
Capítulo 77
O Cão Louco da Propriedade do Duque
Capítulo 77
No fim, Greenwood conseguiu se reunir com os cavaleiros restantes. Foi um alívio, para dizer o mínimo. Incluindo ele, havia oito pessoas reunidas no Ponto de Encontro Dois. Todos tinham chegado, exceto Sir Eugene, que havia caído pela espada de Caron, e o comandante, cujo destino permanecia sombriamente incerto.
— Greenwood! O que você quis dizer com o que disse antes? — perguntou um dos cavaleiros.
— Explique direito! — exigiu outro.
Os cavaleiros que tinham chegado primeiro exigiam respostas, mas Greenwood estava com o olhar fixo no caminho de onde tinha vindo, exclamando com urgência na voz: — Não há tempo para isso. Formem a formação defensiva. Rápido! Caron Leston... Caron Leston está vindo!
Ele não conseguia afastar a imagem da cabeça de Eugene atingindo o chão, tendo sido decepada tão facilmente. Um cavaleiro 5-Estrelas, morto como se fosse não mais que um soldado anônimo no campo de batalha... Mesmo que tivesse sido um ataque surpresa, não se podia negar que uma diferença esmagadora de força o tornou possível.
Ele é pelo menos 6-Estrelas, estimou Greenwood sombriamente. Se fosse verdade que Caron tinha matado o comandante, talvez ele fosse ainda mais forte.
Descobrir a razão pela qual Caron estava caçando eles não era a prioridade; sobreviver era. Ao menos, a situação não era totalmente desesperadora, porque os cavaleiros reunidos ali tinham lutado lado a lado frequentemente quando estavam caçando bestiais e elfos. Eles tinham treinado juntos usando uma formação de ataque unida, também conhecida como 'Formação Quatro'. Era uma tática frequentemente empregada pela Ordem dos Cavaleiros Reben, onde múltiplos cavaleiros trabalhavam em conjunto para derrubar um único alvo. Eles tinham enfrentado oponentes formidáveis antes, guerreiros fortes o suficiente para serem considerados cavaleiros 6-Estrelas.
— Temos que presumir que Caron Leston excede 6-Estrelas — Greenwood alertou, sua voz cheia de urgência. — Não baixem a guarda. Sir Eugene e o comandante... Ambos estão mortos.
O tom desesperado em sua voz silenciou os outros. Não havia necessidade de mais explicações. A expressão de Greenwood dizia tudo. Isso não era uma brincadeira.
— ...Você confirmou a morte do comandante? — Io, o segundo em comando entre os cavaleiros presentes, perguntou em voz baixa.
— Caron Leston ele mesmo disse que o matou — Greenwood respondeu, sua voz tensa de medo.
— Droga. Não é à toa que não conseguimos contatá-lo — disse Io.
— Io, não temos muito tempo! Tenho certeza que Caron Leston está— Greenwood começou.
Naquele momento, uma voz interrompeu. — A lua está fraca esta noite, mas aqui estão todos vocês, reunidos tão bonitinhos. Um, dois, três... Oito. Perfeito. Me poupa o trabalho de procurar por todo mundo.
Greenwood virou-se lentamente, tremendo.
Um jovem saiu de entre as árvores, com um sorriso no rosto. Lá estava ele, o demônio com a espada azul escura, aproximando-se deles lentamente sob o fraco brilho da lua.
Quando Io viu Caron se aproximando, ele rapidamente gritou para os cavaleiros ao seu redor: — Formação Quatro! Agora, entrem na Formação Quatro!
Ao seu comando, os cavaleiros rapidamente entraram em suas posições com precisão. No entanto, Caron simplesmente riu, seu sorriso zombeteiro enquanto caminhava em direção a eles.
— Essa formação parece um pouco desleixada. Vocês têm certeza que vai aguentar? Até os recrutas da Ordem dos Cavaleiros Oceanwolf fariam melhor do que isso — disse ele enquanto levantava sua espada.
A estratégia que eles tinham escolhido, a formação de ataque unida, foi projetada para permitir que grupos mais fracos superassem oponentes mais fortes. Em teoria, um grupo de cavaleiros 5-Estrelas poderia derrubar um cavaleiro 6-Estrelas com ela. A Ordem dos Cavaleiros Oceanwolf tinha dedicado sessões de treinamento inteiras à técnica, pois tinha se provado altamente eficaz. Mas, como Caron sabia muito bem, a teoria nem sempre se traduz bem na prática.
— Algum de vocês sequer lutou contra cavaleiros de verdade com essa formação? — Caron zombou.
Embora os cavaleiros estivessem estacionados na cidade da fronteira, o império não tinha travado guerra contra os reinos do sul nos últimos tempos. Esta formação exigia incontáveis batalhas reais de experiência para dominar, e a Ordem dos Cavaleiros Reben tinha lutado principalmente contra escravos. Embora tivesse sido eficaz contra aqueles que careciam do conhecimento tático para explorar suas fraquezas, era uma história diferente quando o inimigo entendia como combatê-la.
Whoosh.
Um zumbido suave encheu o ar enquanto Caron canalizava seu mana para sua espada, Guilhotina. Ele exalou lentamente enquanto analisava a formação dos cavaleiros. Havia três na frente, dois nas laterais, dois na retaguarda e um no centro. A estratégia deles era clara. Os três cavaleiros da frente bloqueariam seus ataques, enquanto os outros explorariam qualquer abertura que aparecesse. Era a forma mais básica da formação de ataque unida.
Mesmo se eu romper a linha de frente, os cavaleiros nas laterais e na retaguarda preencherão imediatamente as lacunas. Parece uma tática clássica, ponderou Caron.
Eles estavam tentando forçar seu oponente a se cansar, então o sobrecarregariam quando estivesse enfraquecido. Era óbvio que seu treinamento tinha focado mais em capturar escravos do que em se engajar em batalhas de verdade.
— Seus esforços têm sido tão impressionantes — Caron comentou sarcasticamente, sua voz gotejando sarcasmo.
Talvez essa formação básica fosse boa para capturar inimigos, mas tinha uma falha fatal: Só funcionava quando o inimigo atacava diretamente. O que significava que os cavaleiros estavam completamente expostos ao ataque de longo alcance de Caron.
— O que vocês vão fazer se eu atacar à distância? — Caron comentou.
Boom!
Uma onda massiva de energia azul escura surgiu da Guilhotina, cortando o chão enquanto rugia em direção a eles. Era a Forma 4 das Artes da Espada Oceanwolf: Maré Furiosa.
— Movam-se, agora—! — um dos cavaleiros gritou, mas seu aviso veio tarde demais. A onda de energia atingiu a formação dos cavaleiros com velocidade implacável.
— Urgh!
— Gah—!
Dois dos três cavaleiros que estavam na frente da formação tossiram sangue e foram violentamente arremessados para trás. Eles se chocaram contra árvores com um estalo doentio, ambos desabando no chão com seus pescoços quebrados. Ficou claro para qualquer um assistindo que eles estavam mortos.
Como os dois cavaleiros da frente tinham absorvido a maior parte do ataque, os que estavam atrás deles foram poupados de ferimentos graves. Mas o horror de ver seus camaradas morrerem tão repentinamente deixou os cavaleiros restantes visivelmente abalados.
— Nós... Nós não podemos vencê-lo... Como vamos lutar contra um monstro como esse? — um cavaleiro murmurou, sua voz tremendo.
O medo se espalhou rapidamente. Aquela única declaração sussurrada foi o suficiente para desencadear uma reação em cadeia. Os outros começaram a tremer enquanto sua coragem desmoronava. A visão de seus camaradas caídos não despertou vingança em seus corações. Em vez disso, foi o medo esmagador que permeou cada canto de suas mentes, incluindo a de Io.
Sangue escorria pela testa de Io de um corte feito pelos remanescentes da onda. Ele estava ficando tonto. Ele se perguntou se havia alguma saída para essa situação, algum caminho de fuga das garras desse monstro.
— O que te deixa tão pensativo? — Caron perguntou com um sorriso enquanto dava um passo à frente. — Não precisa se estressar. Eu tenho uma solução bem aqui.
A formação que eles tinham montado já estava em desordem. Os cavaleiros, tomados pelo terror, abandonaram suas posições. Alguns até começaram a recuar. Essa batalha estava perdida, e não era preciso pensar muito para perceber isso.
Flash!
Caron desapareceu de vista, e quando a visão de Io o alcançou, já era tarde demais.
Slash!
O cavaleiro que estava ao lado de Io caiu no chão, e sua cabeça decepada rolou para longe. Caron pousou levemente após o golpe, olhando ao redor para os cavaleiros restantes.
— E então? Isso deve resolver seu pequeno dilema — ele comentou com um sorriso sinistro.
Um dos cavaleiros, enlouquecido de medo, gritou enquanto investia contra Caron. — Aaaaahhh!
Seu golpe era selvagem e descoordenado. Era um golpe desesperado. Caron facilmente aparou o ataque com um simples movimento de sua espada.
Clang!
Suas espadas colidiram por um breve momento, e a espada do cavaleiro se estilhaçou em pedaços.
Shwick!
Guilhotina devorou a lâmina quebrada e foi direto para a garganta do cavaleiro, rasgando-a em um movimento limpo. Isso fazia quatro mortos já, e restavam apenas três.
Com uma voz trêmula, Io gritou: — Pessoal, corram em direções diferentes!
Nesse ponto, sua honra como cavaleiros não importava mais. Tudo tinha acabado. Desde o começo, eles nunca deveriam ter tentado lutar contra esse monstro. Quando havia sete deles, eles deveriam ter se dividido em sete direções e fugido. Essa teria sido sua única chance.
Whoosh!
Usando todo o mana que conseguiu reunir, Io sobrecarregou seus canais de mana, forçando-o em suas pernas enquanto ele fugia. Greenwood e o cavaleiro restante fugiram em direções diferentes, cada um escolhendo seu próprio caminho.
— Hah! Essas minhocas... — Caron murmurou, franzindo a testa enquanto os via se dispersar em três direções.
"Eles estão oferecendo mais resistência do que o esperado", resmungou Guilhotina.
— Bem, o que você não faria se sua vida dependesse disso? — Caron suspirou, reunindo mana em sua espada mais uma vez. Rapidamente tomando a mira, ele arremessou sua espada na figura em retirada de Io.
Swish!
A faixa azul escura de energia rasgou o ar, atingindo Io nas costas.
Thud!
Io caiu no chão, e seu corpo se contraiu algumas vezes antes de finalmente ficar imóvel.
Caron calmamente caminhou até o corpo do cavaleiro caído e murmurou: — Acho que só restam dois.
A caçada estava se aproximando do fim.
Greenwood mordeu seu lábio com força enquanto corria. Ele mordeu tão forte que sangue escorreu. Mas não havia tempo para ele olhar para trás. Talvez aquele monstro nem estivesse perseguindo ele, mas ele não podia se dar ao luxo de parar.
Por que eu tenho que morrer? Greenwood pensou.
Ele se perguntou se era por causa de algo tão trivial quanto capturar alguns escravos fugitivos. Ele tinha tanto pela frente; ele não podia aceitar que tinha que morrer por algo assim. Eles nem eram humanos!
Claro, ele tinha capturado escravos fugitivos antes, mas eles eram todos iguais. Eram miseráveis com vidas miseráveis. Eles não eram nada como ele, alguém que estava destinado a um futuro glorioso.
...Por agora, eu só preciso chegar à vila fora da floresta, Greenwood pensou.
A vila de Luka, localizada perto da Floresta de Tirisfal, era um grande assentamento; era um ponto de passagem para aqueles que viajavam das regiões centrais do império para o sul. A vila era guardada por uma milícia considerável, e não importava o quão louco Caron Leston estivesse, ele não seria capaz de estender seu ataque a um lugar como aquele.
Era realmente uma pena que seus camaradas tivessem morrido, mas suas mortes não importavam agora. O que importava era a sobrevivência. Greenwood tinha que viver. Ele tinha que ser aquele a contar ao mundo o que Caron Leston tinha feito. Só então poderia haver esperança de vingança.
Assim que o Marquês Leandro souber disso, ele não vai ficar parado, Greenwood pensou.
Um herdeiro do maior herói do império, líder de uma prestigiosa família nobre, tinha cometido um massacre tão hediondo. Se ele pudesse divulgar a notícia, haveria muitas maneiras de se vingar.
— Ah! — Greenwood ofegou ao avistar a borda da floresta. As árvores, que tinham formado uma parede quase intransponível, estavam rareando. E à frente dele, a fraca luz das pedras luminescentes da estrada brilhava. Ele estava quase lá. Ele só tinha que continuar correndo por aquela estrada e logo chegaria à Vila de Luka.
— Hah... — ele arfou, mal conseguindo recuperar o fôlego. Ele não tinha ideia de quanto tempo tinha corrido. Ele tinha queimado a maior parte de seu mana, e a energia que o tinha preenchido antes estava quase esgotada. Só mais um pouco. Ele só tinha que aguentar por mais um minuto — mais sessenta segundos e ele conseguiria.
— Ugh... — Seus pulmões queimavam enquanto sua respiração prendia em sua garganta. Seu mana secou, não conseguindo mais sustentar suas pernas. Seus músculos pareciam que iam se rasgar. Ele não conseguia se lembrar da última vez que tinha se esforçado tanto, mas agora havia esperança à sua frente.
As pedras brilhantes da estrada que antes pareciam tão distantes começaram a cintilar logo à frente. A extensão interminável de árvores tinha desaparecido. Só mais vinte passos, apenas mais vinte, e ele escaparia desse pesadelo de floresta.
— Ha... — Greenwood sentiu uma pequena sensação de alívio enquanto a luz o recebia, como se a própria escuridão estivesse recuando.
Eu consegui... ele pensou. Greenwood estava a apenas cinco passos da liberdade.
Mas ele não conseguiu caminhar para a luz.
Um homem estava parado na saída da floresta, segurando uma espada que brilhava com um tom azul escuro. E aquele homem cumprimentou Greenwood com um sorriso largo.
— Como é a sensação de provar a esperança? — Caron perguntou.
Naquele momento, as pernas de Greenwood finalmente cederam e ele desabou no chão.
— ...Ha... Haha... Ha... — Greenwood começou a rir, uma risada quebrada e histérica. Tinha sido tudo um jogo desde o início. Aquele demônio tinha estado brincando com ele o tempo todo, deixando-o fugir apenas para esmagá-lo no final.
— Por que... Por que você está fazendo isso...? — Greenwood perguntou, sua voz cheia de desespero.
Caron deu um passo à frente lentamente e disse: — É para que você possa sentir como é ser um escravo antes de morrer. Os escravos que você caçou provavelmente se sentiram exatamente como você está se sentindo agora.
— Mas você... Você não é diferente, não é? Como um escravo se sentiria? Você nasceu em uma família prestigiosa. Você viveu confortavelmente a vida toda! Seu hipócrita, você— Greenwood começou.
— Nesta vida, sim, eu vivi — Caron interrompeu, — Mas não na anterior.
— ...O quê? — Greenwood perguntou, confuso.
— Você não precisa dos detalhes. Apenas pense nisso assim. Vocês todos mereceram morrer. Se vocês fazem os outros derramarem sangue e lágrimas, vocês pagarão o preço — Caron explicou.
Com essas palavras, ele ergueu sua espada no alto, pairando sobre Greenwood, então disse: — É hora de morrer.
Guilhotina mergulhou no pescoço de Greenwood.
Não havia paraíso esperando no final desta fuga.