
Capítulo 16
O Cão Louco da Propriedade do Duque
Capítulo 16. Baronia de Belrus
— Pai, eu trouxe nossos convidados — Rohan anunciou.
— Entrem — veio a resposta.
Guiados por Rohan, Caron e Leo entraram na câmara do Barão Belrus. Ao entrarem, sentiram o cheiro de desinfetante no ar. Viram um homem idoso deitado na cama, envolto em bandagens.
O homem se esforçou para se sentar enquanto eles se aproximavam. Seus cabelos brancos e físico frágil se destacavam, e seu abdômen estava fortemente enfaixado, o que indicava que ele tinha um ferimento grave.
Caron e Leo se curvaram respeitosamente.
— É um prazer conhecê-lo. Eu sou Caron Leston — disse Caron.
— E eu sou Leo Leston — Leo acrescentou.
O velho sorriu fracamente com um aceno de cabeça e disse: — Eu sou o Barão Belrus, o senhor desta terra. É uma honra conhecer os jovens lobos da grande Família Ducal de Leston. Peço desculpas por não poder lhes dar uma grande boas-vindas, dada a minha condição.
— Como estão seus ferimentos? Estão cicatrizando bem? — Caron perguntou.
— Fui informado de que já passei pelo pior. Obrigado pela sua preocupação — respondeu o Barão Belrus.
— Isso é um alívio — disse Caron, aproximando-se lentamente do leito do barão e sentando-se em uma cadeira próxima. Ele estudou o barão atentamente. Apesar de seu grave ferimento abdominal, os olhos do velho estavam claros e focados.
O Barão Belrus examinou Caron também, então sorriu aprovadoramente e disse: — Você se tornou um jovem muito bom. Seu pai, Mestre Fayle, deve estar muito orgulhoso.
— O senhor conhece meu pai? — Caron perguntou.
— Visitei a propriedade do Mestre Fayle há cerca de dez anos, quando você era muito jovem — explicou o barão.
— Por favor, apenas me chame pelo meu nome. Títulos formais me deixam desconfortável. Eu não sou tão familiarizado com a etiqueta — disse Caron.
O barão riu suavemente e balançou a cabeça, dizendo: — Seria oneroso para mim me dirigir a um membro de uma família tão prestigiosa informalmente. Mas se isso te deixa desconfortável, eu o chamarei de Senhor Caron.
— Isso é muito melhor, obrigado. E peço desculpas por não me lembrar do nosso encontro anterior — disse Caron.
Meu pai teve tantos convidados ao longo dos anos, pensou Caron.
Fayle havia estabelecido extensas conexões em vários campos, pois ele frequentemente exibia seu filho para inúmeros visitantes. Não era surpreendente que Caron não conseguisse se lembrar de todos eles. A Baronia de Belrus fazia fronteira com a propriedade de seu pai, o que tornava natural que eles tivessem algum relacionamento.
Caron sorriu suavemente para o barão e disse: — Hoje, não estou aqui como filho de Fayle Leston, mas como um Lobo Azure do Castelo Azureocean. Esta é minha primeira missão como um Lobo Azure. Aguardo ansiosamente sua gentil cooperação.
— Sua primeira missão... Então, Senhor Caron, isso significa que você já alcançou 4 Estrelas? — perguntou o barão.
— Sim, eu consegui — Caron confirmou.
— Um novo prodígio surgiu no Castelo Azureocean — murmurou o Barão Belrus.
Ele sabia que Caron tinha apenas treze anos. Era extraordinário alcançar 4 Estrelas em uma idade tão jovem. Se Caron havia sido encarregado de uma missão, era provável que ele também tivesse dominado a quarta forma das Artes da Dominação do Oceano.
Um verdadeiro monstro, pensou o barão.
Embora o Barão Belrus não fosse um artista marcial, ele não era ignorante em artes marciais. Ele reconheceu o brilho do potencial de Caron. Se esse garoto continuasse a crescer, ele poderia se tornar uma pessoa formidável dentro do Castelo Azureocean.
Foi por isso que o Barão Belrus rapidamente tomou uma decisão e disse: — Embora o apoio do Castelo Azureocean seja muito apreciado, este é um assunto que devemos resolver por conta própria.
— Pai! — exclamou Rohan.
— Eu não posso enviar jovens tão promissores para uma situação tão mortal — insistiu o barão.
Aqueles que estavam assolando sua baronia não eram meros bandidos, mas sim soldados treinados. Suas táticas durante a primeira escaramuça indicaram que eles eram especializados em guerra nas montanhas. Não importava que esses jovens lobos fossem da linhagem Leston. Eles não podiam ser enviados para um lugar tão perigoso, pois estavam destinados a se tornarem grandes líderes.
— Barão Belrus — disse Caron, sorrindo enquanto ouvia as preocupações do barão antes de continuar: — Agradeço sua preocupação, mas devemos cumprir nossa missão. Se fugíssemos com medo em nossa primeira tarefa, isso traria grande vergonha para a família Leston. Não é verdade, Leo?
— S-Sim... Isso mesmo — gaguejou Leo.
— Pretendo completar minha primeira missão com sucesso. E ninguém pode impedir meu plano — declarou Caron. Ele então agarrou o cabo de sua espada embainhada enquanto se levantava de sua cadeira. — Então, Barão Belrus, não se preocupe e concentre-se em sua recuperação. Nós cuidaremos de tudo sem problemas.
— Senhor Caron — começou o barão.
— Ah, a propósito, um dos meus sonhos é viver uma vida longa, até que eu esteja velho e grisalho. Longevidade é meu objetivo — acrescentou Caron com um sorriso.
— Bem... — O Barão Belrus suspirou enquanto rapidamente abandonava a ideia de convencer Caron do contrário. Havia uma determinação feroz nos olhos do menino. Com base em sua longa experiência, era impossível persuadir alguém com esse tipo de olhar.
— Jovem Barão de Belrus — Caron se dirigiu a Rohan.
— Sim, Jovem Mestre Caron — Rohan respondeu imediatamente.
— Por favor, nos designe um guia. Nós cuidaremos do resto — disse Caron.
— Designarei alguém da propriedade que conheça bem as montanhas — Rohan garantiu.
— Obrigado. Concluiremos a missão e retornaremos. Ambos, por favor, descansem tranquilos. Vamos, Leo — disse Caron.
— Ok — respondeu Leo, embora parecesse hesitante enquanto seguia Caron para fora.
Com os dois meninos gone, Barão Belrus e Rohan ficaram sozinhos. Barão Belrus olhou para a porta fechada e riu cansadamente.
— Haha... Eu estive nesta posição por muito tempo. Eu me tornei muito medroso... É hora de eu renunciar — admitiu o barão.
— Pai — disse Rohan.
— Eu nunca imaginei que o filho de Fayle cresceria assim — comentou o Barão Belrus enquanto tossia algumas vezes antes de se deitar novamente em sua cama.
Ele me lembra muito o Duque Halo em seus dias mais jovens, pensou ele.
Aquela teimosia e aquele desrespeito pela etiqueta nobre... Ele era como seu avô.
Rohan designou um guia chamado Sven para guiar Caron e Leo. Sven era um coletor de ervas local.
— Jovens Mestres! Apenas me sigam. Eu coleto ervas aqui há quase vinte anos. Não importa o quão habilidosos esses bandidos sejam, eles não conseguem me acompanhar — Sven se gabou.
— Claro. Apenas não se afaste muito sozinho — Caron respondeu.
— Claro que não! — disse Sven.
Caron e Leo mantiveram uma ligeira distância de Sven enquanto subiam a montanha. Leo observou Sven caminhando à frente e suspirou profundamente.
— Caron, não é tolice atacar sem um plano? — Leo perguntou.
— Por que você acha isso? — Caron respondeu.
— Bem, se eles são homens treinados e estão ocupando esta montanha há um tempo, quem sabe quantas emboscadas ou armadilhas eles montaram? — Leo perguntou.
— Uau, meu querido irmão estudou muito. Você está certo na teoria — disse Caron, pisando em algumas folhas caídas enquanto se movia para frente. Ele continuou: — Mas como você propõe que formulemos um plano?
— Bem... Pesquisar antes e elaborar uma estratégia que se encaixe no inimigo... — Leo divagou.
— Mas você tem uma estratégia melhor do que esta? Se sim, seguiremos seu plano — disse Caron.
— Você está dizendo que atacar assim é uma estratégia? — Leo perguntou.
— Sim, é — Caron confirmou.
— Você é louco — disse Leo.
A preocupação de Leo era válida, mas Caron tinha uma razão por trás de sua aparente imprudência. Sem conhecer a localização exata dos bandidos, uma abordagem inesperada poderia ser surpreendentemente eficaz.
— Pense nisso. Duas crianças entraram na montanha carregando espadas que parecem muito caras. Como você acha que os bandidos reagiriam? — Caron perguntou.
— Espere, então nós somos a isca? — Leo perguntou surpreso.
— Exatamente. Que isca melhor do que duas crianças nobres que parecem fáceis e valiosas? Devemos usar tudo o que temos a nosso favor — explicou Caron.
Caron e Leo realmente pareciam crianças nobres. Embora não tivessem o brasão dos Lobos Azure da Família Ducal de Leston, suas roupas e espadas definitivamente pareciam de alta qualidade. Bandidos desesperados que estavam vendendo drogas e escravizando camponeses os achariam irresistíveis.
— Se eles conseguirem sequestrar algumas crianças nobres, eles conseguirão um resgate bem alto — disse Caron.
— Mas Caron, e se o objetivo deles não for dinheiro? — Leo rebateu.
— Mesmo assim, pelo menos chamaremos a atenção deles. Parecemos alvos fáceis, não é? É um dos poucos privilégios de ser jovem. E dê uma olhada em Sven — disse Caron.
Leo se virou para observar Sven caminhando à frente deles. Sven havia sido apresentado como um coletor de ervas, mas ele havia dado a Leo uma sensação desconfortável desde o início. Enquanto Sven caminhava à frente, ele continuava olhando ao redor, como se estivesse procurando por algo.
— O que você acha dele? — Caron perguntou.
— Eu não pensei que ele seria tão óbvio... Você acha que o jovem barão o designou deliberadamente para nós? Será que ele também está envolvido? — Leo especulou.
— Você tem uma imaginação e tanto. Estou impressionado — Caron riu e deu um leve soco no ombro de Leo antes de continuar: — Mas o jovem barão não é esse tipo de pessoa. Se ele fosse, ele não teria vindo para o Castelo Azureocean em primeiro lugar.
— Então, o jovem barão não sabia que ele era um traidor? — Leo perguntou.
— Não, ele sabia. Ele o deu para nós porque, como um traidor, ele nos levaria aos nossos inimigos — Caron esclareceu.
Rohan não era incompetente. Ele era corajoso e perspicaz. O fato de ele ter mantido um traidor ao seu lado para usá-lo contra o inimigo mostrou quem ele realmente era.
— Parece que estamos quase chegando — Caron notou ao ver Sven se aproximando de longe com um sorriso malicioso.
Enquanto Sven se aproximava, ele coçou a cabeça e disse: — Jovens Mestres, vocês devem estar cansados. Que tal um pequeno descanso? Faz um tempo que não subo esta montanha, e minha memória está um pouco confusa. Aqui, deixe-me carregar essas espadas pesadas para vocês.
— Entregar nossas espadas? Você está louco...? — Leo começou a protestar.
— Oh, eu estava achando minha espada um pouco pesada. Aqui está — disse Caron enquanto entregava sua espada embainhada para Sven sem hesitação.
— Ei! Caron! — Leo gritou enquanto encarava Caron com raiva.
— Bem, a minha estava pesada. Continue segurando a sua. Sven, tudo bem para você? — Caron respondeu calmamente.
— Claro, Jovem Mestre. É minha culpa por não conquistar sua confiança. Eu só desejo facilitar sua jornada — disse Sven, curvando-se repetidamente enquanto pegava a espada.
Naquele momento, no entanto, ele se encolheu e deixou a espada cair. O mero toque da bainha enviou arrepios por ele. No entanto, a ganância muitas vezes obscurece o raciocínio humano. Sven cerrou os dentes e pegou a espada novamente. Ele acreditava que essa espada poderia mudar sua vida. Era óbvio que a espada de um nobre era especial.
— Há um local de descanso perfeito lá na frente. Por favor, me sigam! — Sven exclamou, correndo à frente como se alguém estivesse o perseguindo.
Leo franziu a testa para Caron enquanto eles observavam Sven correr freneticamente.
— O que você estava pensando? — Leo perguntou.
— Por que não? É divertido. Se ele quer carregá-la, tudo bem para mim. A propósito, você está pronto? — Caron respondeu.
— Pronto para o quê? — Leo perguntou.
— Pronto para matar pessoas — disse Caron sem rodeios.
Leo se viu agarrando o cabo de sua espada, Sylphid. As palavras de Caron significavam que uma luta era iminente. Embora ele tivesse se preparado mentalmente desde a viagem de trem, a realidade de uma batalha iminente trouxe uma onda de tensão sobre ele.
— Lady Sabina deve estar observando de algum lugar, mas ela não vai intervir facilmente — Leo notou.
— Eu nunca esperei a ajuda dela em primeiro lugar — Caron respondeu.
— Boa determinação — Leo comentou.
Com um sorriso, Caron deu um passo à frente. Eles continuaram sua ascensão até chegarem a uma área relativamente plana. Assim como Sven havia descrito, parecia um local de descanso ideal.
No entanto, eles não estavam sozinhos. Havia treze homens, vestidos com várias roupas, ocupando a área.
Sven, que havia corrido à frente com a espada de Caron, estava se curvando para eles. O homem que parecia ser o líder deles deu um tapinha nas costas de Sven e comentou: — Que hóspedes ilustres em nossa humilde morada. Então, essas crianças são convidados do Barão Belrus?
— Sim, sim, isso mesmo. O jovem barão tolo me pediu para guiá-los, então eu os trouxe direto para você — Sven respondeu.
— Sven, você é muito útil. Gostamos de homens gananciosos como você. Aqui está sua recompensa — disse o líder, então jogou para Sven uma bolsa que parecia estar cheia de moedas de ouro.
Sven a pegou com um sorriso brilhante e disse: — Obrigado! Eu sempre farei o meu melhor.
— É o suficiente para a vida após a morte, certo? — o líder perguntou casualmente.
— Perdão? — Sven respondeu, confuso.
— Gaste bem no submundo — disse o líder friamente. Então, com um movimento rápido, ele brandiu sua espada e decapitou Sven. Sven agarrou seu pescoço decepado enquanto desabava no chão. Seu sangue escorreu para a bolsa de moedas, mas o líder a pegou e a guardou de volta em seu casaco sem hesitação. Então ele se virou para Caron e Leo, abrindo seus braços.
— Nossos jovens convidados devem estar chocados. Mas não se preocupem, vocês são muito mais valiosos do que aquele inseto. Nós não matamos aqueles que valem dinheiro — disse o líder.
— Eles realmente não são bandidos comuns — Caron observou.
A precisão do golpe do líder havia sido impecável. Ao contrário dos bandidos comuns que brandiam suas espadas descontroladamente, o líder havia executado Sven com apenas a quantidade certa de força necessária para tirar sua vida.
Caron olhou para Sven com um sorriso antes de falar em um tom suave, quase zombeteiro. — O cara que você acabou de matar estava carregando minha espada para mim. Eu poderia pegá-la de volta?
— Ah, sério? Bem, é claro que devemos devolvê-la ao seu legítimo dono. Ei, caçula — o líder chamou.
— Sim, senhor? — o membro mais jovem do grupo respondeu.
— Tire a espada da bainha. Eu adoraria ver a bela espada que nosso estimado convidado carrega. Você não se importa, não é? — o líder perguntou a Caron com um sorriso malicioso, enquanto os outros riam, aproveitando a situação. Seu desprezo era flagrante.
Caron encolheu os ombros e disse: — Acho que um pequeno show e conte não vai machucar.
— Que generosidade de alguém que cresceu tão bem — disse o líder.
— Chefe, essa bainha parece cara. Acho que tem uma pedra de mana nela — comentou o caçula.
— Cale a boca e apenas tire a espada. Se a bainha é tão chique, a própria espada deve ser ainda melhor — o líder gritou.
— Sim, senhor — disse o caçula enquanto tirava a espada da bainha de Caron. A lâmina brilhou com um brilho azul escuro quando foi revelada.
Naquele momento, apesar de sua figura corpulenta, as pernas do bandido mais jovem tremeram enquanto ele segurava Guillotine. Ele gaguejou: — S-Senhor...?
Não era apenas ele. Cada homem presente congelou de terror ao ver a espada azul escura.
Caron caminhou calmamente para frente sem um traço de medo, colocando uma mão no ombro do homem mais jovem antes de perguntar: — Você gosta da minha espada?
O homem não conseguiu responder, sua mente estava em branco de terror. Ele sentia como se a espada que segurava pudesse cortá-lo em pedaços a qualquer momento.
— Deixe-me apresentá-lo à minha espada. Seu nome é Guillotine, e também é conhecida como a Espada da Execução — disse Caron.
— P-Poupe... minha... vida... por favor... — o jovem implorou.
— Ah, a propósito — Caron continuou. Com um movimento rápido, ele agarrou Guillotine da mão do jovem e cortou seu pescoço sem hesitação.
— Parabéns, você é o primeiro cliente de Guillotine — Caron acrescentou com um sorriso malicioso.