
Capítulo 80
O Cão Louco da Propriedade do Duque
Capítulo 80
Finalmente, eles chegaram a Reben.
A cidade, para onde Caron havia retornado em pouco menos de um dia, parecia muito mais fortemente protegida do que quando ele partiu. À primeira vista, a tensão era palpável, como se os ventos da guerra estivessem soprando. Dado o crescente perigo de ação militar do Reino de Zion, talvez não fosse apenas uma sensação, mas sim a realidade.
— Pare! — gritou um guarda.
O automóvel folheado a ouro de Revelio parou abruptamente, bloqueado pelos soldados restantes da cidade. Os guardas hesitaram depois de parar um automóvel tão extravagante, inseguros de como proceder. Mesmo sem abrir a porta, era óbvio que havia alguém importante lá dentro.
Revelio mal colocou a cabeça para fora da janela e gritou: — O que vocês pensam que estão fazendo, bloqueando meu caminho?
Um dos guardas curvou-se imediatamente, confuso, e disse: — D-Desculpe, senhor! Regras são regras!
— Espere, o que está acontecendo na cidade? — perguntou Revelio.
— As forças do sul do Reino de Zion começaram a se mover em direção à fronteira! Por causa disso, a lei marcial foi declarada e apertamos as restrições de entrada e saída para evitar qualquer atividade suspeita! — explicou o guarda.
A voz do guarda era afiada, cheia de disciplina, mas Revelio franziu a testa e apontou para a insígnia do leão branco estampada na porta de seu automóvel. Ele perguntou: — Vocês não conseguem ver a insígnia estampada aqui? Parece que vocês têm olhos no lugar certo.
— S-Sinto muito! Mas mesmo que você seja da família imperial, regras são regras… — começou o guarda.
Naquele momento, os portões da cidade se abriram rangendo, e um cavaleiro totalmente blindado correu em direção a eles a toda velocidade. Assim que chegou, chutou a canela do soldado furiosamente.
— Seu idiota! Como você pôde bloquear o caminho do Sexto Príncipe? — gritou o cavaleiro blindado.
— S-Sinto muito! — respondeu o outro cavaleiro.
— Você é um caso perdido. É por isso que pessoas como você são inúteis. Tsc, tsc — o cavaleiro repreendeu abertamente seu subordinado, então se virou para Revelio, curvando-se profundamente. — Minhas sinceras desculpas, Príncipe Revelio! Devido às provocações do reino do sul, aumentamos as verificações de segurança.
Ao contrário dos outros guardas, este cavaleiro o havia reconhecido imediatamente. Revelio olhou para ele com leve diversão antes de perguntar: — E como você sabia que eu era o Sexto Príncipe?
— Bem... ouvi dizer que a única pessoa que viaja em um automóvel folheado a ouro é você, Vossa Alteza — respondeu o cavaleiro.
— Impressionante. Qual é o seu nome? — perguntou Revelio.
— Sou Sir Decal, o Vice-Comandante da Ordem dos Cavaleiros de Reben — respondeu o cavaleiro.
— Eu me lembrarei desse nome — disse Revelio.
Ouvindo isso, Decal curvou-se repetidamente, seus movimentos uma exibição exagerada de gratidão. Ele então disse: — É uma honra, Vossa Alteza! Posso perguntar o que o traz a esta cidade?
Revelio lançou-lhe um olhar afiado e perguntou: — Existe algum lugar no império onde eu não possa ir?
— N-Não! Eu não quis dizer isso! — gaguejou Sir Decal.
— Chegue mais perto de mim — ordenou Revelio, enquanto acenava. Decal aproximou-se cautelosamente do automóvel.
Quando Decal estava em frente a Revelio, o príncipe baixou a voz e disse: — Um irmãozinho meu de quem sou próximo disse que eu poderia encontrar algum... entretenimento aqui.
— Entretenimento, Vossa Alteza? O que você quer dizer com isso? — perguntou Sir Decal.
— Você sabe o que quero dizer. Homens-fera, elfos... Não finja que não sabe. Já me contaram, então não tente se esquivar — explicou Revelio.
— Posso perguntar cuidadosamente quem recomendou este lugar para você? — perguntou Decal.
— Você é lento, não é? Foi Caron Leston. O neto mais novo do Duque de Leston. Ele se gabou de ter comprado uma elfa daqui. Devo deixar aquele pirralho me superar? — respondeu Revelio.
O reconhecimento surgiu no rosto de Sir Decal. Caron Leston, o jovem que havia comprado uma elfa do leilão ainda ontem, não perdeu tempo se gabando disso. Embora o Sexto Príncipe só recentemente tivesse começado a ganhar atenção, todos sabiam sobre suas origens. Como alguém nascido de uma mãe de baixa linhagem, seus gostos, surpreendentemente, eram tão crus quanto se poderia esperar.
Decal fez um aceno respeitoso, entendendo a situação claramente agora.
Combina muito bem com ele, pensou ele, embora sabiamente guardasse suas opiniões para si mesmo.
Sentado em frente ao veículo estava um cavaleiro. Era Sir Mason, um cavaleiro de 8 estrelas jurado para proteger o Sexto Príncipe. Decal não era tolo o suficiente para insultar a realeza na frente de um guarda real.
Assim que Decal resolveu as coisas em sua mente, ele se dirigiu cautelosamente ao automóvel: — Seria possível realizarmos uma busca…
Antes que pudesse terminar, Revelio, que estivera sorrindo o tempo todo, gritou furiosamente: — Uma verme imunda como você ousa sugerir revistar uma carruagem que transporta um membro da família imperial? Você está desafiando a autoridade do imperador, sua criatura patética?
Pego de surpresa pela repentina explosão, Decal rapidamente curvou a cabeça e gaguejou: — E-Eu fui tolo. Por favor, perdoe minha ignorância.
— Onde está o Marquês Leandro? Vou direto falar com ele! Eu não sabia que ele comandava uma força tão incompetente — disse Revelio.
— O Marquês Leandro foi pessoalmente para a linha de frente na fronteira. Peço desculpas mais uma vez, Vossa Alteza — disse Decal, suas repetidas desculpas fazendo pouco para aliviar a irritação de Revelio.
— Quanto tempo devo esperar aqui? — perguntou Revelio, olhando para Decal com desprezo não disfarçado.
— Eu o guiarei para dentro imediatamente. Todos, abram caminho! — ordenou Decal, e os cavaleiros que guardavam o portão rapidamente se separaram, criando um caminho para a carruagem.
Quando o caminho se abriu, Revelio levantou a janela e gritou: — Sir Mason, vamos.
— Sim, Vossa Alteza — respondeu Sir Mason.
Whoosh.
Com um zumbido baixo, a carruagem retomou sua jornada.
Caron, que estava observando silenciosamente atrás do assento de Revelio, não pôde deixar de comentar: — Você realmente dominou a arte de usar sua posição. Acho que esse tipo de atitude é natural para aqueles que já tiveram isso usado contra eles o suficiente.
— Autoridade funciona melhor quando você a joga na cabeça das pessoas. Antigamente, as pessoas zombavam de mim, mas não mais. Eu tenho a família Leston me apoiando agora. Então, é melhor você ter cuidado também — disse Revelio.
Caron sorriu e disse: — Às vezes me pergunto se você é realmente inteligente ou apenas finge ser inteligente.
Revelio riu e respondeu: — Ambos.
Depois de tomar um gole de água, ele olhou pela janela. A cidade parecia ainda mais sombria do que Caron havia descrito, provavelmente piorada pelas nuvens escuras pairando sobre a cidade.
— Os guardas não parecem muito numerosos — observou Revelio. — Tudo bem, Caron, qual é a primeira coisa que precisamos fazer?
— Precisamos ir ao leilão de escravos e capturar aquele bastardo, Noor. Então pegamos todos os livros contábeis que ele tem e libertamos os escravos mantidos nas instalações subterrâneas da cidade. Isso cumprirá nosso primeiro objetivo — explicou Caron.
— Você faz parecer fácil — respondeu Revelio.
— Não será tão difícil. O trabalho de base já foi feito — disse Caron.
Revelio estreitou os olhos e perguntou: — Trabalho de base? Não me lembro de ter ouvido falar disso.
— Ah, não é nada muito complicado. Eu apenas pedi a um de nossos aliados locais para espalhar alguns boatos entre os cidadãos — explicou Caron.
— Que tipo de boatos? — perguntou Revelio.
— O que você acha? Que o Marquês Leandro está tramando uma rebelião. Você sabe como os boatos funcionam. Se você diz isso o suficiente, começa a parecer verdade — respondeu Caron.
Ele puxou um pedaço de carne seca do bolso e mordeu, sorrindo. — Embora neste caso, sejamos nós que estamos plantando a semente.
Com isso, Caron conseguiu reentrar em Reben sem que ninguém percebesse.
***
Talvez tenha sido devido à explosão anterior de Revelio nos portões da cidade, mas depois de entrar em Reben, tudo correu bem. Sir Decal, o Vice-Comandante da Ordem dos Cavaleiros de Reben, os conduziu obedientemente ao leilão de escravos. Rumores diziam que o leilão também negociava metais preciosos durante a manhã. E, com certeza, as pessoas por quem passaram pareciam bem vestidas e vestiam roupas finas.
— Como você conseguiu realizar esse disfarce tão rápido, Caron? — perguntou Revelio, seus olhos se arregalando ao observar a nova aparência de Caron.
Caron estava vestido da cabeça aos pés com uma armadura de placas pretas, toda a sua aparência transformada em um instante através dos poderes de mudança de forma do artefato conhecido como Kavana.
— Isso é um artefato? Nem mesmo minha irmã conseguiria fazer algo assim facilmente — disse Revelio, seu tom tingido de inveja.
— É uma herança do chefe da família — respondeu Caron, ajustando a armadura.
— Isso é insano. Você pode mudar sua aparência quando quiser? Eu estou realmente curioso, mas se você tiver tempo… — disse Revelio.
— Não, não vai acontecer. Se você está tão ansioso, nasça na família Leston em sua próxima vida — disse Caron.
— Droga, eu realmente quero isso, no entanto — murmurou Revelio, balançando a cabeça em admiração. O termo "cavaleiro negro" combinava perfeitamente com Caron. Com a armadura preta sólida cobrindo-o da cabeça aos pés, o ar ao seu redor parecia opressivo, quase intimidante.
Revelio assentiu e saiu lentamente do automóvel. A pessoa que estava esperando na entrada da casa de leilões tinha um rosto familiar.
— Bem-vindo, Príncipe Revelio. Eu sou Noor, o chefe desta casa de leilões. É uma honra ter uma visita de um convidado tão ilustre — disse Noor, curvando-se profundamente. Ele usava uma máscara dourada, assim como quando Caron o conheceu da última vez.
Revelio acenou com a mão desdenhosamente para a saudação excessivamente formal de Noor. — Eu também preciso usar uma máscara?
Os lábios de Noor se curvaram em um pequeno sorriso sob sua máscara enquanto ele respondia: — Nós simplesmente negociamos metais finos, Vossa Alteza. Embora nosso status possa não se comparar ao seu, você não precisa se preocupar com olhares curiosos.
Com isso, Noor sutilmente olhou para os dois cavaleiros que estavam atrás de Revelio. Um idoso e o outro vestido inteiramente de preto. O cavaleiro mais velho já era bem conhecido dele, graças ao relatório de Decal.
Mason Fall, o cavaleiro de 8 estrelas, também conhecido como o Escudo Inabalável. Ele é uma potência absoluta, pensou Noor.
Se Mason sequer brandisse sua espada, não seria surpreendente testemunhar um prédio inteiro voando. Noor engoliu em seco nervosamente e voltou seu olhar para o cavaleiro negro, cujo rosto estava completamente obscurecido por sua armadura.
Quem é aquele? Noor se perguntou. Mas quem quer que fossem, se estivessem escoltando o príncipe, eles seriam, sem dúvida, formidáveis.
— Você precisa de algo do meu cavaleiro? — perguntou Revelio, notando o olhar persistente de Noor.
Noor rapidamente balançou a cabeça com uma risada e disse: — De forma alguma. Permita-me guiá-lo para dentro.
Sentindo que não havia necessidade de verificar ainda mais a identidade dos cavaleiros do príncipe, ele os conduziu para dentro da casa de leilões. Era um contraste gritante com a cena da noite. Lá dentro, os comerciantes negociavam pedras preciosas e os avaliadores se ocupavam em inspecionar as mercadorias. Se alguém não soubesse, nunca suspeitaria que o mesmo lugar sediava leilões de escravos depois do anoitecer.
— Ouvi dizer que você foi indicado pelo Jovem Mestre Caron — disse Noor enquanto caminhavam mais fundo no corredor. — Mas devo perguntar, a capital é bem longe daqui. Como você ouviu as notícias e chegou tão rápido?
Seu tom era educado, mas a curiosidade subjacente era clara. Revelio, no entanto, sequer piscou com a pergunta intrometida. Ele respondeu com facilidade descarada. — Por acaso eu estava de folga em Thebe na época.
— Então, você não se encontrou com o Jovem Mestre Caron? — perguntou Noor enquanto inclinava ligeiramente a cabeça.
— Por que eu me daria ao trabalho de ver aquele cara irritante? No momento em que ele me visse, ele começaria a se gabar de sua escrava elfa — disse Revelio.
— Eu nunca esperei que o Jovem Mestre Caron enviasse um convidado tão ilustre para nós. Mas como você sabe... Algumas pessoas estão desconfortáveis com todo o comércio de escravos — comentou Noor.
Revelio bufou desdenhosamente e disse: — Você tem coragem para alguém que negocia escravos, o que Sua Majestade proibiu. Você realmente pensou que eu não sabia o que estava acontecendo aqui?
— Haha... Estamos apenas sendo cautelosos — respondeu Noor.
— Eu não sou do tipo que sai gritando aos quatro ventos sobre a compra de escravos, ao contrário daquele idiota Caron. É claro, vocês têm que manter segredo que me viram aqui hoje — disse Revelio.
— Nossa casa de leilões se orgulha de proteger as identidades de nossos clientes, Vossa Alteza. Você não precisa se preocupar — disse Noor de forma tranquilizadora, seu sorriso ainda firmemente no lugar.
Enquanto trocavam mais algumas palavras, logo chegaram à sala de recepção localizada no último andar. Era a mesma sala onde Caron havia se reunido anteriormente com o Marquês Leandro.
Noor rapidamente gesticulou para o melhor assento da sala, convidando Revelio a se sentar. — Peço desculpas pelo ambiente humilde, Vossa Alteza. Não é bem adequado para alguém de sua estatura.
Revelio sentou-se com um sorriso e respondeu: — Eu não esperava muito desse lugar caipira de qualquer maneira.
— Talvez alguns refrescos…? — ofereceu Noor.
— Não precisa. Como se qualquer coisa servida aqui fosse ter um bom gosto — zombou Revelio, dispensando a oferta.
Apesar da resposta fria, Noor simplesmente assentiu, mantendo seu sorriso educado e dizendo: — Assim como ouvi dizer, você é bem direto. Excelente. Por favor, me diga que tipo de produto você está procurando.
Noor deslizou um livro fino sobre a mesa para Revelio e disse: — Este catálogo contém detalhes sobre os produtos atualmente disponíveis em nosso leilão. Normalmente, esses itens fariam parte do leilão da próxima semana, mas estamos oferecendo a você uma prévia exclusiva.
Revelio folheou as páginas. O livro era um catálogo de itens de leilão.
'Item No. 12 Espécie: Homem-fera – Tribo do Tigre Sexo: Feminino Detalhes: Este item possui um físico robusto, fortalecido através das artes marciais únicas da Tribo do Tigre. No entanto, os tendões de ambas as pernas e pulsos foram cortados durante o processo de aquisição. Embora ela seja excepcionalmente bonita, ela ainda não foi totalmente controlada. Levará tempo para domesticá-la.'
O catálogo listava os produtos e suas características. Embora Caron já o tivesse alertado sobre o que esperar, vê-lo pessoalmente encheu Revelio de nojo. Ele passou por ele rapidamente e, em seguida, colocou-o de volta sobre a mesa.
— Isso não é o que estou procurando — disse ele secamente.
Noor hesitou por um momento antes de perguntar cautelosamente: — Você poderia talvez ser mais específico sobre o que deseja?
— O livro-razão — respondeu Revelio.
— ...Perdão? — questionou Noor.
— Não importa o quanto o Marquês Leandro lucre com este lugar, você deve ter um registro dos lucros do leilão. Traga isso para mim — exigiu Revelio.
O sorriso de Noor desapareceu instantaneamente, e sua voz endureceu quando ele respondeu: — Vou presumir que isso é uma piada, Vossa Alteza.
Os olhos dourados de Revelio brilharam quando ele se inclinou para frente e perguntou: — Isso parece uma piada para você?
— Se não é uma piada, então… — começou Noor.
— Meu irmãozinho não parece achar engraçado — disse Revelio.
— Ahhh! — gritou Noor.
Em um instante, o rosto de Noor foi jogado contra a mesa, quebrando sua máscara dourada em pedaços. Ele gemeu de dor, olhando para cima e vendo o cavaleiro de armadura preta pressionando sua cabeça na mesa.
— P-Por quê? — gaguejou Noor, completamente confuso. Ele se perguntou por que o Sexto Príncipe faria algo assim.
Mas então, quando o capacete do cavaleiro foi removido, sua expressão mudou para uma de puro choque.
— Quanto tempo, não é? Ah, espere, só passou um dia, não é? — o cavaleiro sorriu, revelando seu cabelo loiro, olhos azuis marcantes e traços perfeitos.
Aquele rosto era inesquecível. Noor lutou para forçar as palavras a sair de sua boca. — C-Caron… Leston… Por que você está aqui?
— Por que você acha? — retrucou Caron.
— Arrgh! — gritou Noor quando Caron, ainda sorrindo, torceu seu braço para trás até quebrá-lo.
— Eu vim para acertar uma dívida. Eu disse que te pagaria mais tarde, não disse? — disse Caron.