O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 56

O Cão Louco da Propriedade do Duque

Capítulo 56

Luke não conseguia se mover. E não era só porque o garoto tinha agarrado sua garganta. Algo que se assemelhava mais a uma intenção assassina tinha irradiado de Caron e o sufocado, envolvendo seus pulmões como um torno. Mas foi só por um momento.

— Oh, cometi outro erro. Minhas desculpas, Sir Luke. Devo ter me empolgado demais no duelo — disse Caron, rapidamente retirando a intenção assassina como se nada tivesse acontecido. Ele afrouxou o aperto no pescoço de Luke e recuou, curvando-se educadamente e reiterando: — Mais uma vez, me desculpe.

Luke ofegou em busca de ar, agarrando a garganta. A força do garoto era inacreditável para alguém tão jovem. E mesmo agora, ele ainda não conseguia respirar direito. Após algumas respirações profundas, ele finalmente conseguiu se recompor. Ele mordeu o lábio, olhando para Caron.

Ele tinha perdido. Total e inegavelmente, ele havia sido derrotado. Qualquer um que tivesse assistido ao duelo não teria problemas em reconhecer o vencedor.

Luke olhou para o ferimento que havia infligido no lado de Caron. Sua espada tinha perfurado profundamente. Era um ferimento que exigia cuidados imediatos. Mas Caron apenas deu uns tapinhas na área casualmente, como se não fosse nada.

Luke reconheceu o que Caron estava fazendo. Era uma técnica de campo de batalha que os cavaleiros costumavam usar para estancar o sangramento. Mas só servia para conter o sangue, não para aliviar a dor.

— Você está... bem? — Luke perguntou cautelosamente, ainda tentando recuperar o fôlego.

Caron acenou com a mão displicentemente com uma expressão despreocupada e respondeu com um leve sorriso: — Isso? Não é nada. Talvez seja porque eu consumi algo bom ontem. Devo me curar em pouco tempo.

Seu tom rapidamente ficou mais sério quando ele continuou: — Mas Sir Luke, sobre aquela técnica Moonlight [1] que você usou agora há pouco... De quem você a aprendeu?

Ele fez a pergunta novamente, seu entusiasmo anterior desaparecendo em uma curiosidade fria.

Não havia dúvida sobre isso. A técnica de Luke tinha traços do Moonlight de Kerra. Uma técnica que supostamente havia desaparecido cinquenta anos atrás junto com Kerra, no dia em que ele morreu durante a queda do Imperador Malevolente.

A mente de Caron estava cheia de pensamentos complicados. Ele se perguntou se Kerra de alguma forma havia sobrevivido àquele dia. Porque se Kerra estivesse vivo, era possível que os outros, os subordinados que ele já havia comandado, também estivessem.

Mas a resposta de Luke frustrou essas esperanças.

— Não sou obrigado a responder a essa pergunta — respondeu Luke, soando como se tivesse sido insultado.

Caron percebeu imediatamente que não era o momento certo para insistir no assunto. Se a reação de Luke era por vergonha, raiva ou algo mais inteiramente, ele não podia ter certeza. Mas o fato permanecia que Luke, um cavaleiro altamente considerado como o próximo vice-comandante, tinha acabado de ser humilhado por um garoto de treze anos. Não era surpresa que Luke não estivesse no clima para conversar.

Caron suspirou silenciosamente enquanto colocava Guillotine, que estava vibrando incessantemente, de volta na bainha. Agora não era hora de perguntas. A mera possibilidade de que alguns de seus subordinados ainda pudessem estar vivos era suficiente para ele.

Vou ter que perguntar para Halo sobre isso, pensou Caron.

Se alguém soubesse a verdade, seria Halo. Se aqueles homens tivessem sobrevivido àquele dia fatídico, então era bem provável que ainda estivessem vivos agora. Afinal, cavaleiros que haviam ultrapassado 7 Estrelas desfrutavam de vidas incrivelmente longas, a menos que enfrentassem um acidente.

Mas se Halo se recusasse a falar...

Então eu terei que encontrá-los sozinho, decidiu Caron. Ele já estava considerando como procuraria por vestígios deles em todo o vasto continente. Mas primeiro, ele tinha que ficar ainda mais forte.

Enquanto a mente de Caron vagava, Luke interrompeu seus pensamentos perguntando: — ...O que você sabe sobre Moonlight? A lua real se escondendo atrás da falsa. Você já conhecia essa técnica. Como você...?

Luke ficou completamente incapaz de entender. Essa era uma técnica que havia ceifado a vida de muitos inimigos, mesmo em combate real. Até mesmo cavaleiros de uma patente semelhante, aqueles com 6 Estrelas, haviam caído devido à sua precisão letal. Era uma técnica impecável de morte instantânea.

Mas Caron tinha visto através dela perfeitamente, como se a conhecesse o tempo todo.

Caron soltou uma pequena risada e respondeu: — Eu também não tenho a obrigação de responder a essa pergunta, tenho?

Ele jogou as palavras anteriores de Luke de volta com um sorriso. Luke franziu a testa ligeiramente, relembrando a pergunta de Caron de momentos atrás:

"Aquele Moonlight... Quem te ensinou essa técnica?"

Era como se Caron já conhecesse a origem da técnica. Mas Luke havia aprendido esta versão de Moonlight com um cavaleiro sênior, um homem que havia caído em batalha há mais de trinta anos durante uma operação.

Aquele homem era Sir Kerra, o último dos guardas imperiais que permaneceram ao lado do palácio imperial com Cain Latorre até o amargo fim. Luke herdou este Moonlight dele, e o próprio Luke era o único dentro da guarda imperial que a dominou. Ninguém mais conhecia as origens da versão modificada, exceto ele.

Luke ponderou sobre isso e estava prestes a abrir a boca para falar, mas Caron casualmente embainhou sua espada no cinto e interrompeu seus pensamentos.

— Bem, não tenho certeza, mas não seria melhor se houvesse várias luas falsas? — sugeriu Caron.

— ...Com licença? — Luke questionou.

— Ou talvez você pudesse dar mais peso físico às luas falsas... Isso tornaria o oponente mais difícil de lidar. Ah, talvez não, são apenas meus pensamentos — acrescentou Caron.

Caron sorriu sem jeito enquanto olhava para Luke. Talvez porque ele tivesse visto o Moonlight de Kerra, conselhos desnecessários escaparam de sua boca. Ele sabia que Luke era um cavaleiro alinhado com o Marquês Diaz, alguém do lado oposto do Ducado de Leston. Então isso era apenas um capricho dele, uma maneira estranha de retribuir Luke por lhe dar esperança de que seus antigos subordinados ainda pudessem estar vivos em algum lugar.

— Foi um conselho desnecessário? Apenas esqueça o que eu disse— começou Caron.

— ...Não, eu aprecio seu valioso conselho — disse Luke, sua voz suavizando ligeiramente. — Graças a você, percebi muita coisa.

— Bem, se for assim, fico feliz em ouvir isso — disse Caron com uma risada, notando a expressão suavizada no rosto de Luke.

É um pequeno presente para você, pensou ele.

De certa forma, Caron tinha acabado de dar a Luke a chave para abrir o caminho para alcançar 7 Estrelas. Para alcançar esse nível, Luke teria que aperfeiçoar sua própria versão de Moonlight.

Pelo menos ele não é um caso completamente perdido, ponderou Caron. Inicialmente, ele tinha classificado Luke como alguém engolido pela política. Mas ver o brilho recém-descoberto na expressão de Luke contava uma história diferente. Aquela emoção em seu rosto era inconfundível. Era alegria.

Não havia dúvida de que Luke havia tido algum tipo de percepção.

Caron olhou sutilmente para onde os guardas imperiais estavam. A maioria deles agora estava lançando olhares cautelosos em sua direção, exceto Amy, que havia acordado em algum momento. Seus olhos estavam brilhando, como se ela também tivesse aprendido algo com a partida de sparring.

— Sir Luke — disse Caron.

— Sim? — Luke respondeu, com sua atenção totalmente em Caron.

— Por ser um estranho, não vou interferir nos assuntos internos da Guarda Imperial. No entanto... — Caron continuou.

Luke observou Caron silenciosamente, imaginando o que este monstro estava prestes a dizer.

— Acho um desperdício deixar uma joia tão bruta sem polimento. Ou é só impressão minha? Então, por favor, cuide bem dela, Sir Luke. A política está boa e tudo mais, mas os cavaleiros devem falar com suas espadas, não acha? — Caron concluiu.

— Você está me pedindo para cuidar de Amy? — perguntou Luke.

— Hehe, pensei que já tinha pago por isso com aquele conselho antes. Ou estou errado? — Caron respondeu com um sorriso brincalhão enquanto tirava o pó de sua armadura de couro. Ele então ofereceu a Luke um aceno educado e disse: — Foi um bom duelo.

Luke retribuiu o gesto, curvando a cabeça respeitosamente e respondeu: — Foi um bom duelo.

E com isso, o duelo estava oficialmente encerrado.


Assim que o duelo terminou, a primeira pessoa a correr em direção a Caron foi Zerath. Ele puxou uma poção de sua túnica e a entregou. Ele disse: — Esta é uma poção de alto nível. Eu até pedi a um padre para abençoá-la, só para ter certeza. Deve fazer maravilhas.

Caron riu enquanto aceitava a poção, dizendo: — Você realmente não precisava ir tão longe.

Ele bebeu a poção, e o gosto amargo persistiu enquanto ele terminava cada gota. Então ele olhou cautelosamente para Zerath, perguntando: — Você não vai me repreender?

— Pelo quê? — Zerath perguntou.

— Por lutar imprudentemente com Sir Luke. Você poderia ter impedido facilmente... — disse Caron.

Zerath soltou um profundo suspiro e respondeu: — E ainda assim, sabendo disso, você ainda insistiu em lutar. Foi uma provocação desnecessária, e você foi diretamente contra as ordens do chefe de não causar problemas.

— Você vai contar para ele? — perguntou Caron.

— Você não vai precisar de mim para isso. Acredito que a notícia se espalhará em breve — respondeu Zerath. Afinal, um garoto de treze anos tinha acabado de derrotar o próximo candidato a vice-comandante. Não era algo que as pessoas pudessem manter em segredo.

— Sir Zerath — disse Caron enquanto enxugava o suor da testa. Ele continuou maliciosamente: — Sabe, fechar os olhos também é um pecado. Então lembre-se, você compartilha a culpa por não me impedir.

— Sua falta de vergonha nunca deixa de me surpreender — disse Zerath.

— Ah, vamos lá, você provavelmente sabia que eu ia causar problemas... Por que você não interveio? — perguntou Caron.

A voz de Zerath diminuiu um pouco quando ele respondeu: — Eu queria ver seus limites. Mesmo que você perdesse, eu pensei que seria uma experiência valiosa.

Caron ergueu uma sobrancelha, olhando para seu próprio lado ferido antes de dizer: — Você pode realmente dizer isso depois de ver meu lado ser perfurado?

— Se a lâmina de Sir Luke tivesse sido apontada para seu pescoço, eu teria intervindo — disse Zerath calmamente.

Aquele momento em que a espada perfurou o lado de Caron durou apenas uma fração de segundo. Para alguém ser capaz de ler a trajetória da espada e intervir em tal momento estava além da habilidade humana. Mas Caron sabia que Zerath não estava mentindo. Como Comandante da Ordem dos Cavaleiros Oceanwolf e um cavaleiro de 8 Estrelas, Zerath poderia ter facilmente intervindo naquele breve instante.

— Então, você viu meus limites? — perguntou Caron.

Zerath balançou a cabeça lentamente e respondeu: — Eu não vi. Mas acredito que obtive informações sobre o tipo de espada que você procura.

— Eu usei um pouco da técnica da Espada Imperial durante o duelo... Você não vai me repreender por isso? — perguntou Caron.

— Não, foi uma excelente adaptação — respondeu Zerath.

— Você é muito indulgente. Estou ficando mimado porque você continua me agradando — disse Caron.

Zerath observou enquanto Caron se alongava e refletia sobre o duelo que acabara de testemunhar. Ele havia sentido a mesma coisa que Luke durante a luta. O manejo da espada que Caron havia mostrado era tão extraordinário que era difícil acreditar que tivesse vindo de uma criança. Embora Zerath tivesse ouvido muito sobre os feitos de Caron durante a emboscada do trem, o que ele acabara de testemunhar ia muito além de meros boatos.

Aquele era o manejo da espada de alguém que havia passado por inúmeras batalhas, pensou ele consigo mesmo.

Julgamento e adaptabilidade eram qualidades conquistadas apenas através da experiência. Essa era uma crença comum entre os cavaleiros. Mas Caron tinha destruído essa noção bem diante de seus olhos. Um garoto que não havia lutado muitas batalhas havia empunhado uma espada que só poderia ser dominada através de anos de combate. A única explicação era que seu talento transcendia a experiência.

Os próximos quatro anos serão cruciais, pensou Zerath.

O que o Castelo Azureocean precisava fornecer para Caron era a força para apoiar tal talento bruto. Caron era como uma joia brilhante, e já parecia que ele havia encontrado seu próprio caminho.

Olhando para Caron, Zerath disse: — Assim que retornarmos ao Castelo Azureocean, aumentaremos suas horas de treinamento de mana.

— Eu estava prestes a pedir isso a você — respondeu Caron.

— Nossa principal prioridade é elevar suas Artes de Domínio do Oceano para 6 Estrelas. Tudo bem? — disse Zerath.

Caron era uma joia que se refinaria. Se eles pudessem ensiná-lo as Artes da Espada Oceanwolf e expandir sua capacidade de mana, este monstro se superaria além das expectativas de qualquer um.

Enquanto eles conversavam, Luke, que havia perdido o sparring, se aproximou deles. Ele se curvou respeitosamente para Zerath e disse em voz baixa: — Obrigado, Sir Zerath. Aprendi muito.

— Parece que você teve alguma percepção — observou Zerath.

— Finalmente consegui entender o que antes só conseguia ver vagamente — reconheceu Luke.

— Essa é uma notícia maravilhosa. Parabéns — disse Zerath.

Luke respondeu em um tom humilde: — É uma conquista que eu não teria alcançado sem sua permissão para duelar.

Zerath soltou um longo suspiro e disse: — ...Ele não é alguém que eu poderia impedir, mesmo que tentasse.

— Ah, entendo — respondeu Luke.

Após a breve conversa com Zerath, Luke se virou para Caron e ofereceu sua mão para um aperto de mãos. Ele disse: — Eu gostaria de cruzar espadas com você novamente algum dia.

— Parece que será em quatro anos — respondeu Caron com um sorriso. — Estou em liberdade condicional agora. Como você pode ver, eu causo um pouco de problemas.

— Quatro anos... Entendo — ponderou Luke.

— Aquele Moonlight... Se você refiná-lo um pouco mais, acho que se tornará uma técnica verdadeiramente devastadora. Estou ansioso para vê-lo depois de quatro anos — disse Caron.

Luke assentiu em resposta. Se ele não tivesse lutado com Caron, provavelmente teria achado aquele comentário arrogante. Mas porque ele tinha cruzado espadas com Caron, ele sabia mais. Este garoto era muito mais extraordinário do que alguém poderia ter imaginado.

A certeza de que quatro anos elevariam este garoto a uma posição ainda maior encheu a mente de Luke. Ele olhou para o rosto de Caron, relembrando os pensamentos que havia tido antes. Seu voto de quebrar as asas de Caron pelo bem do Palácio Imperial...

Agora, aquele voto parecia totalmente sem sentido.

...Que vergonhoso, pensou Luke.

Ele até acalentava más intenções. Certamente Caron teria sentido a hostilidade em sua lâmina. E ainda assim, Caron não tinha dito uma palavra sobre isso. Em vez disso, ele havia oferecido conselhos que ajudariam Luke a crescer.

Eu perdi em todos os sentidos, percebeu Luke. Tanto na esgrima quanto como pessoa. Ele havia sido completamente derrotado por este jovem. E ainda assim, ele aceitou essa derrota.

— Há tantas coisas que perdi. Eu realmente agradeço por me permitir ver isso — disse ele.

Caron sorriu em resposta e disse: — Estou ansioso para vê-lo novamente em quatro anos.

— Claro — respondeu Luke com convicção em sua voz. Essa resposta por si só foi suficiente para satisfazer Caron.

— Bem, então, nós vamos indo. — Caron acenou casualmente e deu seus adeus. Ele então perguntou: — Tudo bem, Sir Zerath, para onde estamos indo agora?

— Vamos descansar na hospedaria por um tempo. Então, à noite, você visitará o lugar do Sexto Príncipe — respondeu Zerath.

— Ugh, isso é incômodo — suspirou Caron, já se sentindo cansado.

— É a ordem do chefe — lembrou Zerath.

— Ha... É tão complicado... Você não acha, Leo? — brincou Caron.

Leo respondeu com um suspiro: — ...Lidar com você é ainda mais complicado.

Com isso, Caron compartilhou mais algumas piadas com Leo enquanto saíam do campo de treinamento. Ele não podia forçar os Guardas Imperiais a mudar ou a se elevar além de seu estado atual. Essa escolha era deles para fazer. A partir daqui, era a jornada deles para trilhar. Ele só podia observar quais decisões eles tomariam. Mas ele ainda se sentia satisfeito.

Acho que posso esperar por isso, ponderou Caron enquanto se lembrava da expressão no rosto de Luke e do olhar distante de Amy, que o observava de longe.

Como sênior, ele havia feito tudo o que podia por eles. Se, depois de tudo isso, eles ainda não mudassem...

Eu lidarei com eles sozinho, pensou Caron, sua determinação inabalável.

Com essa resolução final, o ex-Comandante da Ordem dos Cavaleiros partiu, jurando vê-los novamente em quatro anos.


[1] - "Moonlight" em inglês, que significa "Luz da Lua".

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