O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 42

O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 42

Como esperado pela secretária de Gyle, não demorou muito para Caron e seu grupo serem liberados da custódia. O capitão das forças de segurança, que era meio careca, os escoltou até a frente da sede da segurança.

— Cuidem-se, jovens mestres! — disse ele com um tom aprimorado por anos de experiência lidando com pessoas de todos os tipos.

Caron acenou levemente em resposta, respondendo: — Até a próxima! Com certeza passarei por aqui com frequência.

O capitão respondeu em voz alta: — Sim! Sempre o receberei com um sorriso... hein?

Algo parecia errado. Ele realmente deveria estar feliz com a promessa de Caron de visitar a sede frequentemente? Embora o capitão não tivesse conduzido uma investigação adequada, ele sabia bem como lidar com alguém como Caron Leston.

Sorria o máximo possível... ou corra o risco de ser mordido, pensou ele.

O capitão estremeceu ao olhar para a aparência desgrenhada de Drogol Kian, que havia chegado à sede junto com o grupo de Caron. O olhar semiconsciente em seu rosto e as manchas de sangue em suas roupas sugeriam que algo terrível havia acontecido.

Reclamações relacionadas a Drogol Kian inundavam as forças de segurança diariamente. Todos na capital sabiam que esse canalha daquela família nobre não passava de lixo. Mas até agora, todas essas reclamações haviam sido resolvidas silenciosamente no nível das forças de segurança. A família de Drogol era poderosa demais para ser punida pelas reclamações de plebeus.

Mas desta vez, foi diferente. Drogol foi levado à sede da segurança e começou a confessar cada uma de suas más ações.

— Ah, Capitão, posso falar com você antes de irmos? — perguntou Caron com um sorriso agradável.

— Claro, Jovem Mestre Caron — respondeu o capitão.

— Se aquele Drogol confessar seus crimes e você deixar passar... Você sabe o que vai acontecer, certo? — continuou Caron. Embora suas palavras fossem proferidas com um sorriso, não tinham nada de engraçado.

O capitão começou a suar frio, mostrando desconforto ao dizer: — Bem, para investigações envolvendo nobres, o procedimento padrão é que a Guarda Imperial cuide...

— As regras não foram feitas para serem quebradas de vez em quando? — ironizou Caron.

— Haha, mas essa é uma situação bastante complexa envolvendo— começou o capitão.

— Acho que vou perguntar ao meu avô sobre isso — interrompeu Caron.

Naquele momento, o rosto do capitão empalideceu. Avô? Se este garoto estava falando sobre seu avô...

— I-Isso significa que você vai perguntar ao Duque Halo diretamente? — gaguejou o capitão.

— Sim. Vou perguntar ao meu avô... Oh! Eu também deveria perguntar ao meu outro avô — respondeu Caron casualmente, como se não fosse grande coisa.

— E, uh, posso perguntar o nome do seu outro avô— perguntou o capitão. Mas naquele momento, um dos guardas que estava atrás do capitão se inclinou e sussurrou algo em seu ouvido. Quando ouviu o guarda, seus olhos perderam o foco.

— O Comissário Demônio do Escritório de Impostos Imperial...? — murmurou ele.

— Confio que você fará justiça, Capitão. Bem, estou realmente indo agora — disse Caron.

— S-Sim, claro! — disse o capitão.

Caron deu-lhe um sorriso brilhante e se juntou ao seu grupo, que estava esperando por ele na entrada.

— Sobre o que você estava conversando lá atrás? — perguntou Hugo a Caron.

— Ah, nada demais. Apenas disse a ele para ouvir o que eu digo, só isso — respondeu Caron.

Hugo suspirou e disse: — Bem, o assunto está resolvido, então não vou insistir mais. Mas, Caron... Você pode me prometer uma coisa?

— Qualquer coisa por você, Hugo! — respondeu Caron.

— Me avise antes de causar problemas da próxima vez. Acho que é um pedido justo, certo? — perguntou Hugo.

Hugo sabia bem que controlar Caron com palavras era impossível. Por isso, ele ofereceu a melhor opção seguinte. Esse tipo de cara explodiria de qualquer maneira.

O olhar enlouquecido que Caron havia mostrado no restaurante ainda permanecia vividamente em sua mente. Ele nunca havia encontrado ninguém tão louco em seus vinte e oito anos de vida.

Hugo ainda podia imaginar Caron abrindo a boca de Drogol à força para despejar uma poção em sua garganta, e então espancá-lo novamente com o punho de sua espada.

A única maneira que ele se parece com o Tio Fayle é..., pensou Hugo.

Caron tinha uma leve semelhança com seu tio na aparência, mas suas personalidades não podiam ser mais diferentes. Fayle era um nobre exemplar. Ele era sempre atencioso, com uma disposição gentil. Hugo sempre o admirou. Mas Caron, por outro lado? Ele era seriamente maluco.

— Hehe, entendido! Vou me certificar de te avisar antes de causar algum problema! — disse Caron.

— ...Obrigado, mas eu ficaria ainda mais grato se você não causasse nenhum problema — murmurou Hugo.

— Hehe, bem, isso é algo que não posso controlar — respondeu Caron.

Vovô, você me disse para mantê-lo longe de problemas, mas o que eu faço quando ele é quem os causa?, pensou Hugo.

Parecia que ele precisaria solicitar uma corda de contenção de cavaleiro para amarrar Caron. Ou talvez até comprar uma da Torre de Magia...

Quando Hugo estava perdido em pensamentos, Amy disse com a cabeça baixa: — Sinto muito, Jovem Mestre Caron. Todos esses problemas aconteceram por minha causa.

Caron acenou com a mão de forma despreocupada, como se não fosse nada. Ele respondeu: — Não precisa se preocupar com isso. Eu me diverti de qualquer maneira. A propósito, você deve muito à família Kian?

— ...É uma longa história — respondeu Amy, sua voz sumindo.

— Que tal conversarmos tomando um chá? Mas se você preferir não, pode simplesmente ir embora — sugeriu Caron.

— Não, partir assim seria rude. Por favor, pelo menos me deixe pagar um chá para você — insistiu Amy.

— Parece bom. E vocês, Hugo e Leo? — perguntou Caron a seus primos.

Os dois acenaram em concordância.

— Bem, não temos outros planos. Só não vamos causar nenhum problema, Caron — respondeu Hugo.

— Eu também estou dentro. Não seria certo deixar a Senhorita Amy ir sozinha — acrescentou Leo.

Caron sorriu para Amy e disse: — Eles estão todos dentro.

— Vou levá-los à minha loja de chá favorita. Vamos? — ofereceu Amy.

— E o duelo? — perguntou Caron.

— Faremos depois do chá — respondeu Amy.

— Perfeito — concordou Caron.

Com isso, o grupo partiu para seu próximo destino.

***

Eles chegaram à loja de chá favorita de Amy, mas as coisas começaram a tomar um rumo inesperado para Caron.

— Esta é por conta da casa, Jovem Mestre — disse o dono da loja enquanto trazia um prato de biscoitos recém-assados que ninguém havia pedido. Os biscoitos de chocolate quentes ainda estavam fumegantes, como se tivessem acabado de sair do forno.

A princípio, Caron presumiu que isso era apenas um serviço comumente oferecido aos nobres, mas a expressão do dono da loja sugeria o contrário.

— Graças a você, Jovem Mestre, um desejo de vida meu foi realizado. Não tenho como agradecer o suficiente — disse o dono.

— ...Com licença? — respondeu Caron, surpreso.

— Ouvi dizer que você entregou a punição divina àquele vil Drogol! — disse o dono da loja.

— Uh, sim. Isso é verdade — disse Caron.

— Só de pensar nas coisas que ele fez ainda me mantém acordado à noite. Por favor, se houver algum chá ou sobremesa que você gostaria, é só dizer. Eu farei qualquer coisa para você! — insistiu o dono.

Não fazia nem duas horas desde o incidente, e ainda assim a notícia já havia se espalhado tão longe.

O dono da loja abaixou a cabeça para Caron repetidamente antes de dizer: — Por favor, divirta-se. De agora em diante, sempre que você visitar esta loja, tudo será gratuito.

— Não há necessidade de ir tão longe— começou a dizer Caron, mas o dono o interrompeu.

— Oh, que generosidade do Duque Halo em enviar seus netos para proteger o povo da capital! Que a glória da Família Ducal de Leston brilhe para sempre! — exclamou o dono da loja antes de se retirar com um olhar de pura alegria.

Enquanto Caron o observava ir, ele pensou: Algo não está certo.

A maneira como o dono da loja havia olhado para ele... Era como se ele estivesse olhando para uma figura heroica. Não era isso que Caron havia previsto.

Caron gostou de ter conseguido espancar quase até a morte o filho de um nobre no primeiro dia, mas isso não deveria ter lhe rendido uma reputação de encrenqueiro? Mas, em vez disso, ele de alguma forma acabou sendo aclamado como um herói.

— ...Talvez eu devesse tê-lo matado logo de cara — murmurou Caron para si mesmo, percebendo que o problema era que Drogol Kian era alguém desprezado por todos na capital.

Ele então mordeu o biscoito à sua frente.

— Mmm, isso é bom — comentou ele.

O biscoito era a sobremesa ideal; era quente e perfeitamente equilibrado, com um sabor rico e amanteigado e a quantidade certa de doçura do chocolate.

— Droga, isso não significa que eu não posso ser um encrenqueiro? — disse Caron.

— Aquele bastardo Drogol era um lixo. Sua reputação era tão ruim que, se você alinhasse todos que guardavam rancor contra ele, a fila provavelmente se estenderia pelos portões da capital — disse Hugo enquanto bebia seu chá com uma risada.

Afinal, o que Caron havia feito acabaria trazendo prestígio para sua família, então seu avô provavelmente não ficaria tão bravo. Poderia haver repercussões políticas no futuro, mas lidar com isso caberia aos anciãos da família.

Também foi Drogol quem começou o problema primeiro. Embora pudesse ser argumentado que a resposta de Caron havia sido excessiva, era fácil enquadrá-la como defesa da honra de uma família ducal.

— Você não planejou tudo isso, planejou? — perguntou Hugo; parte dele sabia que com Caron, isso era possível.

Mas a única resposta que Hugo obteve foi um suspiro, profundamente tingido de frustração.

— Ah, estou condenado, completamente condenado... O que foi isso, Hugo? — respondeu Caron.

— ...Deixa pra lá. Por que eu me preocupei em te perguntar isso? — murmurou Hugo. Ele rapidamente percebeu que quanto menos tentasse entender Caron, mais fácil seria para ele.

— Vou ter a chance de compensar esse erro eventualmente. Certo, Leo? — comentou Caron.

— Claro. Se um cara como você não é um encrenqueiro, então quem é? Mais cedo ou mais tarde, as pessoas na capital verão suas verdadeiras cores — respondeu Leo.

— Isso soa como um insulto — disse Caron.

— Seu bastardo, sendo tão rápido no gatilho — retrucou Leo.

— Depois que eu terminar meu duelo com Amy, é a sua vez — disse Caron.

Ao sentir a mudança na conversa, Leo rapidamente virou o olhar para a janela, fingindo estar interessado em outra coisa.

Depois que Caron olhou para Leo como quem diz "você é patético", ele sorriu e disse para Amy: — Certo, vamos direto ao ponto. Qual é a sua conexão com a Casa Kian? Aquele cara mencionou algo sobre dívida... Sua família deve muito a eles?

Amy sorriu amargamente enquanto acenava com a cabeça e dizia: — Sim. Meu pai se excedeu ao tentar expandir seus negócios, então ele pegou dinheiro emprestado do Conde Kian.

— A principal fonte de renda para a maioria das famílias nobres não é o imposto de suas terras? — perguntou Caron.

— É, mas para nobres como nós que vêm do interior, precisamos de fontes adicionais de renda para acompanhar as despesas na capital — explicou Amy.

— O que é tão bom na capital... — murmurou Caron.

— Eu concordo, mas acho que meu pai não. Ainda conseguimos pagar grande parte da dívida, e meu pai está de volta aos eixos — disse Amy.

— Os Guardas Imperiais não lhe ofereceram nenhum apoio? Com seu talento, acho que eles teriam ajudado — perguntou Caron.

Amy tomou um gole lento de seu chá antes de responder suavemente: — Eu não escolhi um lado ainda.

— Ah — respondeu Caron.

— Eu sei que é tolice. Se eu tivesse me alinhado com alguém antes, minha família não estaria lutando assim — disse Amy.

A política existia em todas as organizações, e os Guardas Imperiais, a ordem dos cavaleiros reais, não era exceção. Aqueles que permaneciam neutros eram sempre os que sofriam, assim como Amy estava agora.

— Hmm. — Caron mexeu sua limonada algumas vezes com um canudo, perdido em pensamentos. Ele perguntou: — Há alguma razão particular para você não ter escolhido um lado ainda?

Amy hesitou por um momento antes de responder suavemente: — ...Eu não acho que Sir Cain teria desejado esse tipo de Guarda Imperial.

— Em que sentido? — insistiu Caron.

— Bem, os Guardas Imperiais são divididos ao meio. Os cavaleiros se importam mais com política do que com suas espadas. Essa não é a ordem de cavaleiros que eu sonhava em entrar. Sir Cain manteve sua honra até o fim... Ele não ficaria desapontado em vê-los assim? — respondeu Amy.

No fim das contas, tudo voltava a Cain novamente. Caron percebeu que Amy não estava apenas dizendo que respeitava Cain. A maneira como ela teimosamente se apegava a seus ideais, mesmo quando isso tornava seu caminho mais difícil, era admirável.

— Você está tentando seguir o caminho difícil — observou Caron.

— Eu sei — respondeu Amy, sua voz resoluta.

— Essa é uma boa atitude para se ter. Meu avô poderia até tê-la elogiado por isso — disse Caron.

Caron pensou que era uma pena que alguém como Amy estivesse presa nos Guardas Imperiais. Já que ela tinha apenas dezessete anos, seu potencial era ilimitado. Se ela estivesse na Ordem dos Cavaleiros Oceanwolf, seu talento poderia ter florescido de forma muito mais brilhante. Era precisamente isso que a tornava uma perspectiva tão tentadora.

Com uma voz suave, Caron falou novamente. — Ouça com atenção, porque chances como esta não aparecem com frequência.

— Huh? — respondeu Amy.

— Eu vou pagar a dívida da sua família — disse Caron, fazendo uma pausa para dar efeito antes de acrescentar com um sorriso: — Então, por que você não vem comigo?

A atmosfera amigável se estilhaçou em um instante.

Pffft! Cof, cof! — Leo cuspiu o chá que acabava de beber. Ele apressadamente limpou a boca com a manga, então gritou para Caron: — O que você está fazendo? Eu sei que você sonha em ser um encrenqueiro, mas isso é demais!

— Que bobagens você está falando? — retrucou Caron.

— Você acabou de se oferecer para pagar a dívida dela em troca de ela vir com você! Em que você é diferente daquele bastardo Drogol? Isso é um lixo— Leo foi abruptamente interrompido quando Caron colocou a mão sobre sua boca.

Após refletir, Caron percebeu que poderia ter havido um mal-entendido. Os lábios de Amy estavam pressionados juntos, com a cabeça ligeiramente inclinada. Claramente, ela também havia interpretado a oferta da maneira errada. E até mesmo Hugo pareceu concordar com Leo desta vez.

— Caron, Amy pode não ter sido nomeada cavaleira ainda, mas ela sonha em se tornar uma. Você não pode simplesmente pisar em sua honra assim — disse Hugo.

A maneira como Leo estava acenando com a cabeça em concordância piorou a situação. Caron rapidamente percebeu que isso estava saindo do controle.

— Não, não foi isso que eu quis dizer! Eu estava perguntando se ela queria se juntar à Ordem dos Cavaleiros Oceanwolf! Amy ainda não se tornou oficialmente uma cavaleira — ele tentou explicar para corrigir o mal-entendido.

— É tarde demais para consertar isso — disse Hugo.

— Eu juro, foi isso que eu quis dizer! — disse Caron.

— Vou ter que entrar em contato com o Tio Fayle imediatamente. Caron, é melhor você se preparar — disse Leo.

Enquanto a situação saía do controle, Amy, que estava silenciosa com a cabeça baixa, finalmente falou tristemente. — ...Isso mesmo, Jovem Mestre Caron, você seria uma opção melhor do que Drogol... Vou contar aos meus pais sobre sua oferta. Eu acho que meus pais também concordarão—

— V-Você! — exclamou Caron, e naquele momento, ele viu um leve sorriso puxando os cantos dos lábios de Amy.

...Eu fui enganado, percebeu Caron. Essa garota também não era normal.

Mas ele não estava preocupado. Ele tinha uma maneira de lidar com situações como essa.

Caron sacou sua espada até a metade da bainha. Ele olhou ao redor do grupo e disse: — Vão em frente, digam mais uma coisa. Vamos ver o que acontece.

O efeito foi imediato.

— O chá está delicioso... não está, Leo? — comentou Hugo, de repente focado em sua bebida.

— O tempo também está maravilhoso... você não concorda, Hugo? — acrescentou Leo, seus olhos desviados.

— A Ordem dos Cavaleiros Oceanwolf... Que oferta intrigante, Jovem Mestre Caron. Vou ter que pensar a respeito — acrescentou Amy.

Ninguém ousou testar a paciência do encrenqueiro por mais tempo.

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