Escravo das Sombras

Volume 11 - Capítulo 2833

Escravo das Sombras

Traduzido usando Inteligência Artificial



Ela se perdeu em uma memória diferente

Era uma memória como todas as outras, só que mais aterrorizante.

Não… não, havia algo errado com aquela.

Havia algo perigoso nela.

Algo que dizia a Cassie que ela jamais deveria ter testemunhado o que quer que aquela memória escondesse — jamais deveria ter vivenciado o que o dono original da memória tinha vivenciado.

Mas já era tarde demais, porque ela já estava se lembrando.

Naquela memória, ela era uma coisa quebrada. Escondido atrás de um véu, seu rosto era de uma beleza radiante e requintada. No entanto, sob o tecido vermelho de seu vestido, a parte inferior de seu corpo era um horror retorcido de carne desumana.

O que se escondia sob sua pele, por sua vez, era ainda mais terrível.

Ela estava louca.

Uma palavra tão trivial quanto loucura não fazia justiça ao seu estado mental, mas era a única que Cassie podia usar para descrever o horror absolutamente alienígena, demente e frenético da abominável estranheza que tinha tomado sua mente. Era insondável, errado, e perturbadoramente repulsivo em um nível fundamental, devido à extensão apavorante de sua distorção.

Sua consciência estava em desacordo com o mundo ao redor. Em cada ponto onde seu eu tocava a realidade, seu próprio ser era engolido por uma agonia grotesca e macabra. A angústia que ela suportava sem cessar não era física, mas poderia muito bem ter sido. Sua existência inteira não era diferente de tortura.

Então, ela queria impor essa tortura a todos os outros.

Ela queria despedaçar a existência.

‘Eu não deveria… eu não deveria… estar vendo isso…’

O pensamento pertencia à própria Cassie, não ao ser medonho cuja memória ela estava revivendo.

Mas ela era incapaz de parar.

Ela sentia o aroma irresistível e sedutor das centelhas deixadas pela Chama. Queria destruí-las… mas também estava enfeitiçada por elas, encantada por elas. Hipnotizada por elas. O aroma a preenchia tanto com um ódio infinito quanto com uma tristeza esmagadora, como se estivesse sentindo algo que um dia havia amado, mas perdido para sempre.

Ela odiava aquilo… e ansiava por aquilo.

Mas, acima de tudo, queria consumi-lo. Absorvê-lo. Dilacerá-lo e destruí-lo, e torná-lo parte de si.

Ela era Tormento, uma das Seis Pragas do Grande Rio.

Ela era Corrompida.

‘Não, não, não…’

Na memória, Tormento estava de pé sobre a cabeça de um leviatã hediondo. As águas do Grande Rio se abriam diante de sua boca monstruosa, espumando como sangue fresco sob a luz dos sóis poentes. Atrás dela, uma horda de abominações Profanadas rosnava sobre as costas do leviatã.

E ao redor dele, miríades de monstros marinhos nadavam rio acima com fome frenética nos olhos, cada um carregando seu próprio enxame de abominações. A vasta extensão do Grande Rio fervilhava, a água corrente sendo rasgada por sua passagem. A grande armada de Verge tinha partido para devastar uma das últimas cidades humanas que ainda se agarravam obstinadamente à vida na Tumba de Ariel. Ela levaria ruína e devastação até eles… e também capturaria o maior número possível com vida, para compartilhar seu tormento pelo tempo que seus corpos frágeis — e mentes ainda mais frágeis — aguentassem.

Ela comandava a armada dos Profanados…

Ou assim parecia.

Na verdade, Tormento não passava de uma marionete quebrada. Ela era um fantoche dançando de acordo com a vontade do ser que puxava seus fios.

Esse ser era ela mesma… seu eu do passado. Seu eu de antes de se tornar Tormento. Aquela bruxa ardilosa tinha mutilado a própria mente, queimando grande parte dela para estabelecer uma teia complexa de condições e proibições. Ela apagou algumas das próprias memórias, substituiu outras por lembranças falsas. Também garantiu que Tormento só pudesse existir nos limites estreitos das ações que lhe eram permitidas, incapaz de se libertar… agindo e reagindo como estava destinada.

Para que, mesmo quando sua mente fosse consumida pela Corrupção, continuasse a seguir o plano.

…Algum tempo depois, ela se movia por uma cidade em chamas. Seus longos tentáculos a impulsionavam com velocidade impressionante, assim como faziam na água — seus movimentos eram rápidos e imprevisíveis, e ela fluía pela chuva de dardos que os defensores mais poderosos da cidade lançavam com uma graça sinistra, ilesa.

Os defensores eram poderosos. Eram valentes. Eram habilidosos e cheios de determinação…

Mas, na verdade, já tinham perdido.

Porque sua esperança foi extinguida no momento em que viram Tormento, o espectro medonho do Estuário.

Um instante depois, ela já estava entre eles.

Aquele aroma… aquele aroma enlouquecedor… Carne humana sendo rasgada, e sangue correndo pela calçada de pedra. Havia gritos. Havia lamentos. Havia sussurros de preces desesperadas — tudo isso fundido em uma melodia eufórica que fazia sua alma maculada cantar.

Ela podia sentir a Chama deles fluindo para dentro de si, alimentando sua escuridão.

Era a única coisa na existência que não era agonia, e por isso era a coisa mais doce do mundo.

Ela se movia entre eles como um furacão sangrento, capturando campeões Ascendidos poderosos com seus tentáculos e dilacerando seus corpos. Aqueles que eram mais fortes, ela capturava e erguia até o rosto, para que pudessem olhar em seus olhos.

Esses gritavam mais alto.

Mas logo os gritos se calaram. Ela fez uma pausa por um momento.

‘Ah… eu queria capturar alguns vivos…’

Cassie já não era exatamente capaz de pensar em pensamentos coerentes, mas aquela era a interpretação mais próxima que conseguia dar aos movimentos alienígenas de sua mente.

Ela olhou à frente.

Ali, escondido no templo da cidade moribunda, estava seu prêmio.

A sibila e suas sacerdotisas.

Deixando para trás uma cena de massacre grotesco, ela avançou.

No entanto, quando chegou ao destino, percebeu que seu prêmio tinha sido roubado. Nada se movia dentro do templo. O ar estava denso com o cheiro de sangue. Todos ali já estavam mortos, e seus cadáveres estavam horrivelmente desmembrados.

Os membros decepados tinham sido organizados em um mosaico demente no salão de orações.

No centro do mosaico macabro, um homem em roupas esfarrapadas estava sentado no chão, sangue escorrendo de sua coroa manchada.

Seus cabelos sujos pendiam como algas, ocultando a máscara de cicatrizes que servia como seu rosto.

“Ah, Tormento…”

Ele olhou para ela e sorriu.

“O que te fez demorar tanto?”

Uma risada áspera e descontrolada escapou de seus lábios.

Ou talvez fosse um soluço.

“Continue falando, me conte, me conte mais… seu pedaço de lixo inútil…”

Havia uma espada de jade repousando em uma poça de sangue diante dele, e uma silhueta vaga estava atrás dele como um fantasma.

O Príncipe Louco estremeceu, então cravou as unhas no próprio rosto, deixando novas cicatrizes.

“Argh! Tormento, Tormento… eu quase consegui desta vez. Mas aquele mentiroso desgraçado não me deixou passar.”

Ele olhou para ela com um júbilo demente.

“A sombra. O eu do futuro. Ele me expulsou, o bastardo!”

Ele riu.

“Oh, mas a mera existência dele… é prova de que eu vou conseguir, um dia. Eu vou sair.”

Ela permaneceu em silêncio, olhando para os cadáveres. Estava dominada pela perda da doce promessa de segurá-los, torturá-los, desfazê-los e tomar sua Chama.

O Príncipe Louco olhou para ela com pena.

“Você está quase desaparecendo, não está? Tormento… minha pobre parceira. Estamos nisso juntos há tanto tempo, você e eu. Mas agora parece que eu a gastei completamente.”

Erguendo-se, ele olhou para ela com um sorriso sinistro.

“Você nunca vai sair desta tumba. Você foi enterrada aqui, para sempre. É o que merece, pelo que fez comigo… oh, mas não se preocupe.”

Ele riu.

“Quando eu estiver lá fora, vou me lembrar de você com carinho.”

A memória se despedaçou.

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