
Capítulo 356
Casamento Predatório
O jantar de Leah tinha terminado mal.
Lesha, o Príncipe de Estia, tinha cravado sua faca no pescoço do Rei Herodes, um corte profundo e grave.
Herodes saiu rapidamente para um palácio secundário, estancando o sangramento com um guardanapo. Ele foi tratado por um médico lá.
Do momento em que Lesha tirou a faca, a situação poderia ter se tornado muito desfavorável para Estia. Mas, por algum motivo, Balkat não protestou. Mantiveram-se tão silenciosos que parecia que haviam oferecido uma ofensa.
Os servos do palácio, que consideravam Lesha apenas um garoto bonitinho, ficaram bastante chocados. O amável príncipezinho havia se transformado subitamente numa fera, que atacou um convidado do palácio com uma faca.
Eles esperavam que ele recebesse um castigo severo, mas Leah não o ordenou. Lesha arriscava a vida pela mãe desde antes de nascer. Herodes devia ter mexido no vinho. Ela não fazia ideia de como Lesha poderia saber disso, mas o garoto havia frustrado seus planos.
Ela colocou a criança na cama cedo e beijou sua testa.
“Obrigada por me proteger”, sussurrou ela.
“Ahh…”
Lesha bocejou enormemente e colocou a mão na bochecha dela.
“Eu te amo, Mamãe…” sussurrou ele.
Essas eram as palavras que ele conseguia dizer com mais clareza, porque as havia dito tantas vezes. Logo após sua sonolenta confissão, Lesha adormeceu, e Leah ficou ao seu lado, acariciando seus cabelos.
Suspirando, ela se endireitou e foi para seu quarto. Poderia ter voltado ao salão de banquetes, mas, no fim, decidiu não ir. Não era como se Balkat fosse aproveitar o clima festivo agora também.
Ainda era muito cedo para dormir, então Leah decidiu procurar alguns livros para ler. Havia um canto em seu quarto onde ela guardava seus livros e um sofá do tamanho de uma cama pequena embaixo de sua janela. Ela gostava de se sentar e ler ali, com a luz do sol ou da lua brilhando pela janela.
Sentada no sofá, ela puxou o marcador do livro que comprara na livraria outro dia, mergulhando nas páginas. O livro era escrito em uma mistura de línguas antigas, o que o tornava difícil de ler se ela não estivesse concentrada. De repente, ela ouviu um barulho.
“……?”
Os olhos de Leah se arregalaram enquanto ela olhava automaticamente para a janela, e ela se levantou rapidamente para abri-la. Um homem subiu para se sentar no parapeito da janela.
“Ishakan!”, exclamou Leah, e suspirou. “Por que você continua entrando pela janela?”
“Porque estou com pressa.”
Ela não entendia por que ele estava com tanta pressa, devia ser a janela e não uma porta. Mas quando ele entrou, ela inclinou a cabeça curiosamente.
Normalmente, ele a abraçaria assim que chegasse. Mas agora ele ficou onde estava, sentado no parapeito da janela e a observando, imóvel.
Ela o olhou mais de perto. Parecia-lhe que seu rosto estava um pouco vermelho, embora fosse difícil dizer com as costas voltadas para a luz da lua.
“Não me toque.”
A boca de Leah se abriu em choque. Ishakan nunca havia rejeitado seu toque antes.
“É melhor você não me tocar”, Ishakan corrigiu, sorrindo um pouco com sua surpresa.
“Do que você está falando? Você está doente? Você tem a peste?”
“Pode ser pior do que isso”, disse Ishakan, murmurando algo que ela não conseguiu entender. “Eu bebi para ver. De qualquer forma, magia não me afeta.”
Então Leah viu. A frente de sua calça estava inchada.
Seu rosto ficou instantaneamente quente. Ela não sabia os detalhes do porquê dele estar naquele estado, mas ela podia adivinhar que era por causa do que quer que ele tivesse bebido.
“Você devia ter pedido para a Morga verificar, se houvesse algo suspeito!”, exclamou ela, o rosto corado.
“Isso levaria muito tempo”, respondeu Ishakan, desgostoso. “Eu tive que me livrar dele, ele está sempre atrás de você—”
Ishakan interrompeu a si mesmo com um rosnado, lambendo os lábios enquanto olhava para Leah.
“Haa… Acho que vai explodir.”
Ela nem precisou perguntar o que estava prestes a explodir.
“…Posso te ajudar?”
“Não.”
“Por quê?”
Ishakan riu. Seus olhos brilhavam como fogo.
“Porque pode ser muito perigoso.”