Família Moderna: Nova Vida

Capítulo 30

Família Moderna: Nova Vida

Capítulo 31 - Um Videogame?

— Certo, vamos começar. Você tem alguma ideia de que tipo de programa funcional devemos criar? — perguntou Pippa, abrindo seu caderno perfeitamente organizado, com cada página cuidadosamente numerada e uma coluna dedicada exclusivamente para anotar ideias.

— Eu pensei sobre isso, mas… — Pippa fez uma pausa e soltou um suspiro frustrado, batucando levemente a ponta do lápis na mesa. — Criatividade não é meu forte. Prefiro matemática e lógica. Então, para ser honesta, estou completamente perdida quando se trata de ter uma ideia original. Para mim, o importante é que funcione e atenda aos requisitos da tarefa.

— Hmm, entendo. Na verdade, eu já tenho algo em mente — disse Andrew, confiante.

— Ah, é? O que você está pensando? — perguntou Pippa, inclinando-se para frente.

— Um videogame — respondeu Andrew com um sorriso.

— Um videogame? — Pippa repetiu, erguendo uma sobrancelha enquanto colocava o lápis na mesa.

— Eu vi os videogames que meu irmãozinho joga... eles têm gráficos incríveis e muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Não podemos criar algo assim... — acrescentou ela.

— Eu entendo por que você pensaria isso, mas não estou falando de algo tão elaborado quanto esses jogos triple-A. O que tenho em mente é muito mais simples, algo que podemos realizar realisticamente com as ferramentas que temos — disse Andrew, rindo levemente. Replicar um jogo triple-A exigiria uma equipe de especialistas e muito dinheiro.

— Então, que tipo de videogame? — perguntou Pippa, inclinando a cabeça ligeiramente, cética, mas interessada.

— Um jogo simples, como os que você joga no celular — respondeu Andrew.

— Eu não jogo nada no meu celular — respondeu Pippa, ganhando um olhar estranho de Andrew, que rapidamente pegou o telefone.

— Olha, este é o Block Breaker Deluxe 2. É um jogo onde você move uma raquete para quicar uma bola e destruir blocos. Não é complicado, mas é realmente viciante. A mecânica é simples, mas pode se tornar desafiador à medida que os níveis ficam mais difíceis — explicou Andrew, inclinando-se para que Pippa pudesse ver a tela.

Pippa observou o jogo atentamente enquanto Andrew navegava pelas abas do menu principal e começava a jogar. Ele passou pelos primeiros níveis com facilidade.

— Não parece tão difícil — Pippa comentou a princípio, com os braços cruzados.

— Tenta aí — disse Andrew, entregando o telefone a ela.

Pippa aceitou e, depois de alguns minutos, começou a entender o desafio. A velocidade aumentava, a bola quicava em ângulos imprevisíveis e bônus apareciam em lugares difíceis de alcançar.

— Como é que eu vou pegar essa estrela sem deixar a bola cair?! — exclamou ela, frustrada, mas já viciada no jogo.

Andrew riu. — É só uma questão de prática e melhorar seus reflexos.

Sem perceber, quase vinte minutos se passaram enquanto eles se revezavam, rindo cada vez que a bola caía e se maravilhando com a dificuldade crescente dos níveis.

— Ilha completa! — exclamou Pippa, levantando as mãos em um pequeno gesto de triunfo.

— Muito bem, você está melhorando muito rápido — elogiou Andrew com um sorriso, olhando para ela pelo canto do olho.

Ambos estavam sentados no chão, pernas cruzadas, costas apoiadas na base do sofá, ombros se tocando levemente. A mesinha de centro à frente deles continha seus cadernos, ainda em branco.

— Bem, não foi tão difícil — respondeu Pippa, embora não pudesse deixar de sorrir ao ver a pontuação na tela.

— Não foi fácil. Você salvou aquela bola no último segundo... embora, para ser honesto, eu poderia ter feito melhor — disse Andrew com um sorriso presunçoso, cruzando os braços e se gabando um pouco.

Pippa ergueu uma sobrancelha, virando a cabeça para ele com uma mistura de descrença e desafio. — Ah, é mesmo?

Andrew assentiu, mantendo sua expressão confiante e olhando diretamente para ela. — Claro. Eu tenho um talento natural para essas coisas... provavelmente no mesmo nível do meu talento atlético.

— Ah, por favor — respondeu Pippa com uma leve risada. — Você jogou muito mais do que eu, então é óbvio que é melhor. Mas se eu praticasse mais, tenho certeza de que te venceria.

— Isso é um desafio? — perguntou Andrew, erguendo uma sobrancelha e dando a ela um leve sorriso.

Eles se encararam por um momento. Pippa de repente percebeu o quão perto seus rostos estavam, piscou e balançou a cabeça enquanto um leve rubor coloria suas bochechas.

Ela rapidamente se endireitou e pegou seu caderno e lápis. — Enfim, deveríamos estar trabalhando, não perdendo tempo jogando — disse ela, tentando esconder o tom nervoso em sua voz, o que Andrew não pareceu notar.

— Ah, certo — disse Andrew, olhando a hora no celular. Eles tinham perdido a noção do tempo... aquele jogo realmente era viciante.

— É verdade que este jogo é mais simples do que os que meu irmão joga, mas os níveis ficam cada vez mais complexos, e nada parece simples. Também tem música para cada nível, e nenhum de nós é compositor — disse Pippa, voltando ao modo de trabalho.

— Isso é verdade. Este jogo tem muita coisa: animações, blocos especiais, níveis cada vez mais desafiadores... Mas a ideia que tenho em mente para o nosso projeto será muito mais simples. Sem blocos se movendo ou música extravagante. Apenas uma mecânica básica e viciante. Algo como tocar para fazer um personagem subir e soltar para fazê-lo descer. Não precisa de gráficos incríveis... apenas precisão e reflexos, o que o tornará realmente viciante, talvez até mais do que este jogo — disse Andrew com um leve sorriso.

— Algo como o que acabamos de jogar, mas mais simples? — perguntou Pippa, erguendo uma sobrancelha.

— Exatamente. Um jogo que qualquer um pode entender em segundos, mas que os mantém viciados enquanto tentam de novo e de novo — respondeu Andrew.

— Explique melhor — disse Pippa, anotando em seu caderno: Jogo fácil de entender em segundos. Precisão/reflexos. Tocar para fazer o personagem subir, soltar para fazê-lo descer.

— Minha ideia é que o personagem principal seja um pássaro, usando pixel art — explicou Andrew, virando seu caderno para mostrar a Pippa. — Eu já fiz um desenho inicial. Aqui está.

Pippa inclinou-se ligeiramente para dar uma olhada melhor no desenho. Era simples, mas encantador: o pássaro tinha uma forma arredondada, um pequeno bico triangular laranja e um par de asas que pareciam prontas para bater.

— Você desenhou isso? — perguntou Pippa, um pouco surpresa. Ela não esperava que Andrew, o atleta de elite da escola, também tivesse um lado artístico.

— Sim. Eu não sou o melhor artista, mas acho que funciona para o que eu quero. É simples, reconhecível e fácil de animar — respondeu Andrew.

O jogo que Andrew queria replicar era Flappy Bird, um jogo que só seria lançado em 2013. Em outras palavras, ainda faltavam mais de cinco anos para ser criado por seu desenvolvedor original.

Em sua vida passada, Andrew se lembrava de jogar este jogo simples, mas viciante. Um adorável passarinho navegando por canos que lembravam os de Mario Bros. O único objetivo era continuar passando pelos canos até perder. Então você começava de novo, tentando bater sua pontuação máxima. À medida que você progredia, a velocidade aumentava.

Andrew queria replicar este jogo por um motivo principal: dinheiro. Em sua vida anterior, ele tinha lido um artigo afirmando que Flappy Bird, em seu auge, gerava cerca de US$ 50.000 por dia em receita de publicidade e tinha mais de 50 milhões de downloads.

No entanto, o criador original, por razões morais, acabou decidindo removê-lo da Play Store. Segundo o criador, ele não gostava do vício que seu jogo causava nas pessoas.

Andrew não sabia se conseguiria replicar esse sucesso, mas ele ia tentar. Não demoraria muito para criar o jogo se ele trabalhasse com Pippa. Claro, ele dividiria os lucros.

Quanto à moralidade de 'roubar' uma ideia que tecnicamente ainda não existia, não era algo que o impedia de dormir à noite. Para ele, era mais uma oportunidade do que um dilema ético. Sua vida anterior o ensinou que o dinheiro não era apenas necessário — era essencial para a sobrevivência.

Após a morte de seu avô, que tinha sido sua única família próxima, Andrew foi deixado sozinho. Alguns amigos de seu avô o acolheram, mas a situação financeira era sempre apertada.

Apesar de ter um talento natural para o futebol, Andrew tinha que trabalhar meio período para se sustentar e se dar ao luxo de pequenos prazeres.

Quem não se beneficiaria com US$ 50.000 por dia? Além disso, ele não teria que dedicar o dia inteiro a este projeto, já que o jogo é simples e é uma tarefa dada a ele na escola, então ele tem que gastar tempo nisso querendo ou não.

Ele poderia tentar criar o jogo sozinho, mas sua força não era em programação, e ele estava apenas começando neste mundo, então era crucial ter alguém tão competente quanto Pippa ao seu lado.


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