
Capítulo 85
O Cão Louco da Propriedade do Duque
Capítulo 85. Os Fogos de Artifício
Chamas rugiam por toda parte.
— Por favor, me poupe...
Slash.
Sem hesitar, Caron cortou o pescoço do traficante de escravos que se contorcia em desespero em meio ao inferno.
Eles estavam em um campo de escravos subterrâneo, o último que Caron fora encarregado de limpar. O campo estava tomado pelo caos, iluminado apenas pelo fogo que se espalhava por seus corredores escuros.
Um rosnado baixo como o de um tigre ecoou por toda a masmorra, seguido por um grito humano agudo. — Gahhh!
Momentos depois, Adina emergiu das sombras, sangue escorrendo de suas presas. Ela casualmente jogou o cadáver que estava arrastando pelo pescoço e se aproximou de Caron.
— Está feito — ela rosnou, limpando a boca. — Havia trinta e sete escravos neste campo. Todos eles escaparam em segurança.
— Você se saiu bem — disse Caron, seu tom calmo.
Adina zombou, olhando ao redor para os restos carbonizados da prisão subterrânea. — Esses insetos patéticos não valeram o meu tempo. Depois de morder gargantas tão imundas, acho que preciso enxaguar a boca.
Ela olhou ao redor, seus olhos brilhando como os de um predador. O subterrâneo era úmido e fedia. Havia focos de incêndio em várias partes da sala. E, no entanto, com seus sentidos aguçados, ela ainda era capaz de detectar a presença de pessoas escondidas em diferentes cantos do porão.
— Quer que eu acabe com eles? — ela perguntou.
Mas Caron riu e balançou a cabeça, respondendo: — Há necessidade disso?
— Eles ainda estão se escondendo, pelo menos uma dúzia ou mais — Adina apontou, seus instintos afiados.
— Tenho uma ideia melhor — Caron respondeu com um sorriso malicioso. — Siga-me.
Com isso, Caron conduziu Adina até a escada que os levaria para fora da masmorra em chamas. Eles subiram lentamente, saboreando o momento.
Então, boom!
Caron brandiu a Guilhotina, cortando a parede atrás deles. A pedra desabou, selando a entrada com escombros e prendendo aqueles que ainda estavam lá dentro.
Adina observou, impressionada; ela então disse: —... Essa é uma maneira de fazer isso.
— Agora isso é um verdadeiro fogo do inferno — disse Caron com um sorriso satisfeito. — Os que estão presos lá embaixo morrerão se debatendo, ofegando por ar até o fim.
— Um final apropriado para lixo como eles — Adina ponderou. — Caron Leston, você pode ser humano, mas tem uma cabeça surpreendentemente boa.
Enquanto ela falava, ela liberou sua forma bestial parcial, suas características selvagens voltando ao normal.
Quatro horas se passaram desde que Caron libertou o primeiro campo de escravos. A essa altura, todos os campos em Reben haviam sido libertados.
— Nós fazemos justiça! — uma voz gritou à distância.
— Destruam o traidor, Marquês Leandro! — outra voz gritou.
O que inicialmente era uma pequena banda de cinquenta homens havia aumentado para mais de duzentos. Embora muitos desses novos recrutas fossem escravos recém-libertados com pouca experiência em combate, sua determinação ardia intensamente. Até mesmo alguns dos guardas da cidade se juntaram a eles, desesperados para sobreviver à crescente rebelião.
— Há um paciente precisando de atendimento urgente aqui! — uma voz gritou.
— Tragam-no para cá! — outra respondeu.
Escravos libertados do último campo estavam sendo cuidados por aqueles que haviam sido libertados antes. Felizmente, vários entre eles tinham conhecimento médico, permitindo o tratamento rápido dos feridos.
Enquanto Caron observava a cena em silêncio, ele ouviu uma voz estrondosa à distância.
— Caron Leston! — uma figura maciça gritou enquanto se aproximava, liderando uma força considerável. Era Utula, o gigante que Caron havia resgatado. Depois de quatro horas, ele finalmente havia retornado, suas roupas manchadas de sangue e rasgadas pela batalha. Havia algo peculiar em sua aproximação, no entanto.
—... Por que ele está andando assim? — Caron se perguntou, intrigado.
Utula estava carregando Cobler em seus ombros. Quando chegaram a Caron, Cobler sorriu e disse: — Nosso lado está todo limpo! Terminamos antes do esperado, então decidimos nos encontrar aqui em vez de no quartel-general da Ordem dos Cavaleiros de Reben.
A força de Cobler também não era pequena. Mais de cem se juntaram a eles. Juntos, a rebelião, ou melhor, o exército de libertação, havia crescido para um total de quatrocentos homens.
— Nós só recrutamos aqueles capazes de lutar — Cobler explicou. — Muitos dos outros estavam fracos demais para contribuir efetivamente...
— Você se saiu bem. E os traficantes de escravos? — Caron perguntou.
Utula respondeu com um rosnado satisfeito: — Nós não seremos escravos! Eu pessoalmente esmaguei as cabeças daqueles que roubaram a liberdade dos outros.
— Como você ouviu, Lorde Utula cuidou de todos eles — Cobler acrescentou. — Embora tenhamos conseguido capturar alguns vivos... bem, mais ou menos. Utula esmagou suas colunas, então eles não andarão novamente.
Caron não pôde deixar de estremecer ao imaginar Utula dobrando um homem ao meio como um boneco de pano. Ele assentiu em aprovação, no entanto. — Impressionante. Vocês dois se saíram bem.
— Eles não eram guerreiros — disse Utula, batendo no peito com orgulho. — Esmagá-los foi mais fácil do que esmagar o crânio de um orc.
Cobler então perguntou cautelosamente: — Agora que libertamos todos os campos... Qual é o próximo passo?
O primeiro objetivo, libertar os escravos, estava completo. Agora era hora da segunda fase do plano.
Caron embainhou a Guilhotina e exalou levemente antes de dizer: — Nós vamos para a praça da cidade.
Cobler hesitou, franzindo a testa antes de dizer: — Mas os soldados do Marquês Leandro estão estacionados lá...
— Não se preocupe com isso — Caron o tranquilizou.
Ele já havia recebido notícias de Revelio de que tudo havia sido resolvido. A mesa estava posta, e tudo o que Caron tinha que fazer agora era colocar a colher final. A velocidade era crucial para uma rebelião ter sucesso. Ele sabia disso melhor do que ninguém.
Eu esmaguei rebeliões suficientes em minha vida anterior para saber,
ele pensou. Quanto mais eles prolongassem isso, menos provável seria o sucesso. Até agora, as coisas correram quase perfeitamente. Tudo o que restava era lidar com o Marquês Leandro quando ele retornasse à cidade.
— Vamos nos encontrar com o Príncipe Revelio na praça... — Caron começou, mas, naquele momento, um zumbido baixo o interrompeu.
Ele puxou o orbe de comunicação do bolso e atendeu. Era uma ligação do Príncipe Revelio.
— O que foi? — Caron perguntou.
Houve uma breve pausa antes que a voz de Revelio saísse pelo dispositivo. — Temos uma complicação, Caron.
Apenas duas horas se passaram desde que Caron ouviu pela última vez que a cidade estava totalmente sob controle. Algo poderia ter dado errado?
As sobrancelhas de Caron se franziram quando Revelio continuou: — O Marquês Leandro ficou sabendo da situação. Ele está virando suas forças e voltando a toda velocidade. Tempo estimado de chegada: duas horas.
—... Ele está realmente abandonando a fronteira? — Caron murmurou.
— Ele deve ter decidido que isso era mais urgente — Revelio respondeu. — Então, qual é o plano agora, oh destemido líder da rebelião?
Sem hesitar, Caron respondeu: — Nós o encontraremos nos muros. Isso só terminará quando capturarmos o Marquês Leandro, e esse momento chegou mais cedo do que o esperado.
Depois de encerrar a chamada, Caron se virou para suas forças reunidas e ordenou: — Nós iremos para o muro sul.
Era hora de cumprimentar o verdadeiro governante desta cidade, que agora estava marcado como um traidor.
Caron estava no topo dos imponentes muros da cidade, seu olhar fixo no exército que se aproximava à distância. As forças do Marquês Leandro estavam se aproximando, um exército bem treinado de dois mil soldados, adequado para uma cidade fronteiriça. Entre eles, havia também alguns magos.
— O céu está lindo — comentou Revelio, parado ao lado de Caron e admirando a cena além.
O sol estava se pondo, pintando o céu em tons de laranja e vermelho. As nuvens de tempestade que pairavam o dia todo finalmente haviam se dissipado, deixando para trás nuvens brancas tingidas com as cores do pôr do sol. Mas sob aquele céu flamejante, o exército de dois mil homens estava avançando constantemente.
— O que você acha que Leandro vai fazer, Caron? — Revelio perguntou.
— Ele provavelmente vai alegar que é inocente. Para ser justo, ele tem um ponto. As acusações de traição não são totalmente justificadas — Caron respondeu.
— Não há provas sólidas — Revelio admitiu.
— Exatamente. E não é assim que deveria ser? Como está o moral das tropas? — Caron perguntou, observando os soldados abaixo.
—... Eles não estão muito motivados — Revelio admitiu.
Eles haviam tomado o controle da cidade com sucesso, mas isso não significava que haviam conquistado a lealdade dos soldados. Seu antigo senhor, o Marquês Leandro, havia sido repentinamente rotulado como um traidor, e não muitos conseguiam se adaptar facilmente a uma mudança tão drástica. Embora eles tivessem aumentado seus números libertando escravos, essas tropas não estavam aptas para enfrentar os soldados de elite de Leandro de frente. O exército de Leandro era composto por soldados experientes, enquanto as forças de Caron eram organizadas às pressas e mais parecidas com uma milícia.
Ainda assim, Caron sabia que Leandro não se apressaria em um confronto direto.
— Ele vai tentar se livrar disso primeiro — disse Caron, seus olhos se estreitando enquanto o exército se aproximava. — Ele vai querer um julgamento na capital, onde possa provar sua inocência. E... Há uma grande possibilidade de que ele seja considerado inocente.
Testemunhas por si só não seriam suficientes para condenar Leandro. O que eles precisavam era de provas sólidas e inegáveis. Algo que mostrasse definitivamente que ele havia tramado traição.
— Mas Caron, você realmente vai seguir com 'aquele plano'? — Revelio perguntou.
— Claro — Caron respondeu sem hesitar. — É a maneira mais eficaz. Eu já obtive a aprovação de Sir Mason.
— Isso é loucura, sério. Eu não estou pronto para isso ainda! — Revelio tremeu ao pensar no 'plano' que Caron havia elaborado. Pelo que ele podia dizer, era de fato a estratégia mais fatal. Se tudo corresse como Caron pretendia, o Marquês Leandro seria rotulado como um traidor em pouco tempo.
O problema era que a parte principal do plano era o próprio Revelio.
— Incitar cidadãos imperiais, ocupar ilegalmente a cidade, perjúrio... Uau, eu provavelmente vou entrar para a história como o membro da realeza mais acusado criminalmente de toda a família imperial — disse Revelio.
Caron balançou a cabeça firmemente e disse: — Eu acho que seu avô ainda detém esse título. O Imperador Malevolente, que até vendeu as almas de seus subordinados para demônios.
— Ei, nós não falamos mais sobre 'aquele cara do Avô'! — Revelio retrucou, embora seu tom fosse brincalhão.
— Você acabou de chamá-lo de 'aquele cara'? Que desrespeito! — Caron provocou.
Os dois trocaram brincadeiras leves, aliviando a tensão entre eles.
Enquanto Revelio observava as forças do Marquês Leandro se aproximando, ele falou: — Já que eu estou nessa com você agora, deixe-me te perguntar algo honestamente.
— Pergunte à vontade — Caron respondeu casualmente.
— Por que você está tentando derrubar o Marquês Leandro? É para a glória da Casa de Leston? — Revelio perguntou. Ele ainda não conseguia entender por que Caron havia ido a tais extremos.
Caron sorriu levemente e balançou a cabeça, então respondeu: — Você realmente acha que cortar a cabeça daquele cara garantiria o futuro da nossa família?
— Certamente lhe daria uma desculpa sólida para atacar a facção do Duque Salmon, aquela com a qual Leandro está alinhado — Revelio apontou.
— Eu não sou tão político — Caron respondeu, descartando a noção. Ele nunca havia pensado muito nas enormes ramificações políticas desse evento. Todo esse caso começou por razões profundamente pessoais. Os anciãos da família poderiam fazer uso das consequências políticas, mas isso não era da sua conta.
— Eu só estou seguindo meus instintos. Eu não suporto vê-los negociando escravos abertamente assim. O que mais eu poderia fazer? — ele continuou.
Revelio riu e disse: — Que filantropo nobre! Toda essa loucura, apenas para libertar alguns escravos... Vamos lá, quem vai acreditar nisso?
Naquele momento, um cavaleiro das forças de Leandro começou a cavalgar em direção a eles, carregando uma bandeira branca.
Revelio observou com um sorriso, dizendo: — Bem, eu vou acreditar em você. Quero dizer, um louco realmente precisa de uma razão para sua loucura? E eu odeio aqueles bastardos traficantes de escravos também, então eu entendo.
Caron pensou em como o grupo de Revelio, Caligo, era composto principalmente por ex-escravos. Talvez isso explicasse por que Revelio estava tão disposto a ajudar. Assim como Revelio não conseguia ler completamente os pensamentos de Caron, Caron também não conseguia entender completamente os motivos de Revelio. Eles só podiam adivinhar que seus sentimentos estavam alinhados.
— O fato de que um marquês está lá capturando e vendendo escravos... Honestamente, é uma vergonha para o império. Aquele cara está manchando a honra do Império Orias. Ele merece morrer — disse Revelio firmemente.
Caron não pôde deixar de rir. Ele perguntou: — Eu pensei que você odiava o império?
— O quê? Não! Eu só odeio a família imperial. Eu sou um patriota! Eu amo o Império Orias — Revelio respondeu, fingindo inocência.
— Que bom mentiroso — disse Caron, balançando a cabeça.
Enquanto conversavam, o enviado do exército do Marquês Leandro chegou aos portões da cidade. Ele gritou para Caron e Revelio, que estavam no muro acima.
— Príncipe Revelio! Lorde Caron de Leston! O Marquês Leandro deseja se encontrar com vocês pessoalmente para esclarecer esse mal-entendido!
A grande decepção havia atingido seu clímax.
Caron gritou de volta para o enviado: — Diga a ele que nós o ouviremos.
O momento de levar esse plano caótico a uma conclusão bem-sucedida finalmente havia chegado.