O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 21

O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 21

Caron entrou no escritório de Halo com Zerath. Lá dentro, Halo e seus três filhos já estavam sentados. Halo, vestido com um luxuoso smoking, observava seu neto entrar.

— Você chegou. Deve estar cansado da missão, mas o chamei aqui porque preciso lhe perguntar algo diretamente — disse Halo.

— Está tudo bem, Vovô. Eu estava apenas verificando meus caminhos de mana na sala de treinamento. Se o senhor me chama, devo vir, mesmo que estivesse dormindo — respondeu Caron.

— Certo, sente-se naquela cadeira à sua frente — disse Halo.

Caron assentiu lentamente e sentou-se na cadeira vazia ao lado de Fayle. Assim que se sentou, sentiu dois pares de olhos o encarando. Eram seus tios. Embora não mostrassem abertamente, ainda olhavam para Caron com desconfiança.

Parece que a vigilância deles só aumentou, pensou Caron. Dado seu progresso notável, era uma resposta natural.

Enquanto Caron se acomodava na cadeira, Halo começou a falar: — Ouvi dizer que você concluiu com sucesso sua primeira missão na Baronia de Belrus e que exigiu uma parte da mina de pedra de mana como compensação. Tenho algumas perguntas para você.

Em vez de elogios, seu tom beirava uma repreensão.

— Você não estava qualificado para negociar em nome da nossa família. Você nem sequer passou pela Cerimônia de Maioridade, então não está em posição de se responsabilizar por nada. Você não estava ciente disso? — continuou Halo.

Halo começou a criticar os erros de Caron, colocando-o sob um escrutínio intenso, quase um interrogatório. O que Caron pensava que seria uma reunião para elogiar suas conquistas acabou sendo mais como um avô repreendendo seu neto.

Então é assim que ele quer jogar, pensou Caron, escondendo um sorriso e expirando suavemente. Ele então respondeu em voz baixa: — Não, meu Senhor. Eu estava ciente.

Caron escolheu cuidadosamente suas palavras, dirigindo-se a Halo corretamente como o chefe da família, em vez de como seu avô, reconhecendo a natureza formal desta repreensão.

— Eu não tinha intenção de negociar em nome da família Leston — continuou ele calmamente.

— Nunca lhe ocorreu que sua atitude insolente foi desrespeitosa com o Barão Belrus e seu filho? Você desgraçou nossa família — disse Halo em um tom afiado e direto.

Ao ouvir a crítica direta de Halo, as expressões dos tios de Caron se iluminaram, enquanto o rosto de Fayle escureceu.

— Responda-me. O que você estava pensando quando agiu tão rudemente? — continuou Halo asperamente. A pressão que ele exalava continuava a aumentar, e o tom furioso de Halo fazia parecer que ele estava prestes a devorar Caron.

Uma criança normal teria sido subjugada por uma presença tão forte, mas Caron não tinha medo de Halo. Não era porque Caron tinha sido amigo de Halo em uma vida passada, mas porque ele acreditava que tinha agido corretamente.

— Como membro de uma família nobre, é preciso sempre observar a etiqueta entre nobres. A etiqueta é a base de tudo. Se você nem sequer consegue defender isso, é inútil — continuou Halo.

— Este assunto não tinha nada a ver com etiqueta. Eu meramente propus um acordo ao jovem Barão de Belrus. Foi inteiramente escolha dele aceitar, e não houve coerção alguma. Além disso... eu acreditava que havia algo muito mais importante do que a etiqueta — respondeu Caron firmemente.

Caron rebateu as acusações de Halo de forma lógica e metódica. Recuar em tal situação seria exatamente o que Halo desprezava. A melhor abordagem aqui seria uma direta.

— Algo muito mais importante? O que poderia ser mais importante do que o princípio mais básico? — perguntou Halo. Claramente, este era o cerne de seu interrogatório.

Caron assentiu lentamente e respondeu em voz baixa: — Foi pela glória da nossa família.

Sua resposta foi direta, dada sem hesitação.

Halo ponderou as palavras de Caron enquanto observava silenciosamente o rosto de seu neto. A glória da família. Era uma frase curta, mas, neste contexto, nenhuma resposta poderia ter sido mais adequada.

Uma resposta perfeita, pensou ele.

Todos os presentes entendiam o valor do acordo que Caron havia garantido. O questionamento de Halo tinha sido meramente para descobrir as motivações de Caron por trás da proposta.

Caron sabia exatamente como fazer suas conquistas brilharem. Se ele tivesse se exibido nesta reunião, teria sido severamente repreendido. Este não era um lugar para se gabar; era uma reunião realizada pelo chefe da família, destinada a relatar missões. Portanto, sua resposta foi perfeita. Ele apresentou sua justificativa enquanto sutilmente destacava suas realizações.

Era difícil acreditar que tal diplomacia estava vindo de um garoto de treze anos.

— Muito bem — disse Halo finalmente, quebrando o silêncio. — No final, sua proposta será altamente benéfica. Fayle, você cuidará das negociações, já que foi uma conquista do seu filho. Não seria má ideia para um pai brilhar junto com as conquistas do filho — continuou Halo.

— Sim, meu Senhor. Assim que o sol nascer, reunirei uma equipe de negociação e partirei para a Baronia de Belrus — respondeu Fayle, aliviado que seu filho não tivesse sido severamente repreendido.

Com a questão da Baronia de Belrus concluída, Halo passou para o próximo item da agenda. Era a razão pela qual ele havia chamado Caron aqui a esta hora tardia. Halo pegou um documento de uma impressora mágica e entregou a Caron. O documento trazia o selo do leão branco da família imperial.

'O filho mais novo da Família Ducal de Leston salvou heroicamente a Baronia de Belrus em seu momento de necessidade. Assim, Sua Majestade convida este novo herói para a capital.'

Em resumo, era uma convocação pessoal do imperador.

— Sua Majestade o convocou. Parece que seus feitos chegaram à capital — disse Halo.

— O senhor recebeu isso no caminho de volta, meu Senhor? — perguntou Caron.

— A carta chegou há apenas uma hora — respondeu Halo.

Caron se perguntou se o imperador tinha um informante na Baronia de Belrus.

Não, o imperador é praticamente um espantalho agora, pensou ele.

Era mais provável que o informante de um nobre poderoso tivesse relatado ao palácio imperial. Apesar de ser uma figura decorativa, no entanto, a ordem do imperador ainda era a ordem do imperador. Desafiá-la significaria perder a legitimidade, algo que Halo conhecia bem.

E, no entanto, Halo se virou para Caron e disse: — Se você não quiser ir, não precisa.

Havia muitas razões para evitar se envolver em uma situação tão complexa. Pelo menos, era o que Halo pensava. Seu neto diante dele era uma figura promissora que provavelmente lideraria sua geração. Caron havia mostrado seu potencial em sua primeira missão, mas Halo não queria empurrá-lo para tal vórtice ainda.

Mas Caron sentia diferente.

— Se Sua Majestade me convocou, devo ir. Além disso, também posso visitar meu outro avô enquanto estiver lá. Mas eu irei sozinho? Leo também fez parte da missão — perguntou Caron.

— Se você for, Leo irá com você. Também designarei os Lobos Azuis para segurança adicional — disse Halo.

— Com meu outro avô lá, isso deve ser mais do que suficiente — respondeu Caron.

— Os parentes... Sim, de fato — ponderou Halo enquanto assentia lentamente. Embora seus parentes não fossem de uma família de artistas marciais, eles tinham extensas conexões em vários círculos, incluindo cavaleiros de alto escalão na capital. O avô materno de Caron também era alguém que adorava seu neto e não ficaria parado se algo acontecesse com ele.

— Então está decidido. Você partirá em três dias — disse Halo.

E assim, a jornada de Caron para a capital foi decidida.

— Você pode sair agora — acrescentou Halo.

Caron se levantou e curvou-se respeitosamente para Halo, então disse: — Vou me retirar, meu Senhor.

— Descanse bem. Você fez um ótimo trabalho — disse Halo, seu tom muito mais suave do que antes. Caron sorriu e saiu do escritório.

Quando Caron saiu, Halo se virou para seus filhos e continuou: — Agora, vamos ao principal problema. Zerath, traga o que está selado na caixa.

— Sim, meu Senhor — respondeu Zerath enquanto recuperava um objeto preto de uma caixa no canto. Parecia um pedaço de pele de alguma criatura.

Zerath começou sua explicação. — Este é um fragmento de pele de um monstro que apareceu na região ocidental do celeiro.

— À primeira vista, parece a pele de um monstro comum. Mas o poder que contém é diferente — disse Halo com um suspiro. Ele continuou: — A mana escura dentro dele é idêntica àquela empunhada pelo Imperador Malevolente.

— ...Meu Senhor, isso significa que... — um de seus filhos começou.

— Existem duas possibilidades. Ou a essência do Imperador Malevolente permaneceu, ou... — Halo parou por um momento enquanto cerrava o punho. Em voz baixa, ele terminou: — Ele ainda está vivo.


Após um longo dia, Caron finalmente retornou ao seu quarto e se deitou na cama com uma toalha enrolada no pescoço. Tinha sido um dia gratificante. Ao contrário de seus dias habituais que eram preenchidos apenas com treinamento, ele se aventurou lá fora e liberou seu potencial. A missão tinha sido bastante recompensadora.

Mesmo que fossem oponentes insignificantes, como minha primeira experiência de combate real, valeu a pena... Devo estar satisfeito com isso por agora, pensou ele.

Era a primeira vez que enfrentava oponentes humanos nesta vida. Se tivesse sido em sua vida anterior, ele nem poderia ter sonhado com tal progresso.

Caron queria ter cruzado espadas com aquele que Sabina havia lidado, mas isso estava além de seu controle. Sabina havia lidado com eles pessoalmente, o que significava que era um oponente que ele não poderia enfrentar.

Ele sabia bem que as batalhas travadas com a vida em risco eram catalisadores para o crescimento, mas não havia necessidade de ele arriscar sua vida dessa forma como seu novo eu.

— Mesmo apenas comer as refeições preparadas para mim pode me ajudar a crescer bem — ponderou Caron.

Por enquanto, ele só precisava trilhar o caminho pavimentado por sua família. Lutar para ultrapassar seus limites era algo que ele pensaria uma vez que realmente atingisse esses limites. Até agora, ele ainda não havia sentido isso.

— Ugh, pensar nisso me deixa irritado — murmurou Caron.

O pensamento de que Halo teria crescido dessa forma o irritava. Ao contrário de Caron, que havia sobrevivido a dias infernais, Halo provavelmente havia trilhado um caminho repleto de flores. Isso só deixou Caron mais determinado a desfrutar dos luxos que lhe eram dados ao máximo.

Ele pensou consigo mesmo que definitivamente saquearia os cofres dos Leston...

Boom!

— Por que você está tão irritado? — uma voz chamou.

— ...Lady Sabina? — exclamou Caron.

Enquanto Caron estava deitado na cama, perdido em pensamentos, a porta se abriu com tanta força que quase se estilhaçou. Quando ele se virou para olhar, viu Sabina parada ali segurando uma garrafa de licor.

— Você foi repreendido durante a reunião? Todo mundo cresce assim. Eu cresci, e meu irmão também. Éramos repreendidos todos os dias — disse Sabina.

— O que a traz aqui a esta hora? — perguntou Caron a Sabina.

— Estou partindo do Castelo Azureocean amanhã de manhã, então pensei em tomar um drinque com meus discípulos antes de ir — respondeu Sabina. Então, ela sacudiu levemente a garrafa e puxou Leo para frente de trás dela. Leo, que parecia ter sido arrastado para fora da cama, acenou fracamente para Caron com o cabelo despenteado.

— ...Boa noite — disse Leo.

— Leo, sua cara não está me dizendo que é uma boa noite — respondeu Caron.

— Crianças costumam criar laços bebendo em segredo. Foi assim que meu irmão e eu fortalecemos nosso vínculo — disse Sabina.

Caron riu enquanto olhava para a garrafa que Sabina havia trazido, porque parecia familiar.

Era definitivamente a garrafa de Luanoir, de dezessete anos, que pertencia a Zerath.

— Parece o licor de Sir Zerath — comentou Caron.

— Entrei no quarto dele e peguei enquanto ele estava fora — disse Sabina com nonchalância.

— Mas Sir Zerath está em uma reunião agora — apontou Caron.

— A culpa é dele por não trancar direito — retrucou Sabina.

— Ultimamente, Sir Zerath tem sido bom em trancar suas portas.

— Mas não as janelas.

— Oh, essa é uma informação útil. Obrigado, Lady Sabina. Por favor, sente-se aqui — disse Caron enquanto gesticulava para a cadeira.

Ouvindo silenciosamente a conversa deles, Leo sentiu uma sensação familiar de tontura. No entanto, era uma sensação à qual ele havia se acostumado. Talvez ele estivesse se adaptando sem perceber por estar perto deles por tanto tempo.

Os três se sentaram na pequena mesa no quarto de Caron. Em vez de copos de shot, no entanto, vários copos de água estavam na mesa.

Quando Sabina os viu, ela franziu a testa ligeiramente e perguntou: — Não há copos de shot?

— Bem, é um quarto para um garoto de treze anos. Ter copos de shot seria estranho, não acha? — respondeu Caron.

— Hmm, faz sentido — admitiu Sabina. Ela distribuiu os copos, sorrindo enquanto despejava licor em cada um. Ela disse: — Um copo é um copo, seja para água ou para licor.

— Isso é verdade — concordou Caron.

— Pensando bem, vocês dois são iguais. Independentemente de quem vocês sejam, vocês ainda são meus amados sobrinhos-netos — disse Sabina. Ela sorriu com satisfação enquanto olhava para frente e para trás para seus amados sobrinhos-netos, que também eram seus discípulos.

Nos últimos três anos, ela havia se apegado muito a eles. No passado, ela nunca havia se arrependido de deixar o Castelo Azureocean, mas desta vez, ela não pôde deixar de sentir uma pontada de tristeza. O pensamento de não poder testemunhar seu crescimento era o que mais a entristecia.

— Caron, você tem roubado bebidas com frequência o suficiente, então não é surpresa... Mas Leo, você já bebeu antes? — perguntou Sabina.

— Algumas vezes... Quando Caron trouxe alguns — admitiu Leo.

— Ele não teria feito isso por pura boa vontade. Esse malandro provavelmente fez isso só para torná-lo um cúmplice — disse Sabina.

— Levar uma surra juntos é melhor do que levar sozinho — respondeu Caron.

— Haha! Claro! — Sabina riu alto e serviu-se uma bebida também. Então ela levantou seu copo ligeiramente e disse: — Ao sucesso dos meus discípulos em sua primeira missão — Sabina brindou.

O som de copos tilintando ressoou na sala. Caron sorriu enquanto tomava seu uísque. Ele sentiu o líquido suave, mas ardente, deslizar por sua garganta.

Sabina, que havia cuidado dele e fornecido apoio sem fim nos últimos três anos, era mais do que apenas uma tia-avó.

Minha primeira mentora, pensou Caron. Mesmo que ele levasse em conta sua vida passada, ela era sua primeira mentora. Graças à ajuda dela, ele foi capaz de lançar facilmente as bases para as Artes de Domínio do Oceano. Separar-se dela seria decepcionante, mas ela tinha seus próprios deveres a cumprir, e Caron sentia que já havia recebido mais do que o suficiente dela.

— Lady Sabina — Caron chamou de repente.

— Sim? — respondeu Sabina.

— Leo e eu estamos indo para a capital em três dias. O imperador nos convocou — disse Caron.

Os olhos de Leo se arregalaram em surpresa, mas Sabina apenas riu enquanto dava um tapinha nas costas de Caron.

— A capital vai ficar animada. É uma pena que eu não poderei ver isso pessoalmente. A capital imperial, Decus, é um lugar bastante fascinante. É cheio de pessoas, e muitas delas são indivíduos fortes. Será uma ótima experiência para vocês dois — disse Sabina.

— H-Havia tantos lugares que eu queria ir quando visitei Decus! A capital... Vou conhecer o imperador na capital! E há festas! Poderemos comparecer às festas também, certo, Caron? — exclamou Leo.

Leo era de fato alguém que não conseguia lidar bem com álcool. Além disso, fiel à sua idade como uma criança no meio da puberdade, ele já havia começado a pensar em festas.

Quando Caron pensou sobre isso, além de servos, ele não tinha visto Leo com nenhuma garota da idade dele.

Eu posso tê-lo visto corando para cavaleiras, pensou Caron. Mas, claro, Leo ainda as veria apenas como companheiras cavaleiras. Por outro lado, já que ele não tinha interagido muito com as garotas nobres, era compreensível que Leo tivesse fantasias sobre elas.

Caron tomou outro gole de sua bebida. Um sorriso amargo se formou enquanto ele recordava memórias de sua vida passada. Ele se lembrou dos olhares de desdém dos nobres que olhavam para ele, alguém que havia nascido como um escravo, com total desprezo. Esta vida, no entanto, era diferente. Agora, ele era o estimado neto mais novo de um grão-duque.

— Smoking... Eu deveria fazer as malas de um smoking — murmurou Leo.

— Leo — Sabina interrompeu.

— Sim! — respondeu Leo.

— Se você planeja comparecer a alguma festa, é melhor você ir sozinho — disse Sabina.

— O quê? Por que você diria isso... Oh — disse Leo enquanto percebia o que ela queria dizer. Ele olhou para Caron bebendo. A aparência marcante de Caron, talentos deslumbrantes e eloquência eram propensos a roubar toda a atenção em qualquer reunião.

— Leo — disse Sabina suavemente.

— ...Sim — respondeu Leo.

— Apenas cale a boca e beba. Seu copo ainda não está vazio, está? — continuou Sabina.

— Não, não está... — murmurou Leo.

E assim, a mentora e seus discípulos beberam profundamente na noite.

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