Família Moderna: Nova Vida

Capítulo 101

Família Moderna: Nova Vida

Andrew saiu do vestiário e, já do lado de fora do estádio, deu de cara com a sua família.

Mitchell foi o primeiro a se aproximar, com Cam bem na sua cola.

— Esse foi o passe mais lindo que eu já vi na minha vida! — exclamou Cam, dramático como sempre, abrindo os braços para abraçá-lo e tentando tirá-lo do chão.

— Pai, você sempre diz isso… — disse Andrew, deixando-se abraçar.

Mas, quando Cam tentou levantá-lo, mal conseguiu tirar os calcanhares do solo antes de tropeçar para trás com uma careta de esforço.

— Ai, meu Deus do céu, você pesa como um tanque! O que você está comendo? Cimento? De onde vem todo esse peso? — perguntou ele, soltando-o com um suspiro e tentando entender onde o peso do filho estava escondido.

Andrew tinha 1,83 m de altura e pesava 81 quilos [1]. Sua constituição era atlética, com ombros largos, tronco bem treinado e pernas potentes (graças aos treinos constantes desde a infância e a uma genética favorável). Ele não era gigantesco, mas era pesado e forte o suficiente para que levantá-lo não fosse exatamente uma tarefa fácil.

[1] - Na medida original: 6 pés de altura e 180 libras.

— Músculos — respondeu Andrew com um sorriso, dando de ombros.

— Ótimo jogo, filho — disse Mitchell, mais sóbrio que Cam, mas com um sorriso genuíno e orgulhoso.

— Obrigado — respondeu Andrew, sorrindo.

Mas então, como se fizesse uma grande entrada coreografada apenas em sua própria mente…

— Oooonde está o meu quaaterback faaavorito!? — cantorionou Phil, caminhando em direção a eles com passos estranhos — uma mistura de dancinha rebolando o quadril e uma marcha improvisada que não seguia ritmo reconhecível algum.

Ele usava um boné personalizado com a inscrição "PHS Eagles – QB #1" em letras brilhantes e bordadas. Claramente algo que ele mesmo tinha feito… provavelmente em algum site de produtos personalizados.

— Phil, por favor… — murmurou Claire, colocando uma mão na testa, incapaz de esconder a vergonha alheia.

— Isso é espírito de família, Claire! — retrucou Phil, apontando para ela sem perder o ritmo.

Ele parou na frente de Andrew e estendeu as duas mãos, preparando-se para um cumprimento elaborado.

Andrew entrou na brincadeira. Ele bateu os punhos com os de Phil, depois as palmas, em seguida os nós dos dedos e, por fim, deu um toque no peito, como uma comemoração após um touchdown.

— É isso aí! — disse Phil animado, dando-lhe um tapinha nas costas.

— Tem que manter o show vivo — respondeu Andrew com um sorriso.

Phil sorriu com orgulho. Não apenas pelo jogo… mas porque Andrew sempre entrava na onda. Ele nunca o fazia se sentir bobo. E aquilo, vindo de um adolescente, valia ouro.

— Me ensina a fazer uma finta daquelas! Parece muito mais divertido do que só jogar a bola! — gritou Luke com entusiasmo,imitando os movimentos de Andrew enquanto esquivava de defensores imaginários.

— Aprende a amarrar os cadarços primeiro — disse Alex com sarasmo.

— Ou a falar sem babar — acrescentou Haley.

— Ou… — Alex estava prestes a continuar, mas parou ao captar o olhar da mãe, um olhar que dizia claramente: "Parem de implicar com o irmão de vocês".

Luke, alheio à tensão, continuou praticando suas fintas desajeitadas ali no canto, resmungando algo sobre ser o próximo Eyeshield 21.

E então Jay apareceu. Ele não disse "bom jogo" nem foi abraçá-lo.

— Você correu mais do que o normal — disse ele, indo direto ao ponto.

Andrew ergueu os olhos. Ele sabia exatamente o que o avô queria dizer. Jay não era bobo; ele tinha percebido que algumas jogadas foram salvas porque o próprio Andrew correu com a bola, quando o ideal seria que os recebedores tivessem ficado livres.

— Eu sei… — respondeu Andrew, olhando ao redor. — Os novos recebedores não estão afiados. E o Steve… ele está jogando mal, mesmo tendo talento. Ele não corre as rotas direito, não se adapta. Está dificultando as coisas.

Jay não disse nada por alguns segundos. Ele estudou o rosto do neto. A seriedade, a compostura, a capacidade de analisar um jogo que acabara de terminar.

Então, o que parecia ser uma rachadura em sua expressão se transformou em um sorriso fraco.

— Você foi bem. Nem todo jogo se ganha com tudo funcionando perfeitamente. E, mesmo assim, você garantiu que este fosse vencido.

Andrew olhou para ele. Jay não era de elogiar facilmente.

— Obrigado, velhote. Ficando sentimental ou o quê? — disse Andrew com um sorrisinho de canto, sabendo o quão raro era ouvir um elogio do avô.

— Cala a boca, moleque — disse Jay com uma risada seca, dando-lhe um tapinha firme nas costas antes de caminhar em direção à sua caminhonete.

Gloria e Manny também o parabenizaram pela partida.

— Você jogou como um tigre, mi amor. Tão forte, tão corajoso! — disse Gloria, transbordando de orgulho enquanto o abraçava com força.

— Obrigado — respondeu Andrew, imaginando em silêncio como Gloria conseguia ser tão forte.

— Quero oferecer um jantar amanhã lá em casa — anunciou Gloria, olhando para todos ao redor. — Comida colombiana, dos meus ancestrais. Para provarem o que é um verdadeiro tempero de família.

— Ooh, comida colombiana! Demais, sempre quis provar essa culinária! — disse Phil entusiasmado, já imaginando o banquete delicioso do dia seguinte.

— É, claro, nós vamos — disse Mitch com um aceno de cabeça. — Mas… de onde veio essa vontade repentina de fazer um banquete colombiano?

— Minha avó, que Deus a tenha, me apareceu em um sonho e disse que estou perdendo o contato com minhas raízes — respondeu Gloria dramaticamente, colocando a mão sobre o coração e olhando para o céu.

Cam assentiu como se aquilo fosse uma revelação sagrada.

Mitchell, por outro lado, piscou devagar. — Certo... Faz todo o sentido — murmurou para si mesmo.

Enquanto a conversa continuava, Andrew ergueu o olhar e avistou sua namorada, Pippa, à distância. Ela estava com a amiga Cara e — como sempre — o trio esquisito, porém inseparável, de Leonard, Howard, Zach… e Willa.

Um grupo que não fazia o menor sentido no papel, mas que de alguma forma funcionava perfeitamente na prática.

Willa havia entrado para o grupo alguns meses antes, quando se conheceram na Comic-Con. O que começou como um confronto entre ela e Andrew por causa de uma minatuira do Arqueiro Verde virou uma amizade inesperada.

E como ela parecia não se encaixar de verdade em nenhuma outra turma, nem em Hollywood nem na escola, passou a andar cada vez mais com o trio. Com o tempo, acabou integrando o grupo maior que incluía Pippa, Cara, Zach e Haley.

Quando Haley a conheceu, sendo uma grande fã de Gossip Girl, a amizade foi instantânea.

Haley e Willa falavam a mesma língua: moda, sarcasmo e autoconfiança.

Quanto a Pippa e Cara, elas não tiveram problema algum em recebê-la no grupo. Achavam curioso que uma atriz de Hollywood de 17 anos pudesse ser tão CDF a ponto de derrotar Leonard, Andrew ou Howard em debates de Star Wars.

Mas elas já estavam acostumadas com a ideia de que um quarterback de elite fosse um completo nerd, então aceitar uma atriz CDF não foi nada difícil de digerir.

Andrew e Haley começaram a caminhar em direção ao grupo.

— E aí, pessoal, onde vocês estavam? — perguntou Andrew.

Mas antes que alguém pudesse responder, Pippa já havia dado um passo à frente e, sem dizer uma palavra, o abraçou e o beijou.

— Você jogou demais — disse Pippa, com uma das mãos ainda apoiada no peito dele. — Mesmo tendo corrido mais do que o normal, você foi brilhante.

Ela sabia do problema de Andrew com os recebedores, especialmente com Steve. Não era um problema de um jogo só.

E embora Andrew gostasse de ser um quarterback capaz tanto de correr quanto de passar — um verdadeiro dual-threat quarterback [2] —, ele nem sempre queria ter que fazer tudo sozinho.

[2] - Quarterback versátil, que representa perigo tanto correndo quanto passando a bola.

Ele gostava de resolver as jogadas com as pernas quando a situação exigia, e não por falta de outra opção.

Um quarterback versátil é um jogador que representa uma ameaça para a defesa tanto correndo quanto passando a bola.

— Obrigado — murmurou Andrew, olhando nos olhos dela com um sorriso.

O grupo silenciou por um momento.

Cara deu um sorriso fraco e desviou o olhar, assobiando baixinho.

Leonard olhou para o chão, como se de repente precisasse estudar a textura da grama.

Howard abriu a boca como se fosse dizer algo… mas não disse.

Willa permaneceu no mesmo lugar, de braços cruzados. Ela não falou, não sorriu, não franziu a testa. Apenas observava, com aqueles olhos que pareciam sempre analisar muito mais do que deixavam transparecer.

— Não vão me dar oi? — perguntou Haley, aproximando-se de Willa com um sorriso largo.

— Ah, Haley… — disse Willa, virando a cabeça como se desperta-se de um transe.

As duas então trocaram um abraço rápido, como amigas de longa data.

— O que achou do meu look? — perguntou Haley ao se afastarem. — Incrível, né?

— Sempre tão modesta? — retrucou Willa com um sorrisinho, avaliando a roupa de Haley.

— Óbvio. A modéstia é a minha qualidade mais subestimada — rebateu Haley, cumprimentando em seguida Cara, Howard, Leonard e Zach.

Haley e os outros começaram a conversar, dando um pouco de espaço para Andrew e Pippa, que continuavam em seu próprio mundinho, com os braços ainda envoltos um no outro, conversando em tom suave.

— Quer vir lá em casa amanhã comer comida colombiana? A Gloria vai cozinhar — chamou Andrew, com as mãos ainda na cintura de Pippa e a testa quase encostada na dela.

A própria Gloria havia dito que ele podia convidar Pippa se quisesse.

— Comida colombiana? — repetiu Pippa, pensativa. — Nunca provei… mas parece delicioso. É claro que eu vou.

Pippa estava prestes a se afastar para se juntar ao resto do grupo, pois sabia muito bem que estavam ficando melosos demais, quando Andrew puxou delicadamente a mão dela para mantê-la por perto.

— Espera — murmurou ele, baixando a voz para um tom mais profundo, quase conspiratório.

— Preciso te falar outra coisa.

Ela ergueu uma sobrancelha, curiosa. — O que foi? — perguntou.

Andrew aproximou-se ainda mais, como se não quisesse que mais ninguém ouvisse.

— O Archie… me perguntou no vestiário se podia colar lá em casa hoje à noite, no encontro… e se eu podia dar uma força para ele… se aproximar da Willa.

— Ah… — disse Pippa, incapaz de conter uma leve carranca.

Nas noites de sexta-feira depois dos jogos, Andrew não saía para festas. Esse não era o estilo dele, nem o de Pippa.

Em vez disso, ele recebia o que Howard certa vez chamou de "reunião sagrada" em sua casa.

Um ambiente descontraído com amigos de verdade. Sem música alta, sem copos vermelhos espalhados pelo chão.

Jogos de tabuleiro, filmes, junk food, conversas aleatórias e risadas genuínas.

O núcleo principal era sempre o mesmo: Pippa, Zach, Cara, Leonard, Howard, Willa e agora também Haley. Desde que entrou para o grupo, Haley passou a curtir de verdade aquelas noites tranquilas.

Sem namorado, já que Dylan tinha se formado e o namoro à distância não dera certo, ela descobriu que aquela nova turma era exatamente o que precisava, não sentindo mais aquela urgência desesperada de ir a festas todo fim de semana.

Kevin, o amigo fiel de Andrew, também fazia parte. Ele não curtia baladas e realmente se divertia ali.

De vez em quando, Archie ou Reggie apareciam também. Eles eram mais chegados a festas, mas até eles admitiam que aquelas noites eram muito divertidas.

O problema com o pedido de Archie era que Leonard nutria sentimentos por Willa.

Ou pelo menos era isso que Andrew and Pippa suspeitavam. Ele nunca dizia isso em voz alta, mas Pippa era muito observadora e havia percebido. Ela contou a Andrew e, após prestar mais atenção, ele também notou.

E agora Archie, direto, impulsivo, autoconfiante, queria algo com ela.

— Você não pode deixar de convidá-lo. Ele é seu amigo e não fez nada de errado — disse Pippa por fim.

Andrew assentiu: — Foi o que eu pensei.

— Não dê muita corda. Você não é o cupido dele. Só deixar que ele vá à sua casa e passe a noite com a Willa já é mais do que suficiente. Se rolar alguma coisa, que seja entre eles, sem a sua interferência — acrescentou Pippa.

— É. Além do mais, o Leonard a conhece há meses e nunca fez nada. Ele sabe que ela não tem namorado… Não vou ser o guarda-costas emocional de ninguém — disse Andrew.

Pippa assentiu, satisfeita com a resposta: — Exatamente. Você já tem bastante coisa para lidar com seu time, seus treinos e sua vida. Não precisa se meter em triângulos amorosos.

Andrew olhou para ela por um segundo em silêncio, depois sorriu: — É sempre bom falar com você.

E sem dizer mais nada, ele passou o braço pela cintura dela e a beijou.

Em seguida, se separaram e se juntaram ao grupo, conversando um pouco mais até que cada um foi para sua respectiva casa.

Antes que todos chegassem para a tradicional noitada de sexta-feira, Andrew tinha uma tarefa importante.

Ele ligou o computador e começou a editar o vídeo. Howard já havia lhe enviado todos os clipes: imagens limpas, boa qualidade de áudio e, claro, ângulos dramáticos que só Howard conseguia capturar.

Levou uma hora para deixar o vídeo pronto e, sem perder tempo, fez o upload.

[YouTube]

📺 PALISADES 50 - WEST VALLEY 28 | TIME INVEXÍVEL – DESTAQUES DA SEMANA 5

👤 Andrew Pritchett-Tucker

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👁️ Publicado há 12 segundos

"Quase lá…" pensou Andrew, recostando-se na cadeira com os braços cruzados atrás da cabeça.

Sabendo que em cerca de trinta minutos Pippa, Haley e os outros começariam a chegar, ele foi tomar banho.

Vinte minutos depois…

Andrew voltou para a escrivaninha com o cabelo úmido e uma toalha pendurada no pescoço.

Ele atualizou a página.

A tela piscou por um segundo e, quando viu as estatísticas, um sorriso se formou em seu rosto.

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— Isso! — exclamou ele com empolgação, fechando o punho com força.

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