Família Moderna: Nova Vida

Capítulo 126

Família Moderna: Nova Vida

[General POV]

— Não me agradeça ainda. Se tudo correr bem, você vai ficar me devendo uma — disse Willa com um sorriso.

E bem no momento em que ela disse isso, Cam entrou na sala de estar carregando Lily nos braços. Ela estava com um cachecol de abóbora amarrado no pescoço como se fosse uma capa. Ela parecia absolutamente adorável.

— Eu ouvi tudo! — disse Cam com seu entusiasmo exagerado de sempre. — Vai ser incrível ter você passando o Halloween com a gente, Willa!

— É, com certeza... — disse Willa com um meio-sorriso, mais com a cara de quem já sabe o que vem por aí.

— E você vai ter que usar fantasia — acrescentou Cam com solenidade. — É regra de família. Na casa da Claire, todo mundo se fantasia. Todo mundo.

Willa virou lentamente a cabeça na direção de Andrew, como se esperasse que ele a salvasse de uma execução iminente.

Andrew apenas sorriu... e balançou a cabeça, achando graça.

— É verdade — disse ele, dando de ombros. — A Claire é super rigorosa com isso. Se você aparecer sem fantasia... ela vai reparar. E provavelmente vai começar a desconfiar. O que não é uma boa ideia se a gente quiser que a pegadinha dê certo.

— Você pode usar algo simples — acrescentou Andrew, tentando soar conciliador. — Tipo uma capa de vampiro barata e uns dentes de plástico, sei lá. Só... alguma coisa que pareça que você se esforçou um pouquinho.

— A gente pode procurar alguma coisa — interveio Cam, entrando imediatamente no modo de planejador compulsivo. — Eu tenho uma caixa inteira de fantasias antigas no armário. Talvez alguma coisa que o Andrew usou antigamente caiba em você...

Willa virou a cabeça para Andrew, erguendo uma sobrancelha cética. O olhar dela foi dos ombros dele para os braços, passou pelo torso e desceu até as pernas.

— De quanto tempo atrás estamos falando? — perguntou ela secamente. — Porque eu duvido que qualquer coisa que ele tenha usado desde... sei lá, a quarta série? ... vá me servir.

Andrew, com seu físico bem-desenvolvido de *quarterback*, alto para a idade, braços musculosos, ombros largos e pelo menos 80 kg de pura musculação, sorriu com orgulho silencioso.

— É, acho que essas fantasias não vão rolar — acrescentou Willa, cruzando os braços. — A não ser que vocês queiram que eu pareça uma menininha se afogando em roupas de adulto.

Cam riu, mas concordou: — É verdade... mas a gente pode tentar algo do estoque de fantasias do Mitchell. Essas aí talvez sirvam melhor.

Andrew deu um piparote mental. — Fantasia de pai? Não, por favor... a Willa é minha amiga. Eu não quero que ela odeie o Halloween mais do que já odeia.

— Elas são tão ruins assim? — perguntou Willa, curiosa.

— Tire suas próprias conclusões — disse Andrew, tirando o celular do bolso. Ele rolou a tela e lhe mostrou uma foto.

Era Mitchell vestido de Homem-Aranha, uma fantasia barata e brilhante, com músculos de espuma costurados de qualquer jeito e a máscara puxada até a metade, revelando metade do rosto.

Ele tinha tirado aquela foto agorinha mesmo no espelho do banheiro e mandado para Andrew antes que Andrew pudesse zoar ele pessoalmente.

— Ele usou isso hoje de manhã. Tô falando sério. É uma ofensa a tudo o que o Peter Parker representa — disse Andrew, balançando a cabeça.

Willa, ao ver a imagem, recuou como se tivesse visto um cadáver mal maquiado.

— Isso é um sacrilégio! — exclamou Willa. — Um cosplay de Homem-Aranha não pode ter músculos de espuma falsos e tão ridículos!

— Obrigado! — disse Andrew, dando um tapinha de leve no ombro dela. — Finalmente alguém que entende.

Cam, completamente imune a críticas estéticas e ainda transbordando com a energia de quem dirige um musical na própria cabeça, bateu palmas empolgado. — Muito bem, muito bem. Vamos tentar outra abordagem. Nova proposta! Primeiro... Willa, de que você gostaria de se fantasiar?

Willa ficou pensativa por um momento antes de finalmente soltar: — De palhaça?

— De palhaça...? — repetiu Andrew, com um tom estranho na voz. Não era deboche, parecia mais... desconforto.

Willa percebeu na hora.

— É, de palhaça. Mas não uma palhaça feliz, claro. Uma palhaça assustadora. Tipo o It, da minissérie dos anos 90 [1]. Sempre me deu medo... mas ironicamente, é um dos meus favoritos — explicou Willa.

Andrew olhou para baixo por um segundo, cruzando os braços com um leve incômodo, como se tivesse engolido algo amargo.

Willa percebeu. Ela franziu o sobrancelha: — Que foi?

Antes que Andrew pudesse responder, Cam soltou um suspiro longo e nostálgico. — Ah... palhaços. Tão incompreendidos. Na verdade, eu já fui um. Meu personagem era o Fizbo — disse ele, como se todo mundo já soubesse de quem ele estava falando.

— Por que você sempre tem que contar sua história de vida inteira? — pensou Andrew, já sabendo onde aquilo ia dar.

— Um palhaço inocente, dedicado ao riso, aos balões e à magia das cores. O Lewis e eu, meu parceiro de dupla, costumávamos me apresentar em festas, escolas... até em desfiles. Até eu conhecer o Mitchell... e, bem, um relacionamento estável e uma carreira de palhaço nem sempre combinam.

Andrew fechou os olhos devagar. Ele já havia ouvido aquela história com frequência demais.

— Quando o Andrew estava no primário e ganhava campeonatos de futebol americano, eu costumava me vestir de Fizbo — acrescentou Cam. — Para levar alegria a ele, surpreendê-lo, tirar fotos, bolo, balões... O problema é que—

— Eu odiava — cortou Andrew sem rodeios. — Não tinha graça nenhuma. Era... perturbador.

Willa virou-se lentamente para ele, erguendo uma sobrancelha enquanto um sorriso começava a se formar em seu rosto.

— Você tem medo de palhaços, Pritchett?

— Não é medo. É... desconforto. Eu vi a minissérie *It* quando era criança, e aquilo me marcou. Ver um palhaço aterrorizante tentando arrancar o braço de uma criança não me preparou exatamente para abraçar o Fizbo na minha festa de aniversário, sabe? — retrucou Andrew, cruzando os braços.

Cam concordou com resignação: — Até que um dia, o Mitchell me pediu para parar de me fantasiar para os eventos do Andrew. Que, embora ele tolerasse, claramente não curtia. E, a partirquele dia, o Fizbo se aposentou do futebol americano infantil.

Willa olhou para Andrew com um sorriso malicioso, como se tivesse acabado de receber a melhor notícia do dia: — Então está oficializado — disse ela, elevando o tom de voz dramaticamente. — Vou me fantasiar de palhaça assustadora.

Andrew franziu a testa: — Você não disse que isso te dava medo?

— Exatamente. É por isso que eu vou fazer — respondeu Willa com um aceno de cabeça. — Além disso, se te deixa desconfortável, fica ainda mais divertido. Serei sua sombra, só tomemos cuidado para você não ter um siricutico antes da pegadinha com a Claire — acrescentou ela, inclinando-se levemente com um sorriso que claramente irritava Andrew.

— Você é sádica — resmungou Andrew.

— Quem tem moral para falar: o Sr. Pegadinha do Falso Ataque cardíaco para Matar a Tia de Sustusto. Quem é o monstro de verdade aqui? — rebateu Willa, erguendo as sobrancelhas.

— Ei, você é quem está fingindo ter o ataque cardíaco. E você curte a pegadinha, então isso não te faz melhor do que eu.

Antes que Willa pudesse responder, Cam apareceu do nada com uma caixa cheia de maquiagem nos braços. Nenhum dos dois tinha percebido quando ele saíra.

— Achei! O kit completo do Fizbo! — anunciou Cam, erguendo a caixa como se fosse uma maleta de emergência.

— Temos menos de uma hora antes de irmos para a casa da Claire!

Willa olhou para ele com uma mistura de riso e espanto: — Você sempre tem isso à mão?

Andrew respondeu antes que Cam pudesse: — Sim. É tipo o uniforme de super-herói dele. Só que em vez de capa, tem nariz vermelho e maquiagem, e em vez de combater criminosos, ele traz alegria pras crianças fazendo bichinhos de balão.

Cam concordou orgulhoso: — Exatamente.

Andrew cruzou os braços, pensativo, e caminhou até uma mesa. Ele pegou uma folha de papel e uma caneta hidrográfica: — Eu tenho uma ideia para melhorar a maquiagem...

— Agora? — perguntou Willa.

— É. É algo que me ocorreu numa noite em que eu não conseguia dormir... É mais perturbador, mais teatral. Algo assim... — disse Andrew com um falso ar de despreocupação.

Ele não ia dizer: Sou do futuro, e esse é um palhaço assustador que você vai ver nos cinemas daqui a alguns anos [2].

Ele se sentou e, com traços rápidos, começou a desenhar um rosto pálido, sobrancelhas arqueadas e pontiagudas, linhas vermelhas descendo dos olhos até a boca e uma maquiagem que parecia mais um demônio vitoriano do que um palhaço clássico.

Quando terminou, virou a folha na direção dela.

Willa olhou para o desenho: — Está perfeito.

— É mesmo?

— Sim. É feio, horrível, intenso... Eu adorei — disse Willa, fazendo uma pausa enquanto encarava o desenho com uma mistura de admiração e diversão.

— Sabe qual é a pior parte? — acrescentou ela.

— O quê?

— Eu nem sei por que pensei em me vestir de palhaça, quando... bem, eu os odeio. Eles me dão medo. Mas agora eu quero ficar com essa cara, sair arrastada de um bueiro e dizer para uma criança: *Todos nós flutuamos aqui embaixo, Georgie* [3].

Ela soltou a fala final com um tom áspero e agudo, igualzinho ao do Pennywise, com os olhos bem abertos e um sorriso anormalmente largo.

Andrew recostou-se, caindo na risada.

— Ok, uau — disse ele, rindo. — Isso foi bem mais assustador do que eu esperava. Desde que você não queira me fazer flutuar e se limite a assustar as crianças... por mim tudo bem.

Nesse momento, Cam inclinou-se, olhou para o desenho e acenou solemnemente: — Vamos precisar de mais do que apenas maquiagem — disse ele em tom grave.

— Esse rosto precisa de uma fantasia à altura.

Ele se virou para Willa com a precisão de um alfaiate da Broadway: — Vou tirar suas medidas — declarou, tirando uma fita métrica do bolso como se sempre carregasse uma.

Willa o encarou incrédula enquanto ele começava a medir as costas, os ombros, a cintura e o comprimento das pernas dela com uma eficiência desconcertante: — Você sempre foi tão metódico assim?

— Querida, eu já projetei quatro peças escolares e duas produções não oficiais de Cats. Dentro deste corpo habita um figurinista, um coreógrafo e um palhaço aposentado.

Cam terminou as tiradas de medida com um floreio dramático, estalou a fita métrica para fechá-la e disparou: — Volto em meia hora! Vou encontrar a fantasia perfeita para esse rosto que você acabou de criar. Enquanto isso, Willa, faça sua maquiagem. E você, Andrew, cuide da Lily. Não deixe ela comer mais nenhum doce.

E, dito isso, ele saiu disparado de casa como um raio, carregando a fita métrica e murmurando algo sobre tule cinza e babados estratégicos.

Andrew e Willa ficaram em silêncio por alguns segundos.

— Ele é sempre assim?

— É pior quando ele tá dirigindo alguma coisa — respondeu Andrew. — Uma vez ele chorou porque um aluno da primeira série espirrou e estragou a coreografia.

Willa deu uma risadinha abafada e pegou um dos pinceles do kit do Fizbo, caminhando até o espelho.

Enquanto Willa fazia a maquiagem, Andrew sentou-se no sofá com Lily, que brincava com um pequeno morcego de pelúcia em uma mão e uma abóbora de brinquedo macia na outra.

Ele falava com ela em tom suave, imitando sons de monstros toda vez que ela tentava morder o brinquedo.

Lily caiu na risada com a voz de "monstro" que Andrew estava fazendo.

Willa não pôde deixar de sorrir para si mesma. Se continuasse assistindo aquilo... sua maquiagem ia derreter.

— Ei, *quarterback* — chamou ela, ainda o observando pelo espelho. — Pode me dar uma mãozinha com isso?

— Com o quê? — perguntou Andrew.

— Preciso que você marque o contorno das minhas sobrancelhas com um lápis branco. Se eu errar, vou estragar o visual inteiro — respondeu Willa.

Andrew a encarou com uma mistura de dúvida e resignação: — Tem certeza? Eu não sou exatamente um especialista em maquiagem.

— Nem eu, mas estamos aqui, improvisando — rebateu Willa.

— Tá bom... — disse Andrew, ajeitando Lily em sua cadeirinha com os brinquedos dela.

Willa lhe entregou o lápis e ele o pegou com cuidado. Ele ficou bem na frente dela, a centímetros de distância.

A proximidade era inevitável.

Ela o encarava com aqueles olhos azuis intensos, arregalados, sem piscar. Como se estivesse estudando-o.

Andrew concentrou-se em traçar a linha acima da sobrancelha esquerda dela, mas os dedos tremiam de leve.

Não de nervosismo.

Quer dizer, não exatamente.

— Por que seus olhos tão tão arregalados? — perguntou ele finalmente, sem encará-la. — Você é muito... intensa.

— Porque você tá desenhando no meu rosto — respondeu Willa com um sorriso mal contido. — E porque eu tô esperando você errar para fazer escândalo.

— Minha teoria de que você é sádica só se fortalece — resmungou Andrew. Willa, claro, ouviu devido à proximidade, mas não respondeu.

— Você tem a mão mais firme do que eu esperava para um cara obcecado por esportes e musculação — disse Willa, baixando a voz.

— Isso foi um elogio ou um insulto disfarçado? — perguntou Andrew, franzindo levemente a testa enquanto se concentrava em manter o traço limpo.

— Os dois — respondeu ela, com seu tom mais característico. — Suas mãos são mais... precisas do que eu pensava.

— Lógico, essas mãos vão valer milhões num futuro próximo — soltou Andrew com um leve sorriso.

Willa estreitou os olhos com um sorriso torto: — Nossa, zero humildade. Seus fãs no YouTube sabem dessa falta de modéstia?

— Só tô sendo realista — disse Andrew.

Por fim, Andrew recuou alguns centímetros e a analisou: — Pronto. Você tá... simétrica, talvez.

— Obrigada, doutor — retrucou ela, virando a cabeça para se olhar no espelho.

— E você? — perguntou Willa, ainda examinando o próprio reflexo. — Vai fantasiado de quê hoje à noite?

Andrew recostou-se no sofá, cruzando os braços: — Michael Myers.

Willa virou-se devagar para ele, erguendo uma sobrancelha: — O assassino mascarado que anda super devagar e de alguma forma se teleporta quando ninguém tá olhando?

— Esse mesmo — concordou Andrew com um sorriso.

Ela o avaliou de cima a baixo por um momento, com olhar crítico.

— Bom... presença você tem, com certeza. Você é alto — disse ela, como se fosse apenas uma constatação casual. — E tem porte físico também. Vai dar medo sem nem precisar tentar.

Andrew ergueu uma sobrancelha, achando graça: — Isso foi um elogio, Willa?

— Foi uma constatação — respondeu ela com um meio-sorriso, ajeitando uma mecha de cabelo atrás da orelha. — De uma atriz que se importa com os detalhes. Nada mais.

— Então o It te dá medo, mas você tá de boa se vestindo de um cara que esfaqueia os outros com uma máscara sem expressão? — perguntou Willa, mudando rapidamente de assunto.

— A fantasia é confortável. Não preciso falar. Só ficar lá parado encarando — respondeu Andrew, dando de ombros. — Pulo a maquiagem e evito interação humana com as crianças.

— Opa, eu não sabia que você era antissocial no Halloween — riu Willa.

Eles continuaram conversando enquanto o tempo passava, até que finalmente Cam irrompeu no cômodo com uma bolsa de pano e uma expressão triunfante.

Ele trazia uma fantasia completa: tecido envelhecido, babados escuros, renda rasgada estrategicamente. A mistura perfeita entre o teatral e o perturbador. Parecia algo saído diretamente de um filme de terror *vintage*, mas com estilo.

Willa não disse uma palavra ao recebê-la. Apenas acenou, satisfeita, e foi direto para o banheiro trocar de roupa e finalizar a maquiagem.

Enquanto isso, Andrew vestiu seu macacão azul-escuro, calçou as botas e deixou a máscara pronta para usar a qualquer momento.

Quando Willa saiu do banheiro, ela estava completamente transformada.

Seu rosto estava pintado de branco com linhas estilizadas descendo dos olhos em formato de lágrimas distorcidas, lábios vermelhos e sobrancelhas esfumadas que davam a impressão de uma expressão perpetuamente zombeteira.

Por cima, o modelito: justo ao corpo, com babados sutis e elementos góticos, uma versão moderna e feminina do Pennywise, muito mais elegante do que o original de 1990, que parecia apenas um palhaço comum bizarro.

Cam a recebeu com uma salva de palmas contida e um sorriso orgulhoso.

Alguns minutos depois, a porta da frente se abriu e o Mitchell entrou, ainda vestindo a fantasia barata de Homem-Aranha. Ele ostentava uma expressão sombria.

— Eu não quero falar sobre isso — anunciou ele sem olhar para ninguém, cruzando a sala e indo direto para o quarto em completo silêncio.

Ninguém perguntou nada.

Apenas Cam sabia que, no novo emprego de Mitch, ele e outros dois paspalhos tinham sido os únicos a aparecerem fantasiados.

Quando Mitchell reapareceu, já não vestia a fantasia. Apenas roupas normais e um semblante neutro.

Cam, que normalmente o arrastaria de volta para se fantasiar de novo, mal conseguiu jogar uma capa preta lisa sobre o próprio traje. Seu entusiasmo agora estava totalmente focado na obra-prima que era a fantasia de Willa e em ver a reação da Claire.

O relógio marcava 18h50 quando eles saíram em direção à casa dos Dunphy.


[1] - *It: Uma Obra-Prima do Medo* (It), minissérie de terror de 1990 baseada no livro de Stephen King.

[2] - Referência a *It: A Coisa* (2017), filme em que o visual do palhaço Pennywise ganhou um aspecto mais gótico, vitoriano e aterrorizante.

[3] - Frase icônica dita por Pennywise no livro e nas adaptações cinematográficas de *It*.

Comentários