Escravo das Sombras

Volume 12 - Capítulo 3121

Escravo das Sombras

Traduzido usando Inteligência Artificial



A cidade estava morta e silenciosa enquanto caminhavam em direção à muralha distante. As ruas estavam vazias, sem uma única alma por perto. Um silêncio inquietante impregnava o mundo, como se tivessem feito uma curva errada em algum lugar e, de alguma forma, acabado no inferno… se o inferno existisse, Effie imaginava que se pareceria com aquilo.

Ela havia visto todo tipo de horror em sua vida, e as ruínas enegrecidas — edifícios desabados, corpos espalhados pela poeira, o cheiro de podridão e cinzas impregnando o ar — não eram novidade para ela. A devastação em si não era o inferno… o inferno era saber de toda a dor humana, do desespero e dos sonhos destruídos que jaziam escondidos sob os escombros.

Effie estava feliz por Morgan e Seishan terem escolhido acompanhá-la naquela caminhada sombria. Caso contrário, tudo pareceria solitário demais.

À medida que se aproximavam do portão da cidade, porém, a situação mudou.

Ela havia ordenado que a maior parte de seus soldados recuasse, mas, de alguma forma, uma grande recepção a aguardava. Incontáveis soldados — todos magros e marcados pela batalha — haviam se reunido para se despedir de sua comandante, formando duas fileiras humanas de cada lado da estrada.

Eles não aclamavam, nem diziam palavra alguma. Ainda assim, conforme Effie se aproximava, ela conseguia enxergar em seus olhos tudo o que desejavam dizer.

Os soldados a saudavam em silêncio enquanto ela passava, suas expressões contidas traindo uma tempestade de emoções turbulentas. Tristeza, reverência, dor, coragem — ela via tudo isso e muito mais.

Mas, acima de tudo, o que ela via era força. Todas aquelas pessoas estavam feridas, famintas, exaustas, doentes e perdendo a esperança. Ainda assim, nenhuma delas havia sucumbido — nenhuma sequer cogitava desistir.

Então, ela decidiu lhes oferecer um belo espetáculo.

Endireitando a postura, Effie sustentou o olhar de seus soldados e sorriu. Era um sorriso confiante e descontraído — um sorriso que não deixava transparecer o menor vestígio de medo ou hesitação. O mesmo sorriso que eles haviam visto incontáveis vezes.

Se o jovem príncipe da cidade moribunda foi sincero ao dizer que eles se lembrariam dela, então Effie queria que se lembrassem dela assim.

Era um desejo estranho, considerando que todos eles eram apenas fantasmas criados pelo Feitiço e desapareceriam quando o Pesadelo terminasse.

Que significado havia em ser lembrada por fantasmas esquecidos? Finalmente, chegaram aos portões da cidade. Ali, uma figura solitária os aguardava, parada bem no meio da estrada, bloqueando seu caminho.

Era Kai, é claro.

Morgan e Seishan diminuíram o passo, permitindo que Effie se aproximasse dele sozinha.

Enquanto fazia isso, ela assobiou baixinho.

‘Ah, não. Kai não está nada feliz…’

De fato, era evidente. Os outros haviam tentado esconder suas emoções, mas ele nem sequer se deu ao trabalho — seu rosto estava sombrio e abatido… desesperado, até. Havia olheiras profundas sob seus olhos, e seu olhar era severo.

Olhos marcados, bochechas encovadas, lábios rachados…

‘Minha nossa.’

Kai realmente havia se largado. O mundo devia mesmo estar acabando.

“Effie…”

Parando diante dele, Effie sorriu.

“Por que essa cara?”

Ele a encarou por um momento e então franziu a testa.

“Tem que haver outro jeito. Você não precisa… você não pode fazer isso. Podemos encontrar outro plano. Por favor, pense de novo.”

Effie o observou em silêncio por um breve instante, então deu uma risadinha.

“Você me conhece, amigo. Nunca fui uma pessoa muito dada a considerar as coisas. Já me custou um esforço enorme considerar este plano… e agora você espera que eu reconsidere tudo? Que os deuses tenham piedade, porque eu não consigo.”

Ele se recusou a ser convencido por seu tom descontraído, encarando-a com uma intensidade sombria.

Effie suspirou.

“É um bom plano, Kai… é o único plano. Você sabe disso. Cada um de nós só precisa cumprir sua parte. A minha é um pouco chamativa, mas não é a mais difícil. Na verdade, talvez eu esteja levando a parte mais fácil de todos vocês.”

Kai cerrou os dentes.

“Ele vai matar você!”

Effie permaneceu em silêncio por um instante, então balançou a cabeça e riu.

“Pode até matar. Mas não vai me matar imediatamente… e isso já basta. Então, saia da frente.”

Kai a encarou por mais alguns segundos, depois baixou a cabeça.

Por fim, deu um passo para o lado, permitindo que ela passasse.

Effie permaneceu parada por um instante, então deu um tapinha em seu ombro e passou por ele. Agora, apenas os portões se erguiam diante dela.

Ela hesitou um pouco, então respirou fundo.

“Ei, Kai. Pode me fazer um favor?”

Ele não respondeu, fazendo Effie se virar para lançar-lhe um olhar.

“Quando eu estiver lá fora… não olhe.”

Ela não disse mais nada, e ele também não respondeu.

No fim, porém, Kai assentiu lentamente. Effie sorriu e fez o mesmo.

“É só que eu tenho uma imagem a manter. Bem, você já foi um ídolo, então deve entender.”

Com isso, tudo o que precisava ser dito já havia sido dito. Effie voltou a olhar para a frente e ergueu a voz:

“Abram o portão!”

O gigantesco portão principal da cidade, que permaneceu fechado desde o início do cerco, recusando-se a ser arrombado ou destruído, finalmente rangeu e começou a se mover.

Abrir aquele enorme portão era uma tarefa complicada, já que o Pedreiro o construiu pessoalmente. Ele era pesado demais para ser empurrado por pessoas ou Despertos — até Ascendidos e Santos teriam dificuldade para forçá-lo. Por isso, um mecanismo complexo era utilizado, operado por uma equipe de engenheiros. Agora, esse mecanismo foi acionado, afastando duas titânicas placas de pedra mística.

A essa altura, o sol já estava nascendo, expulsando a noite — um novo dia havia chegado, trazendo consigo a promessa de um amanhã mais brilhante.

Ou talvez mais sombrio.

Effie não sabia qual dos dois seria, mas tinha certeza de uma coisa: o amanhã seria completamente diferente de todos os dias anteriores.

Assim que o portão se abriu o bastante para permitir a passagem de uma pessoa, ela respirou fundo e deu um passo à frente.

Atrás dela, incontáveis soldados golpearam suas armaduras com os punhos, bradando seu nome solenemente. O som de suas vozes elevou-se aos céus como um rugido ensurdecedor, fazendo o firmamento estremecer.

Effie sorriu de leve.

‘Droga.’

Ela ficou um pouco comovida.

A ironia da situação, porém, era que ela interpretava o papel da Donzela da Guerra naquele Pesadelo, então eles nem sequer estavam gritando seu verdadeiro nome.

‘Seus idiotas…’

Atravessando o portão, Effie entrou no vasto e aterrorizante campo de extermínio que se estendia da muralha da cidade até o horizonte. Se a cidade apenas lembrava o inferno, então aquilo era sua verdadeira face. Cadáveres se empilhavam como montanhas, enquanto corvos gordos caminhavam entre armas quebradas e os restos de imensas máquinas de cerco. O chão havia se transformado em uma lama negra, encharcada de sangue e cinzas. O fedor era insuportável, com colunas de fumaça se erguendo em direção ao céu pálido.

Ela seguiu em frente sem olhar para trás. Lá no horizonte, uma linha escura delineava o mundo. Aquela linha era o vasto e aparentemente interminável acampamento da Horda de Aço — durante a noite, as fogueiras acesas por seus soldados pareciam um mar sem fim.

Era para lá que Effie estava indo…

Hoje, após um longo e amargo cerco, ela admitiria a derrota e entregaria a cidade ao Rei dos Reis.

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