
Capítulo 131
O Cão Louco da Propriedade do Duque
Capítulo 131. Estão todos bem?
A cidade fronteiriça de Reben, no sul, havia recuperado sua vitalidade. A prefeitura – antes conhecida como o castelo do lorde – teve seu nome alterado, e um novo prédio de seis andares se erguia orgulhosamente ao lado dela.
— O quê? Quer aprender magia? Então você absolutamente deve! Hahaha! Não se preocupe com nada, garoto. Eu já estava planejando convidar um instrutor de magia em breve! — disse Cobler, o diretor da Agência de Mão de Obra Cobler.
— M-Muito obrigado! — o garoto gaguejou, curvando-se profundamente.
— Me agradecer? Bobagem! Vou garantir que você se torne um grande mago e vendê-lo por um preço alto... Ah, quero dizer...! Apenas se concentre em estudar muito! Entendeu? — disse Cobler.
— Eu não vou te decepcionar! Obrigado, muito obrigado! — exclamou o garoto. Ele saiu correndo, curvando-se o tempo todo.
Observando-o partir, Cobler abriu um sorriso largo e sinistro.
— Este é um trabalho verdadeiramente satisfatório — disse a si mesmo, voltando o olhar para o cofre que havia colocado orgulhosamente em um canto de seu escritório. Acima dele, estava pendurado um certificado de elogio emoldurado, concedido pessoalmente pelo Sexto Príncipe do império, Revelio.
*—Certificado de Elogio 'Por sua significativa contribuição para expor o complô de rebelião orquestrado por Leandro, o Marquês da Fronteira, por meio deste o elogiamos.' —Revelio Carlyen, Sexto Príncipe do Império Orias*
Cada olhar para o certificado enchia Cobler de orgulho. Não era apenas um certificado qualquer; ele ostentava o selo imperial.
Dois meses se passaram desde que Caron Leston removeu o antigo lorde do poder.
— É por isso que é importante apoiar o cavalo certo! — declarou Cobler para si mesmo.
Embora sua vida diária não tivesse mudado muito desde seus dias como um comerciante de escravos, a "embalagem" certamente havia melhorado. A escravidão não existia mais em Reben. O novo papel de Cobler envolvia educar os refugiados que chegavam à cidade e encontrar empregos adequados para eles. Ele havia mudado com sucesso de operar nas sombras para se deleitar na luz.
— Hahahaha! — Cobler riu alegremente, batendo na barriga.
Embora o fluxo de refugiados o mantivesse ocupado, o trabalho era imensamente gratificante. Havia uma satisfação profunda, quase esmagadora, em ver a gratidão lacrimosa daqueles que ele ajudava – e, claro, em ver sua bolsa de moedas ficar mais pesada a cada dia.
— Ah, a vida nunca foi tão boa — refletiu Cobler. — Talvez eu deva contar os ganhos de hoje sozinho...—
Mas, assim que se virou para o cofre, a porta de seu escritório se abriu de repente.
— Chefeeeee!
Um de seus subordinados – um homem careca com tatuagens serpenteando por seus braços – invadiu a sala sem nem mesmo bater.
— Seu idiota! Você tem que me chamar de 'Diretor', não 'Chefe'! E, pelo amor de Deus, aprenda a bater! — Cobler repreendeu, seus lábios tremendo de irritação.
— É-É algo u-urgente! E-Estranhos invadiram! — o homem gaguejou, com os olhos arregalados e em pânico.
— Hein? — Cobler exclamou em descrença.
A segurança de Reben nunca foi tão boa. Os comerciantes de escravos que antes governavam os becos haviam sido completamente erradicados, e cavaleiros enviados pela Família Ducal de Leston patrulhavam diligentemente as ruas.
No entanto, agora, havia invasores do nada, o que parecia inacreditável.
Os lábios de Cobler se contraíram incontrolavelmente enquanto ele gritava: — Explique-se direito, seu idiota!
— ...É exatamente como eu disse, e o que estou dizendo é verdade, eu juro! Um bando de estranhos imundos invadiu e começou a exigir saber onde está o chefe! — gritou o subordinado careca, com o pânico estampado em seu rosto.
A compleição de Cobler ficou mortalmente pálida enquanto ele se perguntava: — Talvez alguém guardando rancor?
Era amplamente conhecido que a Ordem dos Cavaleiros Lobos do Mar estava estacionada em Reben. Os cavaleiros da temível Família Ducal de Leston tinham uma reputação que aterrorizava até os criminosos mais ousados. Para que alguém invadisse imprudentemente uma cidade guardada por tais guerreiros, eles tinham que ter mais do que uma pequena queixa.
— Quem poderia ser? Não me diga... remanescentes da facção do Marquês Leandro? Ou talvez os comerciantes de escravos? — Cobler murmurou, quebrando a cabeça.
Mas, por mais que pensasse sobre isso, não conseguia identificar ninguém com uma vingança contra ele. A facção do Marquês havia sido completamente erradicada, e os comerciantes de escravos foram derrubados por aquele jovem lorde insano que havia feito uma limpeza no próprio dia de sua revolta.
— Chefe, o-o que devemos fazer? O-O que fazemos? — o subordinado gaguejou, visivelmente tremendo.
Cobler deu um tapa nas costas do homem e gritou: — O que mais? Chame os cavaleiros imediatamente! Diga a eles que, se não vierem rapidamente, a vida deste idiota está em risco—
Antes que pudesse terminar, um som explosivo sacudiu o prédio.
*Boom!*
A porta foi arrancada de suas dobradiças, com poeira invadindo o escritório. Momentos depois, cinco figuras passaram pela porta destruída; quatro deles pareciam mendigos, enquanto um estava envolto em um manto esfarrapado. Um dos mendigos era tão alto que quase bateu a cabeça no teto ao entrar.
*Mendigos? O que eles poderiam possivelmente querer aqui?* Cobler pensou, com a mente correndo.
Normalmente, este seria um momento para exigir respostas com justa indignação. Mas Cobler não conseguiu reunir a coragem para falar, porque cada um dos mendigos tinha uma espada pendurada na cintura.
Havia apenas uma coisa a fazer nesta situação.
— Argh! — Cobler gritou, jogando-se no chão. — Eu não sei por que vocês vieram, mas é tudo minha culpa! Estimados espadachins, este humilde Cobler não viveu uma vida virtuosa, mas fiz o meu melhor para evitar prejudicar os outros! Por favor, imploro seu perdão com todo o meu coração—
Ajoelhar-se e se humilhar era um pequeno preço a pagar pela sobrevivência.
Mas, naquele momento, uma voz ecoou em seus ouvidos – uma voz que ele nunca poderia esquecer.
— Ei, o que você está fazendo?
Cobler levantou a cabeça para olhar para a figura que havia falado. Após uma inspeção mais detalhada, o "mendigo" não era um mendigo. O cabelo bagunçado, o rosto sujo – apesar da aparência desgrenhada, Cobler reconheceu o homem imediatamente.
— Argh! Jovem Mestre! Você chegou! — exclamou, sua voz tremendo.
Era Caron Leston, o homem que havia aberto um novo caminho para ele.
Cobler prostrou-se novamente, gritando: — Este humilde Cobler viveu diligentemente, exatamente como você instruiu, Jovem Mestre! É uma alegria vê-lo novamente—
— Chega disso — Caron interrompeu, acenando com a mão de forma dispensativa. — Você conhece alguma pousada decente por perto? Precisamos nos lavar e comer.
— Sim, claro! Há uma hospedagem particular para nossa agência bem ao lado — respondeu Cobler apressadamente.
— Vamos usar isso, então. Temos que pagar? — Caron perguntou.
— Absolutamente não! É grátis – completamente grátis! — Cobler respondeu.
Caron abriu um sorriso quando ouviu que era grátis e disse: — Bom. Você não precisa de educação, então.
— Claro que não! — disse Cobler.
— Voltaremos depois de nos lavar. E seria ótimo se você pudesse preparar uma refeição para nós — disse Caron.
— Vou pedir aos cozinheiros para começarem imediatamente! Tudo estará pronto quando vocês se lavarem e voltarem! — Cobler garantiu.
— Certifique-se de que haja bastante carne — acrescentou Caron.
— Muita carne... Entendido! — Cobler assentiu furiosamente.
O jovem mestre, que havia varrido o escritório como uma tempestade, saiu com seus companheiros. Cobler olhou para a porta que Caron havia quebrado com uma expressão atordoada.
— E-Eles se foram? — sussurrou o subordinado careca enquanto espreitava cautelosamente de seu esconderijo em um canto.
Cobler soltou um suspiro pesado, olhando para a calota craniana brilhante de seu subordinado enquanto dizia: — Ha... É claro que meus subordinados são sempre assim.
— Quem era aquele? — perguntou o homem, sua curiosidade superando seu medo.
Cobler suspirou novamente e respondeu: — Um cão raivoso.
De fato, o cão raivoso havia retornado ao império.
***
Caron e seus companheiros terminaram um banho completo nas acomodações de Cobler e, logo depois, se reuniram para uma refeição.
— Esta é uma obra-prima — disse Leo, sua voz cheia de admiração.
— A carne simplesmente derrete na boca — murmurou Leon sonhadoramente.
— Abençoado seja Tuhoran! — exclamou Utula com fervor.
O grupo devorou os pratos trazidos pelos cozinheiros em um ritmo surpreendente, deixando a equipe de serviço lutando para acompanhar.
Depois de devorar um prato de bife em meros momentos, Caron voltou o olhar para Orion, que estava mastigando frutas casualmente. Levantando uma sobrancelha, ele comentou: — Engraçado como você tem espaço para a sobremesa, considerando que nem comeu sua refeição.
— Mesquinho, não é? Dizem que nem os cães se incomodam durante as refeições — respondeu Orion, impassível.
— Você não é um cão, no entanto — rebateu Caron. — Honestamente, é por isso que não sobra nada nos grandes banquetes. Achei que ficaríamos bem com a ajuda do espírito da água, mas ele nem nos deixou lavar.
— Os espíritos não são nossos servos, Caron. Eles são amigos e companheiros, e merecem ser tratados como tal. Além disso, você não pode forçar um espírito a fazer algo que ele não quer — disse Orion firmemente.
A razão pela qual Caron e seu grupo haviam chegado a Reben tão desgrenhados era porque não havia lugares adequados para tomar banho. As terras desoladas do reino do sul dificilmente eram ideais para uma higiene tranquila.
Confiar no espírito da água havia parecido uma boa ideia, mas o espírito havia se recusado a ajudar, desaparecendo com um bufo de desagrado.
— Os espíritos são seres nobres — acrescentou Orion.
— Nobre ou não, esse só precisa de mais treinamento — resmungou Caron.
— ...O que você disse? — a voz de Orion abaixou.
— Se você o tivesse treinado adequadamente, ele teria ouvido. Certo, Pluto? — Caron perguntou, olhando para a pequena criatura brincando com uma bola no chão.
— Miau — Pluto respondeu com um ronronar baixo, assentindo em concordância.
— Me avise se precisar de ajuda. Pluto pode cuidar do treinamento para você — disse Caron presunçosamente.
— Se tivéssemos ido direto para Reben em vez de enrolar, não teria demorado tanto. Tudo isso é porque você está correndo por aí como um cão raivoso, causando problemas — disse Orion, soando exasperado.
O que poderia ter sido uma jornada de apenas duas semanas se estendeu por mais de um mês. Em vez de evitar bandidos e foras da lei, Caron insistiu em esmagá-los em nome do treinamento.
— Bem, não foi em vão, foi, Orion? — Leon entrou na conversa, colocando sua faca com um sorriso irônico. Ela acrescentou sinceramente: — Se nossas dificuldades trazem segurança para os outros, essa é uma causa valiosa.
— Tsk tsk. Você tem uma prima tão bondosa, mas a prima mais nova é uma ameaça. Os humanos são criaturas verdadeiramente desconcertantes — murmurou Orion, balançando a cabeça.
— Você quer um pouco de bife? — Leon ofereceu, ignorando a provocação.
— Eu não diria não — respondeu Orion, espetando uma fatia de bife perfeitamente cortada com seu garfo.
Caron o observou com uma leve carranca.
*“Viajar com ele realmente é uma dor. Dono, você não acha também?”* Guillotine comentou.
*Absolutamente,* Caron respondeu internamente.
Ele não conseguia entender como um elfo podia estar tão perpetuamente descontente. O resmungo constante de Orion ao longo de sua jornada tinha sido nada menos que irritante.
— Escutem todos — Caron começou, falando com seus companheiros enquanto eles estavam ocupados desfrutando de sua refeição. — A partir daqui, vamos pegar a ferrovia para voltar. Mas antes disso, eu estava pensando que poderíamos parar em Thebe por um tempo e nos divertir um pouco—
Antes que pudesse terminar sua sugestão, a porta da hospedagem se abriu de repente.
— Caron! — uma voz autoritária chamou.
Um jovem impressionante com cabelos pretos como azeviche e olhos dourados entrou na sala. Seu olhar se fixou em Caron imediatamente. Sem hesitar, ele avançou e agarrou Caron pela gola.
— Você jogou todas as tarefas irritantes em mim e fugiu, não foi? E olhe para você agora! Todo limpo e brilhante, como se tivesse acabado de sair de um banho!
Era Revelio. Sombras escuras permaneciam sob seus olhos, um sinal claro da carga de trabalho exaustiva que ele estava suportando recentemente.
— Bem, é claro que pareço fresco. Eu acabei de tomar um banho — disse Caron com indiferença.
— ...Você sequer percebe quantas noites tenho trabalhado horas extras? — Revelio perguntou, seu tom afiado.
— Revelio — Caron começou.
— O quê?
— Eu não me importo — Caron respondeu com tanta confiança ousada que Revelio congelou, momentaneamente sem palavras.
*...Certo, é assim que ele é,* Revelio pensou com um suspiro. Não havia como eles terem uma conversa normal. Ele exalou suavemente e olhou para trás de Caron, onde seus companheiros estavam sentados desajeitadamente, inseguros de como reagir.
— Vocês deveriam terminar sua refeição — disse Revelio calorosamente antes de se virar para um deles. — Ah, Leo! Como você tem estado?
— Tenho estado razoavelmente bem — respondeu Leo com um aceno de cabeça educado.
— E esta adorável senhora aqui deve ser... Senhorita Leon Leston, presumo? Prazer em conhecê-la. Eu sou Revelio, o Sexto Príncipe. Você é tão deslumbrante quanto ouvi dizer — Revelio se apresentou.
A mesa de jantar instantaneamente explodiu em uma conversa animada.
— E você, meu amigo gigante – lembro de ter te conhecido uma vez antes. É ótimo te ver novamente — disse Revelio, cumprimentando Utula calorosamente.
Ele então estendeu a mão para Orion, que ainda estava envolto, e disse: — E você deve ser o elfo misterioso. Bem-vindo! Espero que aproveite sua estadia no império. Haha!
— Como você sabia que eu era um elfo, Príncipe Revelio? — perguntou Orion, sua voz calma, mas curiosa.
— Você tem uma aura semelhante à da minha irmã — Revelio explicou com um sorriso.
— Ouvi muito sobre você como irmão jurado de Lady Foina. Meu nome é Orion Windkeeper — Orion se apresentou.
— E eu sou Revelio Carlyen — o príncipe respondeu com um aceno gracioso.
Apesar de apenas mais uma pessoa se juntar ao grupo, a atmosfera havia se tornado excessivamente barulhenta. Ficou claro para Caron que, se ele não interviesse, as coisas só ficariam mais caóticas.
— Diga-me por que você está aqui — disse Caron incisivamente.
Era sempre melhor despachar Revelio rapidamente quando ele estava nesse tipo de humor. Normalmente, Caron não se importaria de brincar, mas a exaustão de suas viagens pesava demais sobre ele.
— Eu vim ver o rosto do meu irmãozinho, é claro — disse Revelio inocentemente.
— E o que é isso em sua mão? — Caron perguntou, acenando para o envelope que Revelio estava segurando.
— Oh, você notou? Eu pensei que você ainda não tinha visto — disse Revelio com uma risada, então entregou a carta a Caron. — Isso é do seu pai. Ele me pediu para entregar quando você chegasse em Reben.
— Pai? Quando ele enviou? — Caron perguntou, pegando o envelope.
— Ontem. Chegou via expresso mágico — Revelio respondeu.
— Então, é urgente — murmurou Caron, sua testa franzindo ligeiramente.
Seu primeiro pensamento foi que algo havia acontecido no Castelo Azureocean. Sem perder tempo, ele rasgou o envelope e puxou a carta. A caligrafia era impecável – inconfundivelmente pertencente a seu pai, Fayle.
A carta dizia: *“Filho, venha direto para o Castelo Azureocean sem se desviar para outro lugar. Há rumores se espalhando rapidamente sobre você, e eu preferiria que você evitasse qualquer envolvimento desnecessário com repórteres ou incidentes desagradáveis. Então, por favor, e eu enfatizo isso, não se desvie do seu caminho – apenas venha diretamente para o castelo.”*
— Pego em flagrante — murmurou Caron. Fayle havia percebido suas intenções de desviar do curso como um falcão.
Caron se perguntou quais eram esses rumores sobre ele. Sua carranca se aprofundou quando ele olhou para Revelio e perguntou: — Você sabe alguma coisa sobre esses rumores envolvendo-me?
Revelio assentiu e disse: — Há muitos.
— Dê-me alguns exemplos — disse Caron, sua voz tensa.
Revelio obedeceu, listando alguns dos rumores mais prevalentes. Conforme as palavras deixavam sua boca, o rosto de Caron se contorceu em uma mistura de descrença e irritação.
— Você só pode estar brincando comigo... — Caron murmurou em voz baixa.
O que quer que tenha dado errado, deu catastroficamente errado.