O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 43

O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 43

— Agradeço muito sua oferta, mas... ainda quero ficar na Guarda Imperial — Amy respondeu à proposta de Caron.

Caron já esperava que ela o recusasse. Ele respondeu: — Bem, isso não é surpreendente.

— Você não vai me perguntar por quê? — Amy perguntou.

— É óbvio. Você quer ficar lá e mudar a Guarda Imperial por dentro, certo? — Caron respondeu.

— ...Isso mesmo — Amy disse.

— Eu conheço pessoas como você. São teimosas, íntegras... e tolas — Caron disse, sorrindo amargamente antes de tomar um gole da sangria que o garçom acabara de trazer.

Talvez fosse porque ele não visitava a capital há tanto tempo que velhas memórias começaram a surgir, memórias em que não pensava há muito tempo. Os homens que escolheram ficar e lutar ao lado dele até o amargo fim no palácio imperial, quando ele era Cain Latorre... Ao contrário dele, que estava preso pelo dever de permanecer, eles ficaram por vontade própria e morreram.

Eles eram como Amy.

Como Cain, ele havia dito a eles que não precisavam ficar, e que deveriam partir e encontrar suas próprias vidas além do império. E, no entanto, eles teimosamente escolheram ficar, lutar e morrer ao lado de Cain.

"Nós sabíamos que aquele imperador bastardo era insano? Claro que sabíamos", um dos cavaleiros havia dito.

"Quem diabos não saberia disso? Nós só queríamos morrer ao seu lado, Capitão", outro cavaleiro acrescentou.

"Eu não me importo se o imperador bastardo for para a desgraça, mas pelo menos você, Capitão, deve morrer como um cavaleiro honrado! Hahaha!", mais um havia dito.

A maioria dos cavaleiros que lutaram com ele caiu pela espada do comandante inimigo, Halo. Caron nunca teve a chance de confirmar se eles viveram ou morreram. Sua própria vida terminou antes que ele pudesse saber seus destinos.

Aqueles tolos, Caron pensou, rindo amargamente enquanto olhava nos olhos de Amy.

Os olhos dela o lembravam daqueles homens. A mesma teimosia, a mesma resolução tola. Mas talvez fosse por isso que ele gostava dela. A mesma determinação, a mesma ansiedade que ele antes via nos olhos deles, estava ali nos olhos de Amy. Talvez, no fundo, ele esperasse que ela rejeitasse sua oferta.

— A dívida será paga em breve. Meu pai está trabalhando duro e serei oficialmente nomeada cavaleira em breve. Então meu salário também aumentará, então as coisas devem melhorar — Amy continuou.

— Você é surpreendentemente otimista — Caron observou.

— Eu só terei que trabalhar mais — Amy disse com confiança.

— Depois do incidente de hoje, você provavelmente enfrentará ainda mais isolamento. Você realmente está bem com isso? — Caron perguntou.

Hugo havia dito a Caron que a Casa Kian tinha influência significativa, mesmo dentro da Guarda Imperial. Isso se devia em grande parte ao poder da Casa Diaz, que apoiava a Casa Kian.

No entanto, Amy assentiu com um sorriso brilhante e disse: — Mas eu tive a chance de ver Drogol receber o que merecia, certo? Então isso é uma vitória.

— Você tem certeza de que é uma vitória? — Caron perguntou.

— Para ser honesta, eu meio que queria dar um soco nele ali atrás — Amy confessou.

— Você deveria ter entrado. Eu estava planejando guardar alguns golpes só para você — Caron respondeu.

— Ah, eu deveria ter dito isso — Amy disse.

— Não se preocupe. Eu o trarei de novo algum dia. Você pode participar então. E se você estiver com medo, apenas prepare uma máscara. Se você espancá-lo com uma máscara, ninguém saberá que é você — Caron sugeriu.

— Jovem Mestre Caron, você é realmente inteligente — Amy disse, rindo suavemente enquanto o olhava.

O garoto não tinha nenhum traço de seriedade ou formalidade nele e, no entanto, ela sentia uma estranha sensação de conforto perto dele. Ela sabia que mesmo a oferta de recrutamento anterior era a maneira de Caron de cuidar dela.

Surpreendentemente atencioso, Amy pensou.

Eles nem se conheciam há um dia. Na verdade, o primeiro encontro deles quase virou uma briga. Mas ali estava ele, mostrando preocupação por ela e oferecendo uma solução realista. Tudo isso vindo de um garoto de treze anos...

— Obrigada — Amy disse sinceramente.

Ultimamente, as coisas estavam difíceis para ela. Já fazia um tempo desde que ela havia experimentado tamanha gentileza genuína, livre de segundas intenções. Por isso, ela estava verdadeiramente grata.

Quando Caron ouviu o agradecimento sincero de Amy, ele desviou o olhar ligeiramente e disse: — Se você fosse realmente grata, deveria ter aceitado minha oferta.

Embora ela não pudesse ver o rosto de Caron, parecia que ele estava um pouco envergonhado. Amy sorriu calorosamente com a reação dele.

Ele é fofo, ela pensou.

Em momentos como este, ficava claro que Caron ainda era apenas um garoto de treze anos, tímido e desajeitado perto de garotas.

— Eu não vou esquecer sua gentileza! Ah, a propósito, como devo te pagar pela refeição que tivemos antes? — Amy perguntou alegremente.

— Você ainda não estava pagando uma dívida? Volte e me pague depois de ter limpado isso — Caron disse.

— Hmm, ok — Amy respondeu.

— Foram treze porções de carne, duas porções de cordeiro e quatro porções de frango. Você precisa acertar — Caron acrescentou.

— ...Entendi — Amy respondeu.

— E só para você saber, isso não é porque você rejeitou minha oferta. Você sabe disso, certo? — Caron perguntou.

— Eu disse alguma coisa? — Amy respondeu.

— Eu não quero que você pense que estou guardando rancor — Caron disse.

— Haha, claro que não — Amy disse enquanto ria baixinho.

Ela pensou que Caron era realmente um garoto peculiar, especialmente para alguém de uma família nobre. Mas mais do que isso...

Ele é forte, Amy pensou. Mesmo sem um duelo, ela podia sentir a força irradiando dele. Talvez fosse por isso que ela sentia uma crescente curiosidade sobre este garoto estranho.

— Quando vamos fazer nosso duelo? — ela perguntou.

Caron acenou com a mão desdenhosamente como se a ideia agora fosse irritante, então disse: — Eu mudei de ideia. Eu não quero fazer isso hoje.

— O quê? — Amy exclamou.

— Eu vou pensar sobre isso depois que eu me encontrar com Sua Majestade — Caron respondeu.

— ...Você soa como se estivesse guardando rancor — Amy disse.

— Não é assim — Caron respondeu enquanto se virava para olhá-la. — Eu estou planejando pedir ao meu avô para organizar uma visita oficial ao quartel-general da Guarda Imperial. Não será um duelo, exatamente... Er... Sim, será mais uma sessão de sparring amigável.

— Perdão? — Amy perguntou.

— Depois de ouvir sua história, fiquei curioso sobre o estado da Guarda Imperial. Podemos duelar então — Caron disse.

Ele sentiu a necessidade de ver por si mesmo o que havia acontecido com a Guarda Imperial. Se estivesse em pior estado do que ele imaginava...

Eu vou esmagá-los em pedaços, Caron pensou.

O pensamento de esmagá-los até que perdessem a consciência passou por sua mente. Caron sabia que não era forte o suficiente para destruí-los completamente ainda, mas causar um pouco de caos? Isso era possível.

Amy assentiu obedientemente e disse: — Eu entendi. Eu vou esperar no quartel-general.

— Não se preocupe. Eu irei te encontrar — Caron disse.

— Eu provavelmente deveria ir direto para os campos de treinamento quando eu voltar — Amy observou.

— Por que isso? — Caron perguntou.

— Bem, se eu acabar sendo espancada por você... não seria bom para a reputação da Guarda Imperial, seria? — Amy respondeu.

— Essa é uma boa atitude — Caron respondeu.

— Mas, Jovem Mestre Caron — Amy começou.

— O que foi agora? — Caron perguntou.

— Você sabe que eu sou quatro anos mais velha que você, certo? — Amy perguntou.

Com uma expressão sombria, Caron disse: — E daí?

— Não é como se eu fosse uma plebeia... É um pouco decepcionante quando você continua falando tão informalmente comigo. Eu ainda sou mais velha, afinal — Amy apontou.

Caron bufou e respondeu: — Como se isso importasse. Você é apenas da família de algum conde do interior.

— ...Isso é bem arrogante da sua parte — Amy murmurou.

— E eu só trato alguém como meu mais velho se for mais forte do que eu. Se você quer esse respeito, terá que me vencer primeiro — Caron disse.

Amy sorriu suavemente com a resposta dele e disse: — Eu farei o meu melhor.

Ela agora tinha um novo objetivo.


Depois de se separar de Amy, Caron e seu grupo retornaram ao distrito das boutiques para comprar os suprimentos de que precisavam. O tempo passou rápido e, quando terminaram, a noite já havia caído. Foi só então que eles voltaram para a mansão.

A primeira coisa que Caron fez ao retornar foi relatar o incidente do dia a Sir Zerath.

— Então, você está me dizendo que você espancou o filho do Conde Kian? — a voz de Zerath veio através do orbe de cristal de comunicação.

— Eu não apenas o espancuei — Caron corrigiu.

— Então, como você chamaria isso? — Zerath perguntou.

— Eu o espancei até a beira da morte — Caron respondeu.

— ...E isso aconteceu enquanto o Jovem Mestre Hugo estava presente? — Zerath suspirou, já soando exasperado.

— Já ouviu o ditado "um siri puxa o outro"? [1] Hehe — Caron riu.

Zerath, do outro lado do orbe, soava como se já tivesse meio desistido. Ele disse cansadamente: — O Jovem Mestre Hugo já me relatou os detalhes do incidente. Graças a isso, agora temos um pouco de trabalho a fazer.

— Ah, sério? E quanto ao meu avô...? — Caron perguntou.

— Ele também foi informado da situação — Zerath confirmou.

— E ele não disse nada? — Caron perguntou, um pouco surpreso.

— Não, ainda não — Zerath respondeu.

Caron imaginou que seu avô poderia estar considerando uma punição apropriada. Mesmo que Hugo tivesse implorado em seu nome, ainda era um assunto que envolvia famílias nobres. Se o outro lado levantasse alguma objeção, as coisas poderiam se agravar.

— Jovem Mestre Caron — Zerath começou em um tom mais sério.

— Sim?

— ...Você deve realmente se comportar no Palácio Imperial. Este incidente pode ser descartado como indiscrição juvenil, mas as coisas não serão tão simples dentro do palácio — Zerath disse.

— Eu sei. Eu vou me comportar na frente de Sua Majestade — Caron respondeu alegremente.

— Você deve me prometer isso — Zerath insistiu.

— Eu juro pela honra do meu pai! — Caron disse dramaticamente.

— ...Por que não pela sua própria honra? Por que tem que ser a honra do Mestre Fayle? — Zerath perguntou.

— Porque eu não tenho nenhuma — Caron respondeu.

— Você deve estar orgulhoso — Zerath disse sarcasticamente.

Caron podia facilmente imaginar a expressão no rosto de Zerath; ele provavelmente estava pensando em quanto ele poderia usar uma bebida agora.

Caron deu um leve sorriso, então continuou: — A propósito, Sir Zerath, você conhece Amy Altura? Uma aprendiz da Guarda Imperial?

— Sim, eu conheço Amy Altura — Zerath confirmou. — Ela é como um diamante bruto. Eu ouvi dizer que ela estava envolvida no incidente de hoje.

— Eu ofereci a ela uma posição, mas ela me recusou — Caron disse.

— Você ofereceu isso pessoalmente? — Zerath soou surpreso.

— Sim. Eu pensei que ela também seria útil para nós, mas ela se recusou. A lealdade dela à Guarda Imperial foi impressionante — Caron disse.

— Isso é verdade. Ela é talentosa demais para ser desperdiçada na Guarda Imperial — Zerath comentou.

— Exatamente. É por isso que... — Caron hesitou. — Eu queria perguntar algo diretamente ao meu avô. Você poderia me conectar a ele?

Nesse ponto, não era mais um assunto para Sir Zerath lidar. Caron precisava negociar com o próprio Halo. Segurando o cristal em sua mão, ele esperou pela resposta de Zerath.

— Eu entendo. Eu irei te conectar ao Duque Halo — Zerath disse, surpreendentemente complacente.

— Obrigado — Caron respondeu.

— Por favor, espere um momento — Zerath disse.

Um leve zumbido veio do orbe de cristal de comunicação na mão de Caron. Após cerca de trinta segundos, uma voz profunda e imponente ecoou do outro lado.

— Ouvi dizer que você estava me procurando, Caron — Halo disse.

Mesmo através do orbe de cristal, a voz de Halo carregava um peso inegável. Caron exalou levemente, então respondeu em um tom respeitoso: — Eu deveria tê-lo contatado assim que cheguei à capital. Peço desculpas pelo atraso, chefe de família.

— Você só me chama de "chefe de família" quando tem assuntos que dizem respeito à família — Halo disse sem rodeios.

Caron soltou uma pequena risada e disse: — Você sempre vê através de mim.

— ...Como está a capital? — Halo perguntou diretamente, indo direto ao ponto.

— É muito mais caótica do que o Castelo Azureocean — Caron respondeu com uma risada.

— Você está aprendendo alguma coisa com isso? — Halo perguntou.

— Sim. Eu até fiz alguns novos amigos — Caron disse enquanto pensava em pessoas como o Sexto Príncipe e Amy. Eles eram companheiros incomuns, mas divertidos mesmo assim.

— Isso é bom de ouvir. Agora, me diga qual negócio você trouxe — Halo disse.

Halo não mencionou o incidente que Caron havia causado mais cedo naquele dia, o que permitiu que o último mergulhasse direto em seu pedido.

— Eu gostaria de visitar o quartel-general da Guarda Imperial e lutar com seus cavaleiros — Caron solicitou.

Como a Guarda Imperial era a ordem de cavaleiros reais, seu quartel-general não era o tipo de lugar que Caron poderia simplesmente invadir e exigir um duelo. Ele precisava da ajuda de Halo para fazer isso acontecer.

Embora o pedido parecesse estranho, a voz de Halo permaneceu calma enquanto ele perguntava: — Qual é o seu motivo?

— É sobre espírito competitivo — Caron respondeu. — A Ordem dos Cavaleiros Lobo do Oceano e a Guarda Imperial são rivais há gerações. Agora que estou na capital, quero testar suas habilidades em primeira mão. — Ele havia preparado essa explicação com antecedência.

— Além disso, eu gostaria de mostrar a Leo as técnicas de outros cavaleiros... Eu acho que seria uma experiência valiosa para nós dois — Caron explicou.

Halo, que estava ouvindo em silêncio, perguntou em voz baixa: — Essa é a sua única razão?

— Sim — Caron respondeu.

— Isso não será difícil. Mas há uma condição — Halo respondeu.

— Uma condição? — Caron perguntou.

— Você deve ficar quieto até depois da audiência com Sua Majestade e o banquete amanhã à noite. Se você passar o dia sem nenhum incidente, eu vou providenciar para que você visite o quartel-general da Guarda Imperial — Halo respondeu.

Caron franziu a testa ligeiramente e pensou: Típico do chefe de família.

Ao contrário de Zerath, Halo havia acenado com uma cenoura, mas exigiu autocontrole em troca. Por outro lado, a mensagem era clara. Apenas se comporte por um dia.

Se for apenas um dia, eu posso fazer isso, Caron pensou. Às vezes, era necessário fazer concessões para conseguir o que se queria.

Ele sempre esteve pronto para causar estragos no palácio. Era o lugar onde ele havia encontrado seu fim em sua vida anterior e dificilmente estava cheio de lembranças agradáveis. Mas ele podia esperar. Haveria tempo para isso mais tarde. Por enquanto, tratava-se de conseguir o que ele queria, dando um passo para trás.

— Tudo bem, eu farei isso — Caron disse.

— Bom. Isso é o suficiente? — Halo perguntou.

— É mais do que suficiente — Caron respondeu.

— Caron, eu nem sei o que você está planejando, mas lembre-se disso. A razão pela qual eu não estou assumindo o controle de você agora é porque eu acredito que suas ações acabarão beneficiando nossa família — Halo disse em um tom que sugeria um aviso pesado.

Soava como um elogio, mas Caron entendeu o significado subjacente. Halo quis dizer que, se ele alguma vez colocasse a família em risco, essa atitude poderia mudar em um instante.

Foi por isso que Caron respondeu com uma voz firme e constante: — Eu entendo, chefe de família.

— Eu tenho grandes expectativas para você, então não me decepcione. Você entende? — Halo respondeu com sua típica franqueza.

— Não se preocupe, eu não vou te decepcionar — Caron disse.

— E quando você entrar no palácio amanhã, conduza-se adequadamente — Halo disse, dando um último conselho antes que a comunicação terminasse.

Caron soltou um pequeno suspiro ao colocar o cristal em sua mesa. Ele murmurou baixinho: — Ele é tão astuto como sempre.

Não havia como negar que anos de experiência eram difíceis de ignorar. As palavras de Halo carregavam o peso de alguém que via através de tudo, entregando avisos disfarçados de elogios.

Caron teria que estar atento, mas ele não estava muito preocupado. Afinal, era apenas um dia. Ele se deitou em sua cama, então fechou lentamente os olhos.

— O palácio... Não importa quando eu penso sobre isso, ainda é um lugar tão sujo — ele murmurou.

Ele ponderou o ódio de sua vida anterior e soltou um suspiro pesado. Ele sentiu que amanhã seria um dia muito longo.

[1] - Este é um provérbio coreano que significa algo como "os semelhantes se atraem". ☜

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