O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 44

O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 44. Entrando no Palácio Imperial

Tarde da noite, no Castelo Azureocean...

Toc, toc.

— Duque Halo, é Zerath — disse Zerath.

— Entre — respondeu Halo.

Zerath abriu a porta do escritório e entrou. No escritório, Halo estava sentado em sua cadeira, girando o copo de sua bebida.

— Enviei o pedido oficial à Guarda Imperial. Eu disse a eles que os netos do duque solicitaram um duelo com eles, e eles aceitaram de bom grado — explicou Zerath.

— Muito bem. Sente-se — disse Halo.

— Sim, senhor — respondeu Zerath, então cuidadosamente se sentou. Ele aceitou o copo que Halo lhe entregou. O som suave do licor sendo derramado encheu a sala enquanto Halo enchia o copo até a metade com licor cor de âmbar.

— Caron é imprevisível, não é? — comentou Halo.

— Parece que ele encontrou alguém que chamou sua atenção — respondeu Zerath.

— Atenção?

— Sim, ele me perguntou se eu conhecia Amy Altura. Acredito que mencionei ela para você antes.

— Sim, eu me lembro.

— Ela é uma aprendiz da Guarda Imperial. Ela é tão talentosa que uma vez tentei recrutá-la para a Ordem dos Cavaleiros Lobo do Oceano.

— Sério?

— Parece que o Jovem Mestre Caron também compartilhou meus pensamentos. Ele sempre teve um bom olho para as pessoas.

Zerath brevemente recordou seu encontro passado com Amy Altura. Ela havia deixado uma impressão nele. Ela era uma jovem determinada que uma vez lhe disse que admirava Cain Latorre acima de todos os outros. Ele havia prometido amplo apoio se ela se juntasse à Ordem dos Cavaleiros Lobo do Oceano, mas ela escolheu permanecer com a Guarda Imperial.

— Amy é única. Sua admiração por Cain Latorre é imensa — continuou Zerath.

— Cain... Esse é um nome que traz lembranças. Ela é uma jovem cavaleira bem incomum. A Guarda Imperial quase não fala de Cain hoje em dia, não é? — perguntou Halo.

— Bem, provavelmente é uma parte da história que eles querem apagar. Se você não tivesse intervindo, Sir Cain teria sido registrado como um dos maiores vilões do nosso tempo — respondeu Zerath.

Halo assentiu lentamente e concordou: — Sim, isso é verdade.

— Você também não queria proteger o nome do seu amigo de ser manchado? — perguntou Zerath.

Halo soltou uma risada baixa e balançou a cabeça. Ele disse: — Você entendeu tudo errado.

— ...Como assim? — perguntou Zerath.

— Cain... Ele queria ser esquecido. Ele queria não deixar rastros e apenas morrer lá em completa obscuridade — explicou Halo.

Os pensamentos de Halo voltaram ao passado, ao dia em que ele havia acabado com a vida de seu amigo. Ele ainda podia se lembrar da expressão de Cain naquele momento final, desprovida de qualquer arrependimento, como se nem mesmo a morte o movesse. Era uma memória que Halo ainda carregava com uma mistura de tristeza e amargura.

— Era minha própria maneira de me vingar daquele tolo maldito — ele continuou.

Cain havia feito uma escolha egoísta, então Halo queria dar o troco de alguma forma. Então, em vez de deixar Cain ser esquecido, ele se certificou de que as pessoas se lembrassem de seu nome. Ele deixou para trás vestígios de Cain na história. Já se passaram cinquenta anos desde a morte de Cain, e ainda assim seu nome está registrado nos anais da história.

— Então a razão pela qual você ajudou a restaurar a Guarda Imperial também foi...? — Zerath parou, tentando juntar as peças.

Após a queda do Imperador Malevolente, uma das coisas que Halo liderou foi a restauração da Guarda Imperial, que havia sido quase toda aniquilada.

— Um dos membros da Guarda Imperial queria suceder Cain. Aquele idiota... Se ele não tivesse morrido, esse teria sido o papel dele — disse Halo.

O sorriso de Halo era tingido de amargura. A história oficial registrou que a Guarda Imperial havia sido aniquilada naquele dia, mas isso não era verdade. Muitos do grupo final que defendeu o Imperador Malevolente sobreviveram, incluindo alguns que haviam lutado diretamente contra Halo. Eles viveram porque Halo escolheu não tirar suas vidas.

Foi a partir desses sobreviventes que Halo reconstruiu a Guarda Imperial, preservando o legado de um homem que desejava não deixar nenhum. Assim, a esgrima única da Guarda Imperial, a Espada Imperial, pôde ser transmitida às futuras gerações. E sua técnica de mana, Artes da Lealdade, também foi transmitida.

— Eu secretamente esperava que alguém surgisse e continuasse o legado de Cain — disse Halo.

Mas a Guarda Imperial rapidamente degenerou. Eles se alinharam com facções políticas e agora estavam divididos, lutando entre si. Essa não era a visão que Halo esperava, mas ele não se envolvia mais com eles. Cain não teria querido que ele exercesse influência sobre a Guarda Imperial.

— Talvez seja por isso que o Jovem Mestre Caron se interessou por Lady Amy — sugeriu Zerath. — Caron sempre mostrou um interesse particular por Sir Cain, não é?

— Bem, ele é filho de Fayle. Fayle também gostava de Cain desde jovem — comentou Halo.

Halo recordou um momento em que havia convocado o antigo tutor de Caron, Professor Ulysses, e perguntado sobre os interesses de Caron. O Professor Ulysses havia lhe dito que Caron havia sido profundamente cativado pelo legado de Cain. Isso havia sido um ponto de orgulho para Halo.

— Quando duas pessoas compartilham os mesmos interesses, elas estão destinadas a se aproximar — observou Halo.

— Isso é verdade — concordou Zerath.

— Você investigou a família Altura? — perguntou Halo.

— Eles são uma família nobre do interior. O único detalhe notável é que eles mudaram seu sobrenome há cerca de cinquenta anos — respondeu Zerath.

— Qual era o nome original deles? — perguntou Halo novamente.

— Acht. Eles eram originalmente a família Acht — respondeu Zerath.

Os olhos de Halo se iluminaram com o nome. Ele assentiu com um sorriso amargo ao comentar: — Acht... Havia um homem peculiar dessa família há cinquenta anos.

Kerra Acht foi um dos últimos membros da Guarda Imperial que defendeu o palácio ao lado de Cain. Halo ainda conseguia visualizar o rosto do homem enquanto ele o atacava, totalmente preparado para morrer.

— Será que ela é parente dele? — murmurou Halo baixinho para si mesmo.

— Parece que a família mudou seu nome após a queda do Imperador Malevolente — disse Halo. — Sem dúvida, eles queriam romper qualquer conexão com esses eventos.

— Você conhece a família Acht? — perguntou Zerath.

— Nossos caminhos se cruzaram brevemente — respondeu Halo.

Era divertido que cinquenta anos depois, uma descendente dessa família surgiria, seguindo os passos de Cain. A maioria das pessoas queria esquecer seu nome, e aqui estava uma jovem honrando-o. Esse pensamento a cativou a Halo.

— Fique de olho nela, e se houver uma oportunidade de ajudar, não hesite — instruiu Halo.

A expressão de Zerath ficou tensa e ele respondeu: — ...A Guarda Imperial pode objetar.

— Ajudar uma jovem cavaleira que respeita meu amigo é um curso natural de ação. Quem ousaria desafiar minha boa vontade? Quaisquer objeções deles podem ser esmagadas com força — respondeu Halo firmemente.

Ele pretendia fazer o que lhe agradasse. Esse era o direito que ele tinha como um indivíduo forte. E essa era a atitude que a família Leston pretendia enviar de agora em diante.

— É hora de enviar um aviso aos covardes da capital — continuou Halo.

O período de misericórdia que a gloriosa família Leston havia estendido ao império agora havia terminado. Ele encheu seu copo novamente, antecipando o que seu neto mais novo realizaria na capital. Caron, aquele garoto inteligente e astuto, provavelmente já havia percebido as intenções de seu avô.

— Vá em frente, Caron. Mostre-me do que você é capaz — murmurou Halo.

Ele decidiu que observaria até onde seu neto mais novo poderia ir.


A segunda manhã na capital amanheceu para Caron e seu grupo.

A mansão de Gyle estava agitada desde cedo, e Caron não conseguiu escapar dos mordomos.

— A manga da camisa dele está amassada! Vá passá-la de novo! — gritou um mordomo.

— O broche! Precisa de mais brilho — disse outro mordomo.

— Oh, o relógio de pulso! E arrumem o cabelo do jovem mestre de novo! — gritou um mordomo ocupado.

Foram implacáveis duas horas de caos.

Finalmente, os preparativos para entrar no Palácio Imperial foram concluídos. Caron, que parecia completamente exausto, soltou um suspiro profundo. Ele comentou: — Eu preferiria brandir minha espada mil vezes. Não concorda, Leo?

— ...Por uma vez, estamos na mesma página. Eu concordo com você — respondeu Leo.

— O que é que o palácio tem de tão especial, afinal? — murmurou Caron.

Ele queria entrar no palácio vestindo apenas um terno preto simples, mas essa ideia foi rapidamente vetada por sua avó. Em vez disso, ele teve que se adornar com o broche dos Lobos Azure, o símbolo da família Leston, juntamente com vários outros acessórios extravagantes.

O resultado foi uma roupa desnecessariamente extravagante e completamente desconfortável. Caron mexeu no relógio de pulso enrolado em seu pulso antes de comentar: — Bem, pelo menos eu gosto deste.

Era um relógio de pulso de primeira linha feito de pedras de mana e ouro. De longe, era o seu favorito entre os muitos acessórios que ele usava.

Enquanto Caron continuava a dar uma olhada em seus acessórios, Leo chamou nervosamente: — Caron.

— O quê? — respondeu Caron.

— Sou só eu que estou me sentindo nervoso? Estamos prestes a conhecer Sua Majestade o imperador — disse Leo.

Embora a maior parte de seu poder tenha sido retirada, o imperador ainda era o governante supremo do império. Ele era a figura mais nobre do império, alguém que os plebeus provavelmente nunca conheceriam em suas vidas. Considerando isso, a reação de Leo não era surpreendente. Qualquer um ficaria nervoso ao encontrar o imperador pela primeira vez.

No entanto, Caron não sentiu nenhuma emoção particular. Ele respondeu: — O imperador também é apenas uma pessoa. Por que você está nervoso? Não precisa se estressar com isso, Leo.

— Você diz isso como se não fosse sua primeira vez encontrando Sua Majestade — comentou Leo.

— Algo assim — respondeu Caron.

Claro, isso tinha sido em sua vida anterior. Ele até serviu como guarda pessoal do imperador naquela época.

Leo só pôde balançar a cabeça com a indiferença de Caron. Não era a primeira vez que ele achava seu primo difícil de entender, então ele decidiu não se alongar nisso.

Enquanto Caron e Leo conversavam no quarto enquanto esperavam, alguém bateu na porta e entrou. Era Hugo.

— A carruagem do palácio chegou. Vocês dois estão prontos para ir? — perguntou Hugo.

O imperador só havia convidado Caron e Leo, então Hugo não estava se juntando a eles em sua visita ao palácio hoje. Não importa o quão prestigiada fosse a família Leston, sem permissão prévia, ninguém poderia pisar no Palácio Imperial. Qualquer um que entrasse sem aprovação estaria cometendo traição.

— Sim, Hugo — respondeu Caron enquanto batia casualmente no punho de Guillotine, que estava pendurada em sua cintura. — Eu até poli a lâmina, só por precaução.

— ...Isso era realmente necessário? — perguntou Hugo.

— Podemos ser emboscados no palácio. Nunca se sabe — disse Caron.

— Essa é uma piada um pouco assustadora, Caron — suspirou Hugo.

Normalmente, ninguém tinha permissão para trazer armas para o palácio. No entanto, havia uma exceção, e era para a família Leston. Como descendentes dos heróis que uma vez salvaram o império de forças demoníacas, eles receberam esse privilégio único.

— Você não vai precisar sacá-la, então não se preocupe — garantiu Hugo.

— Tente não ficar entediado sem nós, Hugo — provocou Caron.

— ...Tudo bem, vamos — disse Hugo.

Caron e Leo seguiram Hugo para o pátio, onde uma carruagem opulenta enviada do palácio os aguardava, lavishly adorned with platinum decorations. Chamá-la de carruagem era um exagero, no entanto. A mana engine created by the Imperial Magic Tower stood where horses should have been.

Standing beside the carriage was a middle-aged man dressed in formal attire. He said with a bow, 'It is an honor to serve you. I am Karls, a second-class official from the Imperial Household. My duty today is to escort Young Master Leo Leston and Young Master Caron Leston to the palace.' He continued, 'This automobile has been gifted to you by His Majesty. You may use it during your stay in the capital.'

— Eles estão chamando de automóvel agora? — perguntou Caron com leve interesse.

— Sim, isso mesmo. Este automóvel é encantado, então se você colocar seu destino, ele o levará para onde desejar — explicou Karls.

Parecia semelhante ao automóvel usado pelo Sexto Príncipe, Revelio, embora o dele fosse ligeiramente maior e ainda mais extravagante. Os tempos certamente mudaram. Comparando o nível atual de civilização com o de cinquenta anos atrás, as diferenças eram impressionantes.

Caron assentiu levemente e se virou para Gyle, que havia saído para se despedir deles. Ele disse: — Já voltaremos, Vovô.

Gyle sorriu e assentiu em resposta, então disse: — Tenham cuidado. E sempre cuidem de suas maneiras no palácio.

— Terei isso em mente — respondeu Caron.

A despedida não foi longa. Caron também trocou um breve adeus com Hugo antes que ele e Leo entrassem no automóvel.

Whoosh.

Um zumbido baixo ressoou quando o motor de mana começou, e logo, o automóvel começou a se mover. Caron se encostou nas almofadas e olhou pela janela.

Enquanto o automóvel acelerava, logo se juntou à estrada principal que levava diretamente ao palácio. Então, uma onda repentina de gritos altos irrompeu do lado de fora da janela.

— Oh! São os jovens mestres da família Leston! — alguém gritou.

— Uau! — exclamou outro.

— Os jovens heróis que derrotaram os inimigos do império! — um dos cidadãos gritou.

Era como se os cidadãos estivessem esperando por eles. Eles estavam jogando pétalas de flores e gritando de alegria, como se estivessem dando as boas-vindas a heróis de guerra triunfantes.

— Hmm. Isso é um pouco embaraçoso — murmurou Leo, com as bochechas levemente coradas. — Não foi assim ontem quando estávamos na cidade. Certo, Caron?

Caron riu e respondeu: — Sua Majestade está nos usando para mostrar o poder da família real.

Os motivos subjacentes eram óbvios demais.

Mas Leo parecia confuso, perguntando: — Espere, o quê? Como assim?

— As coisas não são como eram no passado, quando as relações estavam em seu pior. A família Leston apoia o imperador. É um aviso aos nobres que querem tomar o controle do trono. Embora... Tenho certeza de que o imperador tem seus próprios motivos — explicou Caron.

Seu olhar se voltou para os cidadãos da capital, que acenavam e gritavam por ele.

Mesmo que o imperador seja apenas um fantoche, parece que ele ainda tem alguma noção do que está acontecendo, ele pensou.

Em pouco tempo, as imponentes muralhas externas do palácio entraram em vista. Tecnicamente, não era o palácio em si, mas a fortaleza externa que o cercava, separando o palácio do resto da capital. As paredes foram fortificadas com camadas de magia de alto nível, formando uma barreira intransponível.

Caron soltou um pequeno suspiro e disse baixinho: — Prepare-se para se sentir nervoso, Leo.

— Hein? — perguntou Leo.

— Assim que passarmos por essas paredes, estaremos no Palácio Imperial. É... Bem... — Caron parou.

Era um lugar onde inúmeras vidas sangraram pelo chão.

Mais precisamente...

— Nossa família uma vez cruzou as paredes — explicou Caron.

Era o campo de batalha de cinquenta anos atrás, onde uma terrível tragédia havia ocorrido; o lugar onde os ancestrais da família ducal e inúmeros outros haviam derramado seu sangue, um local onde uma tragédia terrível agora jazia adormecida.

— Além dessas paredes, ninguém nos receberá bem — acrescentou Caron.

— Oh... — respondeu Leo. Ele olhou para as paredes externas com uma expressão facial complicada.

Os dois jovens lobos da família Leston entraram no campo de batalha do passado de sua família.

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