ele não podia cruzar.

— Se dermos a volta para o oeste, isso adicionará cerca de um dia à nossa jornada. Vamos acelerar o passo para compensar — Caron sugeriu.

Seus camaradas deram um suspiro coletivo de alívio e assentiram em concordância.

...Isso não me agrada, Caron pensou enquanto olhava para trás em direção à floresta. Algo estava definitivamente se agitando dentro da Grande Floresta.

Mas, por enquanto, Caron deixou de lado seu mal-estar e seguiu em frente. Encontrar Kerra era sua prioridade.

***

Decidir fazer um desvio tornou a jornada significativamente mais suave. Logo, eles chegaram a um ponto onde o mar do sul espreitava através de lacunas nas árvores. Depois de suportar batalhas implacáveis, Caron e seu grupo foram finalmente capazes de apreciar a beleza serena das regiões sul da Grande Floresta.

— É lindo — Leon disse suavemente. Até mesmo seu comportamento antes afiado havia se suavizado um pouco. Um leve sorriso se espalhou em seu rosto enquanto ela olhava para o oceano.

— Não é nada como o Mar do Norte — Leon acrescentou.

— Ah, certo, você já foi ao Mar do Norte antes para sua Maioridade. Como é lá? — Caron perguntou.

Leon encolheu os ombros e respondeu: — É um lugar horrível. Há monstros demoníacos por toda parte, e é congelante e estéril.

— Agora que penso nisso, Leo terá que ir para sua Maioridade depois que esta missão terminar — Caron disse.

Na Família Ducal de Leston, a Maioridade acontecia quando alguém completava dezenove anos. Não era um ritual extravagante; em vez disso, era simplesmente uma jornada para o Mar do Norte para confrontar as origens de sua linhagem. Concluir a cerimônia lhes concedia o direito de participar dos assuntos oficiais da família.

— Isso mesmo — Leo suspirou. — Já estou preocupado com isso. Você acha que eu vou me sair bem?

— Não se preocupe, você vai se sair muito bem — Caron respondeu.

— Leo Leston — Utula interveio, sua voz ecoando com orgulho exagerado. — Tenha orgulho de suas realizações! Você é um guerreiro que eu pessoalmente aprovo. Se sua família não o reconhecer, minha tribo o receberá como um adulto.

Então, Utula bateu no peito algumas vezes e se virou para Caron, oferecendo: — Que tal pegarmos alguns peixes para o jantar? Eu posso lidar com isso.

— Você sabe como pegar peixes? — Caron perguntou, erguendo uma sobrancelha.

— Claro. Um guerreiro deve ser capaz de garantir comida em qualquer lugar — Utula declarou.

— Essa é uma boa ideia. Eu estava ficando cansado de apenas comer carne — Caron concordou.

Com a menção de peixe, os rostos de Leo e Leon se iluminaram imediatamente.

— Eu gostaria do meu cru — Leon disse.

— Acho que peixe grelhado soa melhor — Leo rebateu.

Ficou claro que todos estavam ficando cansados de sua dieta pesada de carne.

— E pensar que não muito tempo atrás, alguns de vocês estavam ameaçando me transformar em charque — Caron provocou.

Leon respondeu com um sorriso radiante: — Ah, não se preocupe. Eu vou garantir que nós sigamos com isso.

— Que bom momento. O mar está bem ali, Leon — Leo acrescentou. — Nós poderíamos secá-lo com a brisa do mar.

— Essa é uma ideia fantástica, Leo — Leon disse, sorrindo.

— Eu até compartilharei a receita de charque da minha tribo — Utula ofereceu entusiasticamente.

Os três pareciam ter se ligado intimamente por um momento. Como sempre, ter um alvo comum unia as pessoas.

Eu estou acostumado a ser o vilão de qualquer maneira, Caron pensou com um sorriso irônico enquanto liderava o grupo para frente.

Eles caminharam por algum tempo antes de Caron parar de repente. — Esperem — ele disse, mastigando uma tira de charque enquanto se agachava para examinar o chão.

Pegadas? ele pensou.

A sujeira mostrava vários conjuntos de rastros, intercalados com galhos quebrados. Alguém havia passado por ali recentemente.

Havia pelo menos dez pessoas, Caron estimou, estudando as formas das pegadas.

Leon se aproximou silenciosamente e também examinou os rastros. — Eles não são elfos. Elfos não deixam pegadas — ela disse. — Estes são de botas de couro.

— Humanos? — Caron perguntou.

— Muito provavelmente — Leon respondeu. Ela limpou a sujeira de seus dedos e acrescentou: — Está um pouco úmido. Eles provavelmente vieram do mar. Eles não passaram por aqui há muito tempo, então vamos pedir a Pluto para confirmar.

Caron assentiu lentamente e convocou Pluto novamente. Não demorou muito para o reconhecimento do espírito render resultados. Em um minuto, a visão de Pluto revelou um grupo de estranhos.

Como esperado, havia cerca de dez deles, todos armados e se movendo rapidamente. O que se destacava eram as braçadeiras carmesins que cada um deles usava em seu braço direito.

— Humanos, botas de couro, mar, braçadeiras vermelhas — Caron murmurou para si mesmo.

Leon rapidamente juntou os detalhes. Não foi difícil deduzir sua identidade. Havia apenas um grupo armado nos mares do sul que usava braçadeiras vermelhas.

— ...Piratas — ela disse em voz baixa.

Caron assentiu e acrescentou: — Parece que eles são os homens da Rainha Pirata.

— Se eles estão usando braçadeiras vermelhas, eles estão sob o comando de Bessic, o Sexto Herói — Leon continuou. — Mas o que eles estão fazendo aqui?

— Eles parecem estar perseguindo um elfo — Caron observou. — De jeito nenhum piratas estão aqui para ajudar os elfos, no entanto.

Ele tirou Guillotine de sua bainha, seus lábios se curvando em um leve sorriso enquanto ele dizia: — Vamos perguntar a eles diretamente.

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