Casamento Predatório

Capítulo 355

Casamento Predatório

Na garrafa de vinho, havia sido cuidadosamente adicionado um líquido por um furo na rolha. A rolha, então, fora consertada sem deixar diferença visível. O sabor do vinho não seria muito afetado, pois havia sido feito tão recentemente.

Júdia tinha certeza de que poderia seduzi-lo lentamente e fazê-lo seu sem precisar disso, mas se ela demorasse mais, Herodes poderia ter sucesso com a rainha estia. Júdia odiava perder para ele.

Ela colocou a garrafa de vinho sobre a mesa.

“Preciso de uma taça…”

Assim que ia dizer que procuraria uma taça, Ishakan derrubou a grande travessa de tâmaras. As frutas se espalharam pela mesa, e Ishakan ofereceu a travessa a ela.

“Sirva”, ele ordenou.

Júdia esboçou um sorriso melado. A maneira rude dele só o tornava mais atraente. Ela adoraria se ele fosse assim na cama.

Júdia se inclinou para servir o vinho, curvando-se para que Ishakan pudesse apreciar melhor as curvas do seu corpo. Quando a travessa foi enchida com vinho, Ishakan bebeu sem hesitar, a maçã do adão subindo e descendo enquanto engolia. Logo, a travessa estava vazia.

Júdia mordeu o lábio. Era difícil conter o riso ao pensar que em breve aquele arrogante kurkan estaria de joelhos, implorando pelo seu amor.

Ela o olhou expectante. Em breve, a poção faria efeito.

“……”

Mas era estranho. Mesmo depois de algum tempo, não houve reação. Aqueles olhos dourados ainda estavam calmos. A tempestade de paixão que Júdia esperava não chegou.

Por quê? Ela já havia usado essa poção muitas vezes no passado. Nunca teve que esperar tanto para fazer efeito. Algo estava errado.

Com o nervosismo aumentando, uma grande mão bronzeada alcançou a garrafa de vinho para agitá-la levemente. Os lábios de Ishakan se curvaram enquanto ele olhava para o líquido restante na garrafa.

“Está envenenado.”

Distraída pelos olhos dourados dele, Júdia demorou um segundo para responder.

“…O quê?”

Ishakan lentamente virou a garrafa, derramando o vinho no chão. O doce aroma do vinho preencheu o ar.

O líquido vermelho salpicou seus pés, e Júdia estava tão atordoada que não percebeu que o vinho havia manchado a saia do seu vestido. Ela se levantou em choque.

“Ah, como você soube… não, é obviamente a garrafa certa, não pode ser…”

Ishakan pegou uma das tâmaras que estavam na mesa.

“Parece que estou apaixonado?”

“……”

Não havia nada que ela pudesse dizer. Júdia recuou, observando-o, e então se assustou quando uma voz falou atrás dela.

“O Rei de Balkat vai dar isso para a Leah também?”

Dois kurkans apareceram atrás deles. O rosto da mulher kurkan estava sério.

“Acho que isso é pior do que tentar assassiná-la.”

Ishakan riu.

“Ah, sim”, concordou ele. “É um crime muito grave.”

Um a um, os kurkans saíram das sombras, e a estalagem vazia rapidamente se encheu.

A visão de Júdia ficou escura com o terror incontrolável que a dominou. Um forte zumbido ecoou em seus ouvidos, e os kurkans que observavam riram enquanto ela tremia.

“Rainha de Balkat.” Um homem kurkan se aproximou de Júdia para perguntar. “Você ouviu o que aconteceu com aqueles que tentaram assassinar nossa rainha?”

Júdia não conseguiu responder. Seus olhos se moviam de um lado para o outro, procurando uma maneira de escapar. O homem franziu a testa.

“Você não sabe, certo?” Ele disse, arrependido. Havia uma estranha compaixão em sua voz. “Então você vai descobrir em breve.”

Um grito penetrante estremeceu a estalagem. Um segundo líquido vermelho se juntou ao vinho no chão.


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