
Capítulo 41
O Cão Louco da Propriedade do Duque
Capítulo 41. Nosso Cão de Guarda Morde
O homem loiro que se aproximou da mesa deles assobiou ao contemplar Caron e seu grupo.
"Almoçando com outros homens além de mim? São cavaleiros?", perguntou ele, com a voz carregada de falsidade.
Era evidente que aquele homem não fazia ideia de que Caron e os outros eram da casa Leston. Eles haviam tirado suas capas, que ostentavam o brasão da família Leston, o que provavelmente dificultava a identificação.
A expressão de Amy se fechou ao olhar para o homem. Era um contraste gritante com a raiva que havia contorcido seu rosto antes. Agora, suas feições estavam distorcidas com nojo, como se houvesse um histórico profundo entre eles.
"Se importam se eu me juntar a vocês? Não consegui tomar café da manhã por causa da Amy aqui", disse o homem, sem esperar por uma resposta antes de se sentar. Ele imediatamente pegou um pedaço de cordeiro da mesa e o colocou na boca.
Mesmo naquele curto período de tempo, seus olhos percorriam o local, examinando Caron, Leo e Hugo. O homem examinou os rostos de Caron e seu grupo com um sorriso zombeteiro antes de zombar: "Parece que vocês tiveram tempo para conhecer homens, hein? Pensei que os aprendizes da Guarda Imperial devessem estar ocupados?".
Amy o encarou com fúria e disse: "Eu já paguei os juros deste mês".
"Sim, você pagou", reconheceu o homem. "Mas eu vim aqui para te fazer uma proposta. Você nunca arruma tempo para me ver. E parece que você tem tempo para esses caras, mas não para o seu credor. Se quiser, podemos sair todos juntos. Só saiba que eu não vou dividir a cama".
Seu tom era o mais vulgar possível. A julgar por sua aparência, ele era, sem dúvida, filho de uma família nobre. As joias caras que adornavam seu corpo eram suficientes para confirmar isso.
Depois de engolir o cordeiro, o homem se virou para Caron e seu grupo e se apresentou, declarando orgulhosamente: "O nome é Drogol Kian".
A expressão de Hugo se endureceu ao ouvir o nome, e ele respondeu: "Kian, como na Casa do Conde Kian?".
"Oh, você conhece minha família?", perguntou Drogol.
"Quem não conheceria? É a família nobre que empresta dinheiro para outros nobres. Os agiotas mais notórios da capital", comentou Hugo.
"Exatamente. Se você está na capital e não conhece nosso nome, está vivendo debaixo de uma pedra. Somos nós que financiamos a casa do Marquês Diaz", gabou-se Drogol.
"Agora que ouço, me lembro. Seu nome é Drogol Kian, vinte e um anos, e você é o filho mais novo do Conde Kian. Um homem muito famoso se juntou a nós", disse Hugo.
"Sim, sou bem conhecido. As pessoas tremem quando me veem", respondeu Drogol, claramente satisfeito consigo mesmo.
A Casa Diaz era um dos principais atores do governo central, tendo desempenhado um papel crucial na destituição do antigo imperador e no apoio ao atual. A confiança de Drogol não era infundada.
"Agora que me apresentei, vocês deveriam fazer o mesmo", disse Drogol, lançando um sorriso confiante para Caron e seus companheiros.
Caron, no entanto, apenas sorriu e retrucou: "Quem disse que queríamos trocar nomes? Você é cheio de besteira, não é?".
"...Eu não sei de que nobre você é, mas parece que você faltou às suas aulas de etiqueta", comentou Drogol.
"Existe um ditado antigo que diz que nem mesmo um cachorro te incomoda quando você está comendo. Mas aqui está você, fazendo um escândalo e falando sobre boas maneiras? Você é engraçado", acrescentou Caron.
A atmosfera ficou tensa em um instante. Drogol, aparentemente imperturbável, passou a mão pelo cabelo e sorriu antes de se virar para Amy. Ele zombou: "Esses são os tipos de garotos que você gosta? Você poderia ter me dito antes".
Amy, no entanto, ignorou as palavras de Drogol. Em vez disso, ela curvou a cabeça em um pedido de desculpas para Caron e seu grupo e disse, com a voz firme apesar da tensão: "Sinto muito. Este é um assunto entre nossas famílias. Eu vou cuidar disso lá fora. Por favor, esperem por mim".
Ela se levantou, lançando um olhar frio para Drogol antes de dizer: "Venha para fora".
"Espere. Isso está ficando interessante", respondeu Drogol, lançando um olhar ameaçador para Caron, que estava segurando sua faca. Drogol continuou: "Geralmente, as pessoas me evitam quando me veem na capital porque eu costumo fazer um show. É por isso que a maioria das pessoas se lembra do meu rosto. Acho que vocês devem ser recém-chegados do interior, hein? Isso explica por que vocês têm um ar caipira".
Caron avaliou rapidamente o tipo de pessoa que Drogol era. Ele era alguém de uma família poderosa, com uma personalidade podre para combinar.
"Então, você deve ser um encrenqueiro infame por aqui?", comentou Caron.
Isso era o que se chamava de um verdadeiro encrenqueiro: um idiota que agia de forma imprudente porque confiava no nome de sua família.
"Eu me pergunto quantas pessoas como você existem na capital?", continuou Caron.
Drogol respondeu com uma expressão relaxada: "Existem alguns como eu na capital, mas eu chamo mais atenção. Isso porque muitos nobres estão em dívida com meu pai, incluindo o pai de Amy".
Caron já havia juntado as peças da situação. Ele calmamente deu uma mordida em seu bife, depois limpou casualmente a boca com um guardanapo.
"Você veio na hora certa. Eu estava me perguntando que tipo de problema eu poderia causar na capital. Obrigado por facilitar as coisas ao aparecer", disse ele com um sorriso brilhante cruzando seu rosto enquanto pegava a espada que estava ao seu lado. Ele observou: "Parece que você não fez nenhum treinamento".
Com um sorriso presunçoso, Drogol respondeu: "Por que se preocupar? Eu posso comprar todos os cavaleiros que eu precisar. O quê, você acha que pode me derrubar com essa espada? No momento em que você fizer isso, a Guarda Imperial vai te colocar no cadafalso. E sua família se juntará a você logo depois, amaldiçoando seu nome enquanto são arrastados para suas mortes".
A situação tomou um rumo sombrio, e Amy, sentindo a mudança, tentou urgentemente intervir. "Jovem Mestre Caron, este é o meu problema—"
Caron levantou a mão, interrompendo-a. Ele disse: "Eu não quero que você entenda mal. Isso não é sobre você. Veja, eu tenho um pouco de uma doença".
"Uma doença?", Amy repetiu, confusa.
"Eu tenho essa doença onde eu simplesmente não consigo ignorar garotos como ele", começou Caron. "A causa dessa doença é... Como devo dizer isso? Ah, sim, meu sonho é me tornar o maior encrenqueiro do mundo. Você sabe qual é a maneira mais fácil de conseguir isso?".
Os olhos de Caron começaram a brilhar. Leo não pôde deixar de tremer enquanto o observava. Ele já tinha visto essa cena em algum lugar antes. Memórias de quando ele conheceu Caron três anos atrás voltaram à mente.
"Se eu fizer todos os outros encrenqueiros se comportarem, isso me deixa como o único. E se eu sou o único, então eu sou o melhor, certo?", explicou Caron.
Era definitivamente um tipo estranho de lógica, mas Amy não podia discutir. Como alguém poderia argumentar com um lunático? Não fazia sentido desafiar um argumento que era insano desde o início.
"Amy, adivinha?", continuou Caron, seu tom agora quase conversacional.
"O quê?", perguntou Amy, desconfiada de suas próximas palavras.
"Não são muitas crianças hoje em dia que sabem disso, mas meu avô era um encrenqueiro lendário em seus dias. E meu sonho é superá-lo", disse Caron.
Amy finalmente entendeu o que era aquele brilho nos olhos de Caron. Era loucura. Não havia outras palavras que pudessem explicar isso.
Caron se levantou de seu assento com um sorriso, então disse: "Hugo, eu peço desculpas antecipadamente. Eu vou explicar tudo para o vovô mais tarde".
Hugo, sentindo o que Caron estava prestes a fazer, rapidamente se levantou e tentou impedi-lo. "Caron, não se atreva—"
Mas era tarde demais.
Com um movimento rápido, Caron girou a bainha de sua espada e atingiu Drogol na nuca com precisão cirúrgica. O nobre arrogante, que estava sorrindo momentos antes, caiu no chão, espumando pela boca.
Naquele momento, um grito de pânico veio de fora. "Jovem mestre!"
Pessoas que pareciam ser os guarda-costas de Drogol começaram a invadir o restaurante. Mas Caron não estava planejando terminar por ali. Ele olhou para Leo e Hugo, então disse: "Bem, o dano já está feito, então eu vou assumir total responsabilidade. Mas eu preciso de um favor".
Seu sorriso se aprofundou quando ele continuou: "Já que eu comecei essa bagunça, eu devo terminá-la corretamente. Vocês poderiam bloquear a porta para que esses caras não consigam entrar? E Leo—"
Antes que Caron pudesse terminar, Leo soltou um grito e correu em direção à porta. Ele então bateu com o corpo contra ela para mantê-la fechada, acenando com a mão entusiasticamente enquanto gritava: "Caron! É isso que eu devo fazer?".
"Perfeito, Leo! Eu sabia que você entenderia de imediato!", disse Caron.
"Deixe comigo!", respondeu Leo.
Hugo ficou pálido ao ver seus dois primos mais novos trabalhando juntos assim. Ele disse: "...Caron, você está fora de si. Você não pensa antes de agir?".
Caron pegou um copo de água da mesa e respondeu casualmente: "Honestamente, se eu me tornar infame como um encrenqueiro, não vai beneficiar você e o tio Dales?".
Hugo só podia se perguntar que tipo de raciocínio distorcido poderia levar a tal conclusão. Mas, novamente, esse era exatamente o tipo de lógica que ele esperava de Caron. Talvez ele devesse ter amarrado seu primo desde o início.
E ainda assim, havia uma parte dele que estava curiosa para ver até onde Caron iria. Afinal, se a infâmia de Caron crescesse, era de fato seu pai quem mais lucraria. Se Caron causasse problemas suficientes na capital, certamente Halo e os anciãos da família o puniriam.
"Seu pirralho esperto", murmurou Hugo.
Caron acenou com a cabeça com um sorriso e disse: "Vou considerar isso como um sim".
"Aquele bastardo ousou chamar a casa Leston de um bando de caipiras. Se você vai lidar com ele, certifique-se de que valha a pena. Precisamos lembrar a esses moradores da capital quem somos", disse Hugo.
"Observe de perto", disse Caron.
Ele não perdeu tempo em jogar um copo de água gelada diretamente no rosto inconsciente de Drogol. O frio despertou Drogol com um arquejo.
"Ahhhh!"
"Ei, por que você adormeceu no meio da nossa conversa?", perguntou Caron.
Um fino fio de sangue escorria pelo rosto bronzeado de Drogol, mas ele parecia mais confuso do que qualquer outra coisa. A situação ainda estava se concretizando. Ele perguntou: "...Você acabou de me bater?".
"Quando foi que eu fiz isso? Tem alguma prova?", respondeu Caron com fingida inocência.
"Você está me zoando agora?", retrucou Drogol.
"E se eu te bati? O que você vai fazer sobre isso? Chamar a Guarda Imperial e nos executar?", Caron provocou.
"Se meu pai descobrir sobre isso—", Drogol começou, mas antes que ele pudesse terminar sua ameaça, Caron trouxe a bainha de sua espada batendo contra sua canela direita com um estalo nauseante.
"Aaaahhhhhhhh!", gritou Drogol.
"Então, o que vai acontecer quando seu pai descobrir?", perguntou Caron, puxando dois frascos de poção de seu bolso. Essas poções eram fortes o suficiente para curar um osso fraturado, mas eram muito caras. Ele acrescentou: "Você vai pagar por essas poções".
Esta era a capital, onde o dinheiro podia comprar qualquer coisa, até mesmo poções das torres de magos.
"O-O quê?" Drogol estava confuso.
"Hoje, eu vou te transformar em uma pessoa decente. Seu pai vai ser tão grato a mim por reformar seu filho delinquente que ele provavelmente vai chorar lágrimas de alegria. Confie em mim, você não vai se arrepender do preço dessas poções".
"Seu bastardo! Que diabos você está balbuciando?!", gritou Drogol para Caron.
"O nome desta bainha é Duban. É uma herança da casa Leston, mas de agora em diante, você vai chamá-la de 'Professor Duban'. É o seu professor de etiqueta", disse Caron.
"...Casa Leston? Você é do Le—"
Caron não o deixou terminar. Ele bateu a bainha novamente, desta vez na canela esquerda de Drogol, provocando outro grito de agonia.
"Aaaaahhhhhhh!"
"Fale apenas quando o Professor Duban lhe fizer uma pergunta. Ah, e só para você saber, o Professor Duban é uma bainha, então ele não faz perguntas. Tenha isso em mente", disse Caron.
Logo, uma cena infernal começou a se desenrolar no refeitório.
Enquanto isso, no Departamento de Impostos, localizado no coração da capital...
Gyle estava em seu escritório, recebendo um relatório de sua secretária. Ele disse: "...Diga isso de novo".
"Há cerca de trinta minutos, o Jovem Mestre Caron Leston, seu neto, agrediu violentamente Drogol Kian, o terceiro filho do Conde Kian, em um restaurante perto do Distrito da Boutique. Ele está atualmente detido pela Guarda da Cidade", repetiu a secretária.
"Hahaha", Gyle riu.
Foi apenas esta manhã que ele se separou de seu neto, que estava sorrindo brilhantemente. Ele esperava que Caron causasse problemas, mas fazer isso logo no dia seguinte após chegar à capital estava além de suas previsões.
Gyle lentamente colocou os documentos que estava lendo em sua mesa e repetiu o nome que acabara de ouvir. "Drogol Kian... Drogol Kian... Ah, ele não é o filho mais novo do Conde, o encrenqueiro infame?".
"Sim, senhor. De acordo com os rumores... o Jovem Mestre Caron até alimentou Drogol Kian com uma poção antes de continuar a surra", informou a secretária a Gyle.
"Uma poção? Por que ele daria uma poção a ele?", perguntou Gyle.
"Bem... parece que ele pensou que, ao curar Drogol Kian o suficiente, ele poderia prolongar a surra", respondeu a secretária.
"Hahaha!", Gyle caiu na gargalhada novamente. Seu neto certamente tinha uma maneira única de pensar. Ao remover seus óculos, ele esfregou o rosto com ambas as mãos antes de perguntar com uma voz tingida de resignação: "Suponho que eu precise ir pessoalmente, não é?".
Um nobre não podia ser investigado pela Guarda da Cidade. Mesmo que um nobre cometesse assassinato, a investigação era tratada exclusivamente pela Guarda Imperial, que servia à família real. E este era um assunto entre nobres. Se as coisas piorassem, o pior cenário seria se Caron acabasse detido pela Guarda Imperial.
"Bem... parece que você pode não precisar ir pessoalmente, senhor", disse a secretária.
"Do que você está falando? O Conde Kian é um ganancioso por dinheiro. Ele não vai deixar barato depois que seu filho foi espancado!", respondeu Gyle.
"...Aparentemente, a vítima está implorando por clemência", informou a secretária a Gyle.
Por um momento, Gyle pensou ter ouvido errado. Ele pediu para confirmar: "A vítima está pedindo clemência, não uma punição severa?".
"Sim, senhor. Drogol Kian está supostamente implorando por clemência, até mesmo derramando lágrimas. Ele insiste que Sir Caron é inocente, alegando que tudo começou por sua própria boca... Ele está até murmurando para si mesmo sobre como ele certamente irá se reformar", disse a secretária.
"Drogol Kian, aquele bastardo imprestável, disse isso?", perguntou Gyle em descrença.
"Sim, senhor", garantiu a secretária.
Drogol Kian era um homem notório por sua obsessão por mulheres. Se uma mulher chamasse sua atenção e por acaso fosse uma plebeia, ele usaria sua riqueza e status para tomá-la. Mesmo que ela fosse uma nobre, se sua família estivesse em dívida com seu pai, ele não hesitaria em colocar as mãos nela. Seu comportamento lhe rendeu uma reputação terrível em toda a capital, e seus problemas com mulheres eram apenas a ponta do iceberg. A lista de seus delitos era longa demais para sequer começar a descrever.
Mas agora aquele canalha estava implorando pela clemência de Caron? O mesmo Caron que o espancou brutalmente?
"Caron, que tipo de feitiçaria você usou nele?", murmurou Gyle para si mesmo.
"Graças a isso, parece que o Jovem Mestre Caron será libertado em breve. Esta é a primeira vez em uma disputa nobre que a vítima implora por clemência...", disse a secretária.
"Os nobres prefeririam morrer a perder sua honra. Ha... Como eu devo explicar isso aos meus parentes por casamento?", suspirou Gyle ao virar seu olhar para fora da janela. A essa altura, os rumores provavelmente estavam se espalhando como fogo selvagem. Essa era a natureza da capital.
"Que entrada você fez, meu garoto", murmurou ele em voz baixa. Será que seus parentes por casamento realmente não previram essa situação?
De jeito nenhum, pensou ele.
Um balde que vaza por dentro certamente vazará por fora também. O Duque Hale teve que ter previsto essa situação. Gyle brevemente recordou o apelido que Caron ganhou no Castelo Azureocean. Era um título vulgar e blasfemo, mas parecia se encaixar perfeitamente na situação.
O Cão Louco do Castelo Azureocean, pensou ele.
Onde há fumaça, há fogo. Deve ter havido vários incidentes que o levaram a ganhar esse apelido. Assim, a resposta já estava clara.
"...O território Leston desencadeou um cão louco na capital", disse Gyle.
O pensamento do que poderia vir a seguir o encheu de um pressentimento.