
Capítulo 432
Omniscient First-Person’s Viewpoint
Era como se uma entidade abissal das fendas do mundo estivesse encarando Kabilla. A sala estava cheia de massas de carne retorcendo-se. Entre os pedaços de carne estourando, olhos se moviam grotescamente. Tentáculos se contorciam, emergindo pelas brechas.
O medo surge do aprendizado. Humanos temem tigres porque aprenderam isso através da história e da experiência. Então, aqueles que viam aquela presença pela primeira vez sentiam confusão, temor e nojo, franzindo seus rostos.
A entidade também parecia sentir o mesmo. Após um breve silêncio, o olho que havia sido exposto entre a carne começou a se mover rapidamente.
Kabilla murmurou enquanto encarava o olho gigante.
— Polvo. Tamanho de um Kraken.
Quando o abrigo que ela havia feito desabou, o polvo, enfurecido, balançou seus tentáculos massivos. Tentáculos, equipados com ventosas, dispararam para fora pelas janelas, rachaduras no teto e fendas nas paredes, voando em direção a Kabilla.
Os membros pesados e resistentes eram armas por si só. Mesmo um mero roçar contra eles fazia paredes de pedra desabarem. Kabilla jogou uma agulha de osso e murmurou.
— Essas feras marinhas vivem em fendas de rochas. Devido ao seu tamanho, são vistas principalmente perto da Ilha da Baleia e raramente aparecem perto da costa. Nem me lembro da última vez que vi uma.
As criaturas draconianas nascidas das agulhas de osso correram para proteger Kabilla, brandindo suas espadas e serras de osso contra os tentáculos do polvo. Mas os membros resistentes, viscosos e pegajosos não eram facilmente danificados por lâminas. Enquanto as criaturas draconianas hesitavam, o polvo as apertava com seus membros cobertos de ventosas, esmagando-as. Livrando-se da interferência, o polvo agarrou Kabilla com outro tentáculo.
Crunch. O tentáculo do polvo apertou tão forte que parecia pronto para esmagar Kabilla. Se ela fosse uma humana normal, isso por si só teria sido o suficiente para quebrá-la. No entanto, Kabilla, apesar de ter seu corpo esmagado, permaneceu calma.
— Uma vez em terra, não é mais uma ameaça, no entanto.
Snap. De algum lugar, uma garra enorme emergiu, esmagando o tentáculo do polvo. Era o fantoche de lagosta de Kabilla. Os membros resistentes do polvo mantiveram sua forma mesmo sob o ataque da garra, mas cada vez que a garra abria e fechava, pedaços da carne do polvo eram cortados. Com a força adicional das espadas de osso das criaturas draconianas, o tentáculo do polvo foi eventualmente cortado.
Caindo no chão, Kabilla manipulou seu sangue. O tentáculo cortado tentou se mover e se fixar nela, mas o sangue de Kabilla interferiu em seu movimento, impedindo-o de funcionar. À medida que impurezas penetravam em seu corpo, o tentáculo do polvo se contraiu e encolheu. Eventualmente, sangue vermelho escorreu e o tentáculo do polvo se tornou o servo leal de Kabilla.
Vladimir, observando a luta de Kabilla, perguntou.
— E a conclusão?
No momento em que o polvo estava em terra, seu destino estava selado. Enquanto as criaturas draconianas e a lagosta estavam desmontando o polvo em retirada, Kabilla, com uma cara de nojo, olhou para Vladimir e respondeu.
— ...Houve um choque entre a baleia da ilha e a arraia-nuvem. Sem isso, um tsunami desse tamanho não teria ocorrido durante a maré baixa.
— Entendo.
— É só isso? É só isso? Você não é minha irmã! Você tem que dar resultados tanto quanto eu! Você fica ordenando como se fosse óbvio, mas não se esqueça de que somos iguais!
Claro, Kabilla sabia que não era o caso. Vladimir era mais forte que ela e havia parado uma rebelião contra o patriarca. Ele era, sem dúvida, a maior autoridade sob o Duque do Ducado.
Se Kabilla soubesse que os sentimentos do patriarca eram apenas um pouco piores... Não, se ela não tivesse nenhum conhecimento do rei humano, ela poderia ter se tornado uma refeição para as sombras. Percebendo sua posição, Kabilla perguntou com uma voz mais baixa.
— Então. Agora, é hora de você confessar, não é? Como você sabia que o tsunami estava chegando e evacuou os humanos com antecedência?
— Eu tinha informações.
— Informações? O que aconteceu no mar distante? Quem, como e por quê?
Vladimir fez uma pausa, escolhendo cuidadosamente suas palavras.
Ele sabia quem. Mas como e por quê eram desconhecidos.
Não, mesmo o "quem" era incerto.
Ele os havia encontrado uma vez em Claudia. No entanto, quando "isso" veio encontrá-lo, algo sobre isso parecia diferente. Não era como nenhum outro humano que ele havia encontrado antes, não como a estranha entidade abissal que ele acabara de ver.
Enquanto Vladimir organizava seus pensamentos, Kabilla falou.
— Será que é? Não uma Santa. Uma cidade flutuante? O 'Observador' do Reino Mágico?
Era uma conclusão lógica. Santas eram as inimigas dos vampiros. Assim como os vampiros desprezavam a Igreja da Coroa Sagrada, a Igreja desprezava os vampiros. Eles não dariam profecias que pudessem ajudá-los.
Bem, eles poderiam fazê-lo se isso beneficiasse a Igreja, mas para a Igreja, isso significava o extermínio dos vampiros.
— Eu não sei.
— Você não sabe? Você não estaria mentindo, então você realmente não sabe? E você acreditou nisso e mordeu alguém?
— Eu não sabia, então era difícil descartar de imediato. Na época, eu estava ocupado com os problemas do patriarca. Por enquanto, a entidade desconhecida fez um pedido que ajudou, então não há problema.
Kabilla estava intrigada.
Vladimir era frio e racional. Se a entidade desconhecida não fosse confiável, ele a teria capturado, aprisionado e extraído as informações.
Em outras palavras, o fato de ele não ter usado essa solução "racional" significava...
— O grande Duque de Sangue não conseguiu decidir o resultado?
Vladimir respondeu honestamente à suspeita de Kabilla.
— Nós não lutamos.
— Hã? Todos os Anciões, e o grande Duque de Sangue Vladimir, assustados? Perdendo a paciência agora? O que você faria se a Santa estivesse tentando nos colocar em perigo?
Pensando sobre isso, a possibilidade de ser uma Santa era a mais provável. Vladimir assentiu e respondeu.
— Certo.
— Certo? Você age como se pudesse dizer qualquer coisa com a boca, mas na realidade, você é irresponsavelmente—
As palavras acusatórias de Kabilla, cheias de amargura, caíram em ouvidos surdos quando Vladimir moveu sua espada grande. As feras marinhas empurradas para a costa pelo mar desastroso eram poderosas e perigosas, mas não eram nada comparadas a Vladimir. Deixando apenas as carcaças para os humanos limparem, Vladimir seguiu seu caminho ao longo da costa.
Quando ele se aproximou da costa original, algo desconhecido chamou sua atenção.
— O que é aquilo?
— Eu sou seu guia pessoal? Descubra você mesmo... O que é aquilo?
Mesmo Kabilla, ao ver "aquilo", não conseguiu manter a boca fechada. Tendo observado os mares desastrosos por mais tempo do que qualquer um, a feiticeira sombria conhecia o mar melhor do que qualquer outra pessoa. Claro, ela também estava ciente de que o mundo sabia muito pouco sobre aquele vasto oceano, mas, independentemente disso, seu conhecimento era profundo e variado.
No entanto, mesmo ela nunca tinha visto a estrutura antes.
Seu tamanho era tão imenso que parecia irreal. A costa ainda estava a vários quilômetros de distância, mas a mancha escura e azulada que "aquilo" carregava parecia um fino pedaço de terra arrancado e colocado ali. Era grande demais para ter sido varrido para a costa com o tsunami.
Esta tradução é propriedade intelectual da Novelight.
— Sangue?
Se não fosse pelo sangue fluindo da seção transversal, tanto Kabilla quanto Vladimir poderiam tê-lo confundido com uma ilha varrida pelo tsunami. Kabilla sentiu uma energia sanguínea incomum e falou.
— Aquilo é uma criatura? Não, pedaços de uma criatura? Isso significa...
— Desastre. Poderia ser a barbatana de uma arraia-nuvem?
O tamanho enorme quase preenchia a costa. O sangue fluindo da seção transversal apoiava o fato de que era parte de uma criatura. Era difícil de acreditar, mas parecia não haver outra explicação. A mancha azul escura e a estrutura cartilaginosa vertical provavam que era de fato parte de uma arraia-nuvem.
O que poderia ter acontecido com uma criatura tão grandiosa e formidável? Kabilla murmurou.
— Ela realmente lutou contra a baleia da ilha? As feras marinhas podem ser tolas, mas seu tamanho está em um nível completamente diferente...
— Não. Essa seção transversal não é de uma besta.
Sem hesitação, Vladimir caminhou em direção à barbatana. Kabilla apressadamente seguiu atrás dele.
A costa era originalmente um lodaçal, mas após o tsunami, a água do mar havia subido até suas coxas. A fronteira entre a terra e o mar era difícil até mesmo para um ancião atravessar, mas Vladimir não se importou e cortou a corrente. Apenas Kabilla, montada na lagosta, seguiu atrás dele, incapaz de andar onde até mesmo humanos ou Ain podiam pisar.
— Você quer morrer? Tem água do mar aqui! Eu sei que seu orgulho é alto, mas as ameaças vindas de baixo da água são perigosas para nós dois!
Ignorando o aviso sincero de Kabilla, Vladimir avançou, alcançando os destroços da fera marinha.
Os destroços da fera marinha eram um desastre para os humanos, mas para alguns, era um banquete. Milhares, dezenas de milhares de peixes estavam devorando os restos da fera marinha, empanturrando-se. E predadores, atraídos pela comoção, atacavam para pegar presas das bordas externas. Centenas de gaivotas circulavam acima, e centenas de tubarões-ventosa se agarravam às barbatanas, aproveitando as sobras.
Os milhares de bestas devorando a carcaça tornavam a seção transversal ilegível. Alguns peixes até cavaram na carne e viviam lá dentro. Encontrar uma pista aqui era quase impossível.
No entanto, Vladimir, o espadachim, sentiu o traço de uma espada dentro desta imensa devastação. Vendo a linha reta da seção transversal, ele murmurou.
— Um único golpe?
— Vladimir! Tenha cuidado!
O aviso agudo de Kabilla ecoou.
Algo se aproximava através da água. Uma fera marinha, confundindo Vladimir com uma presa, atacou-o como uma bala. Na água, onde ele não podia usar sua arte de sangue para sentir o movimento, Vladimir leu o fluxo da água e balançou sua espada grande sob a superfície. Com um estrondo, a mandíbula da fera marinha colidiu com a espada debaixo da água.
Inacreditavelmente, Vladimir foi quem foi empurrado para trás. Na água, incapaz de estender totalmente sua espada, ele foi empurrado para trás como se tivesse colidido no ar. O predador, mirando em uma presa desconhecida, chicoteou sua cauda e pressionou implacavelmente a espada grande.
Crunch, crunch. Os dentes ferozes rasparam a espada. A força do predador era imensa. Avaliando o poder do predador, Vladimir torceu seu corpo. Ele firmou um pé no chão, torceu seu ombro e cintura para reunir força, então liberou toda a sua força com um poderoso golpe de sua espada grande.
A energia da espada cortou o mar, deixando uma grande ferida. A energia da espada, que se estendeu para longe, desapareceu, e a infeliz fera marinha, que não conseguiu avaliar seu oponente adequadamente, foi cortada em dois. O peixe, que tinha como objetivo um deleite, tornou-se um deleite em si, agora comida para outro peixe.
Vladimir fez um golpe incrível, cortando a fera marinha, mas sua expressão permaneceu sombria. A energia da espada que ele liberou não era nada comparada ao golpe que cortou a barbatana da fera marinha.
E o tamanho daquela besta — imenso como era — não era nada comparado às feras marinhas primais. Um peixe, ligeiramente maior que um humano, ainda tinha um poder incrível debaixo d'água, então a fera marinha primal estava em um reino completamente diferente. Para cortar uma barbatana ainda intacta após criar um tsunami em um único golpe?
Não era algo que poderia ser alcançado apenas com força ou técnica. Era uma área apenas tocada pela lógica, ou algo próximo ao nível do Lorde Demônio. Apenas seres como um mestre da espada ou rei demônio poderiam sequer começar a discutir a possibilidade.
Mas... poderia realmente ser eles? Vladimir não conseguiu tirar conclusões tão apressadamente.
— Algo está acontecendo.
A sombra de Tyrkanzyaka. O rei humano. E aquele "algo" que atacou a fera marinha. Na cadeia de eventos incomuns, Vladimir sentiu uma mudança massiva.
O mundo está mudando. Vampiros vivendo dentro dele devem inevitavelmente mudar também. Não importa o quanto eles queiram permanecer os mesmos, o fluxo implacável do mundo não os deixará permanecer como estão. Vladimir confirmou mais uma vez que sua escolha não estava errada.