
Capítulo 99
O Cão Louco da Propriedade do Duque
Capítulo 99
'É só um fragmento,' disse Guillotine. 'Definitivamente não é a coisa real.'
'Eu sei. Mas realmente importa se é real ou não agora?' Caron respondeu, com a voz tensa.
'Faz diferença sim. Se você estivesse enfrentando o verdadeiro Rei Demônio, já estaria louco. Morto, provavelmente,' Guillotine salientou.
'Isso não vem ao caso!' Caron gritou, mas suas palavras foram abafadas por um estrondo explosivo quando a imponente fortaleza começou a desmoronar.
'Fragmento ou não, nós vamos todos morrer se isso continuar!' Caron gritou.
Em meros três segundos, o Rei Demônio havia liberado uma espada violeta, cortando a enorme fortaleza em dois. Enquanto a estrutura desabava sob seus pés, Caron se viu caindo sem nada para amortecer sua queda. O chão se aproximava cada vez mais...
Mas com um suave silvo, um espírito do vento de alto nível invocado por Orion envolveu Caron. Ele o baixou gentilmente até o chão. Caron aterrissou com um baque, virando-se para observar os restos da fortaleza destruída. Ela estava dividida ao meio, sua superfície de corte estranhamente lisa. Se aquela espada o tivesse tocado, ele teria sido cortado ao meio com a mesma facilidade.
'Você está bem, Caron Leston?' Orion perguntou ao pousar ao lado de Caron.
Caron limpou o sangue da boca e assentiu, respondendo: 'Eu aguento. E você?'
'...Eu estou bem,' Orion respondeu com uma expressão sombria enquanto olhava ao redor do campo de batalha.
Os elfos que ele havia liderado até ali haviam se voltado uns contra os outros, mordendo e rasgando a carne em seu frenesi odioso alimentado pelo poder do Rei Demônio. Aquele lugar havia se transformado em um inferno. Vendo seus camaradas se perderem em uma fúria assassina, as mãos de Orion tremiam. No entanto, ele se recompôs, forçando sua voz a permanecer calma enquanto olhava para Caron.
'Então, qual é o plano?' Orion perguntou. Eles tinham que acabar com isso de alguma forma. Ele não podia abandonar as pessoas que haviam confiado nele e o seguido até ali. Ele continuou: 'Me diga o plano. Eu farei tudo o que puder para ajudar.'
Caron assentiu lentamente, lendo a sinceridade nos olhos de Orion sem precisar de mais palavras. Ele disse: 'Eu tenho boas e más notícias. Qual você quer ouvir primeiro?'
'...Vamos começar com as boas notícias,' Orion respondeu.
'Você é do tipo otimista, hein?' Caron esboçou um pequeno sorriso. 'Tudo bem. Primeiro, isso é apenas um fragmento do Rei Demônio. Além disso, é instável... então, se conseguirmos aguentar, ele desaparecerá sozinho em cerca de vinte minutos.'
Guillotine havia transmitido essa informação crítica a ele. A invocação estava incompleta, meramente um pequeno pedaço do Rei Demônio, não a entidade completa.
'O fragmento da Carnificina usou todo o mana canalizado através do Portão do Caos,' Guillotine acrescentou. Eles poderiam vencer se aguentassem. Isso era certo.
'Certo, então, quais são as más notícias?' Orion perguntou.
Caron soltou uma risada amarga e disse: 'As más notícias são que provavelmente não vamos durar vinte minutos.'
'Eu concordo,' Orion respondeu, com o rosto tenso.
'Como está Ifrit?' Caron perguntou.
No momento, a opção mais forte deles ainda era Ifrit, o Rei dos Espíritos do Fogo, que tinha o poder de que precisavam desesperadamente para subjugar o fragmento do Rei Demônio. Orion olhou para Ifrit, que ainda estava preso por correntes, e respondeu: 'As correntes enfraqueceram muito. Cinco minutos... Em cinco minutos, ele estará livre.'
Como o Rei Demônio havia descido em pessoa, as correntes conectadas aos seus olhos haviam se tornado significativamente enfraquecidas, pois ele estava consumindo quase todo o mana sombrio que as mantinha.
'Bom. Então, se aguentarmos por cinco minutos, as coisas vão melhorar,' Caron disse, ajustando sua empunhadura em Guillotine e assentindo. Mas, naquele momento—
'Roarrrrr!' Um Utula enfurecido, corrompido pelo poder da Carnificina, soltou um grito horripilante enquanto avançava contra Caron, brandindo um machado de quase três metros de comprimento.
Crash!
Caron desviou rapidamente do golpe de Utula, preparando-se para contra-atacar quando, de repente—
Clang!
Uma lâmina cortou em direção a ele por trás. Era Leon, que rosnou: 'Morra.'
Seus camaradas, distorcidos pela intenção de matar, agora o estavam atacando. O machado de Utula e a espada de Leon vinham em sua direção com abandono imprudente, e Caron fez uma careta ao aparar seus golpes implacáveis. Mas algo parecia estranho.
...Um deles está faltando, Caron pensou. Deveriam ser três deles. Leo... Leo não estava em lugar nenhum.
Justamente quando Caron estava prestes a virar a cabeça, outro som agudo cortou o ar.
Clang!
Leo apareceu por trás, interceptando a espada de Leon com um braço trêmulo. Ele murmurou: 'Isso... Isso é muito ruim.'
'O quê—?' Caron exclamou, surpreso.
Ao contrário dos outros, que estavam consumidos pela intenção de matar, Leo ainda parecia um tanto lúcido. Ele não estava completamente imune, no entanto. O olho direito de Leo estava vermelho, injetado de sangue, como se estivesse lutando contra alguma turbulência interna.
'Apresse-se... Me diga o que fazer,' Leo exigiu, com a voz tensa.
'Como você ainda está aguentando?' Caron perguntou.
'Eu sinto como se estivesse enlouquecendo mesmo agora, então apenas me diga logo!' Leo retrucou.
Essa não era uma força que Leo deveria ter sido capaz de resistir, e ainda assim, lá estava ele, suportando-a. Caron tinha uma dúzia de perguntas para ele, mas sabia que não era a hora.
Então, ele rapidamente direcionou Leo: 'Eu só preciso de um bom golpe. Você distrai Utula, e eu termino isso rápido.'
'...Eu vou tentar,' Leo respondeu, assentindo com uma expressão sombria enquanto liberava seu mana e avançava contra Utula, dando a Caron a abertura de que precisava.
Caron se virou e enfrentou Leon mais uma vez.
'M-Morra...' Leon murmurou, sua voz vacilando. Agora que Caron a olhava de perto, a mente de Leon não estava totalmente corrompida. Ela parecia hesitante, relutante em brandir sua espada.
Caron olhou para ela e sorriu amargamente, então disse: 'Você sabe que eu não levo para o lado pessoal, certo?'
Whoosh.
Uma aura azul escura e profunda se acumulou na ponta de Guillotine enquanto ele lançava a Leon um sorriso triste.
'Mas se for entre isso ou deixar você se afogar naquele desejo de matar... Isso é melhor. Eu espero que você entenda, tudo bem? Eu vou fazer isso rápido,' Caron disse. Ele odiava ter que cravar sua espada nela, mas sem outra escolha, ele levantou sua lâmina e murmurou baixinho: 'Isso vai doer só um pouquinho.'
Sem hesitação, Caron avançou direto para Leon.
Após receberem tratamento de um curandeiro habilidoso, as condições de Leon e Utula melhoraram notavelmente.
'Me desculpe, Caron,' Utula murmurou.
'Eu me sinto envergonhada,' Leon acrescentou. Cada um deles ainda tinha uma faca cravada na coxa.
Caron dispensou seus pedidos de desculpas com desdém e disse: 'Estava tudo bem, já que vocês dois caíram facilmente.'
Com essas palavras, os dois ficaram em silêncio, olhando para Caron intensamente. Ignorando seus olhares, ele se virou para Leo. 'Você é o próximo, Leo. Você também vai precisar de uma facada.'
'Eu estou bem! Eu não—'
Smack.
Guillotine roçou a coxa de Leo, e como se fosse uma deixa, a intenção assassina em seu olho direito desapareceu rapidamente. Agora, todos os camaradas de Caron haviam retornado aos seus sentidos.
Caron soltou um suspiro silencioso, voltando sua atenção para a tarefa. Não havia tempo para explicar tudo. Ele disse: 'Escutem. Eu vou ser breve, então prestem atenção.'
À frente deles, o lorde demônio os observava com um olhar divertido e braços cruzados, como se os desafiasse a tentar qualquer coisa.
'Vinte minutos restantes... Bem, já se passaram dois minutos, então agora são apenas mais dezoito. Apenas dezoito minutos,' Caron disse.
Eles não precisavam derrotá-lo completamente. Eles só tinham que aguentar, embora sobreviver ao momento em si não seria fácil.
'Entendido?' Caron perguntou. Seus camaradas assentiram com expressões firmes.
'Certo, vamos,' ele ordenou, liderando a investida.
Whoosh.
Uma onda de Mana Azure surgiu através de Caron, girando ao redor dele como ondas do oceano. Seus camaradas o seguiram sem hesitação. Mas a situação havia piorado; junto com as feras descontroladas, elfos corrompidos pela intenção assassina também bloqueavam seu caminho.
'Apenas continue correndo, Caron Leston,' Orion gritou de trás, abrindo caminho para eles. Os espíritos do fogo que ele havia invocado ergueram paredes de chamas ao longo de ambos os lados de seu caminho, mantendo-os seguros enquanto avançavam.
No final do caminho, o Rei Demônio os aguardava, ainda com os braços cruzados.
—Observar vocês lutarem, em todas as vidas, sempre foi o meu prazer.
A voz do Rei Demônio ecoou nos ouvidos de Caron.
Momentos depois, o suave zumbido de armas invocadas encheu o ar. Dezenas de armas, cada uma forjada a partir de puro mana sombrio, se materializaram atrás dele e voaram em direção a Caron e seu grupo. As armas se moviam de forma imprevisível, tecendo padrões erráticos e vertiginosos à medida que se aproximavam.
E ainda assim, Caron não deixou que a exibição deslumbrante o distraísse. No final, ele sabia onde as armas iriam atacar—direto em suas gargantas. A solução, então, era simples. Caron e os outros tinham que interceptá-las todas no momento em que se aproximassem.
Boom!
Seis vórtices surgiram do chão em um instante. Graças ao lich, o mana de Caron estava em plena capacidade, e ele o usou sem reservas.
Craassshhhh!
Leon também invocou três vórtices, quase igualando o esforço de Caron. Para não ficar para trás, Leo também reuniu o resto de seu mana. Um mar antes calmo agora fervilhava sob seus pés, e Utula soltou um uivo feroz, arremessando seu machado com toda a sua força.
Boom!
O machado avermelhado de Utula colidiu com um roxo, criando uma explosão massiva. E com isso, outra batalha havia começado.
Craaaash!
Colidindo com os vórtices, as armas do Rei Demônio começaram a explodir em rápida sucessão. Uma tempestade violeta se desenrolou, sua força açoitando implacavelmente Caron e seus camaradas.
'O espírito de um guerreiro não pode ser quebrado por nenhuma tempestade!' Utula rugiu, movendo-se para a linha de frente, enfrentando os ventos cortantes como lâminas com seu corpo endurecido. Sua pele endurecida carregava dezenas de novas feridas em instantes. E ainda assim, o gigante avançou através da tempestade sem sequer um gemido.
—Tanta intenção assassina magnífica.
O Rei Demônio ponderou, invocando outra rodada de armas e enviando-as em direção ao grupo de Caron.
Caron estreitou os olhos, calculando a distância entre ele e o Rei Demônio. Cinquenta passos. Ele poderia fechar essa lacuna em um instante se desse tudo de si.
Swoosh!
Uma explosão de energia disparou de Guillotine, as ondas de sua aura ocultando o avanço de Caron, assim como uma lâmina imperial se escondia sob o luar. Em um piscar de olhos, Caron se aproximou, empurrando Guillotine direto no peito do Rei Demônio.
No momento em que a aura emergindo da ponta da espada estava prestes a perfurar o Rei Demônio, algo inesperado aconteceu.
—Cada arma neste mundo existe para matar e, portanto, todas elas são minhas.
Thud!
Uma lança roxa se materializou do nada, empalando o braço de Caron. Seu corpo congelou, rígido como uma estátua. Era como se o próprio tempo tivesse parado.
E ainda assim, naquele momento suspenso, o Rei Demônio se movia livremente. Um som áspero e dissonante emanou de seu corpo enquanto ele lentamente estendia a mão direita, agarrando o queixo de Caron. Fumaça roxa escorria de suas pontas dos dedos.
—Me dê seu ódio, e eu concederei seu desejo mais profundo.
Sua voz ecoou, preenchendo a mente de Caron.
A raiva sombria que Caron mal havia contido começou a surgir mais uma vez, envenenando suas veias, puxando memórias que ele havia enterrado. O veneno intangível jorrou através dele, desenterrando fragmentos de dor e fúria.
—Aceite essa sede de sangue pura. Submeta-se ao seu desejo.
Caron olhou para o Rei Demônio, seus olhos injetados de sangue vermelhos com a intenção assassina que o havia dominado.
'Desejo...?' Caron zombou, com os lábios se curvando. 'Sim, este é o meu desejo.'
Thud.
Guillotine perfurou o peito do Rei Demônio.
—...
O Rei Demônio olhou para a espada cravada nele, então, com uma voz imperturbável, ele continuou falando.
—Então, morra.
Outra lança violeta disparou em direção a Caron.