
Capítulo 96
O Cão Louco da Propriedade do Duque
Capítulo 96
As correntes emanavam uma energia profana e escura, enrolando-se firmemente em toda a forma de Ifrit.
Whoosh!
As chamas brancas surgiram, tentando desesperadamente queimar as correntes; no entanto, elas apenas continuaram a se apertar em volta de Ifrit. Este Rei Espiritual, este ser transcendente, estava sendo tornado impotente. Orion, o capitão da patrulha élfica que havia invocado Ifrit, franziu a testa. Ninguém conseguia entender como havia chegado a este ponto.
— Ifrit, queime essas correntes — ordenou Orion. Não havia como as correntes de um mero mago negro pudessem conter um Rei Espiritual. Era um ser absoluto que comandava as forças brutas da natureza, um deus em tudo, menos no nome.
"A situação não é nada boa", disse Ifrit calmamente na mente de Orion. "Caímos em uma armadilha. Estas correntes não foram forjadas por mãos humanas."
— Se não foi criado por humanos, então...? — murmurou Orion.
"Há uma presença aqui que incorpora o auge da magia negra."
— ...O Rei Demônio? — disse Orion lentamente, temendo o próprio nome.
"Sim, este fedor de morte pertence a ele — o Rei Demônio da Matança", confirmou Ifrit.
A boca de Orion se apertou em uma linha sombria. Ele não havia previsto o envolvimento do Rei Demônio. Mas, além disso, as chamas de Ifrit haviam enfraquecido, carecendo do poder avassalador que Orion se lembrava da primeira vez que invocou o espírito na Grande Floresta.
"Esta terra está profanada. Eu não posso...extrair força", disse Ifrit enquanto lutava.
— Nem mesmo seu poder pode superar isso? — perguntou Orion, surpreso.
"As correntes. Primeiro, estas correntes malditas devem ser tratadas, Orion", disse Ifrit.
Crrrrrkkkk!
Ruídos horríveis ecoaram quando os monstros à espreita ao redor da fortaleza começaram a se agitar. Orion os examinou e suspirou baixinho, então disse: — ...Talvez eu não devesse ter avançado afinal.
Orion sabia que esta terra era traiçoeira, seu solo contaminado e desprovido de mana natural. Mas ele havia forçado o ataque, acreditando que o poder de Ifrit poderia mudar o rumo da batalha. Agora, ele percebeu que havia cometido um grave erro de cálculo. Ele nunca imaginou que um mero mago negro pudesse prender o Rei Espiritual.
Ssshhhhh!
Então, um som estranho e arrepiante surgiu de cima. Orion elevou seu olhar para o céu nublado.
— Seus cadáveres serão ótimas oferendas... Ah, mana pura! É incomparável àqueles vermes.
A voz ecoou pelo campo de batalha, soando como se catarro estivesse fervendo em sua garganta.
— Regozijem-se, pois suas mortes marcarão o fim dos elfos.
Um único olho roxo se abriu em meio às nuvens de tempestade, brilhando ameaçadoramente. Ao redor dele, o céu começou a escurecer com aquele mesmo tom violeta, espalhando-se para fora como uma mancha.
— O Portal do Caos — sussurrou Orion, arregalando os olhos enquanto observava a transformação acima.
Se aquele tom violeta tomasse todo o céu, o portal amaldiçoado se abriria, desencadeando a desgraça sobre todos eles.
"Orion, libere minha invocação imediatamente. Meu poder está sendo drenado", a voz de Ifrit trovejou na mente de Orion.
— Eu estou tentando fazer isso há um bom tempo, Ifrit — disse Orion, com frustração em seu tom. Ele nem sequer conseguia desfazer a invocação. As correntes pareciam estar ancorando a forma de Ifrit no lugar.
Ele soltou um suspiro pesado, acenando lentamente com a cabeça, então admitiu: — Foi um erro.
Estava claro que ele havia vindo despreparado em comparação com seus inimigos. Ele havia subestimado fatalmente a força do oponente. Eles deveriam ter trazido mais forças, destruído este lugar completamente, expurgando cada traço de corrupção. No entanto, o arrependimento era um luxo que ele não podia mais se permitir. Ele precisava de um plano, e rapidamente.
Recuar. Orion considerou uma solução realista. Pausar a luta e recuar para a Grande Floresta para montar defesas poderia ser a jogada inteligente. Era verdade que a floresta sofreria danos, mas talvez eles tivessem uma chance melhor lá.
Nesse momento, uma voz chamou por trás: — Parece que você está em apuros.
Orion se virou, localizando o orador — o mais jovem dos humanos que haviam invadido a batalha. Era aquele que havia lançado insultos abertamente antes, seu rosto agora pintado com um sorriso torto que parecia quase zombeteiro.
— Para ser honesto, eu não esperava que você invocasse Ifrit, mas parece que as coisas não estão exatamente saindo como planejado, certo? — perguntou Caron.
— Não há nada a ganhar zombando de mim agora — respondeu Orion, sua voz firme.
Caron se aproximou com um encolher de ombros, então continuou: — Estou apenas sugerindo que unamos forças, é tudo. Já ouviu o ditado humano, 'Até a pata de um gato é emprestada na época do plantio'?
Orion gesticulou em direção às correntes que prendiam Ifrit e disse: — O Rei Espiritual nem sequer pode usar sua força total. Não deveríamos fazer algo?
Ele estudou o rosto de Caron. Estranhamente, ele podia sentir uma raiva intensa na expressão do jovem. Humanos eram indignos de confiança, mas a raiva que emanava deste parecia genuína.
— ...Mas por quê? — perguntou Orion.
— O que você quer dizer com, por quê? — perguntou Caron de volta.
— O principal alvo deles é a Grande Floresta do Sul. Esta não é a sua luta—
— Chega dessa bobagem — interrompeu Caron, mostrando os dentes enquanto continuava. — Você acha que eles nos poupariam só porque estão atrás da floresta? Esses bastardos não são nada se não forem justos. Eles matarão qualquer um indiscriminadamente.
Uma intenção de matar escura e espessa pulsou para fora de Caron. Até mesmo o companheiro lobo de Orion pareceu sentir a hostilidade, soltando um rosnado baixo ao seu lado.
— Você tem duas escolhas — continuou Caron. — Você pode ficar aqui como uma oferenda para aquele Portal do Caos, ou você pode se juntar a mim, e nós vamos estraçalhar aquele mago negro.
Teria sido fácil descartar suas palavras como bravata humana, mas Orion olhou para Caron diretamente. Havia um leve cheiro de parentesco vindo do jovem, e...
— ...Mãe concedeu sua graça sobre você — murmurou Orion.
Era o mana da Árvore do Mundo. Antes, na pressa da batalha, o elfo não havia notado claramente. Mas agora, ele podia sentir a essência inconfundível que fluía ao redor do jovem humano. Talvez este homem fosse a resposta que Mãe havia preparado para eles.
— Meu nome é Orion Guardavento — disse Orion, sua voz firme. — Eu gostaria de saber o seu, jovem humano.
Caron sorriu, respondendo facilmente: — Meu nome é Caron Leston.
— ...A lendária família do Mar do Norte, inimigos de demônios... — murmurou Orion, percebendo. — Então, é assim que é.
— Você conhece minha família? — perguntou Caron, intrigado.
Orion deu-lhe um leve aceno de cabeça, sua expressão suavizando. — Como eu poderia não conhecer? — disse ele baixinho. — Tudo bem, Caron Leston. Eu lutarei ao seu lado.
Finalmente, Orion havia feito sua escolha.
— Deveria ter chegado a essa decisão mais cedo — respondeu Caron, balançando sua espada casualmente. Ele apontou para o topo da imponente fortaleza e disse: — O mago negro está lá em cima.
Ele havia localizado a posição do mago negro através de um feitiço. O inimigo estava realizando seu ritual no pico da fortaleza. Escalá-la seria suicídio, no entanto; não havia como o mago negro não ter armado armadilhas lá dentro.
— Acha que consegue me levar lá em cima? — perguntou Caron.
Orion franziu as sobrancelhas levemente e respondeu: — Eu posso, mas como você pode ver, os céus não são nossos para controlar agora.
Gárgulas invocadas pelo mago negro pairavam acima, guardando resolutamente a área. Mas Caron acenou para longe a preocupação e disse: — Eu cuidarei disso sozinho. Você consegue me levar lá?
— Eu consigo — respondeu Orion.
— Bom o suficiente para mim. Esta não será uma batalha prolongada de qualquer maneira — comentou Caron. Tendo recebido a confirmação de Orion, ele então se virou para seu grupo e disse: — Eu vou subir sozinho. Vocês três fiquem aqui e apoiem os elfos.
Cada um deles acenou silenciosamente com a cabeça. Embora eles quisessem se juntar a ele, eles entenderam que provavelmente só atrapalhariam. Naquele momento, no entanto...
— Eu vou com você — disse Orion, descendo de seu lobo. — Este é o destino da floresta de que estamos falando. Eu não posso deixar este fardo para você sozinho.
— Se você é o contratante do Rei Espiritual, isso vai funcionar para mim — concordou Caron. Ele acrescentou: — Mas você consegue lutar com o Rei Espiritual todo acorrentado assim?
— Preocupe-se com você mesmo — retrucou Orion.
— Típico velho, sempre espinhoso — disse Caron com um sorriso.
Orion levantou uma mão, e um pássaro envolto em chama azul desceu do céu. Com facilidade, ele subiu nas costas do pássaro e olhou para Caron antes de dizer: — Suba.
Caron saltou, sentando-se logo atrás de Orion, e gritou de volta para seu grupo. — Regra número um: Sobrevivam, não importa o que. Entendido?
— Eu vou ter isso em mente, Caron — respondeu Leon.
— Nunca esqueceremos o pedido de um amigo! — respondeu Utula.
— Cuide-se, Caron — acrescentou Leo.
Cada resposta refletia suas personalidades únicas.
— Você tem alguma última ordem para meus amigos? — perguntou Caron.
Orion olhou para os companheiros de Caron e disse: — Aquelas correntes pretas prendem Ifrit. Se possível, eu gostaria que vocês as quebrassem. Eu designei espíritos para ajudá-los, e os outros elfos seguirão sua liderança.
Os companheiros de Caron acenaram com a cabeça, suas expressões resolutas. Eles sentiram o peso da tarefa à frente.
Com tudo pronto, Caron deu um tapa nas costas de Orion e disse: — Vamos lá, velho!
— Você está tentando me matar? — perguntou Orion, surpreso.
— Ah, desculpe. É um hábito meu. Quando eu vejo as costas de alguém, dá vontade de bater — respondeu Caron.
Orion suspirou com o enigma que era Caron e deu ao seu espírito o comando: — Vamos para o topo.
Momentos depois, eles dispararam para o céu, as chamas do espírito flamejando ao redor deles enquanto eles avançavam em direção à fortaleza.
***
No pico da fortaleza, um homem envolto em preto olhava silenciosamente para o olho violeta flutuante que pairava no céu. Ele se virou para olhar a fortaleza abaixo e murmurou: — O grande plano começou.
No chão, elfos caíam um por um, suas vidas alimentando o mana implacável que corria para o ritual. Ele então olhou para Ifrit, o Rei Espiritual do Fogo, que estava preso firmemente em correntes; um sorriso frio surgiu em seu rosto. Um ser tão poderoso havia sido reduzido a combustível para sua ascensão.
Whoosh.
Um zumbido baixo se espalhou pelos céus enquanto o brilho violeta se expandia rapidamente pelo céu. Em apenas mais dez minutos, o ritual estaria completo, e o portal se abriria. E uma vez que isso acontecesse...
Meu objetivo tão esperado finalmente se realizará, pensou o homem de manto preto.
O pensamento enviou um arrepio por ele, fazendo seu pulso acelerar. Mesmo sabendo que os fanáticos estavam marchando em direção à fortaleza não conseguiu azedar seu humor, porque eles chegariam muito tarde para importar.
— ...Perfeito — suspirou ele, sentindo uma onda de energia, quase como se sua juventude tivesse retornado. Ele esticou os braços amplamente, saboreando o poder que o percorria, convencido de que o destino da fortaleza estava selado.
Mas então, os gritos estridentes e penetrantes de gárgulas rasgaram o ar, como se garras estivessem sendo arrastadas pelo metal. Aqueles gritos azedaram o humor do homem imediatamente. Ele tinha certeza de que alguém estava lutando através deles, ascendendo ao pico.
— Resistência fútil — murmurou ele, agarrando seu cajado e se virando. Parecia que havia algum tolo ainda tentando desafiar seu destino, como os condenados frequentemente faziam.
Com uma explosão de chama azul, duas figuras chegaram na plataforma. Um era um elfo, irradiando um mana puro e potente inconfundivelmente ligado ao Rei Espiritual. Mas foi a outra figura que chamou sua atenção. Um cavaleiro em armadura preta estava ali, olhando de volta com um sorriso feroz e uma lâmina azul escura brilhando em sua mão.
— Eu não me lembro de ter convidado você aqui — disse o homem de manto friamente.
O cavaleiro em armadura preta sorriu em resposta, uma luz provocadora em seus olhos. Ele respondeu: — Eu não disse que você seria o próximo? Eu vim para cumprir minha promessa.
O homem de manto achou este cavaleiro incomum, mas isso não mudaria nada. Ele havia passado muito tempo se preparando para este momento. Nenhum visitante indesejado poderia alterar isso.
— Encontrar a morte no chão teria sido misericordioso — zombou ele. — Em vez disso, você escolheu o caminho doloroso.
Nesse momento, o sorriso do cavaleiro se alargou, seus olhos brilhando com diversão. Ele disse: — Aqui está algo para lembrar: O único mago negro bom é um mago negro morto.
Um mana azul escuro começou a pulsar de Caron. Um sorriso malicioso se espalhou por seu rosto enquanto ele perguntava: — Pronto para se tornar bom?