
Capítulo 20
O Cão Louco da Propriedade do Duque
Capítulo 20. De Volta ao Castelo Azureocean
Enquanto estavam no trem de volta para o Castelo Azureocean, outro passageiro embarcou. Era o pai de Caron, Fayle.
— Pai, o que te traz aqui? — Caron perguntou surpreso.
— Tio Fayle! Como você tem estado? — Leo entrou na conversa.
Fayle cumprimentou seu filho e sobrinho com um sorriso caloroso e disse: — Faz um tempo. É bom ver vocês dois.
Sabina olhou para Fayle e disse: — Meu querido sobrinho está trabalhando tão duro por causa de vocês dois. Não é, Fayle?
— Haha... Tia Sabina, estou feliz e orgulhoso. Essas crianças já estão se esforçando pela honra do Ducado Leston. É maravilhoso de ver — Fayle disse enquanto ria e balançava a cabeça.
A razão pela qual Fayle foi chamado de volta da gestão dos negócios no domínio foi devido ao assunto que Caron havia levantado: O desenvolvimento da mina de pedra de mana no Baronato Belrus e as subsequentes questões políticas que se seguiriam. Eles estavam indo para o Castelo Azureocean para discutir todos esses assuntos.
Fayle sorriu amplamente para Caron. Quando ele enviou seu filho para o Castelo Azureocean pela primeira vez, ele ficou sobrecarregado de preocupação. Mas agora, seu filho havia crescido o suficiente para realizar missões e até se tornar um favorito de Sabina, um dos membros mais respeitados da família. E não era só isso...
Ele parece se dar bem com Leo também, Fayle notou com satisfação. Apesar de seu começo difícil, no qual Caron inicialmente agrediu Leo, os dois agora pareciam estar em bons termos.
Caron era a menina dos olhos de Fayle. Ele sentia um profundo senso de orgulho ao ver seu filho se adaptar tão bem, até mesmo ganhando reconhecimento dos Lobos Azure da Ordem dos Cavaleiros Oceanwolf.
Depois que Fayle deu um tapinha afetuoso na cabeça de Caron, ele se virou para Sabina e perguntou: — Tia Sabina, o Vovô ainda está na capital?
— Ele está voltando agora mesmo. Não acho que a discussão dele com o imperador tenha sido satisfatória. Ah, bem, o que se pode esperar de um imperador que é praticamente um espantalho? Ele tinha outras reuniões marcadas com os duques, mas cancelou todas elas — Sabina respondeu.
— A situação não parece boa — Fayle comentou.
Sabina assentiu e disse: — Fayle, já que era seu papel lidar com nossas conexões com a política central, você deve ter sentido que as coisas estavam erradas.
Fayle suspirou e assentiu com uma expressão séria. Ele realmente notou que as coisas não estavam indo bem. Os principais poderes, excluindo o Ducado Leston, estavam se consolidando rapidamente. Os mais proeminentes entre eles eram o Duque Salmon[1] e o Marquês Diaz.
Eles eram os súditos meritórios que haviam destronado o Imperador Malevolente e instalado o imperador que estava no trono hoje. Essas pessoas eram os verdadeiros poderes por trás do regime. Recentemente, seus movimentos têm sido peculiares.
Fayle foi à capital para descobrir suas intenções em primeira mão, mas seu rápido retorno indicou que as coisas não tinham ido bem.
— Precisamos começar a agir — Fayle disse decisivamente.
Permanecer passivo em tal situação seria tolo. Depois que o Imperador Malevolente foi deposto, Fayle se concentrou unicamente em restaurar a ordem, afastando-se do poder central. Ele queria fazer isso sozinho e também pensou que era realmente para o bem do império.
No entanto, a ordem que ele havia mantido agora estava começando a desmoronar, e rachaduras estavam aparecendo em alguns lugares. A era da paz estava chegando ao fim, e indivíduos sedentos por poder estavam formando alianças por toda a terra. Quer quisessem ou não, era hora do Ducado Leston fazer um movimento oficial.
— Pai — Caron começou.
— Sim, filho? — Fayle respondeu.
— Este é meu primeiro presente para o Vovô. Se eu lhe der um presente, talvez ele seja mais tolerante se eu cometer erros mais tarde — Caron disse.
Caron era esperto. Ele provavelmente havia sentido essas mudanças desde cedo e entendeu o que eles precisavam agora. O que eles precisavam era justificativa, uma razão legítima para projetar sua influência. Estacionar tropas no território de outro sem causa era pura tirania. No entanto, se eles formassem uma parceria de negócios e implantassem tropas para proteger esse empreendimento, esse seria um pretexto legítimo.
— Tudo isso é graças ao seu filho; você o criou bem — Sabina disse a Fayle.
— É porque você guiou Caron no caminho certo, Tia Sabina — Fayle respondeu humildemente.
— Não finja ser humilde. Seu sorriso diz tudo — Sabina provocou.
— Lady Sabina, por favor, não provoque meu pai — Caron interrompeu.
— Ele pode ser seu pai, mas é meu sobrinho.
— Se você quer importunar, faça isso com o Tio Raphael.
— Ei! Por que você está arrastando meu pai para isso? — Leo protestou.
— Porque o Tio Raphael não é meu pai — Caron retrucou.
Fayle observou-os brincar com um sorriso.
Espero que nada de ruim aconteça com Caron, ele esperava silenciosamente.
Neste mundo em rápida mudança, a única preocupação de Fayle era a segurança de seu filho.
***
Eles logo chegaram ao Castelo Azureocean. Assim que o fizeram, Sabina se desculpou, dizendo que tinha assuntos a tratar. Enquanto isso, Fayle foi convocado por seus irmãos e foi direto para a sala de recepção. Sozinhos, a primeira coisa que Caron e Leo fizeram foi entregar o chefe desertor, Michael, à Ordem dos Cavaleiros Oceanwolf.
— Faremos o interrogatório, garantindo que ele seja mantido mal vivo. Extrairemos cada pedaço de informação que ele tiver, então não se preocupe, Jovem Mestre Caron — um cavaleiro garantiu a Caron.
— Obrigado — Caron respondeu.
Urhan, que também havia sido trazido, se viu na mesma situação. Com as mãos amarradas, ele desesperadamente chamou por Caron: — Jovem Mestre, por favor, me poupe. Eu te contei tudo que sei. Por favor, apenas me deixe viver...
Caron olhou para Urhan com uma expressão entediada e acenou com a mão displicentemente. Ele disse: — Ele é apenas um lacaio comum. Se ele não tem muito a oferecer, sinta-se à vontade para libertá-lo.
— Hmm... Então por que você o trouxe? — um dos cavaleiros perguntou, perplexo.
— Como devo me dirigir a ele... Ah, ele é um informante. Graças à sua cooperação, nossa missão correu bem — Caron explicou.
— Obrigado, Jovem Mestre— Urhan começou, a esperança brilhando em seus olhos.
— Embora ele não tenha sido particularmente útil — Caron interrompeu.
— ... Jovem Mestre? — Urhan estava perplexo.
O cavaleiro, que entendeu aproximadamente o tom brincalhão de Caron, sorriu e assentiu. Ele então disse: — Daremos a ele uma punição leve e o libertaremos.
— Estou pensando em usá-lo como meu servo pessoal. Já que ele é um soldado de elite treinado, ele deve ser bem forte — Caron ponderou.
— Tudo bem, Jovem Mestre — o cavaleiro respondeu.
Caron imaginou que Urhan seria um servo forte. Inicialmente, ele havia pensado em deixar o destino de Urhan para o Barão Belrus. Mas depois que os cativos que haviam sido levados para o acampamento de bandidos imploraram por clemência, ele mudou de ideia.
Urhan provavelmente não era uma pessoa má no fundo. Já que ele era de uma formação militar de elite, Caron pensou que seria bom treiná-lo no Castelo Azureocean, e então enviá-lo para seus pais.
Depois de entregar Michael e Urhan, eles foram para o edifício principal do Castelo Azureocean. A primeira pessoa a cumprimentá-los foi Zerath, que havia sido informado de sua chegada.
— Muito bem. Vocês dois completaram com sucesso sua missão — disse Zerath.
— Eh, não foi uma missão difícil. Certo, Leo? — Caron respondeu.
— Uh, eu acho? — Leo respondeu hesitantemente.
— Claro que foi fácil. Tudo que você fez foi esmagar as cabeças de alguns esqueletos enquanto eu cuidava da parte difícil. Ser o mais novo é ruim, não é, Sir Zerath? — Caron comentou.
Zerath suspirou profundamente e balançou a cabeça. Ele esperava que a conclusão de sua primeira missão os tornasse mais maduros, mas parecia que nada havia mudado nesse aspecto.
— Já que vocês completaram com sucesso sua primeira missão, vocês dois agora são Lobos Azure oficiais da Ordem dos Cavaleiros Oceanwolf — disse Zerath.
Eles ainda tinham provado seu valor. Embora Sabina estivesse lá para protegê-los, conhecendo sua personalidade, ela provavelmente não havia fornecido nenhuma ajuda prática.
— No entanto, sua missão ainda não está completa. Há mais um passo para terminar — Zerath continuou.
— Hein? — Caron e Leo pareceram perplexos.
— Vocês precisam escrever um relatório da missão. Somente após enviar o relatório sua missão será considerada totalmente concluída — Zerath os informou.
Tais relatórios documentavam a missão, avaliavam o que deu errado e forneciam uma chance de aprender com os próprios erros. Era uma tradição dos Lobos Azure que havia continuado por muito tempo.
Caron assentiu alegremente e disse: — Claro que eu estava planejando escrever o relatório. Mas, Sir Zerath, cada um de nós tem que escrever um separadamente?
— Não, mas seria mais fácil se vocês fizessem juntos — Zerath respondeu.
Com um sorriso largo, Caron se virou para Leo e disse: — Ei, Leo, já que eu fiz todo o trabalho duro, que tal você cuidar deste relatório?
— Bem, trabalhar juntos seria mais rápido e melhor— Leo começou.
— Que pena. Eu estava tentando te dar uma grande oportunidade — Caron interrompeu.
Leo olhou para a boca de Caron com desconfiança. Ele se perguntou o que poderia sair daquela boca diabólica em seguida. Ele sabia que era melhor não se deixar influenciar por ela.
— Escute, Leo. Escreva o relatório da sua perspectiva. Detalhe todas as ações heroicas que você tomou. Sir Zerath, o Tio Raphael também verá o relatório, certo? — Caron perguntou.
— Claro. O relatório é revisado — Zerath confirmou.
— Viu, Leo? É uma chance perfeita de impressionar o Tio Raphael — Caron disse.
Leo tentou resistir. Ele sabia que se concordasse com Caron, significaria que ele teria que lidar com a tarefa tediosa sozinho. Apesar disso, no entanto, ele se viu assentindo antes de perguntar: — Eu posso realmente escrever como eu quiser?
— Jovem Mestre Leo, o relatório deve ser factual e objetivo — Zerath o lembrou.
— Exatamente, Sir Zerath. Apenas detalhe objetivamente suas contribuições. O que você diz, Leo? Está te tentando? — Caron perguntou.
Leo fechou os olhos enquanto lutava com a decisão. Ele havia prometido a si mesmo não cair nos truques de Caron novamente. Mas no final, ele cedeu mais uma vez e disse: — ...Tudo bem, eu vou escrever.
A ideia de impressionar seu pai com suas conquistas havia quebrado a resistência de Leo. Caron sorriu contente e deu um tapinha no ombro de Leo, comentando: — Eu estou te fazendo um grande favor aqui. Você me deve, tudo bem?
— Ei, eu que estou escrevendo o relatório para você — Leo retrucou.
— É tudo para o seu bem, confie em mim — Caron disse.
Nesse ponto, era difícil dizer quem era o irmão mais velho e quem era o mais novo. Zerath balançou a cabeça enquanto assistia à fraude se desenrolando diante de seus olhos.
— Se o relatório for exagerado ou incompleto, você terá que reescrevê-lo. Tenha isso em mente — Zerath avisou.
— Você ouviu, Leo. Certifique-se de que esteja bom — Caron disse.
— Ok, Sir Zerath — Leo respondeu.
Zerath olhou para o sol poente e percebeu que eles haviam completado sua missão em apenas um dia. Excluindo o tempo de viagem, isso significava que a missão foi concluída em praticamente nenhum tempo.
— Deve ter sido um dia cansativo. Vão descansar e, por favor, entreguem o relatório até o final da semana — Zerath instruiu.
Mesmo que parecessem bem por fora, Zerath sabia que eles, sem dúvida, estariam exaustos. Talvez eles estivessem animados com o sucesso da missão no momento, mas assim que a animação passasse, o cansaço viria, deixando-os exaustos.
— Quando o Vovô vai chegar? — Caron perguntou a Zerath.
— Ele deve estar aqui em cerca de uma hora — Zerath respondeu.
Uma vez que Halo chegasse, uma reunião seria convocada para decidir o curso de ação futuro para o Castelo Azureocean. Caron se perguntou qual escolha ele faria. Halo era como um gigante, e quando um gigante dava um passo, o mundo inevitavelmente tremia.
Eventos emocionantes estavam por vir. Oportunidades para Caron se tornar uma dor de cabeça para Halo começariam a aparecer aqui e ali. Desse ponto em diante, seria como uma festa. Depois de preparar a mesa com pratos deliciosos, Caron finalmente poderia se entregar e se soltar.
Caron sorriu e deu um tapinha nas costas de Leo, então disse: — Tudo bem, Leo. Certifique-se de escrever o relatório bem. Não escreva apenas sobre você. Você sabe o que eu quero dizer? Estou indo para a sala de treinamento agora.
— A sala de treinamento? Por que você está indo para lá de repente? — Leo perguntou.
— Eu usei muita mana hoje — Caron respondeu.
Com um aceno casual, ele foi em direção ao anexo, deixando Leo para trás.
***
Caron chegou à sala de treinamento. Ele havia forçado seus caminhos de mana enquanto capturava Michael. Em momentos como este, era benéfico gerenciar sua mana adequadamente para se recuperar.
Pelo menos eu posso usar a sala de treinamento sozinho agora, ele pensou com satisfação. Depois que ele alcançou 4 Estrelas nas Artes da Dominação do Oceano, a restrição de exigir a presença de um guardião havia sido suspensa. Esse privilégio também havia sido concedido por Halo a pedido pessoal de Sabina.
Caron respirou fundo e concentrou sua mente.
Whoosh.
Quatro vastos mares ressoaram, criando ondas violentas. O oceano de mana de Caron ainda era selvagem; ondas quebravam incessantemente, prontas para devorar tudo ao seu redor.
Logo, no entanto, o oceano turbulento se moveu de acordo com a vontade de Caron. Ele consertou as cicatrizes em seus caminhos de mana, espalhando a energia uniformemente por todo o seu ser.
As ondas agora me ouvem bem, Caron pensou.
Apesar de seu oceano ser tão selvagem e imprevisível, ele sempre gostou dele. Tinha sido assim desde que ele aprendeu as Artes da Dominação do Oceano. Caron sentia que este oceano se parecia com ele.
Ele estava curioso sobre o que estava no final dele, no entanto. Talvez fosse o reino que Halo havia alcançado. Ele também se perguntou o que estava além disso. Era um anseio por um nível que ele nunca havia alcançado em sua vida anterior e, ao mesmo tempo, era um desejo que ele queria alcançar nesta vida.
Perdido nas profundezas de seu oceano, Caron não percebeu quanto tempo havia passado.
— Ah — Caron suspirou contente enquanto abria lentamente os olhos, sentindo sua mana reabastecida.
— Você terminou — Zerath comentou enquanto estava por perto.
— Sir Zerath? Quanto tempo você está aqui? — Caron perguntou.
— Não muito, talvez uns trinta minutos? Mas você está treinando há duas horas — Zerath respondeu.
Como o capitão da Ordem dos Cavaleiros Oceanwolf, Zerath tinha autoridade para entrar na sala de treinamento.
Caron sorriu fracamente, então perguntou: — Você veio me checar?
Zerath balançou a cabeça firmemente e disse: — De jeito nenhum.
Ele não estava preocupado com Caron, embora estivesse ligeiramente preocupado com Leo escrevendo o relatório sozinho em seu quarto.
— Isso é decepcionante. Eu ainda sou uma criança, sabe — Caron disse.
— Crianças normais não se chamam de crianças. Elas estão ansiosas para crescer — Zerath respondeu.
— Eu não entendo por que todas as crianças querem crescer tão rápido. A vida adulta é cheia de responsabilidades. De qualquer forma, o que te traz aqui? O Vovô já deve ter chegado — Caron disse.
Zerath assentiu e disse: — Ele já chegou e está em seu escritório.
— Então a reunião deve estar em andamento — Caron disse.
— Seu avô solicitou sua presença — Zerath acrescentou.
— O Vovô quer me ver? Por quê? — Caron perguntou.
Zerath fez uma pausa e suspirou. Então ele olhou para os olhos brilhantes de Caron e suspirou novamente antes de responder: — Parece que você precisa visitar a capital. Ele explicará os detalhes a você.
O rosto de Caron se iluminou com um sorriso largo. A oportunidade que ele estava esperando havia chegado mais cedo do que ele esperava.
[1] - O hangul é ??, que é literalmente como "salmão" seria escrito. ☜