O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 45

O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 45

Eles passaram pelas muralhas externas, seguidos pelas muralhas internas.

Enquanto passavam, Caron vislumbrou a formação defensiva do palácio imperial, que era sólida. A defesa era meticulosamente composta por magos imperiais, o exército do império e a Guarda Imperial. Seus números excediam em muito os que guardavam o perímetro da capital, e cada soldado era um profissional altamente treinado.

Uma vez que passaram pelas muralhas internas, a verdadeira visão do Palácio Imperial começou a se revelar diante deles.

— Caron, honestamente, eu sempre tive curiosidade sobre o que tem dentro do palácio — comentou Leo.

— E? — perguntou Caron.

— ...Tem muita coisa aqui dentro — disse Leo.

— Claro. Pense nisso como uma cidade dentro da cidade — respondeu Caron enquanto admirava a paisagem do palácio imperial e ria suavemente.

O Palácio Imperial do Império Orias, também conhecido como Nesak, não era apenas um palácio. Era uma cidade em si, aninhada dentro da capital de Decus. Inúmeros palácios reais abrigavam a linhagem direta da família imperial, enquanto incontáveis outros viviam ali para servi-los e auxiliá-los. Até mesmo alguns nobres selecionados residiam no palácio como hóspedes do imperador. Não era surpresa que uma cidade movimentada tivesse se formado ali.

O palácio era muito mais polido e belo do que Caron se lembrava. Parecia que toda a cidade havia sido meticulosamente planejada e construída. Cinquenta anos antes, durante a rebelião que destronou o Imperador Malevolente, grande parte deste lugar foi incendiada e destruída. O que estava diante deles agora era uma nova cidade construída sobre as cinzas da antiga.

— ...É incrível — murmurou Leo em admiração enquanto contemplava a grandiosa paisagem do palácio.

Era uma atmosfera completamente diferente do Castelo Azureocean. Tudo à vista era extravagante e opulento. Parecia que toda a riqueza do império havia sido canalizada para este lugar.

— Faxineiros, cozinheiros, jardineiros e mais; tudo isso é necessário para manter este palácio massivo funcionando sem problemas. Você não achou que o imperador vivia aqui sozinho, não é, Leo? — Caron provocou.

— ...Bem... — Leo hesitou.

— Achou, não foi? Sério, Leo. Você precisa ler mais livros — disse Caron.

Leo havia crescido correto e adequado. Mas sua mente também era um pouco... direta demais. Tia Camila havia trabalhado duro para educá-lo, mas parecia que Leo não tinha o melhor relacionamento com livros e conhecimento.

Talvez eu devesse simplesmente mandá-lo para a academia pelo resto do tempo na capital, pensou Caron. Ele já havia planejado visitar a academia, então um pouco de tutoria extra para Leo não faria mal.

Enquanto Caron e Leo continuavam a admirar a vista do palácio, o veículo em que estavam fez um zumbido e começou a desacelerar. Quando o veículo parou, a porta se abriu.

— Acho que está nos dizendo para sairmos — comentou Leo.

— Bem esperto para uma carruagem — disse Caron.

— Eles chamaram de automóvel — corrigiu Leo.

— A mesma coisa — Caron encolheu os ombros.

— Não é a mesma coisa — resmungou Leo enquanto saía do veículo.

Quando desceu, foi recebido pela visão de uma linha impecável de Guardas Imperiais. E na frente estava um cavaleiro cujo rosto ele reconheceu.

— Sir Luke, não é? Bom vê-lo novamente — disse Caron com um sorriso.

— Vejo que se lembra do meu nome, Jovem Mestre Caron Leston — respondeu Luke.

— Ainda sou jovem, então minha memória é afiada — disse Caron com um toque de brincadeira.

Luke era um dos Guardas Imperiais que havia escoltado Caron e seu grupo de Thebe até a capital. Ele agora se virou para Caron e Leo, e se curvou respeitosamente.

— Deste ponto em diante, veículos não são permitidos. Nós pessoalmente os escoltaremos até o palácio principal — informou Luke, gesticulando para um subordinado que estava próximo.

Ao seu sinal, o subordinado se aproximou com uma pequena cesta, embrulhada em um tecido fino.

O cavaleiro apresentou-a a eles e disse em um tom formal: — Embora vocês sejam hóspedes de honra do Ducado Leston, ninguém tem permissão para carregar armas para dentro do palácio principal. Pedimos gentilmente por sua cooperação.

Sem reclamar, Caron e Leo desembainharam suas espadas e as colocaram na cesta. Até mesmo Halo seguiu os procedimentos de entrada no palácio. Embora Halo nem sempre tenha seguido as regras...

— Vovô uma vez quebrou essa regra — disse Caron, tão silenciosamente que era quase como se estivesse falando consigo mesmo.

— Sério? Quando? — perguntou Leo.

— Há uns cinquenta anos — respondeu Caron.

— Cinquenta anos? Espere, você está louco? Por que está mencionando isso agora...? — murmurou Leo, parecendo alarmado.

Caron apenas encolheu os ombros e disse: — Só porque. Apenas me veio à mente.

Houve apenas uma ocasião em que seu avô, Halo Leston, entrou no palácio principal armado. Foi durante a rebelião que destronou o Imperador Malevolente. Halo trouxe sua espada para dentro do palácio, e foi essa mesma espada que pôs fim à vida anterior de Caron.

Caron murmurou aquelas palavras que eram quase autodepreciativas enquanto sutilmente olhava para os rostos dos guardas imperiais. Ele sabia que os guardas reconheceriam o verdadeiro significado de suas palavras. E como esperado, alguns dos cavaleiros cerraram os punhos, suas mãos tremendo em fúria silenciosa.

Mas Luke permaneceu calmo, levantando uma mão para silenciar seus homens. Ele então disse silenciosamente: — Vocês estão livres para falar como desejarem diante de nós, mas aconselho cautela na frente de Sua Majestade.

— Eu apenas manterei minha boca fechada. Ah, mas Sir Luke, minha espada é um pouco... temperamental, então tenha cuidado ao manuseá-la — avisou Caron.

Assim que Caron falou...

Clang.

— Ahhhhhhh! — O cavaleiro carregando a cesta gritou e a derrubou no chão.

As espadas tilintaram pelo chão, e entre elas, Guillotine escorregou parcialmente de sua bainha. A lâmina azul escura brilhou, e a energia ameaçadora que fluía de sua borda afiada rapidamente se espalhou.

— A-A espada está... — o cavaleiro gaguejou de medo.

Caron suspirou profundamente, então agarrou Guillotine.

Quando ele pegou a espada, a voz de Guillotine ecoou na mente de Caron. "Estou de péssimo humor hoje, dono. Este é o lugar, não é? Onde eu estava com meu antigo dono em uma vida anterior."

Sim, está certo, respondeu Caron.

"Ha. Quem diabos me transformou em uma espada amaldiçoada? Isso ferve meu sangue", disse Guillotine.

Nós dois temos histórias sombrias aqui, então se acalme e espere em silêncio, disse Caron.

"Ah, certo. Este é também onde você bateu as botas, não foi? Bem feito."

Cale a boca, Caron retrucou internamente.

Ele deslizou Guillotine de volta para sua bainha e a colocou cuidadosamente de volta na cesta. Olhando para Luke, ele sorriu e disse: — Veja, estas são espadas de herança de nossa família. Por favor, manuseie-as com cuidado.

— Elas parecem... um pouco sinistras demais para serem heranças — comentou Luke.

— O fundador de nossa família empunhou esta espada. Você está chamando nosso ancestral de sinistro? — perguntou Caron.

Luke suspirou e fechou os olhos, dizendo a si mesmo para não se deixar influenciar. A julgar pelos rumores que se espalharam pela capital, não havia dúvida de que o neto mais novo da família ducal que estava diante dele era insano.

— Minhas desculpas se minhas palavras foram descabidas — disse ele.

— Tudo bem. Por favor, apenas seja mais cuidadoso da próxima vez — respondeu Caron.

Luke sabia que qualquer reação adicional seria um golpe em seu orgulho, então ele escolheu responder suavemente: — Muito bem, agora vou escoltá-los até o palácio principal.

— Parece bom — respondeu Caron.

Enquanto Caron e Leo caminhavam, escoltados pelos Guardas Imperiais, nobres que passavam olhavam em sua direção com curiosidade. Alguns pareciam genuinamente intrigados, enquanto a maioria deles olhava para Caron e Leo com olhos cautelosos.

Leo brevemente fez contato visual com alguns. Assim como Caron o advertiu, nenhum olhar acolhedor estava à vista. Isso fez Leo se sentir menor apenas por estar ali, mas a reação de Caron foi completamente diferente.

— Olá, prazer em conhecê-los! Eu sou Caron Leston, neto do Duque Halo! É uma honra conhecer todos vocês, estimados nobres! — Caron exclamou entusiasticamente.

Claro, ele é o Caron, pensou Leo enquanto suspirava profundamente.

Parecia que ele ainda estava longe de entender seu primo insano.


Eles chegaram às escadas que levavam ao palácio principal.

— Esperem aqui — ordenou Luke aos Guardas Imperiais, deixando-os para trás antes de se virar para Caron e Leo. — Apenas aqueles com permissão podem prosseguir a partir deste ponto.

— Isso faz sentido. Além destes degraus é onde Sua Majestade reside — disse Caron enquanto lentamente olhava para a escadaria. Os degraus, antes desgastados pelo tempo, agora brilhavam como se tivessem sido recém-construídos.

Ele havia se perguntado algumas vezes como seria ficar em frente às escadas novamente. Ele havia enfrentado isso uma vez através da Pedra do Compromisso, mas isso não tinha sido nada mais do que uma ilusão. Isto, no entanto, era a realidade. A forma da escadaria havia mudado, mas este era o próprio lugar onde ele havia morrido em sua vida anterior.

— Vamos? — disse Luke enquanto abria caminho pelos degraus.

Caron e Leo seguiram Luke pelas escadas. Este era o único caminho para o trono do imperador... o caminho que Halo havia ascendido com a espada na mão. E era também...

O caminho que eu jurei proteger uma vez, pensou Caron.

Ele nunca tinha sido capaz de esquecer este lugar, nem por um único momento. E ainda assim aqui estava ele novamente, mas em circunstâncias que não poderiam ser mais diferentes. Naquela época, ele havia subido estas escadas para morrer. Mas não desta vez.

O ex-escravo que havia se tornado um Guarda Imperial tinha ido embora há muito tempo. Desta vez, quem estava caminhando por estes degraus era Caron Leston, o neto mais novo do Duque Halo.

— Caron — chamou Leo suavemente.

— ...Sim? — respondeu Caron.

— Você está bem? — perguntou Leo, seu tom carregado de preocupação.

Caron olhou para sua mão. Sangue estava escorrendo de seu punho cerrado. Ele não havia percebido o quão apertado ele estava segurando-o.

— Oh... eu estava nervoso. Desculpe. Isso te incomodou? — murmurou Caron. Ele concentrou seu mana em sua mão, curando a ferida rapidamente até que o sangramento parasse.

Leo deu um tapinha nas costas de Caron e perguntou: — Você agiu como um adulto mais cedo, e ainda assim encontrar Sua Majestade te deixou tão nervoso?

— Eu acho que sim. Bem, isto é um pouco embaraçoso — respondeu Caron.

Leo teve um sentimento estranho de Caron, que estava dando respostas vagas. Desde que eles entraram no palácio principal, Caron tinha estado diferente. Há pouco tempo, ele estava sorrindo e cumprimentando os nobres com sua atitude usual. Mas no momento em que eles entraram neste lugar, um humor pesado havia se instalado sobre ele.

Luke, caminhando à frente, não pareceu notar, mas Leo podia sentir a mudança em Caron, cujo oceano estava em tumulto. O oceano feito de Mana Azure parecia que transbordaria a qualquer momento, balançando para frente e para trás. As ondas do oceano turbulento de Caron eram tão fortes que até mesmo o mana de Leo ressoava em resposta, mas ele não perguntou sobre o motivo.

Foi porque ele já sabia.

...Então, ele pode fazer esse tipo de rosto também, pensou Leo.

Caron estava claramente triste. Nenhuma lágrima estava caindo, e ele estava forçando um sorriso, mas Leo podia ver através disso. Caron estava triste.

Leo relembrou uma memória do que Sabina havia lhe dito uma vez.

"Leo, você deve observar o oceano de Caron mais cuidadosamente do que qualquer outra pessoa. Isso é algo que só você pode fazer no Castelo Azureocean."

Na época, Leo não conseguia entender o que Sabina queria dizer. Mas agora, ele finalmente percebeu o significado por trás de suas palavras. Desde que Caron chegou pela primeira vez ao Castelo Azureocean, Leo estava ao seu lado, e por causa disso, ele podia dizer o que estava acontecendo. Ele não sabia por que, mas uma coisa estava clara: Mesmo uma pessoa insana como Caron podia sentir tristeza. Então, sem uma palavra, Leo deu um tapinha gentil em suas costas.

— Você não vai começar a chorar antes de encontrarmos Sua Majestade, vai? — Leo provocou.

— Chorar? Por que eu choraria? — resmungou Caron.

— Eu sou seu primo mais velho. Eu posso dizer — disse Leo.

— ...Você não sabe de nada — murmurou Caron.

Embora Caron tenha resmungado, Leo percebeu que seu humor ajudou um pouco. A tempestade dentro de Caron começou a se acalmar, e logo, eles chegaram ao último degrau.

— Espere um momento, Sir Luke — chamou Caron.

Luke se virou e perguntou: — Há algo errado, Jovem Mestre Caron Leston?

— Eu gostaria apenas de apreciar a vista por um momento. Quem sabe quando eu poderei subir aqui novamente? Vai levar apenas um pouco — disse Caron.

Luke assentiu em compreensão e concedeu-lhe um momento de pausa. Caron lentamente se virou, olhando para os degraus abaixo.

Em sua mente, ele ainda podia ver os corpos de seus camaradas caídos espalhados pelos degraus. O sangue que uma vez havia se infiltrado na pedra, e as vozes de seus companheiros que haviam ficado com ele até o amargo fim... Tudo voltou à tona. Ele pensou que havia esquecido, mas estando aqui novamente, as memórias ressuscitaram.

Mas agora, ele decidiu deixar a tristeza de sua vida anterior para trás, bem aqui. Ele planejava substituí-la por outra coisa.

...Eu vou vingar vocês, seus tolos, pensou Caron.

O único objetivo que ele havia mantido desde a infância se tornou mais claro. Era para trazer justiça àqueles que o haviam levado à sua morte em sua vida anterior.

— É bom — murmurou Caron enquanto soltava um suspiro profundo e sorria. Agora que ele havia chegado, sua mente se sentia mais clara.

— Devemos entrar? — perguntou Luke.

— Sim, vamos — respondeu Caron.

Com uma expressão visivelmente mais brilhante, ele se afastou da vista. Então, ele lentamente ficou em frente ao portão massivo do palácio principal com os outros. O portão era adornado com um leão gigante e dourado. — Leo Leston e Caron Leston do Território Leston chegaram — Luke anunciou seus nomes.

A boca do leão gigante se abriu.

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