
Capítulo 568
48 horas por dia
Havia mais de vinte samurais na sala, mas Kirino Toshiaki, um dos quatro Hitokiri, também estava presente.
Com apenas uma wakizashi, mesmo um espadachim excelente como Zhang Heng não conseguiria enfrentá-los sozinho. Zhang Heng também considerou a opção de pegar um refém. A pessoa de maior valor era, obviamente, o líder Choshu, Shinsaku Takasugi, que era um dos membros mais importantes do movimento anti-Bakufu. Seus dias poderiam estar contados, mas assim que Zhang Heng colocasse uma faca em seu pescoço, nenhuma alma na sala moveria um músculo.
Dito isso, ao lado de Shinsaku Takasugi estava Kirino Toshiaki, claramente ali naquela noite para lidar com situações como essa. O homem era silencioso como uma pedra, mas Zhang Heng podia sentir seus olhos o seguindo a cada movimento.
Embora desagradável, era esperado, já que Zhang Heng e Gabriel eram os únicos que não faziam parte do grupo anti-Bakufu. E comparado a Zhang Heng, que trazia uma espada, o empresário francês parecia completamente inofensivo. Até um idiota poderia dizer quem era mais ameaça.
Claro, Zhang Heng era extremamente rápido com sua espada, muito mais rápido do que a maioria das pessoas pensava.
Se Zhang Heng atacasse Shinsaku Takasugi de repente, Kirino Toshiaki poderia ser incapaz de protegê-lo. Mas o objetivo de Zhang Heng não era eliminar Shinsaku. Se o fizesse, seria como cutucar um vespeiro. Não havia como Zhang Heng sair vivo dali.
Em uma luta um contra um, Zhang Heng não tinha nada com que se preocupar. Mas em um espaço tão apertado, se todos o atacassem ao mesmo tempo, a situação ficaria realmente perigosa. Se ameaçar matar Shinsaku Takasugi se mostrasse ineficaz, Zhang Heng teria que se contentar com a segunda melhor opção e usar o comerciante francês como escudo. O anti-Bakufu claramente precisava de Gabriel vivo. Problemas diplomáticos à parte, se Zhang Heng o matasse, não haveria ninguém para ajudá-los a transportar armas e tropas para Kyoto.
Por outro lado, eles tinham que considerar uma possibilidade: a notícia de que Shinsaku Takasugi estava vivo poderia vazar se deixassem Zhang Heng escapar.
Assim que Tokugawa Yoshinobu ouvisse a notícia, ele conseguiria deduzir que o anti-Bakufu estava tramando um plano para derrubá-lo. Mesmo que fosse meio lerdo, ele não arriscaria a vida indo para Kyoto. Além disso, o Kyoto Mimawarigumi e o Shinsengumi provavelmente se preparariam – quem diria que o incidente de Ikedaya não se repetiria?
Zhang Heng nunca foi do tipo que permitia que alguém decidisse seu destino. Não o surpreenderia se esses guerreiros anti-Bakufu escolhessem sacrificar a vida de Gabriel apenas para colocarem as mãos nele.
Afinal, embora possa ser difícil encontrar outro fornecedor, perder um sócio era melhor do que arriscar que todo o plano fosse exposto.
Então, Zhang Heng decidiu que, de qualquer forma, precisava se retirar para um espaço aberto lá fora, para que, quer escolhesse lutar ou fugir, ainda estaria no controle. No meio da transação, depois que ambas as partes concordaram com uma estrutura e estavam refinando os detalhes do contrato, Zhang Heng pediu licença para usar o banheiro.
Shinsaku Takasugi deu seu consentimento com um aceno de cabeça, brincando até que o céu estava escuro lá fora e ele deveria tomar cuidado para não tropeçar no latrine.
Além de Kirino Toshiaki, a sala inteira estava cheia de risos e conversas animadas, e a atmosfera parecia harmoniosa. O empresário francês até bateu no ombro de Zhang Heng, elogiando-o pelo serviço naquela noite. Ele até disse que aumentaria o salário de Zhang Heng. No entanto, Takeuchi, que estava sentado no canto, parecia distraído.
Zhang Heng se levantou, abriu a porta de correr e saiu. Quando as portas atrás dele se fecharam, ele viu a empregada que o havia parado no pátio anteriormente.
Ela carregava uma lanterna e, contra a escuridão, ela parecia uma alma errante.
“O banheiro é para o outro lado.”
“Obrigado, mas quero esticar as pernas um pouco”, respondeu Zhang Heng.
Mas a empregada simplesmente repetiu em tom monótono: “O banheiro é para o outro lado. Se, no entanto, você mudou de ideia, então, por favor, volte para a casa. Está frio aqui em abril, e você deve ter cuidado para não pegar um resfriado.”
Zhang Heng sorriu para ela e colocou um pé no pátio, ignorando seu aviso.
A empregada suspirou fundo. Um olhar complicado cruzou seu rosto gélido. “Temo que você não entenda a importância de seu passo.”
“Não, é a primeira vez que ouço falar de uma casa de chá que não permite que seus clientes saiam”, respondeu Zhang Heng enquanto caminhava em direção à mulher.
“Isso é realmente... uma pena”, disse a empregada, balançando a cabeça, sua mão esguia agarrando o cabo de sua espada. Então ela olhou nos olhos de Zhang Heng. “Perdoe-me, mas tenho um dever a cumprir.”
Assim que ela disse isso, uma lâmina de vento feroz atingiu a nuca de Zhang Heng.
O atacante estava no telhado da casa de chá, esperando silenciosamente como um gato preto. Só quando ele deu o passo que representava a morte, ele pulou de repente do céu, dando um golpe em Zhang Heng.
Era uma técnica de furtividade usada por assassinos – silenciosa e mortal, como a própria morte. Talvez o ninjutsu da província de Kai estivesse entrelaçado em seus movimentos, tornando-o difícil de se defender.
A lâmina estava a segundos do pescoço de Zhang Heng, mas de repente, uma wakizashi apareceu do nada e atravessou a mandíbula do atacante. A ponta da arma reapareceu no topo de sua cabeça, salpicada de sangue vermelho e quente.
Este presente dos pais de Chiyo acabou sendo uma espada fina – sua nitidez não era inferior à de algumas das espadas mais famosas. O véu do atacante caiu, e Zhang Heng a reconheceu.
Era uma das gueixas que se apresentavam para os convidados.
Essa realmente era a base anti-Bakufu em Kyoto, e as gueixas e empregadas aparentemente delicadas eram na verdade Bushi treinadas pela seita.
“Isso vai ser um problema.”
Zhang Heng respirou fundo. A casa de chá Ukichi cobria uma vasta área, assim como suas numerosas gueixas e empregadas. Se todas elas fossem realmente os bushi anti-Bakufu, então Zhang Heng estaria muito ocupado naquela noite. Mas era tarde demais para voltar atrás e retornar à casa. Agora lotada de guerreiros, incluindo Kirino Toshiaki, o exterior lhe dava mais espaço para se mover.
A empregada que acabara de testemunhar a trágica morte de sua colega emanava uma disposição indiferente. Talvez ela não tivesse desenbainhado sua espada imediatamente para retribuir a Zhang Heng por salvá-la do suicídio. Em vez disso, ela apenas ficou lá, esperando que ele pegasse a espada que ele havia enterrado no chão naquela noite.
“Já ouvi falar do famoso Gion muito antes de vir. Quem diria que eu teria que abrir caminho a ferro e fogo em minha primeira visita aqui”, disse Zhang Heng enquanto desenbainhava sua espada. “Agora, quem desejar a morte pode vir!”