
Capítulo 435
Gênio do Teletransporte da Academia de Magia
A manhã na região norte começou com uma névoa fria.
Essa terra raramente via um nascer do sol claro, e a neblina pesada, parecida com geada, grudava em cada superfície, conferindo ao entorno uma atmosfera opressiva.
Florin acordou, afastando o cobertor. Ela olhou para o lugar onde Baek Yu-Seol deveria ter dormido.
No entanto, não havia nem vestígio de que ele tivesse dormido ali durante a noite.
Em vez disso, um cobertor deixado no sofá sugeria que ele optou por dormir ali, provavelmente para que ela pudesse ficar com a cama sozinha.
"Ah, você acordou? Quer tomar o café da manhã?"
Baek Yu-Seol apareceu, enxugando o cabelo com a toalha. Ele a chamou para a mesa, onde uma bandeja coberta de pratos aguardava.
"Você acordou cedo."
"Eu não durmo muito."
Apesar de ter ido para a cama depois dela, ele ainda acordou mais cedo.
Florin levantou-se, aproximou-se da janela e a abriu.
Uma brisa fresca entrou, enchendo seus pulmões com ar revigorante.
Mas, ao olhar para fora, não pôde deixar de lembrar da cidade que vira ontem... e de como ela parecia diferente hoje.
Cicatrizes agora marcavam os prédios espalhados pela cidade.
Aquelas cicatrizes, que não estavam lá no dia anterior, pareciam ter sido esculpidas por uma lâmina.
Era óbvio que eram remanescentes de uma batalha. Uma batalha que ocorrera na noite passada.
"... O que aconteceu ontem?"
Baek Yu-Seol pausou, ainda segurando um prato em uma mão, e coçou a bochecha.
"Bem... apareceram os 'Caçadores'. Acho que um deles pode ter reconhecido seu rosto."
"É por minha causa, não é? Você sabe que eu também posso lutar."
"Hmm. Preferiria que você não."
Ele não disse diretamente que era por ela ser mais fraca sem a proteção da Árvore do Mundo, mas a implicação estava ali.
"Por quê não?"
A expressão de Baek Yu-Seol ficou incomumente séria.
"Porque... proteger uma mulher em batalha simplesmente parece... legal. Heroico, até."
O absurdo da resposta dele fez Florin rir alto.
"Vamos apenas comer."
"Claro."
Enquanto Florin se sentava à mesa, Baek Yu-Seol lhe passou os talheres.
"Vamos para a antiga mina abandonada depois de pegarmos alguns suprimentos... nada de luxo, apenas o essencial."
"Você acha... que mais hóspedes indesejados vão aparecer hoje à noite?"
Baek Yu-Seol encolheu os ombros e mordeu um pedaço de pão.
"Difícil dizer. Limpei a base deles, mas não dá para ter certeza. Aqueles caras são como baratas. Você nunca sabe se eles realmente foram embora."
"Mas se eles voltarem..."
"Então vou esmagá-los todos de novo."
"Eu... entendi..."
Ao ouvir Baek Yu-Seol falar tão casualmente, como se lidar com inimigos fosse tão simples quanto esmagar moscas, Florin sentiu uma mistura estranha de emoções.
***
Estalos. Estalos—!
O ranger constante do trem ecoava pela cabine, e o mundo além das janelas desfilava diante deles em desfoque.
«Uf…»
«Hmmpf…»
Hong Bi-Yeon lançou um olhar para as duas meninas... uma com cabelo azul e a outra pálida e delgada. Elas dormiam profundamente, apoiadas em seus ombros.
Por um momento, pensou em empurrá-las para o lado, mas decidiu não fazê-lo.
Essas meninas, apesar de seus corpos menores, estavam prestes a enfrentar uma tarefa enorme.
Entendendo a gravidade da missão compartilhada, Hong Bi-Yeon relutantemente deixou que elas repousassem.
Cruzando as pernas, ela enfim abriu um livro... um luxo que não se permitia desde que adoecera pela primeira vez.
Estranhamente, as palavras ganharam nitidez com uma clareza inesperada.
A dor de cabeça tinha sumido.
Não era que ela tivesse se recuperado de repente.
Pelo contrário, foi graças à magia de Flame… uma bênção misteriosa que atenuava a dor sem curar completamente a febre.
Fiel ao aviso de Flame, seu corpo ainda irradiava calor, mas pelo menos ela não precisava mais correr para o templo.
"Vou cuidar dessa febre sozinha... de alguma forma."
Ela só precisava suportar o desconforto.
Flame avisou que os efeitos não durariam muito por causa de sua resistência natural a bênçãos, mas enquanto durasse hoje, isso seria suficiente.
"Talvez tenha sido mais sensato guardar isso para o baile... mas não dá para evitar."
O baile. Era o dia mais importante de sua vida.
Um recurso único como esse poderia ter sido melhor guardado para esse evento.
Mas ela não se arrependeu.
Estalos. Estalos—!
O trem seguia rápido pelos trilhos.
Isso mesmo.
Hong Bi-Yeon não viajava mais na carruagem exclusiva da família real. Em vez disso, abandonou o plano original de visitar o templo e embarcou no trem com Flame e Eisel.
Para ser sincera, ela não tinha muita escolha; desde que Flame mencionou o Arquivo Estelar no verão passado, não havia conseguido esquecer as visões de um garoto que voltava o tempo milhares de vezes para salvar o mundo.
Essa memória — da sua corrida repetida contra o destino — ainda pairava, puxando-a como uma força magnética.
"Hmm... Ai..."
Flame acordou finalmente, esticando os braços com um gemido satisfeito. Logo ao lado, Eisel despertou também, espelhando o alongar de Flame em perfeita harmonia.
"Já chegamos... Hong Bi-Yeon, acorde. É hora de descer."
"Boceja... Já chegamos? Ei, acorde. Vamos descer."
Ao ver as duas garotas mais novas fazendo barulho de cada lado, Hong Bi-Yeon sentiu uma súbita vontade de pô-las para fora, mas resistiu.
Ela era mais madura do que aquelas garotinhas.
"Vou sair primeiro."
"Hã? Espera um segundo!"
"Deixa eu pegar minhas coisas...!"
Enquanto as outras duas lutavam com as mochilas altas, Hong Bi-Yeon simplesmente pegou uma pequena e elegante bolsa.
Ela desceu do trem e ergueu a mão para proteger os olhos da luz do sol, deixando a brisa morna passar sobre ela como um recebimento caloroso.
Ela não tinha percebido há quanto tempo não saía do dormitório.
Ao afastar o cabelo de seus ombros e seguir em frente, dezenas de olhos se voltaram imediatamente para ela.
Claro, havia muitas pessoas bonitas no mundo.
Mas Hong Bi-Yeon carregava uma aura... algo que belezas comuns simplesmente não conseguiam replicar.
Ela atraía a atenção das pessoas como um imã poderoso... ou como a própria gravidade.
Apesar de vestir apenas uma roupa simples — jeans comuns, uma camiseta branca de mangas curtas e uma bolsa diagonal — ela ainda assim carregava-se com uma postura régia que faria até vestidos de grife parecerem sem graça em comparação.
"Sim. Esta é uma veste."
"É uma veste especial desenhada pelos artesãos da Lonely Robe em colaboração com alquimistas de itens. Seu desempenho iguala — ou até supera — as vestes tradicionais, mas com estilo adicional."
“… Entendi.”
Ela parecia inusitadamente falante, provavelmente de bom humor após a compra. Não havia como discordar, no entanto; ela parecia fantástica. O conjunto a fazia parecer mais uma estudante universitária indo a um festival de primavera do que uma maga acostumada à batalha. Ao lado dela, Flame e Eisel pareciam ainda mais prontas para o combate, em claro contraste.
"Suspiro, ela realmente está no próprio mundo."
Hong Bi-Yeon ainda chegou a cantarolar uma melodia. Ela estava claramente alegre.
Mas pensando em como esteve acamada nas últimas semanas, Flame não conseguiu se sentir autorizada a repreendê-la.
Em vez disso, a empolgação de Hong Bi-Yeon soava estranhamente cativante… como observar uma irmãzinha extremamente feliz.
"Vamos seguir em frente. Temos apenas dois dias neste fim de semana."
"Certo. Não podemos faltar às aulas na segunda."
Flame ajustou o relógio no pulso, invocando um mapa holográfico que cintilava no ar. Cada detalhe da rota estava claramente marcado.
"Sim. Esse é o nosso destino."
"Espere... Barangka? Quer dizer aquelas falésias que se estendem por milhares de quilômetros na borda noroeste do continente?"
"Então você não é apenas uma cara bonita,"
Assim como Eisel apontou, o mapa mostrava as falésias dominando quase metade da área exibida.
Além delas, não havia nada além do mar aberto.
"Diz-se que o artefato divino há muito perdido da Lua de Outono Prateado está repousando em algum lugar ao longo dessas falésias."
"... O artefato divino da Lua de Outono Prateado?"
"Sim. E eu duvido que mesmo a Lua de Outono Prateado saiba disso."
Isso porque esse artefato era como uma peça escondida no romance.
Quando Flame leu o romance, não pensou nele como o artefato da Lua de Outono Prateado.
Não houve menção explícita a ele na história.
Mas agora, Flame tinha certeza disso.
"Era o único item do romance capaz de reverter o tempo."
Ela não conhecia as condições exatas para ativá-lo, já que, na história original, Eisel despertou seu poder por puro acaso. Mas aqui, planejava usar o Fragmento da Constelação para garantir que funcionasse. Precisava conseguir rebobinar o tempo… realmente rebobinar desta vez, não apenas enviar sua consciência para um eco tímido do passado.
"Preciso conhecer meu passado."
"Você tem certeza de que este é o caminho mais rápido? Já peguei mais trens do que consigo contar."
"Você ficou apenas vagueando sem rumo. Siga meu plano."
Ter essas duas tagarelas a bordo não fazia parte do plano original, mas, na verdade, ela não se importava. Viajar com companhia, por mais barulhentas que fossem, era muito mais reconfortante do que ir sozinha.