Omniscient First-Person’s Viewpoint

Capítulo 77

Omniscient First-Person’s Viewpoint

༺ Era of Lost Memories ༻

As portas de aço, firmemente fechadas, se abriram com estrondo, chamando a atenção de Azzy e Shei.

Finalmente, o guarda e Tyrkanzyaka emergiam após três dias de confinamento.

“Au! Au!”

“Oi! Que diabos vocês estavam fazendo lá den—!”

As duas se aproximaram rapidamente das portas abertas, mas Tyrkanzyaka foi mais rápida, esgueirando-se pela estreita abertura em pânico. Ela varreu a área com os olhos e, ao avistar Shei, apressou o passo.

“Shei! Shei! É um desastre! Ele—!”

Tyrkanzyaka sempre se comportara com elegância, graciosamente empoleirada em seu caixão, encarnando seu título de Progenitora de Vampiros e Rainha das Sombras. Mas naquele momento, ela corria com o rosto aflito.

Observando essa cena incomum, Shei franziu a testa, chamando-a.

“Hã? O que foi, Tyrkanzyaka? Cadê aquele caixão que você sempre usa, e aquele homem…?”

Sua pergunta foi respondida assim que foi feita. Assim que as portas de aço se abriram completamente, o guarda emergiu, sentado delicadamente sobre o grande caixão da vampira, ocupando o assento exclusivo de Tyrkanzyaka com um olhar vidrado, sem alma nos olhos.

Aquele rosto sem vergonha lhe causou uma mistura de alívio e raiva renovada. Ela gritou para ele.

“Na hora certa! Que tipo de ritual vocês fizeram? E o que significava aquela nota? Desça daí imediatamente e—”

“Esse não é o problema, Shei!”

Tyrkanzyaka agarrou Shei com urgência, revelando claramente que não estava sendo ela mesma.

O que estava acontecendo? Por que Tyrkanzyaka estava em pânico, e por que aquele homem estava sentado zonzo no caixão?

Enquanto essas perguntas surgiam na mente de Shei…

“Ele perdeu a memória!”

“O quê?”

Aquela exclamação dissipou os pensamentos de Shei.

Tyrkanzyaka passou a explicar a situação a Shei, embora não tenha demorado muito, já que ela mesma não estava totalmente ciente do que estava acontecendo.

Ao ouvir sobre o resultado do ritual, Shei pareceu duvidosa.

“Seu coração está realmente batendo? Aquele homem conseguiu?”

“Sim! Ele realmente começou a bater!”

“Mas isso é ridículo. Nem mesmo um mago seria capaz de tal feito, e ele nem mesmo é um mago. Como assim…? Está realmente batendo de novo? Você não está enganada?”

Sua pergunta poderia ser considerada sensata de certa forma, mas não muito diplomática, abalando o humor de Tyrkanzyaka. Ela havia experimentado uma mistura de alegria e preocupação ao realizar seu desejo.

Tyrkanzyaka apagou os tênues vestígios de excitação em seu peito e olhou para Shei.

“Você acha que eu mentiria para você sobre algo tão importante? Ou você está sugerindo que ele me enganou, e minha arte sangüínea? Ou o que, preciso mostrar um coração palpitando para você acreditar?”

“Não, não foi isso que eu quis dizer. Eu só, se reviver um coração fosse tão fácil…”

Se fosse tão fácil, por que não foi possível em seu ciclo de vida anterior? Mas Shei mal se conteve para não dizer isso; ela não queria revelar a verdade sobre sua regressão ainda.

Mas isso só desagradou ainda mais Tyrkanzyaka.

“Fácil? Você diz isso apesar de ver o estado em que a criança está agora?!”

Shei se encolheu com o tom áspero de Tyrkanzyaka. Antes que ela tivesse a chance de se defender, Tyrkanzyaka apontou para o guarda no caixão, elevando a voz.

“Por 3 dias inteiros, ele não bebeu uma gota de água. Ele nem mesmo tocou um pedaço de comida. Ele se privou de todo o sustento, permanecendo completamente imóvel, tão parado quanto um vampiro em um caixão! E no final, ele reviveu meu coração, pagando o preço de perder sua memória! Ele suportou um ato tão imprudente, e você chama isso de fácil?”

Shei queria comentar que foi fácil considerando que ele fez algo que ninguém conseguia há 1200 anos… mas Tyrkanzyaka parecia séria demais para isso. Então Shei fechou a boca e fingiu concordar.

‘Ainda assim… vendo como ela está chateada, seu coração realmente deve estar batendo de novo.’

Se o coração de Tyrkanzyaka estivesse silencioso como antes, mesmo que ela discordasse das palavras de Shei, ela teria sido compreensiva, no mínimo. Vampiros de sangue frio eram emocionalmente resilientes e tipicamente observavam as coisas de uma perspectiva distante, afinal.

Sua agitação provou que ela havia recuperado suas emoções.

‘É uma boa coisa. Eu devo ajudar rapidamente aquele homem a recuperar sua memória e descobrir como ele fez isso! Isso vai facilitar muito a persuasão de Tyrkanzyaka nos próximos ciclos. E mesmo que ele nunca recupere sua memória, posso simplesmente fazê-lo um aliado no futuro! De qualquer maneira, é fantástico que eu tenha encontrado uma solução!’

Tendo completado seus cálculos de sua perspectiva como a Regressora, Shei estava genuinamente encantada.

“De qualquer forma, parabéns! Agora só precisamos acordar aquele cara!”

“Haah. Shei, você é…”

Tyrkanzyaka estava prestes a dizer algo, mas ela parou e fechou os olhos, reprimindo suas emoções. Tal processo não era necessário quando seu coração permanecia imóvel, mas agora que ela o tinha de volta, suas emoções não mais obedeciam à sua vontade.

Com uma nova percepção do que havia obtido, ou recuperado, Tyrkanzyaka sentiu novamente gratidão pelo guarda.

“Tanto faz. Eu não estou aqui para discutir com você. Então, me diga. Você tem alguma maneira de restaurar suas memórias?”

“Mm, bem, no meu caso, eu geralmente resolvo as coisas com o Domínio Contrário Celestial…”

A Arte de Qi defensiva definitiva que respondia a ataques com movimentos precisos gravados no corpo, o Domínio Contrário Celestial. Em seus níveis inferiores de maestria, envolvia contra-ataques reflexivos contra abordagens inesperadas. Seu verdadeiro valor, no entanto, gradualmente se revelava em níveis mais altos de proficiência.

A mente se sincronizaria com o corpo. Através da repetição de movimentos familiares, era possível manter a tranquilidade da mente e restaurar o espírito e a alma a um estado estável.

Graças ao seu Domínio Contrário Celestial, Shei tornou-se imune a ataques mentais como maldições que poderiam parar o coração ou perturbar a mente. Então, para se proteger contra ataques psíquicos e evitar morte súbita durante estados inconscientes, Shei priorizaria zelosamente dominar o Domínio Contrário Celestial em cada regressão.

“…Mas ele provavelmente não tem nada disso. Mesmo que ele tenha, eu não saberia.”

A expressão de Tyrkanzyaka se desfez em desespero.

Mais uma vez, Shei observou a notável nova diversidade nas expressões de Tyrkanzyaka, um contraste com os típicos vampiros. Mas após essa constatação, seus pensamentos voltaram para a nota que ela havia recebido três dias atrás.

‘Será que… aquelas instruções incompreensíveis significavam algo?’

Enquanto Shei vasculhava seu bolso, Tyrkanzyaka murmurou para si mesma com um rosto desanimado.

“Então, ele deve permanecer separado de suas memórias…? Meu Deus, para me salvar ele…”

“Espere, Tyrkanzyaka. Espere um minuto.”

“Realmente, não tenho palavras para dizer. Eu roubei seu futuro para saciar meu desejo eterno…”

“Olha isso.”

“Não há outra escolha… Certamente devo devolver tanto quanto eu peguei, toda a sua vida… então uma vida de cuidados darei, ao seu lado…”

À medida que as palavras de Tyrkanzyaka se tornavam mais pesadas, Shei interrompeu, pegando uma nota e a agitando suavemente.

“Espere! Só um momento! Tem uma nota que ele deixou para mim!”

O olhar de Tyrkanzyaka se voltou para a nota.

Shei desdobrou a nota e a ergueu, mostrando-a na frente de seus olhos.

“Aqui, não há muito escrito na nota. Só diz para cuidar de Azzy e ficar longe do arsenal subterrâneo. Mas aqui, algo mais está escrito perto dessas impressões!”

“Impressões? Eu não consigo vê-las.”

“Ah, certo. Então eu vou ler em voz alta para você.”

Não vá para a cantina. Não me perturbe, mesmo que minha condição fique estranha depois que tudo acabar. E se por acaso chegarem suprimentos, use-os para mim.

Shei leu as palavras escondidas usando a Visão Profunda, então dobrou a nota novamente antes de continuar orgulhosamente.

“Ele deve ter antecipado a possibilidade de encontrar um estado anormal. Olha. Diz, ‘mesmo que minha condição fique estranha depois que tudo acabar.’ Ele provavelmente me confiou a nota para este momento.”

“…Mas por que se dar ao trabalho?”

“Diz para não ir à cantina, mas isso é praticamente um convite para fazer exatamente isso. Devemos encontrar algo se formos lá…?”

Enquanto Shei explicava, apontando para a nota, ela de repente olhou para cima e encontrou Tyrkanzyaka com uma expressão desaprovadora e bochechas emburradas.

Shei sentiu algo estranho em sua atitude. Ela deveria estar feliz, já que encontraram uma pista, então por que a expressão insatisfeita?

“Por que ele deu especificamente a você

aquela nota?”

“Uh?”

Shei inadvertidamente soltou uma exclamação boba, sentindo que a situação estava tomando um rumo peculiar.

Enquanto isso, Tyrkanzyaka lançou um olhar de soslaio para Shei, mostrando seu descontentamento.

“Ele poderia simplesmente ter me passado. Por que complicar as coisas dando para você? Eu teria sido a primeira a vê-lo assim que abrisse meus olhos. Se eu soubesse o conteúdo da nota com antecedência, não teria me preocupado tanto assim.”

“Uhh…?”

Shei precisava de um tempo. Ela estava admirada com a atitude da vampira, a ponto de ficar momentaneamente sem palavras.

Independentemente disso, Tyrkanzyaka soltou um suspiro desanimado. No momento seguinte, ela apertou o punho e bateu na palma da mão, como se tivesse acabado de perceber algo.

“Ahh, finalmente entendi. É certamente você, Shei, que não deve ir para a cantina. Ele só lhe deu a nota para impedi-la de ir. Caso contrário, não haveria razão particular para confiá-la a você.”

“Uhhh?”

“E independentemente das circunstâncias, você foi a única que ficou do lado de fora, Shei. Eu presumo que é por isso que ele a escolheu por conveniência. Muito bem. Eu levarei ele para a cantina. Nós vamos encontrar algo lá, sem dúvida.”

Quando Tyrkanzyaka mostrou sinais de sair correndo, Shei saiu de seu transe e apressadamente chamou.

“Espere, Tyrkanzyaka. Eu também vou! Você provavelmente terá dificuldade em encontrar—”

“Você pretende ignorar as instruções da nota? Espere aqui. Eu vou chamá-la se eu precisar de ajuda.”

‘Quero dizer, qual é o alvoroço em seguir essa nota? Foi escrita por aquele cara de qualquer jeito, então uma pequena digressão não deveria importar!’

No entanto, Shei sentiu, Tyrkanzyaka permaneceu firme, mostrando uma firme decisão de deixar a primeira para trás, não importa o quê.

Shei não pôde deixar de se sentir indignada.

‘Se eu soubesse que isso ia acontecer, eu teria ido primeiro. Eu segui aquela nota à toa!’

Shei repreendeu seu eu do passado de três dias atrás por ser excessivamente virtuosa. Se algum dia viesse um próximo ciclo de vida, ela jurou não fazer cegamente o que aquele homem lhe dissesse.

“Au-au! Au-au!”

Naquele momento, elas ouviram Azzy latindo alegremente ao longe. Já faziam dias desde que ela soara tão satisfeita.

Shei reflexivamente se virou e viu Azzy brincando com o guarda. Com os olhos desfocados, ele a perseguia, jogando uma bola. A bola voava fracamente para cima e para baixo.

Quando Azzy voltou alegremente com a bola na boca, ele a acariciou, ainda com aquele olhar vazio. Em sua excitação, Azzy se encostou nele, fazendo-o perder o equilíbrio e cair.

Azzy latiu surpresa.

“Au-au-au! Au-au-au!”

Tyrkanzyaka correu, assustada.

“R-Rei dos Cães, solte-o por um momento!”

“Au-au-au! O que nós fazemos? O que nós fazemos?”

“Solte-o, eu disse!”

O caos se instalou. Azzy latiu surpresa enquanto Tyrkanzyaka estava sem ação. Elas circulavam em volta do guarda caído.

Observando aquela cena, Shei murmurou para si mesma.

“Parece que ele realmente perdeu a memória… Eu suspeitei, mas não parece ser uma brincadeira.”

Então, do nada, Shei ponderou que foi um pouco cruel da sua parte abrigar suspeitas mesmo nessa situação. Ela tirou um momento para refletir sobre si mesma.


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