O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 91

O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 91. Você Cresceu Muito

— Aaaahhhh! — muitos aldeões gritaram.

— Todos, fujam da vila! Nós daremos conta dos monstros demoníacos… Ugh!

Na região sudoeste do Reino de Keath, a recém-estabelecida vila de Yusla estava sob ataque. Era meio-dia, mas a cena que se desenrolava era nada menos que um massacre.

Boom!

Monstros demoníacos haviam invadido a vila, e sangue espirrava por toda parte enquanto gritos ecoavam de todas as direções.

Kirak, um membro da milícia da vila de Yusla, soltou um grito desesperado ao contemplar a visão horripilante ao seu redor. — Aaaahhh!

Com um estalo repugnante, Kirak abateu seu machado sobre um monstro demoníaco que estava se banqueteando com os restos de seu vizinho. A cabeça da criatura explodiu sob o golpe. Aquele vizinho era Dorothy, a mulher que havia sorrido ao compartilhar seu pão esta manhã. Agora ela jazia sem vida, seus olhos ainda abertos na morte. Sombriamente, Kirak fechou suas pálpebras antes de se levantar para olhar ao redor do caos.

— Por quê?! — Kirak gritou em frustração.

Yusla era um santuário construído por sobreviventes da guerra que haviam se reunido ali, cada um buscando refúgio. O reino havia abandonado essas pessoas, mas elas haviam sobrevivido juntas neste lugar que haviam feito seu. Não era uma vila rica, mas era boa. Por quatro anos, este lugar foi o único consolo que Kirak conheceu.

Ali estavam pessoas que se recusavam a desistir da vida, que haviam suportado dificuldades juntas, agarrando-se à esperança de um futuro melhor. Mas agora, essas pessoas preciosas, pessoas que já haviam passado por tanta coisa, estavam sendo massacradas por monstros demoníacos que haviam vindo sem aviso.

— Seus bastardos! — Kirak bramiu enquanto corria em direção a outro grupo de monstros demoníacos, fúria fervendo em suas veias.

Esses aldeões o acolheram, mesmo ele sendo um desertor. Eles não o julgaram, mesmo depois de tudo. E agora, eles estavam sendo mortos sem sentido. O destino que aguardava essas pessoas era um horror que não deveria ter vindo para aqueles que já haviam sofrido tanto. Kirak amaldiçoou todos os deuses em que conseguia pensar, brandindo seu machado com raiva desenfreada.

Crack!

Ele brandiu seu machado, cada golpe alimentado pela raiva. Ele já havia abandonado a ideia de sair vivo. Em vez disso, pretendia derrubar o máximo de monstros que pudesse, esperando ganhar um pouco mais de tempo para os aldeões escaparem.

Boom!

Uma explosão soou à distância, e Kirak se virou para ver duas figuras abatendo monstros com precisão implacável. Ele os reconheceu como os cavaleiros que haviam chegado à vila na noite anterior. Eles haviam se aproximado educadamente, solicitando abrigo por apenas uma noite. Ele se lembrava claramente de suas palavras:

— Poderíamos ficar aqui apenas por esta noite? Nós, é claro, pagaremos um preço justo.

Kirak sabia que eles não eram cavaleiros de Keath. Cavaleiros do Reino de Keath não falavam com plebeus com tanto respeito. Na verdade, era mais provável que usassem a força para pegar o que queriam, matando qualquer um que resistisse. Para o povo de Keath, os cavaleiros eram piores que ladrões.

Mas esses cavaleiros não haviam mostrado nada dessa crueldade. Ele se lembrou de como eles até ajudaram a cuidar dos doentes da vila. Eles eram nobres e honrados. Eles eram verdadeiramente a imagem do que os cavaleiros deveriam ser.

— Cavaleiros! — Kirak gritou enquanto cortava os monstros e corria em direção aos cavaleiros.

Várias criaturas cravaram seus dentes nele, mas ele os arrancou com os punhos, esmagando suas cabeças enquanto avançava. Ao longe, ele viu os dois cavaleiros, cercados por enxames de monstros. Eles poderiam ter escapado facilmente se quisessem, mas, em vez disso, permaneceram firmes, cortando cada criatura que se aproximava.

— Cavaaaleeeiros! — Kirak gritou novamente, sua voz tensa.

Desta vez, o cavaleiro olhou diretamente para ele, ordenando: — O que você está fazendo? Corra, agora!

— Mas isso não seria certo! — Kirak protestou. Ele não podia abandonar esses estranhos que estavam se sacrificando por pessoas que nunca haviam conhecido.

Mas o cavaleiro brandiu sua espada, cortando o pescoço de outro monstro, e gritou de volta: — O que importa é que pelo menos mais uma pessoa possa viver! Fuja! Quantas vezes tenho que te dizer? Se você tem força para correr aqui, pegue aquele garoto e vá!

— Mas… — Kirak começou.

— Você quer morrer aqui por nada? — o cavaleiro rebateu. — Nós encontraremos uma maneira de sobreviver, mas você precisa correr agora! Quantas vezes tenho que te dizer? Se você tem força para correr aqui, pegue aquele garoto e vá!

O olhar de Kirak caiu sobre um garotinho encolhido contra a parede, agachado em terror diante dos cadáveres de seus pais. Era Comang, filho dos curtidores da vila, os Smiths. Se Kirak deixasse o garoto ali, os monstros definitivamente o despedaçariam.

Kirak rangeu os dentes, então gritou de volta para o cavaleiro: — Pelo menos me diga seu nome!

O cavaleiro deu um sorriso irônico ao responder: — De que serve um nome para os mortos? Por que se incomodar?

— Eu tenho que me lembrar dele, até meu último suspiro. Eu vou me lembrar do seu nome! — Kirak insistiu.

Com uma leve risada, o cavaleiro respondeu: — O nome é Leo. Não posso te dizer meu sobrenome, mas Leo é o suficiente! Agora tire aquele garoto daqui!

Com um aceno de cabeça, Kirak largou seu machado e correu em direção ao garoto. Assim que ele se moveu, no entanto, um monstro avançou sobre ele, mostrando suas presas. Kirak levantou um punho, preparando-se para se defender.

Slice!

Um flash de azul cortou o ar, e o monstro caiu em dois pedaços. Era aura de espada liberada pelo cavaleiro. O sangue da criatura espirrou na pele de Kirak, queimando com dor intensa; mas ele ignorou, pegando o garoto em seus braços.

Sem olhar para trás, Kirak correu em direção aos arredores da vila, seu coração batendo forte enquanto ele contemplava o horror ao seu redor. Corpos estavam espalhados por toda parte, aldeões estavam fugindo e membros da milícia estavam sendo despedaçados enquanto lutavam. Se algum lugar pudesse ser chamado de inferno, seria este.

Kirak correu até chegar a uma colina com vista para a vila. Ele colocou o garoto no chão gentilmente.

— Pai… Mãe… — Comang murmurou entre lágrimas, seu rosto vazio de choque.

Kirak agarrou os ombros do garoto firmemente e disse: — Comang! Acorde!

Os olhos desfocados do garoto encontraram o rosto de Kirak, e ele disse: — Senhor… meus pais…

— Escute-me, Comang. Se você seguir este caminho, você chegará à vila de Laia. Haverá um caçador chamado Jin. Vá até ele, você entendeu? — Kirak instruiu.

Não havia tempo para palavras de consolo, apenas instruções. Não havia um momento para poupar para consolação, apenas para sobrevivência.

A voz de Comang tremeu quando ele perguntou: — …E você, senhor?

— Meu lugar é aqui, na vila. Você tem que viver para que seus pais possam descansar em paz! Pare de chorar e se mova! — Kirak insistiu, empurrando Comang em seu caminho.

Alguns dos aldeões que haviam sobrevivido já estavam arriscando suas vidas para escapar. Se todos na vila perecessem, os monstros, sem dúvida, seguiriam o rastro daqueles que fugiram. Kirak deu ao garoto um empurrão firme, então se virou e correu de volta para o coração da vila, determinado a salvar pelo menos mais uma vida.

Justamente então, um grito soou por trás dele. Era Comang. Kirak girou, olhos arregalados, imaginando se os monstros já os haviam perseguido até este local.

— Com— — Kirak começou, mas a visão diante dele cortou seu grito.

Comang estava no chão, tendo colidido com algo. Um homem imponente estava gentilmente ajudando o garoto a se levantar.

— Sinto muito, jovem amigo! Eu não estava olhando por onde estava indo! — A voz estrondosa do homem encheu o ar enquanto ele bagunçava o cabelo de Comang de forma tranquilizadora.

Dois homens estavam ali. Um era o gigante que havia ajudado o garoto, e o outro era um jovem em armadura de couro preta, caminhando em direção a Kirak com passos calmos.

— Você está bem? — o jovem perguntou.

Kirak se viu assentindo, quase involuntariamente. Ele implorou, sua voz rouca de desespero: — …Por favor, nos ajude.

Ele nunca havia visto este homem antes, mas nele, Kirak vislumbrou um lampejo de esperança. De alguma forma, ele sentiu que este estranho poderia realmente salvar a vila. Então ele orou por ajuda com todo o seu coração.

O jovem acenou com a cabeça lentamente em resposta ao apelo de Kirak. Ele perguntou: — Monstros demoníacos, certo?

— Eu não sei de onde eles vieram, mas… os monstros estão matando os aldeões, — Kirak disse, sua voz vacilando. — E… Há dois cavaleiros. Eles ainda estão lutando lá atrás, tentando proteger as pessoas…

O jovem se inclinou e perguntou silenciosamente: — Você sabe o nome de algum cavaleiro?

— …Leo. Ele disse que seu nome era Leo, — Kirak respondeu. Ele se perguntou se este jovem conhecia os cavaleiros na vila.

Um leve sorriso cruzou os lábios do jovem enquanto ele assentia. — Finalmente, eu o encontrei, — ele disse, então perguntou: — Qual é o seu nome?

— Meu nome é Kirak, — Kirak respondeu.

— Sr. Kirak, espere aqui com o garoto, — o jovem disse. Então, ele puxou uma espada azul-escura da bainha, curvando a cabeça levemente. — Sinto muito por não ter vindo antes.

Kirak balançou a cabeça ferozmente enquanto lágrimas brotavam em seus olhos. Ele disse: — Não, está tudo bem. Só, por favor… Salve aqueles que restaram. Eu lhe darei qualquer coisa, qualquer coisa mesmo. Só, por favor…

O jovem assentiu, oferecendo um sorriso fraco e amargo. Ele disse: — Sim, não se preocupe. Utula? Vamos.

Utula ergueu seu machado maciço, levantando-o alto enquanto rugia: — Eu estive esperando por isso! Nós repeliremos essas criaturas vis e salvaremos a humanidade! Esta é uma batalha honrosa!

Com cabelos dourados capturando a luz, Caron correu em direção à vila ao lado de Utula.


Leo franziu a testa ao ver os monstros enxameando de todas as direções.

Isso não está parecendo bom, ele pensou.

Ele se perguntou se eles estavam se aproximando da fonte das criaturas. Os tipos de monstros haviam se tornado mais mortais. Embora os Cães Infernais, que eram tipicamente classificados como feras de baixo nível, ainda constituíssem a maior parte, criaturas de nível superior haviam começado a aparecer entre eles. Se ele estivesse em sua melhor forma, eles não teriam representado muita ameaça. Mas quatorze dias de luta implacável haviam esgotado seu corpo, e a exaustão alcançava além de sua força física sozinha.

Parece que meu núcleo de mana vai se esgotar neste ritmo, Leo pensou, sentindo os efeitos persistentes de mana não reabastecida. Suas reservas de mana haviam caído para níveis perigosamente baixos, e ele tinha certeza de que era o mesmo para Leon também.

Podemos sequer vencer? ele se perguntou enquanto avaliava suas chances. O número de monstros só estava aumentando, e as criaturas de alto nível misturadas entre eles tornavam as coisas ainda mais sombrias. Seus cálculos rápidos o levaram a uma conclusão.

…Nós não podemos vencer isso.

Ele já havia atingido seu limite. Ele sentia como se pudesse largar sua espada e desabar no local. Olhando para trás, Leo viu que até mesmo a rota de fuga que ele havia garantido antes agora estava repleta de vários monstros.

— Leon, o caminho de retirada também está bloqueado, — Leo gritou.

— Eu tenho olhos. Eu também consigo ver isso, — Leon respondeu secamente.

— …Então, o que vamos fazer agora? — Leo perguntou.

— Nós vamos ganhar um pouco mais de tempo, então trabalharemos juntos para abrir um caminho. E teremos que forçar nossos núcleos em overdrive se chegar a isso, — Leon disse.

— Mesmo com o overdrive de mana, eu não acho que será suficiente, — Leo respondeu.

— Então nós apenas morreremos aqui, — Leon disse.

Eles trocaram sugestões rapidamente, percebendo que nesta situação terrível, romper pela força bruta era sua única opção.

— Droga! Apenas um dia de descanso, e as coisas teriam sido diferentes! — Leo amaldiçoou, brandindo sua espada em frustração.

Seu plano original era se recuperar na vila, para restaurar sua força física e reabastecer sua mana. Mas tudo havia desmoronado no momento em que aqueles monstros atacaram. Este lugar poderia se tornar seu túmulo.

Muito bem, vamos ganhar tempo suficiente para os aldeões escaparem, e usar os últimos remanescentes de mana para abrir o caminho…

Leo pensou nas palavras de Leon e franziu a testa.

Boom!

Ao longe, um conjunto massivo de passos trovejou, e as árvores começaram a cair. Momentos depois, uma besta volumosa emergiu. Era um monstro imponente com a cabeça de um touro.

— …Um Minotauro? — Leo exclamou.

Minotauros eram monstros de alto nível.

Leon, ainda preso em um combate feroz, não conseguiu se impedir de xingar. — Ha… Droga…

Minotauros tinham uma força aterrorizante. Este teria sido um oponente perigoso mesmo que eles estivessem em condições normais. Mas agora, sua presença era um pesadelo tornado realidade, o pior cenário possível.

— Roooaaarrr! — Com um berro gutural, o Minotauro avançou, sacudindo o chão enquanto corria em direção a eles. A cada passo que o Minotauro dava, edifícios da vila desmoronavam, e até mesmo os outros monstros eram esmagados sob seus pés massivos.

— Leo! — Leon gritou, sua voz tensa de urgência. — Você sabe que o único ponto fraco dessa coisa é o pescoço, certo? Eu vou distraí-lo, então tente mirar no pescoço!

Mas Leo suspirou e respondeu: — Leon.

— O quê!

— Eu vou distraí-lo sendo a isca. Você deveria apenas fugir. Para ser honesto, eu estou perdido de qualquer maneira. Pelo menos um de nós não deveria sobreviver? — Leo sugeriu. Ele invocou o último de sua mana, e sua espada, Sylphid, brilhou fracamente com uma aura azul.

Droga, Leo pensou. Ele nunca havia imaginado morrer em um lugar como este.

Em seu estado atual, ele não podia nem mesmo ter certeza de que poderia derrotar o Minotauro. Mas ele não estava prestes a sentar e esperar para ser morto.

— Eu deveria pelo menos tentar algo. Vamos lá, seu bastardo cabeça de touro! — Leo gritou enquanto concentrava as últimas reservas de sua mana em seu núcleo. Era seu último recurso. Se ele não conseguisse derrotá-lo, ele sabia que encontraria seu fim ali. Então, nesse caso, ele pensou que preferia lutar até o fim do que morrer sem tentar.

Whoosh.

Quando a mana de Leo rebateu através de seu caminho de mana, seu oceano começou a tremer violentamente. Era uma técnica que poderia destruir seu corpo. Mas sem hesitação, Leo forçou seu núcleo implacavelmente.

Thud! Thud!

O chão tremeu enquanto o Minotauro se aproximava, e Leo agarrou sua espada com força e gritou: — Eu juro que vou—

Smack!

Antes que Leo pudesse terminar sua frase, uma dor repentina na parte de trás de sua cabeça o sacudiu. Sua mana rebatendo começou a diminuir, e uma onda de exaustão o atingiu, sua consciência embaçando.

Justamente então, uma voz familiar soou em seus ouvidos.

— Uau, se eu tivesse chegado um segundo depois, você teria se transformado em uma bagunça total. Quem disse que você poderia jogar seu núcleo em um rebote sem me perguntar primeiro? Nós teremos uma conversa depois disso. Você está recebendo um curso de reciclagem com certeza, — Caron disse.

De pé diante de Leo estava um jovem com uma estrutura alta, cabelos loiros lustrosos e uma espada azul-escura.

Leo riu e murmurou: — Os anciãos realmente enviaram um lunático desta vez.

Caron sorriu e respondeu: — Eu cuido daqui, então descanse.

— …Seu bastardo… Você não podia ter corrido um pouco mais rápido? Você deveria ter vindo antes… — Leo murmurou enquanto desabava sobre uma pilha de cadáveres de monstros, então finalmente apagou.

Caron estava orgulhoso de que Leo estivesse disposto a fazer tal sacrifício pelos outros, desistindo de tanto. Ele olhou para seu primo com um sorriso suave cruzando seu rosto e disse: — Você cresceu muito.

Caron então se virou para o Minotauro grotesco e olhou para ele com um brilho perigoso em seus olhos. Seus lábios se curvaram em um sorriso enquanto ele murmurava: — Eu vou te massacrar vivo.

Até mesmo monstros demoníacos sentiam dor, então Caron ia se certificar de que este experimentasse o pior dela.

— Prepare-se para isso, — ele disse.

Com isso, ele avançou para cima do Minotauro.

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