
Volume 11 - Capítulo 2775
Escravo das Sombras
Traduzido usando Inteligência Artificial
As bestas gigantescas puxavam as carroças blindadas através do Túmulo de Deus, avançando a uma velocidade intimidadora. Aqui, na Estrada das Sombras, a caravana podia se permitir mover-se com bastante rapidez sem comprometer a segurança — no entanto, assim que alcançassem o Inferno de Vidro, teriam de diminuir o ritmo para evitar emboscadas de Criaturas do Pesadelo.
Não que nenhuma Criatura do Pesadelo tivesse atacado as carroças antes de deixarem o Túmulo de Deus. Rain havia provado seu valor nesses poucos e ferozes confrontos — capaz de enxergar no escuro, ela geralmente conseguia notar o inimigo a uma grande distância.
Então, tudo se resumia a puxar o arco, mirar e cravar uma flecha luminosa em sua carapaça. Iluminadas por uma radiância ofuscante nas profundezas da escuridão, as Criaturas do Pesadelo eram reveladas para toda a caravana muito antes de poderem lançar um ataque.
Assim, lidar com elas tornava-se muito mais fácil. Livres de ter que derramar seu próprio sangue graças às flechas de Rain, os guardas rapidamente passaram a gostar dela. Apenas alguns dias depois, ela se tornou a pessoa favorita de todos… bem, exceto pelo guerreiro Desperto veterano que havia falado sobre o Dreamspawn. Rain mantinha distância dele, e ele parecia igualmente indiferente a ela.
O homem não voltou a falar sobre Asterion desde aquela primeira vez. O restante dos guardas, porém, ainda o provocava sobre isso de tempos em tempos. Eles não tratavam o nome do suposto Supremo com qualquer tipo de reverência, parecendo mais divertidos com a ideia.
A tal ponto que um Soberano imaginário chamado Asterion se tornou uma piada recorrente entre os guardas posicionados na carroça da frente — e, à medida que eram rotacionados para seções mais seguras da caravana, a piada se espalhou até a sua cauda.
Rain não gostava nem um pouco de ouvir aquela piada. Logo, eles alcançaram o fim da Estrada das Sombras e cruzaram para o úmero do esqueleto titânico. Ao descerem da altura do Túmulo de Deus e alcançarem a ponte que conectava o úmero ao rádio, uma bela paisagem do Inferno de Vidro revelou-se muito abaixo deles.
O Inferno de Vidro parecia… exatamente como o nome sugeria.
Era uma vasta planície feita inteiramente de vidro. Havia cristas altas e fendas profundas espalhadas aqui e ali por sua superfície polida, mas, em grande parte, essa região do Reino dos Sonhos era plana e lisa, incendiada pela luz do sol que se refletia na superfície do vidro como um rio de ouro derretido.
O vidro transparente lembrava gelo e vastas geleiras, evocando memórias de inverno e de um frio revigorante. Mas, na realidade, o Inferno de Vidro era como um forno escaldante — isso porque o vidro absorvia o calor do sol durante o dia e depois o irradiava durante a noite. Pior ainda, havia inúmeros pontos de foco espalhados pela planície, agindo como lentes.
Se alguém não fosse cuidadoso, poderia ser queimado vivo pela luz solar concentrada, cegado por sua radiância ou simplesmente sufocado pelo calor. No entanto, não era por isso que essa região do Reino dos Sonhos era chamada de Inferno de Vidro. A verdadeira razão encontrava-se sob a superfície do vidro, nas profundezas transparentes da região.
Ali, miríades de túneis podiam ser vistas se estendendo profundamente na escuridão. E, às vezes, era possível mal discernir as formas de criaturas transparentes se esgueirando por esses túneis como fantasmas de vidro.
Isso porque toda essa região do Reino dos Sonhos era uma enorme colmeia, povoada por um vasto enxame de peculiares Criaturas do Pesadelo. As abominações tinham natureza insetóide e possuíam corpos transparentes, o que as tornava difíceis de detectar.
Suas foices e mandíbulas, porém, eram afiadas como lâminas.
Pior do que isso, elas se moviam no subsolo e podiam irromper do vidro em qualquer ponto da planície, seja em pequenos grupos de caça que arrastavam presas desafortunadas para as profundezas da Colmeia, seja em grandes hordas que jorravam para a superfície e devoravam tudo em seu caminho.
Desnecessário dizer que sobreviver no Inferno de Vidro não era uma tarefa fácil.
Ainda assim, a humanidade o conquistou — ou, pelo menos, a sua superfície.
A parede negra e serrilhada das Montanhas Ocas erguia-se do solo bem ao norte, enquanto a única Cidadela da região estava localizada mais próxima de seu limite sul. Essa Cidadela chamava-se Colina Vermelha, e era para lá que a caravana mercante se dirigia.
“Ah.”
Retirando o capacete, Pill sorriu e ergueu o rosto para se banhar à luz do sol. Apesar da natureza perigosa da região, os guardas da caravana ainda estavam felizes por escapar do Túmulo de Deus, onde o próprio céu era uma ameaça mortal.
“Não é bom ver o sol, Rani?”
Ele olhou para Rain e riu baixinho.
“Aproveite a sensação. Você vai sentir falta da Estrada das Sombras quando chegarmos à planície e sentir o calor.”
Rain apenas apontou para um pedaço de vidro vulcânico polido pendurado em um cordão de couro ao redor do pescoço — a Memória que seu irmão havia chamado criativamente de [Pedaço de Resistência].
“Este amuleto me mantém fresca. Como você acha que eu sobrevivi no Túmulo de Deus?”
Pill lançou ao amuleto um olhar invejoso e murmurou em um tom saudoso:
“Eu devia arranjar um desses…”
Nem todos os Despertos possuíam vastos arsenais de Memórias — na verdade, a maioria tinha apenas algumas. Um amuleto como aquele era um verdadeiro luxo.
A caravana cruzou a ponte e desceu em direção ao Inferno de Vidro. Conforme avançavam, a temperatura do ar aumentava de forma constante, até que Rain se viu alimentando o Pedaço de Resistência com um pouco de essência para não começar a suar.
Pill não teve a mesma sorte.
Escondido na sombra do parapeito, ele ergueu o olhar para Rain e forçou um sorriso.
Ao redor deles, o Inferno de Vidro brilhava como um oceano de ouro derretido.
“É meio-dia. O calor é pior ao meio-dia… as coisas vão melhorar quando o sol avançar. Um pouco melhor, pelo menos. Ângulos e reflexos, ou algo assim.”
Rain assentiu, observando a planície incandescente com uma expressão sombria. Ao redor dela, os guardas retiravam óculos improvisados de suas armaduras e os colocavam. Alguns pareciam peças de madeira com fendas horizontais estreitas, outros lembravam óculos de orifícios minúsculos — coisas que alguém usaria para proteger os olhos da cegueira da neve, mais ou menos.
“Ah, sim.”
Pill colocou um par de óculos também.
“Você deveria usar algo para proteger os olhos do brilho, Rani. Caso contrário, vai ficar cega. Uh… tenho certeza de que alguém tem um par extra. Posso perguntar por aí.”
Rain sorriu.
“Não precisa.”
Ela invocou a Bolsa de Retenção e retirou de dentro dela um par de óculos de sol de marca de luxo, bem estilosos. Ao colocá-los, abriu um largo sorriso.
“Sempre venho preparada, sabe?”
Os óculos de sol eram, na verdade, uma brincadeira entre os membros do Clã das Sombras, que em certo momento haviam desenvolvido o hábito de presentear uns aos outros com itens absolutamente inúteis sempre que se encontravam na Costa Esquecida. Óculos de sol e protetor solar eram os presentes mais populares, e Rain já tinha meia dúzia de pares. Este em particular havia sido um presente de Tamar.
Pill riu.
“Vejo que você está indo muito bem, Rani… fico feliz.”
Ela não respondeu.
Em vez disso, virou-se e fitou atentamente o oceano de ouro derretido, então puxou rapidamente uma flecha da aljava e a encaixou na corda do arco.