
Capítulo 38
O Cão Louco da Propriedade do Duque
Capítulo 38. Meu Túmulo
A carruagem, acompanhada por uma escolta, gentilmente deixou Caron e seu grupo na mansão de Gyle. Assim que chegaram ao destino, Revelio, que havia desembarcado junto com eles, acenou com um sorriso.
— Aqui nos separamos. É meio triste dizer adeus... Mas se insistirem para que eu passe a noite aqui, eu aceito. Que me dizem? — Revelio provocou, claramente esperando para ficar mais tempo.
Caron respondeu dando um leve soco no braço dele e dizendo: — Não são permitidos vendedores ambulantes.
— Você é tão frio — respondeu Revelio.
— Você disse que este lugar era um mundo cão — disse Caron.
— Bem... Já que vamos nos encontrar de novo em dois dias, vou deixar passar hoje — disse Revelio.
A visita de Caron e Leo ao Palácio Imperial estava marcada para dois dias depois, com um banquete oferecido pelo palácio naquela noite.
— Até lá, irmão. Estarei esperando no palácio. Traga essa sua espada, viu? A família do Duque Leston tem permissão para carregar espadas no palácio. Eu adoraria ver meus irmãos se borrando de medo só de olhar para ela — pediu Revelio.
— Que afeto fraternal caloroso — comentou Caron.
— Coisas boas devem ser compartilhadas. E seria ainda melhor se você pudesse fazê-los de reféns também. Hahaha! — Revelio riu, deixando sua loucura transparecer abertamente.
Com a despedida concluída, ele voltou para dentro da carruagem. Então, se debruçou na janela, acenando uma última vez antes de gritar: — Se precisarem de um guia, é só me avisar! Eu escapulo do palácio rapidinho!
Mason, que estava ouvindo em silêncio, lançou um olhar severo para o príncipe e disse: — Sua Alteza, tais palavras geralmente são ditas quando os guardas não estão presentes.
— Ah, tanto faz. Se eu decidisse fugir, Sir Mason, você me ajudaria. Você já é meu cúmplice. É melhor se preparar para uns açoites do meu pai — disse Revelio.
— ...Com todo o respeito, Sua Majestade não é esse tipo de homem — respondeu Mason.
— Ah, era só a mim que ele açoitava? Que demonstração retorcida de amor paterno — ponderou Revelio.
— Por favor, Sua Alteza, apenas fique quieto aí dentro — disse Mason, empurrando Revelio de volta para dentro da carruagem e fechando a janela com força. Ele então se virou para Caron e ofereceu: — Se precisar da minha ajuda, não hesite em entrar em contato.
— ...Você deve ter passado por muitas dificuldades — disse Caron com simpatia.
Mason esboçou um sorriso cansado, então disse com um aceno de cabeça: — Deve ser o carma da minha vida passada. Ah, bem, o que posso fazer? Já vamos indo.
Com isso, a carruagem dourada começou a se mover novamente. Enquanto se afastava da mansão de Gyle, outra carruagem carregando Gyle e os servos da casa de Leston entrava nos terrenos. O outrora silencioso pátio da mansão rapidamente se encheu de atividade devido à chegada deles.
Enquanto Caron e Leo observavam a cena em silêncio, uma voz suave chamou por trás deles: — Meu querido neto, você está aqui?
Caron se virou, seu rosto se iluminando enquanto ele abria os braços e exclamava: — Vovó!
— Oh, meu doce neto. Você cresceu de novo, não é? — disse uma mulher, com a voz cheia de calor. Era Helena, a avó materna de Caron. Ela disse com uma mistura de urgência e afeto: — Vamos deixar a reunião para depois, querido... Sua velha vovó está um pouco ocupada agora. Espero que entenda.
— Hehe, claro — respondeu Caron com um sorriso.
— Bom, bom. A água do banho já está aquecida, então vá descansar... Mordomo! Depressa! Por quanto tempo você vai deixar nossos convidados esperando? — a voz de Helena mudou para um tom autoritário enquanto ela dava ordens.
— S-Sim, Senhora! — o mordomo gaguejou em resposta.
— Nesse ritmo, não vou conseguir encarar meus parentes! Só de ver essa bagunça já estou ficando louca. Vou ter que cuidar disso sozinha... — Helena murmurou, arregaçando as mangas e indo para o meio dos servos agitados.
Como aconteceu, quem detinha o poder real nesta mansão era a avó de Caron. Até mesmo seu avô vivia sob o controle dela.
Enquanto Helena assumia o comando, Leo, que estava assistindo à cena maravilhado, murmurou em um tom perplexo: — ...Dá uma olhada nos antebraços da sua avó.
De fato, por trás, os músculos do braço de Helena eram bem proeminentes.
— Minha avó se exercita mais diligentemente do que meu avô — comentou Caron.
— Eu pensei que sua família materna não fosse de uma linhagem de guerreiros — comentou Leo.
— Bem, ambos sonham em viver uma vida longa e saudável — explicou Caron.
Enquanto os dois conversavam, uma voz por trás interrompeu a conversa deles, dizendo: — Estou aliviado que todos chegaram em segurança. Eu estava bastante preocupado.
Caron virou lentamente a cabeça e viu um homem parado ali. Ele tinha longos cabelos loiros amarrados em um rabo de cavalo que chegava logo abaixo dos ombros, e usava uma capa adornada com o emblema dos Lobos Lazúli. Seus olhos eram do mesmo azul que os de Caron e Leo.
Ao ver o homem, Leo imediatamente se curvou em saudação e disse: — Faz um tempo, Hugo. Você tem passado bem?
Caron notou que o corpo de Leo havia se tensionado ligeiramente com a chegada do homem. Não era por desconforto, no entanto.
Ele... tem medo de Hugo? Caron se perguntou, detectando um indício de medo no comportamento de Leo.
Leo havia mencionado ter encontrado Hugo algumas vezes antes, mas Caron não tinha lembrança dele. Isso não era surpreendente, considerando que ele nunca tinha visto Hugo desde que chegou ao Castelo Azureocean.
— Sim, Leo. E você cresceu bastante. Finalmente parece um espadachim de verdade — disse Hugo em um tom relaxado, dando um tapinha nas costas de Leo. Então, ele lentamente virou o olhar para Caron e disse: — Você deve ser Caron.
— É um prazer conhecê-lo, Hugo — disse Caron, curvando-se ligeiramente.
Hugo examinou seu primo mais novo com cuidado. Mesmo por baixo de suas roupas, estava claro que o corpo de Caron era bem construído e tonificado. Apesar de ter apenas treze anos, os calos em suas mãos diziam muito sobre o quão dedicado ele tinha sido ao seu treinamento.
E acima de tudo...
4 Estrelas, certo? Hugo pensou consigo mesmo, sentindo a imensa mana dentro de seu primo mais novo. O fato de que este garoto de treze anos já havia alcançado 4 Estrelas significava que ele havia superado em muito Hugo na mesma idade.
Havia uma razão para o Pai me dizer para ser cauteloso, ele percebeu.
Inicialmente, ele havia pensado que seu pai estava se preocupando desnecessariamente, mas ver Caron pessoalmente havia mudado completamente sua mente. Este garoto era de fato um talento que poderia até mesmo fazer seu pai se sentir ameaçado. Não só isso, seus olhos estavam cheios de confiança. Ser capaz de manter tal compostura na frente de alguém mais forte significava que ele havia nascido com uma disposição extraordinária.
— Se eu soubesse que meu primo mais novo era tão incrível, eu teria visitado o Castelo Azureocean mais cedo — comentou Hugo.
— Você me lisonjeia. Mas você é bastante impressionante também, assim como os rumores dizem — respondeu Caron.
— Haha, sério? Fico feliz em ouvir você dizer isso — disse Hugo enquanto sorria e oferecia sua mão para um aperto de mão. — Que tal uma saudação adequada?
— Parece bom! — disse Caron enquanto apertava a mão estendida de Hugo com um sorriso. Ele pensou a princípio que talvez, ao contrário de seu tio mais velho, esse cara não fosse tão ruim afinal. Mas então...
Whoosh.
Assim que o pensamento passou pela mente de Caron, ele sentiu a mana de Hugo infiltrar-se em seu corpo no momento em que suas mãos se tocaram. Era Mana Lazúli, aprimorada através das mesmas Artes de Domínio do Oceano que ele aprendeu. A intenção por trás desse ato era clara como o dia.
— Já que é nosso primeiro encontro, pensei que deveríamos nos conhecer melhor — disse Hugo.
— Você é bem proativo — respondeu Caron.
— Você certamente é... — Hugo começou, mas sua voz vacilou enquanto observava Caron. Normalmente, alguém seria pego de surpresa ou angustiado por tal troca, mas seu primo mais novo não mostrava sinal de nenhum dos dois.
Talvez eu deva verificar um pouco mais... Hugo pensou, tentando empurrar mais mana para Caron para avaliar sua reação.
Mas então...
Guincho!
A espada pendurada na cintura de Hugo, Fantasma, começou a emitir um som lamentoso, quase como o grito de uma banshee. E ao mesmo tempo...
Estrondo!
O que diabos está acontecendo? Os pensamentos de Hugo correram enquanto a mana que ele havia enviado para Caron era repentinamente empurrada de volta, apenas para ser substituída pela própria mana de Caron surgindo em seu corpo. Um mero garoto de treze anos tem maior controle sobre a mana do que eu?
Não era apenas o controle. A natureza da mana era diferente também. Chamá-la de Mana Lazúli parecia quase incorreto, porque era tão violenta e forte. A Mana Lazúli típica era como um mar calmo, mas isso... Isso era como uma tempestade, selvagem e destrutiva, o suficiente para fazer os pelos do corpo de Hugo se arrepiarem.
Mas isso não durou muito.
Whoosh.
A mana de Caron se retirou do corpo de Hugo, e o garoto exibiu um sorriso brilhante e inocente antes de exclamar: — Hehe, isso foi divertido!
— ...O quê? — respondeu Hugo.
— Vamos brincar assim mais vezes! Você é realmente tão gentil quanto dizem, brincando com seu primo sem formalidades! Parecia que eu estava brincando com amigos! — As palavras de Caron estavam repletas de sarcasmo, seu verdadeiro significado claro: O que você aprendeu todos esses anos?
Hugo imediatamente entendeu a mensagem subjacente, mas ele apenas sorriu e assentiu em resposta, suprimindo sua irritação. Ele disse: — Claro, Caron. Vamos nos dar bem.
— Espero que sim! — respondeu Caron.
Ficar com raiva aqui só danificaria o orgulho de Hugo. A primeira saudação foi suficiente. Mesmo assim, ele havia obtido alguns insights valiosos. Principalmente, Caron era muito mais perigoso do que parecia. Até mesmo Hugo teve que admitir que estava impressionado com o talento e a audácia de seu primo.
Mas acima de tudo...
Essa língua dele é um problema real. Se um balde vaza por dentro, é provável que vaze por fora também. Se ele for deixado assim, ele pode manchar a reputação do Duque... Hugo ponderou.
A maior variável em sua missão atual certamente seria a língua de Caron. Tinham se passado apenas dez minutos, mas Hugo já havia compreendido o quão perigoso Caron poderia ser.
"Garanta a segurança de seus primos mais novos na capital, para que eles não se envolvam em nenhum acidente."
Hugo recordou a ordem direta de Halo e soltou um pequeno suspiro.
Isso não vai ser fácil, ele pensou. Esta poderia ser a tarefa mais difícil que ele havia recebido nos últimos tempos.
Após sua breve apresentação com Hugo, Caron e seu grupo se instalaram em seus quartos na mansão. O resto do dia passou sem incidentes, e em pouco tempo, era tarde da noite.
— Bem então, Caron, te vejo amanhã — disse Gyle, com a voz suave enquanto estava perto da porta. — Precisamos visitar a boutique para escolher broches para o banquete, então certifique-se de ir direto para a cama, ok, meu querido neto?
— Ok! Boa noite, vovô! — respondeu Caron animadamente.
— Boa noite, durma bem — respondeu Gyle enquanto bagunçava suavemente o cabelo de Caron antes de sair do quarto.
Enquanto a porta se fechava atrás dele, Caron olhou para ela com um sorriso satisfeito. Havia algo especial no calor da família. Isso o enchia de felicidade todas as vezes.
Clique.
Claro, não querendo que seu tempo privado fosse perturbado, ele imediatamente trancou a porta. Ele então recuperou uma pequena caixa que havia escondido debaixo de sua cama. Dentro havia uma garrafa de uísque premium, que ele havia secretamente pegado da carruagem de Revelio mais cedo. Era Thurang, trinta anos.
Este era um uísque de alta qualidade fabricado na região de Thurang, que era conhecida por produzir uísque exclusivamente para a família real.
— Ganhar uma garrafa de Thurang de trinta anos como gorjeta por lidar com aquele lunático... Sim, isso é um bom negócio — Caron murmurou, então cantarolou uma melodia enquanto caminhava para a varanda com a garrafa na mão. A lua brilhava intensamente acima.
Com um movimento suave, ele sacou Guilhotina de sua bainha e casualmente a plantou no chão. Imediatamente, a voz familiar da lâmina ecoou em sua mente.
"Não há inimigos por perto... O que aconteceu com você?" Guilhotina perguntou.
— Eu só queria conversar — respondeu Caron.
"Por que não chama seus primos, então?" Guilhotina perguntou.
— Se eu fizer isso, eles vão roubar meu uísque — respondeu Caron.
"...Essa resposta é a sua cara", comentou Guilhotina secamente.
— Além disso, eu não posso realmente beber em paz se eles estiverem por perto — acrescentou Caron. Com um estalo suave, ele destampou a garrafa de uísque usando um toque de mana e tomou um gole diretamente dela antes de dizer: — A capital é meu túmulo. A propósito, eu já te contei sobre minha vida anterior?
Guilhotina respondeu lentamente: "Não, você não contou. Mas eu já sei."
— Como? — perguntou Caron, curioso.
— Eu li suas memórias — respondeu Guilhotina.
— Você pode fazer isso? Como esperado de uma espada amaldiçoada — ponderou Caron.
"...Pense o que quiser", respondeu Guilhotina com um toque de exasperação.
— Falando nisso, o Dragão Azul disse que a espada que eu usei na minha vida anterior era você — comentou Caron.
"Isso mesmo. Eu não sei por que acabei como uma espada amaldiçoada, mas era eu", confirmou Guilhotina.
— E você não tem memórias daquela época? — perguntou Caron.
"O portador naquela época não era digno de me libertar. Só de pensar nisso me dá nos nervos. Quem se atreveu a me transformar em uma espada amaldiçoada? Se eu descobrir quem fez isso, vou cortar o pescoço deles mil vezes!" Guilhotina exclamou.
— Uma vez é o suficiente para matar, sua espada amaldiçoada — lembrou Caron.
"Eu posso reconectá-lo e cortar de novo. Qual é o problema?" Guilhotina retrucou.
Agora estava claro que até a espada era uma lunática. Caron riu, então tomou outro gole antes de dizer: — Se for preciso, eu vou para o Mar do Norte e pergunto diretamente.
O Dragão Azul, a quem ele havia encontrado com a Pedra da Promessa, certamente saberia a verdade. E ele nem precisaria ir tão longe.
— Eu poderia descobrir sozinho se quisesse — continuou Caron.
Ele ainda não tinha descoberto por que essa segunda vida havia começado. Sua segunda vida estava aparentemente cheia de coincidências, já que ele nasceu como neto de Halo e foi escolhido por Guilhotina. Tinha que haver uma razão para tudo isso. Tais coisas não aconteciam sem alguma força externa em jogo.
— Eu preciso ficar mais forte — Caron resolveu. Agora não era a hora de procurar essa razão. Para descobrir a verdade, ele precisava de mais poder.
"Você está certo. Em sua condição agora, você não é melhor do que um verme. Que bom que você está ciente disso", comentou Guilhotina.
— Cale a boca, sua espada amaldiçoada — retrucou Caron.
"Você me pediu para te fazer companhia, e agora está reclamando?" Guilhotina resmungou.
Caron suspirou levemente e olhou para a espada. Ele ofereceu: — Quer um gole?
"...Você está louco? Como uma espada vai beber? Você deixou seu cérebro para trás em algum lugar?" Guilhotina perguntou.
— Você fala demais. Aqui — disse Caron enquanto ignorava o protesto e inclinou a garrafa para deixar o uísque escorrer sobre a lâmina de Guilhotina.
Whoosh.
Guilhotina murmurou fracamente em resposta, então falou mais animadamente. "Ei, isso é muito bom."
— Se você pode beber sangue, você pode beber uísque também — salientou Caron.
"Então é assim que a bebida tem gosto... Hm, é difícil dizer só com um pouco. Me dê mais", pediu Guilhotina.
— Se manda — disse Caron firmemente, cortando Guilhotina. Ele então se sentou no parapeito e olhou para a lua. Ele murmurou para si mesmo: — Que noite agradável.
O céu estava claro, sem uma nuvem à vista. E assim, Caron bebeu, usando seu túmulo como uma espécie de consolo.