Família Moderna: Nova Vida

Capítulo 112

Família Moderna: Nova Vida

No domingo, 1º de outubro, Andrew postou um vídeo curto, de cerca de cinco minutos, em seu canal, onde agradeceu de forma emocionada aos inscritos por o ajudarem a alcançar a marca de um milhão.

No vídeo, ele anunciou um encontro com fãs, voltado para quem morava perto ou podia viajar. Aconteceria em um shopping mais afastado de sua casa, para manter uma certa distância, já que ele não queria se expor acidentalmente [1].

Ele já havia conversado sobre isso com seus pais, que, embora um pouco preocupados com a logística, acabaram apoiando a ideia. Cam, em especial, estava empolgado.

Para Cam, parecia algum tipo de estreia ou evento de tapete vermelho, mas para uma celebridade nascida na internet.

A data seria no domingo seguinte, 8 de outubro, às quatro da tarde, exatamente uma semana após o anúncio. O ponto de encontro: a área da fonte central do shopping.

O vídeo já contava com as seguintes estatísticas no YouTube:

📺 PASSAMOS DE 1 MILHÃO! | ENCONTRO COM INSCRITOS + OBRIGADO POR TUDO

👤 Andrew Pritchett-Tucker

📌 1.000.571 inscritos

👁️ 284.112 visualizações | ⏳ Postado há 6 horas

💬 7.984 comentários

Números expressivos para apenas as primeiras seis horas, tanto em visualizações quanto em comentários.

Normalmente, Andrew postava de dois a três vídeos por semana. Dois deles eram focados no futebol americano de sexta-feira à noite:

Um era um vídeo de pré-jogo, onde ele e seus colegas analisavam os adversários, faziam previsões e mostravam os preparativos antes da partida. Esses vídeos pareciam uma mistura de blog esportivo com conversa de vestiário: sérios quando necessário, mas sempre com aquele toque divertido vindo das brincadeiras e debates com seus amigos.

O segundo era um resumo da partida, com os melhores lances, análise tática, momentos intensos ou emocionantes e até alguns clipes dos bastidores do vestiário ou da linha lateral, sempre com a permissão da escola, claro.

O terceiro vídeo semanal, geralmente postado no meio da semana, era mais pessoal ou voltado para o estilo de vida. Mostrava sua rotina de treinos, dicas de nutrição, desafios de condicionamento físico ou dieta, trechos do seu dia a dia ou apenas vlogs de fitness voltados para jovens.

Cada vídeo tinha uma média de 300.000 a 500.000 visualizações.

Portanto, para este vídeo de agradecimento e anúncio de encontro atingir quase 300 mil visualizações em apenas seis horas foi incrível. Ainda assim, era esperado; o especial anterior de meio milhão dele também havia atraído mais visualizações e popularidade.

Mas este não era o verdadeiro especial. Era apenas um agradecimento inicial, um vídeo curto para anunciar o encontro de inscritos. O especial de verdade ainda estava a caminho, e ele já tinha tudo planejado.

— Se este vídeo já conseguiu quase trezentos mil visualizações em seis horas... não consigo imaginar o que o especial vai atrair — pensou Andrew, meio deitado na cama, com as costas apoiadas na cabeceira e o notebook repousando sobre as pernas.

Ele estava navegando pelos comentários do seu vídeo mais recente. Havia muitos comentários. Alguns eram de pura empolgação, outros faziam perguntas sobre o encontro, outros queriam saber se este era o especial ou se ele tinha planejado mais alguma coisa, etc.

[Seção de Comentários]

@Clarence77: Vou estar lá, mesmo que eu tenha que pegar dois ônibus e andar mais de dez quadras. Vai me levar quase duas horas.

@Tom92: Meu irmãozinho vai usar uma camisa com o seu rosto estampa nela. Ele diz que, se você autografar, nunca mais vai lavar. Tenha medo.

@Benchwarmer89: Só vou para assistir. Se o Andrew tentar me fazer correr, pagar flexões ou algo assim, vou me jogar no chão e fingir uma lesão na coxa.

@StatMan89: Quase 300.000 visualizações em seis horas. O especial vai bater recordes.

@JustJoey: Quem mais vai estar no shopping? Talvez a gente possa se encontrar antes do evento.

@MaxTorque: Imagina estudar na mesma escola que ele e ver tudo isso acontecer em tempo real. É como testemunhar o nascimento de uma lenda.

@monkeyD (respondendo a @MaxTorque): Mano, a gente tá testemunhando em tempo real graças aos vídeos.

@Oldschool69: No আমার tempo, quarterback não fazia vlog. Fazia flexão e perdia os dentes por respeito.

@QBQueen69: SE EU TE VER, EU MORRO. VOU COM UMA CAMISA QUE DIZ "CASADOURA" [2] E NÃO TÔ BRINCANDO 😍🔥

@AndrewFanPage1: Acompanho o Andrew desde que ele tinha 2.000 inscritos. Isso parece uma vitória pessoal. Vejo vocês lá!

@Niceguy777: Tô prestes a furar o aniversário da minha namorada por causa disso. Foi mal, Sophie, mas o Andrew é o Andrew.

@EaglePride67: Droga! Não consigo ir, estou do outro lado do país, mas vou assistir ao vlog assim que sair.

@WillSBW27: Não entendo todo esse hype. Ele é só um garoto do ensino médio fazendo vídeos. E daí que ele tem um monte? Tem garotos da idade dele em divisões melhores que realmente treinam e não ficam só fazendo show.

@Kiraman52 (respondendo a @WillSBW27): Show? Cara, ele bateu recordes na divisão e fez a CIF [3] subir de categoria no primeiro year dele de ensino médio. E se você não gosta, não assiste.

— Eu vou ficar bem... né? — pensou Andrew, com uma expressão meio estranha enquanto continuava lendo os comentários no notebook.

A mensagem de @QBQueen69, dizendo que ia usar uma camisa escrita "CASADOURA", ainda o deixava processando a informação. Não era o único comentário intenso, mas com certeza levava o prêmio.

— Por que o Capitão América consegue se garantir contra o Homem de Ferro? — perguntou Pippa de repente, sem tirar os olhos da história em quadrinhos que estava lendo.

Ela também estava deitada na cama, mas na direção oposta à de Andrew, profundamente concentrada em uma das muitas HQs que Andrew tinha em sua coleção.

Normalmente ela não curtia muito aquilo, mas dessa vez tinha escolhido uma por curiosidade... e talvez também para compartilhar um pouco mais do mundo de Andrew.

Quando não obteve resposta, ela franziu levemente a testa, virou-se um pouco e percebeu que Andrew ainda estava absorto na tela do notebook, sem notar que ela havia falado.

Ela deu dois petisquinhos com o pé no braço dele. — Ei. Tô falando com você — disse ela em um tom amigável.

Andrew piscou, como se despertasse de um transe, e virou o rosto em direção a ela. — Hein? Foi mal... o que você disse?

Pippa ergueu a HQ e deu uma leve chacoalhada no ar, como se fosse uma evidência. — Tô lendo essa parte em que o Capitão América luta contra o Homem de Ferro, bem no meio da rua, e ele meio que tá dando uma surra nele — disse ela, fazendo uma pausa para olhar as ilustrações.

— Eu não entendo. O Homem de Ferro tem uma armadura multimilionária com armas de alta tecnologia, propulsores, sensores, lasers... e o Steve só tem um escudo e um pouco de força a mais, e ele ganha? — acrescentou ela, ajeitando a posição na cama.

— Guerra Civil, né? — perguntou Andrew, e Pippa assentiu.

— O Cap não luta só com força. Ele tem muita experiência, instinto — mais do que o Tony. É por isso que ele consegue encarar de igual para igual — disse Andrew.

— O Tony não precisa de doutorado em experiência de batalha para vencê-lo. Ele podia simplesmente levá-lo voando para o espaço e deixá-lo sem oxigênio. Ou soltá-lo de quinhentos metros de altura. Ou simplesmente derreter o escudo com um laser. Por que ele não faz isso? — disse Pippa.

— Bem... o escudo não pode ser derretido com a tecnologia que o Tony tem. É feito de... proto-adamantium, um metal especial. Vem de Wakanda — respondeu Andrew.

Quanto às outras táticas de batalha que Pippa havia sugerido... eram mais difíceis de retrucar.

— Waka-o quê? — repetiu Pippa, franzindo levemente a testa.

— Wakanda. É... bem, você vai ter que ler mais alguns quadrinhos para as coisas poerm começar a fazer sentido. E conhecer os outros heróis também. Guerra Civil tem muitos personagens e vários conflitos em andamento de histórias anteriores — respondeu Andrew.

Pippa olhou para ele com uma mistura de resignação e diversão: — Isso dá mais trabalho do que eu pensava.

— Entender a cronologia dos quadrinhos da Marvel é um emprego em período integral — brincou Andrew, fechando o notebook e virando-se um pouco em direção a ela —, e isso sem contar os multiversos, versões alternativas, eventos que alteram a linha do tempo, crossovers com outros universos...

— Multiversos? — repetiu Pippa, meio incrédula, meio sobrecarregada. — Isso parece mais complicado do que os deveres da escola.

Andrew riu.

— Parece mesmo. Mas com a minha orientação personalizada, posso tornar isso fácil e até divertido. Bem... divertido se você curte esse tipo de coisa. Você nunca foi muito fã de super-heróis ou quadrinhos... O que despertou esse interesse de repente? — perguntou ele, olhando para Pippa com curiosidade.

Pippa abaixou um pouco o quadrinho, apoiando-o na barriga, e olhou para ele sem responder imediatamente.

Eles estavam namorando há um bom tempo. Na verdade, estavam perto de completar um ano. Não parecia muita coisa, mas para um primeiro relacionamento na adolescência, parecia uma eternidade, especialmente em comparação com a maioria dos garotos da idade deles.

O relacionamento deles não se baseava em compartilhar os mesmos hobbies.

Andrew era futebol americano, videogames, YouTube e quadrinhos.

Pippa era ciência, filosofia, história e debates profundos sobre temas que Andrew às vezes misturava com nomes de jogadores da NFL.

E tudo bem. Nenhum deles esperava que o outro gostasse do que gostava.

Ainda assim, eles compartilhavam o que realmente importava:

O mesmo senso de humor, uma visão crítica do mundo, a capacidade de rir de qualquer coisa juntos, maratonar filmes que não fossem nem sérios demais nem bobos demais, e uma química que não precisava de hobbies em comum para fazer sentido.

Pippa sustentou o olhar dele por um momento antes de falar.

— Eu não sei... talvez eu só quisesse ver o que torna isso tão especial — começou ela, com o tom calmo. — E eu vi você conversando com a Willa outro dia. Sobre quadrinhos... Você parecia muito envolvido.

Andrew assentiu lentamente, lembrando-se do momento.

— É, mas a gente tava falando de Star Wars. E não é a primeira vez que você me vê falando assim sobre quadrinhos. Você já me viu fazer isso com o Leonard, com o Howard. Então por que agora? — perguntou ele, erguendo uma sobrancelha e olhando para ela com curiosidade.

— Porque dessa vez você tava falando com uma garota. E, vamos ser sinceras, é raro ver uma garota tão CDF quanto a Willa e que também seja... tão bonita — respondeu Pippa.

A resposta dela foi mais sincera do que ciumenta.

Andrew abriu a boca para responder, mas só conseguiu dizer: — Ah...

Por um momento, sua mente relembrou a primeira briga deles e a cena que Pippa havia armado por causa da Regina. Entrar naquele tipo de discussão de novo pareceria um passo para trás.

Mas Pippa, como se lesse sua mente, falou logo em seguida, com as palavras saindo mais rápido, como se quisesse despejar tudo de uma vez só:

— É ciúme? Provavelmente, um pouco, mas não do tipo dramático, nada a ver com o que rolou com a Regina. Não vou fazer escândalo... Só bateu diferente, sabe?

Antes que Andrew pudesse dizer qualquer coisa, Pippa já estava falando de novo, ainda mais rápido agora, como se quisesse deixar claro que não era insegurança infantil, mas algo mais... observável.

— Na nossa idade, é comum. São impulsos cerebrais. Mudanças hormonais intensas, especialmente na amígdala e no sistema límbico, que interferem no julgamento racional. Junte a isso a ocitocina e a dopamina liberadas quando você está perto de alguém de quem gosta, e isso mexe com a sua percepção emocional e desencadeia reações como essa. O cérebro adolescente é quimicamente instável, a culpa não é minha. Tecnicamente falando, o que eu senti foi uma resposta emocional espontânea causada pelo fato de eu estar apaixonada por você.

Silêncio.

Andrew, que estava recostado na cabeça da cama com o notebook no colo, endireitou-se devagar. Ele colocou o computador de lado. — Você disse que tá apaixonada por mim?

Estar apaixonado por alguém não é a mesma coisa que apenas gostar da pessoa. Muitos casais adolescentes e até adultos podem simplesmente gostar de seus parceiros, um sentimento mais superficial.

Mas estar apaixonado é um estado emocional muito mais intenso, caracterizado por atração profunda, uma forte conexão emocional e o desejo de estar com aquela pessoa. Envolve compromisso emocional e a vontade de construir um relacionamento duradouro.

Pippa congelou. Seus olhos se arregalaram um pouco... e então, sem dizer uma palavra, ela levantou o quadrinho que estava apoiado em sua barriga e cobriu o rosto inteiro com ele, virando-se levemente para o outro lado.

— Não. Você ouviu errado — respondeu Pippa, com a voz abafada por trás das páginas.

Andrew se inclinou para frente, agora sentado bem na frente dela.

— Eu ouvi sua explicação científica todinha, complexa e cheia de palavras difíceis... — disse Andrew com um sorriso —, e você sabe qual foi a parte mais clara de todas?

Ele colocou a mão sobre a revista em quadrinhos e a abaixou devagar do rosto de Pippa, revelando suas bochechas completamente coradas.

— Que você tá apaixonada por mim — completou ele.

— Bem... foi um acidente linguístico. Não foi programado — retrucou Pippa, desviando o contato visual.

— Ah, é? Pois fique sabendo que eu tô programado para sentir o mesmo — disse Andrew com um sorriso de canto, aproximando-se um pouco mais.

Pippa finalmente olhou para ele, meio surpresa, meio cética: — É? Bom, eu não acredito em você.

— Por que a dúvida? Tô sendo sincero — disse Andrew, fingindo estar magoado. Ele não estava mentindo.

— Porque eu nunca te vi com ciúmes — respondeu Pippa, como se fosse a coisa mais lógica do mundo.

— E o que é que isso tem a ver? —

— Tem tudo a ver. É claro que você ficaria com ciúmes se estivesse apaixonado. Eu tô apaixonada por você e já tive, digamos, duas crises de ciúmes... Uma com a Regina e agora outra com a Willa, quando te vi conversando sozinho com ela no seu quarto outro dia. Tô lidando melhor com essa segunda. Não quero que nosso relacionamento vá pelos ares por causa de inseguranças ou bobeiras — disse Pippa com firmeza, fazendo uma pausa para recuperar o fôlego.

— Eu tô tentando ser madura. Não a típica namorada grudenta que faz escândalo por tudo. Mas seria legal... sei lá, sentir que você poderia sentir algo parecido — acrescentou ela.

— Não é que eu não sinta ciúmes, Pippa. É claro que eu sinto. Mas... você tá sempre no seu próprio mundo, sabe? E além disso, nosso grupo de amigos é pequeno e em comum. É difícil sentir ciúmes quando te vejo conversando com o Zach, o Kevin ou até com o Leonard — disse Andrew com franqueza.

Pippa assentiu, compreendendo.

— Entendo seu ponto... — disse ela, erguendo uma sobrancelha com malícia fingida —, mas me diz, como você reagiria se o Howard tentasse usar uma de suas técnicas de flerte 'infalíveis' em mim?

Andrew não conteve o riso: — Sinceramente? Eu acharia hilário. Principalmente porque seria interessante ver quantos segundos você levaria para destruir ele verbalmente.

— Depende de quão sexualmente imprópria for a cantada — disse Pippa com total seriedade. — Mas eu diria que entre seis e oito segundos. Dez se eu estiver com paciência.

— Mas falando sério... eu ficaria com ciúmes se você conhecesse outro cara. Um cara inteligente... meu calcanhar de Aquiles — disse Andrew, com o tom voltando a ficar sério, embora tenha falhado um pouco no final.

— Calcanhar de Aquiles? — perguntou Pippa.

— É. Você sabe que eu não sou exatamente o mais brilhante da turma quando se trata de história, filosofia ou todas essas coisas que você ama. Minha praia é mais futebol americano, videogames, quadrinhos... Eu não acho que sou um idiota, mas definitivamente não sou acadêmico — disse Andrew, dando de ombros.

Pippa ficou em silêncio por um instante, olhando para ele com uma expressão suave, sem zombaria ou condescendência.

Então ela colocou a mão sobre a dele e falou com a voz calma: — Eu não preciso que você seja um acadêmico para estar apaixonada por você. E mesmo se um dia aparecer um cara super inteligente, alguém que entenda todas as minhas leituras e tente dar cima de mim falando de filosofia existencialista ou história antiga... eu nunca olharia para ele desse jeito.

Ela fez uma pausa, sorrindo de leve: — Porque ele não se compararia a você. Porque você também é inteligente, só que em áreas diferentes. Você entende de nutrição, treinamento, história dos esportes. Até em quadrinhos e videogames você dá uma surra no Leonard ou no Howard em debates nerds, e isso é muita coisa considerando que o QI do Leonard é altíssimo.

— Hum, valeu — disse Andrew com um sorriso pequeno, olhando de relance para a mão de Pippa apoiada na sua.

Pippa percebeu o olhar pensativo dele e fez questão de garantir que suas palavras realmente ecoassem: — E você não precisa tirar dez em tudo ou ler livros eruditos para ser inteligente, Andrew.

— Inteligência não é só acadêmica. Por exemplo, você toma decisões brilhantes em cada jogo. Sua mente funciona rápido. Você lê jogadas em segundos, ajusta formações, acha buracos na defesa como se tivesse um radar. Isso também é inteligência. É visão, lógica, tomada de decisão no calor do momento, pensamento estratégico sob pressão. —

Andrew olhou para ela em silêncio por alguns segundos, processando as palavras dela.

— Entendi... Então, agora que você sabe que eu poderia ficar com ciúmes se algum estranho superinteligente aparecesse perto de você... você acredita que eu tô apaixonado por você? — perguntou ele, fitando-a.

Pippa sustentou o olhar dele, mais confiante agora: — Sim. Estamos quites. Em equilíbrio emocional. Duas pessoas ciumentas, mas funcionais — disse ela baixinho, com um sorriso.

— Eu curti isso aí — disse Andrew.

— Eu sei. Sou brilhante.

— E modesta. —

— Mais uma das minhas muitas virtudes — retrucou Pippa, erguendo o queixo de forma expectante, à espera de um beijo.

— Essa é a sua forma sutil de pedir um beijo? — perguntou Andrew, aproximando-se devagar dela.

— Não, a forma sem vergonha — respondeu Pippa com um sorriso maroto, e Andrew a beijou.


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