O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 137

O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 137. Um Lobo Deve Ser Solitário

Os rumores se espalharam como fogo em palha. Antes que um único dia se passasse, todos no Castelo Azureocean sabiam das travessuras que Caron e o resto dos netos de Halo haviam aprontado.

Na manhã seguinte, os netos de Halo se reuniram no pátio interno do Castelo Azureocean, repreendendo Caron duramente. No entanto, o garoto em questão estava de lado, coçando casualmente a orelha.

— ...Seu pirralho covarde — murmurou Leo.

— Como você pôde simplesmente se safar da confusão sozinho? Sério, Caron, juro que nunca mais vou te ouvir — rosnou Leon, encarando seu primo mais novo.

— A culpa é minha — disse Hugo com um suspiro. — Eu deveria tê-lo impedido. Eu não o fiz.

— Isso mesmo! — retrucou Leon. — Você deveria tê-lo impedido antes que ele nos arrastasse para isso.

Caron olhou para Leon, então interveio: — Ei, pelo menos o acordo de casamento para você está pausado, certo? Você deveria estar me agradecendo. É por isso que qualquer um com cabelo escuro—

— Somos todos loiros, seu idiota — interrompeu Leon bruscamente.

— De qualquer forma, acolher aqueles animais de cabelo dourado não é nada além de problemas — disse Caron.

— ...Inacreditável — gemeu Leo, encarando seu primo mais novo com uma carranca. — Como você pôde fazer uma bagunça tão grande e então simplesmente... escapar dela como se nada tivesse acontecido?

Eles tinham todos os motivos para estarem chateados. O Conselho de Anciãos havia passado uma punição formal, e não era leve.

"Por perturbar a ordem da família, o Conselho de Anciãos decreta que Hugo Leston, Leon Leston e Leo Leston devem ser colocados em regime de liberdade condicional domiciliar por três meses. Durante este período, todas as missões são suspensas, e nenhum pode deixar o Castelo Azureocean sem a permissão explícita do chefe da casa. Além disso, eles são obrigados a comparecer às aulas diárias de etiqueta nas câmaras do conselho."

Como esperado, eles não estavam livres de punição. Hugo e os outros aceitaram essa parte da punição porque haviam cruzado uma linha, afinal.

Mas o que realmente os irritou foi a exceção que se seguiu.

"Apesar da severidade das ações de Caron Leston, sua punição é adiada devido a um pedido urgente da regente élfica."

O instigador por trás do caos havia escapado pelas frestas, convenientemente protegido por uma tarefa que só ele poderia realizar. Era impossível não ficar com raiva.

— Bem, o que posso fazer? — disse Caron com um encolher de ombros exagerado. — A própria regente disse que eu era indispensável. Confiem em mim, eu preferiria muito mais vadiar pelo Castelo Azureocean como o resto de vocês.

— ...Quer que eu te faça descansar para sempre? — perguntou Leon com um olhar venenoso. — Leo, segure seus braços.

— Entendido — respondeu Leo, caminhando em direção a Caron.

— Apenas um soco — murmurou Leon. — É tudo o que estou pedindo.

Aquele caçula era totalmente exasperante.

Leon soltou um suspiro profundo ao olhar para Caron. Então, ela logo sorriu levemente e disse: — Obrigado, Caron.

Caron se virou para ela surpreso e perguntou: — Leon, por que você está assim de repente?

— Se eu digo que sou grata, então sou — respondeu Leon com uma pequena risada.

Ela passou a vida inteira seguindo obedientemente todas as ordens de seu pai. Se não fosse por Caron, ela poderia ter cedido mais uma vez, aceitando a vontade de seu pai.

— Leon — disse Caron, exibindo um sorriso fácil. — Isso foi tudo você.

— O quê? — perguntou Leon, confusa. — Você é quem—

— Quem bateu na porta do escritório do Tio Dales? — Caron interrompeu suavemente. — Quem se manifestou primeiro? Claro que isso é algo que você fez. Eu apenas me sentei e dei comentários. Isso é tudo.

A emoção tocante foi destruída em um instante. Leon soltou um suspiro profundo, desinflando sob o tom brincalhão de Caron.

— Honestamente, Leon, você e Leo poderiam usar este tempo para absorver totalmente tudo o que aprenderam com a última missão — disse Caron com um sorriso malicioso. — Há muito para vocês fazerem durante esta pausa de três meses.

Ambos, sem dúvida, ganharam lições valiosas. Sua batalha contra o Fragmento da Carnificina, o encontro com Kerra e até mesmo testemunhar a lança da Rainha Pirata em primeira mão... Cada um desses eventos foi uma experiência valiosa.

— Tirar um momento para descansar também é necessário — acrescentou Caron com um encolher de ombros.

Ele não tinha dúvidas de que eles ficariam mais fortes em um ritmo surpreendente durante sua liberdade condicional. O Castelo Azureocean, afinal, era o lugar perfeito para aprimorar suas habilidades.

— E o mesmo vale para você, Hugo — disse Caron, virando-se para se dirigir ao mais velho do grupo. — Estabilizar seu núcleo de mana com o Orvalho da Árvore do Mundo foi um feito incrível, mas assimilar totalmente seus efeitos levará tempo.

— Você está certo — respondeu Hugo.

— Hugo — começou Caron novamente, seu tom incomumente sincero. — Posso lhe pedir um favor?

— Claro — respondeu Hugo com um aceno de cabeça.

— Enquanto eu estiver longe do Castelo Azureocean, você poderia ficar de olho em Leon e Leo? Não apenas com seu treinamento, mas de outras maneiras também — pediu Caron.

Como eles se levantaram contra os principais poderes da família, inevitavelmente haveria muitos desafios que os levariam ao limite.

— Meu pai, sem dúvida, nos apoiará, mas estou preocupado que possa ser demais para ele lidar sozinho — explicou Caron.

Este incidente, em que a geração mais jovem desafiou abertamente seus anciãos, deixaria ondulações duradouras. A atmosfera no Castelo Azureocean estava fadada a mudar, e Caron sabia que alguém tinha que proteger Leon e Leo enquanto ele estivesse fora. Foi por isso que ele trouxe Hugo para a jogada.

Felizmente, Hugo parecia totalmente ciente do que precisava ser feito, garantindo-lhe: — Você não precisa se preocupar com isso, Caron.

— Isso é reconfortante — respondeu Caron com um sorriso.

— Quando você está planejando deixar o Castelo Azureocean? — perguntou Hugo.

— Em duas semanas — respondeu Caron, encolhendo os ombros. — Ainda há mais uma coisa que eu preciso aprender.

Caron tinha que aprender a Forma 7 das Artes da Espada do Lobo do Oceano: Névoa do Mar. Ele pretendia dominá-la antes de sua partida. Era uma técnica notoriamente difícil, condizente com sua posição como a sétima forma, mas para ele, dificilmente era um obstáculo.

Afinal, é uma técnica que enfrentei tantas vezes em minha vida anterior que enjoei, pensou Caron.

Névoa do Mar era um dos movimentos característicos de Halo, incorporando a força esmagadora característica das Artes da Espada do Lobo do Oceano. Era também a técnica que Caron havia encontrado com mais frequência em sua vida anterior. Assim, dominar a forma não era sua preocupação.

A verdadeira questão é como vou integrá-la ao meu próprio estilo, pensou Caron.

Tendo resolvido esse debate interno, ele se virou para seus primos e disse: — Em qualquer caso, não pensem que podem relaxar só porque eu não vou estar por perto. Entendido?

— ...Que preocupação inútil — murmurou Leon.

— Ah, o que devo fazer quando eu sair? — Caron se perguntou, seu sorriso se alargando. — A primeira coisa que vou fazer quando sair é comer uma comida incrível. Vocês três estarão presos aqui, então vou me certificar de aproveitar o suficiente para todos vocês. Se houver algo que vocês queiram fazer, me avisem. Eu farei por vocês.

Com isso, os outros três cerraram os punhos em frustração silenciosa. Se havia uma coisa em que Caron se destacava, era em irritar as pessoas.


O tempo no Castelo Azureocean passou rapidamente.

Caron aprendeu a Forma 7 das Artes da Espada do Lobo do Oceano: Névoa do Mar com Zerath e dedicou suas horas restantes ao treinamento de mana. Sempre que encontrava um pouco de espaço para diversão e não estava treinando, ele frequentemente visitava a Ordem dos Cavaleiros do Lobo do Oceano, fornecendo lições improvisadas para os novatos. Então, antes que percebesse, duas semanas se passaram voando.

Durante este período agitado para Caron, Fayle o convocou ao seu escritório.

Toc toc.

— Entre — disse Fayle.

— Você me chamou, Pai? — Caron chamou com um sorriso ao entrar.

Dois convidados já estavam sentados no escritório. Eram Utula e Orion, que Caron havia trazido para o Castelo Azureocean.

Fayle cumprimentou seu filho com um sorriso caloroso e disse: — Sente-se.

— Sim, Pai — respondeu Caron, acomodando-se em uma cadeira.

Fayle, sem dúvida, tinha sido o indivíduo mais ocupado no Castelo Azureocean ultimamente. Sua carga de trabalho já imensa tinha sido agravada pela responsabilidade de fomentar as relações com os elfos, mas seu rosto irradiava vitalidade.

— Pai, você parece estar rejuvenescendo — comentou Caron.

— Isso é tudo graças a você — respondeu Fayle. — Mas Caron, eu não sou tão velho a ponto de precisar falar de rejuvenescimento ainda.

— Como seu filho, eu me sinto incrivelmente orgulhoso — gracejou Caron.

Ele havia dado a seus pais um frasco diluído do Orvalho da Árvore do Mundo—um elixir raro que era tanto uma cura milagrosa quanto um excelente tônico. Até mesmo humanos comuns sem mana podiam sentir seus efeitos notáveis.

— Devo começar a esperar por um irmão mais novo, então? — Caron provocou.

— ...Ahem. Eu não sei do que você está falando — murmurou Fayle, evitando seu olhar.

— Eu preferiria uma irmãzinha, pessoalmente — disse Caron com um sorriso.

— Há algo que você não diria na frente de convidados? — Fayle resmungou.

— Convidados? — Caron se virou para Utula e Orion, colocando um braço sobre cada um de seus ombros. — Estes são camaradas que compartilharam vida e morte comigo. Não é verdade?

Utula soltou uma gargalhada sincera, batendo no peito, e disse: — De fato, Caron! Suas palavras são a verdade!

Orion, no entanto, suspirou e balançou a cabeça. Ele murmurou: — Eu preferiria ser excluído.

— Então — disse Caron, ainda segurando seus camaradas perto, — presumo que haja uma razão para nos chamar juntos tão cedo pela manhã?

Fayle riu suavemente das travessuras de seu filho e assentiu. Ele respondeu: — Nossos convidados expressaram sua intenção de voltar para casa.

— Já? — perguntou Caron, franzindo a testa.

— Caron — continuou Fayle, — Você sabia que Utula é o próximo chefe da Tribo do Machado Negro?

Caron congelou, então perguntou: — ...O próximo chefe?

— Isso mesmo. Ontem de manhã, uma carta chegou de sua tribo. Aqui, dê uma olhada — disse Fayle, entregando a Caron um pedaço de pergaminho.

Em letras grandes e em negrito, a carta dizia:

"Chefe. Gravemente doente. Próximo chefe. Utula. Retorno. Pedido."

A franqueza era um reflexo perfeito do caráter da raça gigante.

Caron olhou para Utula, que bateu no peito novamente e perguntou: — Por que você está olhando para mim assim, Caron?

— ...Você é o próximo chefe? — perguntou Caron.

— Sim! Antes de ascender ao cargo, eu procurei experimentar o mundo em primeira mão! — respondeu Utula.

— Por que você não me disse isso antes? — perguntou Caron.

— Você nunca perguntou! — declarou Utula.

Caron beliscou a ponte do nariz e suspirou, então disse: — Se você é uma figura de liderança, você deveria ter mencionado isso antes.

— Títulos não significam nada! O que importa é o vínculo entre guerreiros! — respondeu Utula, sua voz trovejando com convicção.

— Ha... — Caron suspirou.

Foi uma resposta tão direta, o tipo exato que Utula diria, então Caron nem conseguiu apontar nada para criticar.

Fayle observou a cena com um sorriso divertido. Ele perguntou: — Caron, você sabe muito sobre a Tribo do Machado Negro?

— Não, não muito — admitiu Caron.

— Eles são um dos três melhores entre as doze grandes tribos dos gigantes. Em outras palavras, Utula está prestes a se tornar o líder de uma grande tribo — explicou Fayle.

Caron se virou para Utula, seu rosto uma mistura de descrença e resignação. Ele perguntou: — E ainda assim você acabou capturado e escravizado em Reben?

— Eu perdi porque estava em falta. A responsabilidade era minha para suportar — disse Utula. — É uma pena, Caron—eu queria continuar viajando com você. Mas parece que devo retornar.

Caron pensou que, mesmo considerando que Utula era da raça gigante, ele lutou bem. Se todos os gigantes no mundo pudessem lutar assim contra o Rei Demônio da Carnificina, eles teriam governado o mundo.

— Não se preocupe, porém — acrescentou Utula com um sorriso. — Assim que eu me tornar chefe, eu declararei formalmente uma aliança com a Família Ducal de Leston!

— Você não precisa ser tão— — Caron começou, mas foi interrompido.

— Nossa tribo controla muitas minas ricas — interrompeu Utula. — Será benéfico para você também.

Os gigantes viviam em um lugar chamado Montanha Rubar, localizado a oeste do Reino de Zion.

A Montanha Rubar não era apenas uma das montanhas mais famosas do continente, mas também era imponente e vasta. Era conhecida por seus minerais de alta qualidade, mas devido às guerras entre os reinos do sul, ela estava isolada do resto do continente por um longo tempo.

— Caron, eu trabalharei com você para tornar nossa tribo próspera. Como os elfos, nós permaneceremos juntos — disse Utula.

— Estamos planejando estabelecer uma rede de distribuição através do porto do Reino de Zion depois de negociar com eles. Caron, graças aos amigos que você trouxe, nós seremos capazes de ganhar ainda mais — disse Fayle enquanto olhava para Caron com olhos calorosos.

Ele é uma criança abençoada com bons relacionamentos, pensou Fayle.

O fato de que pessoas tão nobres poderiam se reunir assim só poderia ser chamado de uma bênção. Fayle sabia que mesmo no futuro, seu filho conheceria muito mais pessoas. E algum dia, eles se tornariam outra força que protegeria Caron.

— Ah, Caron — disse Fayle de repente, recuperando outra carta. — Há também um pedido que chegou para você. Eu adiei responder por agora, já que você provavelmente tem seus próprios planos. Seria melhor para você decidir diretamente.

Fayle entregou a Caron uma carta com um selo de águia. Havia apenas uma organização no império que usava o selo de águia: Era a Academia Imperial, que estava localizada na capital.

Enquanto Caron recebia a carta, ele perguntou: — Você não está planejando me matricular na Academia, está?

Fayle rapidamente balançou a cabeça e disse: — Não há como eu fazer isso. A Academia não fez nada de ruim.

— ...Você me faz soar como um desastre ambulante — murmurou Caron.

— Ahem... O clima está bom — disse Fayle, não refutando seu filho.

Caron olhou brevemente para seu pai antes de verificar o conteúdo da carta. O remetente era seu tutor de infância, Professor Ulysses.

"Caro Mestre Caron, espero que esta carta o encontre bem. A razão pela qual estou escrevendo é para estender um convite em nome da Academia Imperial. Você salvou as pessoas do cruel Marquês da Fronteira, e também ganhou o reconhecimento da Rainha Pirata..."

Lendo a carta, Caron se viu sorrindo. Ele comentou: — Um convite para uma palestra na Academia? Que divertido.

Fayle tomou um gole de seu chá, então disse calmamente: — O convite da Academia é uma prova de sua crescente fama. Eu sei muito bem que você deve cumprir o pedido dos elfos. Então, vamos pensar em recusar o pedido, se possível—

Mas Caron interrompeu colocando a carta na mesa, seu sorriso se alargando.

— Eu estava realmente planejando ir para o Sultanato de Pazar primeiro — disse ele. — E para chegar lá, eu teria que passar pela capital de qualquer maneira. As rotas ferroviárias estão dispostas dessa forma, não estão?

Com essas palavras, o rosto de Fayle empalideceu em uma velocidade alarmante. Ele perguntou: — ...Caron, você não gosta de incômodos desnecessários? Não há necessidade real de parar na capital—

— Ah, vamos lá, Pai — interrompeu Caron, balançando a cabeça em falsa exasperação. — A Academia, a própria instituição que molda o futuro desta nação, se esforçou para me estender um convite pessoal. Como eu poderia possivelmente recusar tal honra?

Na verdade, era só porque estava no caminho. Então, ele pensou que seria bom dar uma passada. Além disso, a curiosidade de Caron já havia sido despertada. Ele se perguntou que tipo de progresso os Guardas Imperiais e Amy fizeram nos últimos quatro anos.

— Eu estava debatendo para onde ir primeiro — acrescentou ele com um sorriso astuto. — Graças a isso, eu não preciso mais me preocupar com isso.

Estava claro que Caron não tinha intenção de deixar essa oportunidade escapar. E assim, seu próximo destino foi definido.

O Cão Louco era desnecessariamente diligente.

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