Família Moderna: Nova Vida

Capítulo 31

Família Moderna: Nova Vida

Capítulo 32 - Nervosismo

— E quanto aos obstáculos? E o cenário? Não podemos deixar o pássaro voar no vazio — perguntou Pip, fixando o olhar no pássaro do caderno.

— Estava pensando em canos verdes ou algo parecido. Eles devem aparecer aleatoriamente com espaços entre eles para o pássaro voar. Esse é o objetivo do jogador. Quanto ao cenário, pensei em um céu azul com algumas nuvens pixelizadas — respondeu Andrew, virando para a próxima página do caderno, onde havia esboçado os canos e o céu — desenhos bem simples.

— Hmm, entendi. Então, o jogador toca na tela para fazer o pássaro subir, e se ele parar de tocar, o pássaro desce. O truque é desviar dos canos — disse Pippa, assentindo enquanto entendia rapidamente a lógica do jogo.

— Exatamente. Se o pássaro acertar um dos canos ou o chão, perde. Sempre haverá uma lacuna entre os canos para o pássaro passar, mas essa lacuna estará sempre mudando de posição. Por exemplo, um cano pode ter a lacuna bem alta, e o próximo pode ser bem mais baixa. Assim, o jogador terá que ajustar constantemente a altura — explicou Andrew.

— E conforme você avança, fica mais difícil? — perguntou Pippa, e Andrew assentiu.

— A velocidade vai aumentando gradualmente. A ideia é que, mesmo sendo um jogo simples, ele tenha aquele fator viciante de 'quero bater meu recorde'. Para isso, só precisamos de um contador para rastrear quanto tempo você sobrevive. Quanto mais tempo você desviar dos canos, maior será sua pontuação — acrescentou Andrew.

— Um contador que é baseado unicamente no tempo de sobrevivência? Parece simples de implementar — disse Pippa, como se não fosse desafio nenhum.

Era um alívio ter alguém tão competente na equipe.

— Então, não haverá fases como tal — o jogo é infinito até você perder. Precisamos apenas torná-lo infinito assim que apertar o play — disse Pippa, apoiando a mão no queixo.

— Sim, e programar os canos para aparecerem com lacunas em posições diferentes e aleatoriamente. Isso tornaria cada jogo único e não pareceria repetitivo — disse Andrew, olhando para Pippa com expectativa.

— Hmm... Precisamos garantir que os canos não sejam impossíveis de desviar. Podemos definir certos intervalos para que as lacunas estejam sempre dentro de um limite razoável — disse Pippa pensativa.

— Sabe como fazer isso? — perguntou Andrew.

— Sim, é só um pouco mais avançado do que vimos até agora. Não será um problema — respondeu Pippa.

— Ótimo. É bom trabalhar com alguém tão inteligente — disse Andrew com um sorriso, fazendo Pippa desviar o olhar rapidamente por algum motivo.

— Ah... Não é grande coisa... — disse Pippa, evitando contato visual.

Andrew e Pippa passaram um pouco mais de uma hora discutindo a organização e os detalhes de cada aspecto do jogo. Eles definiram a jogabilidade, o design dos canos, o comportamento do pássaro e como dividiriam as tarefas.

Eles não finalizaram todos os detalhes, mas agora tinham algo concreto — muito mais do que apenas uma ideia preliminar, que era a tarefa do professor. Eles estavam bem adiantados.

— Isso é... impressionante — disse Pippa, olhando para o caderno, cheio de anotações meticulosas.

“Isto é mais do que suficiente para apresentar amanhã. Na verdade, tenho certeza de que o professor vai nos elogiar”, pensou Pippa confiante.

— É, estamos bem adiantados. Feliz agora, Srta. Perfeccionista? — disse Andrew com um leve sorriso enquanto guardava suas coisas. Ele sabia que Pippa era perfeccionista e uma boa aluna, então estar adiantado em uma matéria era definitivamente uma coisa boa.

— Perfeccionista? Eu? — perguntou Pippa, ligeiramente confusa com o comentário.

— Sim, eu percebi. Desde que nos conhecemos, tenho visto o quão meticulosa você é com tudo o que faz. Você até corrige minha ortografia quando fazemos anotações na aula — disse Andrew com um sorriso.

— Bem... Eu só gosto que tudo seja bem feito — respondeu Pippa, olhando para baixo, sentindo-se um pouco desconfortável por ser tão particular com o trabalho dos outros.

Uma coisa é ser perfeccionista com o próprio trabalho, mas querer fazer o mesmo com o dos outros poderia parecer um pouco intrometido e, em alguns casos, até irritante.

— Desculpa se te corrigi demais desde que nos conhecemos — acrescentou Pippa.

— Não me incomoda. Eu até gosto disso em você — respondeu Andrew casualmente, fechando o zíper da mochila.

— G-Gosta disso em mim? — perguntou Pippa de repente, gaguejando um pouco enquanto o olhava.

— Sim — respondeu Andrew, não percebendo o olhar intenso que Pip estava lhe dando.

— Acho que pessoas com esse tipo de atitude em relação às coisas são as que realmente alcançam grandes resultados — acrescentou. Ele era da mesma forma com seus treinos e dieta — tinha que ser para alcançar seu sonho.

Trabalho duro + talento.

Pippa assentiu lentamente, um leve rubor aparecendo em suas bochechas.

— A qualidade que eu gosto em você é que você é gentil com todo mundo — disse Pippa, reunindo sua coragem.

— Gentil com todo mundo? — repetiu Andrew, olhando para ela.

— Eu não sou... Leonard e Howard são meus amigos — esclareceu Andrew.

Ele achou que Pippa o considerava gentil apenas porque ela o tinha visto saindo com Leonard e Howard — dois nerds — no shopping ontem.

— Não é por causa disso... É que eu notei como você interage com as pessoas, e parece que você está sempre tentando fazer os outros se sentirem confortáveis — explicou Pippa.

— Notou? O ensino médio começou há menos de três semanas — disse Andrew. Ele não achava que tinha interagido com pessoas o suficiente para ser considerado gentil com todo mundo.

Pippa franziu ligeiramente a testa e, com um toque de sarcasmo, respondeu: — Lembra que fomos para a mesma escola, gênio? Por que você acha que meu pai e meu irmão são tão fãs seus? — disse ela, beliscando levemente o braço de Andrew, fazendo-o sorrir.

— Ah, é verdade. Minha memória não é tão boa quanto a sua, professora — respondeu Andrew, rindo enquanto dava um leve tapa na testa dela. Sua intenção era fazer um gesto brincalhão, como se estivesse cutucando o cérebro dela para enfatizar seu comentário, mas o gesto soou mais como uma tentativa de flerte.

Ambos ficaram em silêncio por um momento, olhando um para o outro, o ar entre eles ligeiramente tenso. Pippa, inicialmente surpresa com o toque e a proximidade, permaneceu imóvel, sem saber como reagir.

Andrew, por sua vez, não pareceu perceber que havia mais em seu gesto do que apenas uma piada. No entanto, conforme o silêncio se prolongava, ele começou a se sentir um pouco estranho.

— Você tem razão. Às vezes esqueço que nem todo mundo tem uma memória tão perfeita quanto a minha — disse Pippa depois de alguns segundos, tentando desviar a conversa e esconder seu nervosismo por trás de uma atitude casual.

Naquele momento, o celular de Andrew começou a tocar e, quando viu quem era, franziu a testa. Era Veronica — sua namorada alegre e falante, ou melhor, a garota com quem ele estava em algum tipo de relacionamento falso, embora só ele soubesse disso.

— O que foi? — perguntou Pippa, esquecendo momentaneamente a tensão anterior.

— Nada... — respondeu Andrew, colocando o celular de volta no bolso sem atender.

Pippa levantou uma sobrancelha, curiosa, e disse em um tom brincalhão: — Ignorando uma ligação? E eu que pensava que você era gentil com todo mundo. As coisas que a gente aprende —.

Andrew olhou para ela brevemente e sorriu. — Se eu atender agora, posso ficar preso conversando por uma hora... e eu realmente preciso ir para casa. Ligo de volta quando chegar lá, não se preocupe. Minha reputação de ser gentil com todo mundo ainda está intacta — respondeu.

— Bem, se você coloca dessa forma, não tenho escolha a não ser acreditar em você, Sr. Gentileza — disse Pippa, rindo um pouco.

— Fico feliz em ouvir isso, Srta. Perfeccionista — disse Andrew com um sorriso.

Andrew se despediu de Victor e Josh, e Pippa o acompanhou até a porta. — Não se esqueça de me mandar uma prova fotográfica de que sua irmãzinha existe — lembrou ela.

— Vou mandar. Te vejo amanhã na escola. Tchau, Barney — disse Andrew, acenando para Pippa e Barney, que estava pulando e o lambendo entusiasticamente como uma despedida.

“Ele se foi...”, pensou Pippa enquanto fechava a porta, soltando um suspiro profundo. Os últimos momentos tinham sido estranhos, mas ela não conseguia parar de repassá-los em sua mente — seus rostos tão próximos, o dedo de Andrew tocando levemente sua testa...

— Ele já foi? — perguntou Victor, espiando pela porta que dava para a sala de estar.

— Você deveria convidá-lo para jantar qualquer dia desses. A gente nem conseguiu falar sobre futebol — reclamou Josh, também espiando pela porta.

— Espera, vocês estavam assistindo?! Parem de ser tão curiosos! — exclamou Pippa, indignada.

— Olha quem fala! — retrucou Josh enquanto Victor caía na gargalhada. Era raro a rainha da fofoca mandar alguém cuidar da própria vida.


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