O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 138

O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 138

Os preparativos de Caron para a partida foram concluídos num piscar de olhos. Graças à carta pessoal da regente élfica, praticamente não havia ninguém que pudesse impedi-lo. Afinal, a regente era efetivamente a líder da Grande Floresta do Sul. Quando a governante de uma nação inteira solicitava cooperação por meio de uma carta pessoal, dificilmente haveria uma razão justificável para recusar.

E assim, Caron estava livre.

— Você realmente vai fugir sozinho? — murmurou Leo, estalando a língua.

Eles estavam na estação de trem do Castelo Azureocean. Em frente a eles, havia um trem especialmente preparado para Caron e seus companheiros.

— Vamos ver como as coisas estarão quando você voltar — acrescentou Leo com um sorriso malicioso.

— Antes de eu voltar, é melhor você dominar a sexta forma completamente — disse Caron severamente. — E não relaxe no seu treinamento. Eu vou verificar quando retornar, então esteja preparado. Mesmo de longe, eu vou ficar de olho em você... Entendeu?

Após dar este aviso, Caron voltou sua atenção para a figura que estava hesitante ao seu lado. Era seu mordomo imponente, Urhan — um desertor que ele havia acolhido pessoalmente há muito tempo.

— Urhan — disse Caron. — Você não terá muito o que fazer enquanto eu estiver fora, então gaste algum tempo me reportando cada movimento de Leo, tudo bem?

Urhan imediatamente se endireitou e gritou: — Entendido, Jovem Mestre!

— E certifique-se de cuidar bem dos meus pais — continuou Caron. — Se eu ouvir que eles não estão bem... Bem, você sabe o que isso significa, certo? Consiga os melhores tônicos para eles e certifique-se de que se exercitem regularmente.

Era uma ordem essencialmente pedindo a Urhan para cuidar de três pessoas com atenção focada. Embora Urhan tivesse se acostumado com seus deveres como mordomo, essa demanda o levaria ao limite. Ainda assim, ele não mostrou nenhum sinal de reclamação.

— Farei o meu melhor! — declarou Urhan.

— Bom. Relaxe nem que seja uma vez, e você vai direto para a prisão subterrânea — avisou Caron com um sorriso afiado. — Não se esqueça, não há prazo de prescrição para os seus dias de bandido.

Fayle, que estava observando a cena em silêncio, riu ironicamente e disse: — Caron, Urhan é mais capaz do que você pensa. O próprio Heinrich o recomendou.

— Pai — retrucou Caron, balançando a cabeça. — Ele é um ex-desertor e um bandido. Abaixe a guarda e ele mostrará suas verdadeiras cores. De qualquer forma, se você sentir algo estranho, você sabe o que fazer — é só chamar Sir Zerath e... Você sabe.

— J-Jovem Mestre! — protestou Urhan, quase em lágrimas. — Por favor, não duvide da minha lealdade! Estou pronto para dedicar minha vida a você até meu último suspiro!

Leo suspirou pesadamente e disse: — Você deveria ter ido para a prisão subterrânea, Urhan. Eu cuidaria melhor de você do que Caron jamais cuidará.

— Estou sobrecarregado com sua generosidade, Jovem Mestre Leo! — exclamou Urhan, curvando-se dramaticamente.

— Vocês dois são uma combinação perfeita — provocou Caron.

— Não me insulte — murmurou Leo.

Caron se virou para os outros e continuou: — Leon, não se esqueça de continuar trabalhando para alcançar 7 estrelas. E Hugo... Bem, faça o que quiser.

A despedida estava longe de ser silenciosa. Além dos pais de Caron e de Leo, havia uma multidão considerável na estação. Começando com Hugo, Leon e o Terceiro Ancião Ulrich, havia Sir Zerath e até mesmo vários cavaleiros da Ordem dos Cavaleiros Lobo do Oceano. Ao contrário da partida silenciosa anterior de Caron do Castelo Azureocean, esta despedida foi nada menos que estrondosa.

— Jovem Mestre Caron — chamou Sir Zerath, dando um passo à frente para lhe entregar um orbe de cristal. — Este é um orbe de comunicação projetado para uso de longa distância. Por favor, use-o com moderação, pois a comunicação de longo alcance é inerentemente vulnerável a violações de segurança.

— Obrigado — respondeu Caron, pegando o orbe. — Eu vou passar em Thebe e pedir para Foina aprimorá-lo.

— Sim, isso seria ótimo — concordou Zerath com um aceno de cabeça. — Confio que você se familiarizou com as informações sobre o Sultanato Pajar.

O alvo no Sultanato Pajar era a água de nascente do Oásis de Ali, um deserto maciço no coração da nação. Conhecido como o Deserto da Morte, era um lugar inóspito, tornando esta missão nada fácil. Para complicar as coisas, o Sultanato Pajar era uma nação hostil ao império, aumentando ainda mais a dificuldade.

Mas Caron não estava particularmente preocupado. Ele disse com um ar de calma e confiança: — Terei cuidado e voltarei em segurança.

Afinal, ainda era um lugar habitado por pessoas. Além disso, ele já havia visitado o Sultanato Pajar uma vez, há mais de cinquenta anos. É claro que o mundo havia mudado pelo menos cinco vezes desde então, mas isso não o intimidou.

— Sua reputação provavelmente se espalhou até mesmo para o Sultanato Pajar — aconselhou o Ancião Ulrich com um sorriso gentil. — Faça o seu melhor para manter sua identidade escondida. Os assassinos lá são cruéis — especialmente no deserto.

Apesar das tendências rebeldes passadas de Caron, Ulrich ainda o considerava com carinho. Para o ancião, Caron era uma joia entre seus sobrinhos, que, de outra forma, não se destacavam.

*Melhor do que aqueles vagabundos que não fazem nada além de sugar a família. Este garoto forjou alianças com os elfos e até mesmo com os gigantes — que criança extraordinária*, pensou Ulrich consigo mesmo.

Caron havia continuamente superado as expectativas, e o objetivo de Ulrich, de construir uma Família Ducal de Leston ainda mais forte, parecia alcançável por meio de Caron, que era simplesmente notável.

— Terei isso em mente, Terceiro Ancião — disse Caron, curvando a cabeça respeitosamente.

— Bom — respondeu Ulrich com um aceno de cabeça. — Confio em você. Sempre se cuide.

— Obrigado — disse Caron.

Depois de terminar sua conversa com Ulrich, Caron abraçou seus pais um por um. Ele prometeu: — Voltarei em segurança novamente desta vez.

— Se alguma coisa acontecer, entre em contato conosco imediatamente — disse Fayle firmemente.

— Pelo menos, certifique-se de fazer contato uma vez por mês. Entendido? — acrescentou Sara com um toque de preocupação.

Com isso, suas despedidas chegaram ao fim. Caron embarcou no trem com destino a Thebe, onde seus companheiros Orion e Utula já estavam esperando. Ele trocou breves acenos de reconhecimento com eles antes de se acomodar em seu assento. Olhando pela janela, ele acenou para aqueles que o estavam vendo partir.

— Lá vou eu — murmurou ele.

*Whoosh.*

O motor de mana do trem ganhou vida, enviando um zumbido baixo que reverberava pela estação.

Acima do barulho, Fayle gritou uma última vez: — Caron! Estou te dizendo de novo — você não precisa visitar a Academia! Lembre-se das minhas palavras!

— Desculpe? O que foi que disse, Pai? Você quer que eu definitivamente pare na Academia? Entendi! — respondeu Caron com travessura deliberada.

— Eu disse que você— começou Fayle, mas foi interrompido.

— Prometo corresponder às suas expectativas! Obrigado pelo incentivo, Pai! Vou me certificar de trazer ótimas notícias! — gritou Caron por cima do barulho.

Com isso, o trem soltou um longo apito e começou a se afastar da estação.

Fayle suspirou enquanto observava o trem desaparecer na distância, então disse: — Não posso deixar de me preocupar, querida.

Sua esposa, Sara, gentilmente pegou sua mão e disse: — Ele é um garoto esperto. Ele voltará em segurança, como sempre faz.

Seu filho tinha um talento para causar caos onde quer que fosse, e desta vez não seria diferente. Isso era certo.

Era por isso que Fayle sabia que tinha que trabalhar ainda mais. Ele tinha que se concentrar em transformar as alianças que seu filho havia forjado — com os elfos e gigantes — em realidades tangíveis. Dessa forma, mesmo que Caron causasse problemas, ele teria algo para dizer aos anciões.

— Não estou preocupado com Caron, querida — murmurou Fayle com um sorriso irônico, deixando o resto de seus pensamentos não ditos.

*São as pessoas que têm que lidar com ele que me preocupam*, pensou Fayle.

Ele esperava que as travessuras de Caron permanecessem dentro de limites razoáveis.

O Cão Louco, tendo feito uma breve pausa, havia sido mais uma vez solto no mundo.

***

O trem que partia do Castelo Azureocean fez um progresso constante em direção a Thebe. Como era uma rota direta para a cidade, Caron e seus companheiros chegaram antes do pôr do sol.

— Como esperado, este lugar é magnífico. Os boatos de que é o segundo melhor depois da capital do império são verdadeiros — disse Utula, maravilhada com a paisagem urbana movimentada enquanto desembarcavam na Estação Thebe.

Mesmo sendo quase noite, as ruas fervilhavam de ação. Os comerciantes gritavam para anunciar seus produtos, e a carga era transportada incessantemente, mostrando a energia vibrante da cidade.

— Caron, seu destino não é a capital? Não há necessidade de sair do seu caminho para cuidar de nós — disse Orion, sua voz calma enquanto olhava para Caron debaixo de seu capuz.

No entanto, Caron apenas sorriu e balançou a cabeça, então disse: — Eu precisava me encontrar com Lady Foina de qualquer maneira.

Em sua pressa para retornar ao Castelo Azureocean, Caron havia perdido o recebimento de algo importante de Foina — uma bolsa de espaço dimensional prometida como recompensa por resgatar os escravos capturados em Reben. Com essa bolsa, ele poderia suportar longos períodos no deserto, onde os recursos eram escassos.

Batendo levemente no punho de Guillotine, Caron liderou o grupo para fora da estação.

Mas depois de um momento—

*Boom!*

Fogos de artifício explodiram sobre suas cabeças e, logo, uma bela mulher com cabelos ruivos flamejantes os cumprimentou com um sorriso radiante. Ela disse calorosamente: — Bem-vindos a Thebe, a cidade sem noite.

Com um aceno de mão, ela conjurou colares feitos de flores. Colocando um no pescoço de Caron, ela acrescentou com um sorriso divertido: — Um colar de flores combina perfeitamente com o herói dos elfos. Não concorda, Orion?

A mulher era Foina, a Presidente da Caligo e uma arquimaga do Oitavo Círculo. Sua voz era rica e cativante.

Orion removeu seu capuz e curvou-se respeitosamente, então disse: — Lady Foina, já faz um tempo. Espero que esteja bem.

— Quase vinte anos, não é? — Foina respondeu com uma risada suave. — Parece que você se aproximou de Ifrit durante esse tempo. Você se tornou muito mais forte.

— Tive sorte — disse Orion humildemente.

— E como está a regente? — perguntou Foina.

— Ela está bem. A regente pediu que eu enviasse lembranças a você — respondeu Orion.

Os dois elfos entraram em uma conversa cordial, colocando o papo em dia.

Enquanto isso, Caron removeu o colar de flores de seu pescoço e o colocou em Utula. Ele então voltou sua atenção para um homem idoso que havia aparecido atrás de Foina. Acenando alegremente, Caron o cumprimentou.

— Prefeito Grine! — disse Caron.

— Ah, Sr. Caron! Como tem passado? — perguntou o Prefeito Grine enquanto se aproximava com um sorriso caloroso.

Caron imediatamente pegou uma pequena bolsa de seu casaco e a enfiou na mão de Grine enquanto eles se cumprimentavam. Ele disse com um sorriso: — Lamento não ter lhe dado uma doação da última vez.

— Ha! O que é isso agora? — Grine riu, rapidamente guardando a bolsa.

— Como estão as coisas por aqui? — perguntou Caron.

— Graças a você, tudo está bem — respondeu o prefeito com uma expressão satisfeita.

— Bem, é bom ouvir isso — disse Caron.

A breve troca de gentilezas reforçou sua confiança mútua.

— Está ficando tarde. Você vai passar a noite em Thebe? — perguntou Grine.

— Eu preciso ir para a capital, então estou aqui brevemente para encontrar Lady Foina. Eu vim buscar algo — explicou Caron.

— Que pena. A paisagem noturna da cidade ficou ainda mais bonita com todos os novos edifícios. Eu estava esperando para mostrá-la a você — disse Grine melancolicamente.

— Mas está realmente tudo bem para o prefeito ser visto abertamente com o líder de uma organização subterrânea? — Caron provocou com um sorriso.

— Organização subterrânea? — Grine riu levemente. — Cuidado com suas palavras. Lady Foina é uma presidente de empresa de construção respeitável.

Parecia que a incursão de Caligo no mundo legítimo estava progredindo sem problemas.

*Bem, é claro que deveria estar*, pensou Caron.

Com o apoio total da Família Ducal de Leston e do prefeito, quaisquer obstáculos teriam sido facilmente superados. Thebe, outrora uma cidade independente, havia caído firmemente sob a influência da família Leston após o incidente do roubo de trem há quatro anos.

A família Leston liderou o projeto de desenvolvimento do império no noroeste, e Thebe foi um de seus maiores beneficiários. Todos os produtos que viajam para o noroeste passam por Thebe, tornando-se um centro vital de comércio.

E se o comércio com os elfos começasse, a cidade certamente desfrutaria de uma prosperidade ainda maior.

Depois de encerrar sua conversa leve com o Prefeito Grine, Caron voltou-se para Foina e disse: — Lady Foina.

Foina sorriu calorosamente e deu um pequeno aceno de cabeça, então respondeu: — Sim? O que foi?

— O item que você me prometeu? — perguntou Caron.

— Aqui está — disse Foina. Ela pegou uma bolsa luxuosa e a entregou a Caron como se estivesse esperando por este momento. A bolsa exalava uma aura mágica palpável.

O Prefeito Grine, olhando para a bolsa, pigarreou com uma tosse forçada. Ele comentou: — Hmm, então você está aceitando tributo agora, Sr. Caron? Você é bem ganancioso para alguém da sua idade... não como os jovens de hoje em dia.

— É uma bolsa de espaço dimensional — disse Caron.

— ...Oh, não é tributo, então — murmurou Grine, corrigindo-se rapidamente.

A bolsa, um artefato inestimável criado apenas por arquimagos, era um símbolo de imensa riqueza. Grine engoliu em seco nervosamente enquanto olhava para ela. O custo para produzir tal item poderia facilmente rivalizar com o orçamento anual de um território.

— Isso foi feito com meu próprio dinheiro, então não entenda errado — disse Caron com um sorriso.

Foina encolheu os ombros e começou a explicar: — Ela pode conter cerca da capacidade de quatro vagões grandes, e eu a encantei com todas as conveniências que você possa precisar. Magia anti-decomposição, feitiços de durabilidade semipermanentes e muito mais. A comida não vai estragar dentro dela e você pode ajustar o tamanho da bolsa à vontade.

Tudo o que Caron havia solicitado estava incluído. Ele assentiu em satisfação, prendendo a bolsa com segurança em sua cintura. — Perfeito.

— Eu vou calcular o custo dos materiais e enviar uma fatura depois. Isso funciona para você, certo? — perguntou Foina.

— Claro, pode fazer isso — respondeu Caron com indiferença.

Afinal, era precisamente por isso que ele estava trabalhando tanto para ganhar dinheiro. Embora a bolsa fosse, sem dúvida, cara, sua conveniência incomparável a tornava valiosa a cada moeda.

— Oh, a propósito, eu tenho uma pergunta para você, Lady Foina — acrescentou Caron.

Foina inclinou a cabeça curiosamente e perguntou: — O que é?

— É possível colocar coisas vivas na bolsa de espaço dimensional? Por exemplo... humanos? — perguntou Caron.

Foina congelou por um momento, sem saber como responder.

— Estou genuinamente curioso — disse Caron com um olhar inocente. — Sério, apenas curioso.

A bolsa de espaço dimensional era uma maravilha da magia avançada, uma obra-prima combinando inúmeros feitiços de alto nível. Mas a linha de pensamento peculiar de Caron deixou Foina questionando sua sanidade. Ela se perguntou se era sábio confiar um artefato tão raro a alguém como ele.

*...Eu nem sei mais. Uma promessa é uma promessa*, pensou ela, balançando a cabeça.

— Não tenho certeza sobre isso — respondeu Foina.

— Acho que terei que testar isso algum dia — ponderou Caron em voz alta.

— ...Perdão?

— Eu sou o tipo de pessoa que não consegue ignorar minha curiosidade. Eu vou pegar alguns bandidos da estrada e ver o que acontece — disse Caron com um encolher de ombros casual.

E assim, o momento marcou o início da posse de Caron da bolsa de espaço dimensional — um artefato que mais tarde ganharia o apelido sinistro de "A Câmara da Verdade".

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