Casamento Predatório

Capítulo 354

Casamento Predatório

Leah fingiu que bebia o vinho.

Mas no instante em que levou a taça à boca, ela escapou de sua mão, quebrando-se com estrondo no chão de mármore, e Lesha estava em cima da mesa.

Tudo aconteceu tão rápido que era impossível acompanhar com os olhos. Mas Leah conseguiu ver a faca na pequena mão de Lesha, apontada para o pescoço de Herodes.

“Deixe a minha mãe em paz”, rosnou ele, os olhos cerrados. “Ou vai se arrepender.”


As damas de companhia de Judia cuidaram com esmero de sua toilette.

Seu vestido era simples, mas caía-lhe perfeitamente, realçando as curvas do seu corpo. Elas também dedicaram bastante tempo ao penteado, e quando terminaram, todas as damas ficaram maravilhadas com o resultado.

“Meu Deus…”

“Magnifica. Até um coração de pedra palpitaria.”

Judia vestiu um robe sobre o vestido e saiu do palácio, satisfeita.

O Rei de Kurkan planejara passar a noite fora do palácio em vez de comparecer ao banquete, e Judia pedira a seus subordinados que encontrassem sua localização. Ao descobrir que ele passaria a noite em uma hospedaria, pareceu-lhe um sinal para prosseguir com o encontro amoroso.

Durante toda a viagem de carruagem até a hospedaria, ela estava tão animada que não conseguia parar de sorrir. Ele devia estar interessado nela. Com certeza, ele só havia agido como se fosse indiferente porque havia muita gente observando no salão do banquete.

Quando a carruagem chegou à hospedaria, Judia desceu e instruiu o cocheiro a esperar ali até o início da manhã seguinte, então apressou-se para entrar.

Mas assim que abriu a porta, Judia sentiu que algo estava errado.

Uma sensação de formigamento percorreu sua pele, como se centenas de agulhas a estivessem picando ao mesmo tempo. Era uma dor fantasma de todos aqueles olhares.

Havia dezenas de kurkans na hospedaria. Sentados livremente em mesas, cadeiras, até mesmo nas escadas e nos peitoris das janelas, empoleirados no corrimão do segundo andar.

Não parecia coincidência que todos estivessem ali, especialmente quando todos pararam de uma vez e se viraram para olhar para Judia, todos aqueles olhos impassíveis.

Aqueles olhares eram como uma lâmina invisível apontada para sua garganta. Se ela até mesmo respirasse errado, seu corpo inteiro se desfaria. Se ela tivesse sido um pouco menos ousada, poderia ter desmaiado ali mesmo.

Parecia que ela se tornara presa, com a isca na boca. O rosto de Judia empalideceu, e seus olhos se desviaram para uma direção.

O homem que ela procurava estava sentado em uma mesa no fundo da hospedaria. E embora ela não tivesse conscientemente tentado encontrá-lo, seus olhos foram atraídos pela força de sua presença.

Judia falou, pensando em seu nome.

“Oh, Rei de Kurkan!”

Ishakan observou-a em silêncio e acenou-lhe gentilmente para que se aproximasse. Isso a deixou recuperar o fôlego, e assim que o fez, sentiu-se mais confiante. Ficou claro que aquele homem a esperava.

“Tenho algo a lhe dizer, então vim procurá-lo, mesmo que seja indelicado”, disse Judia, juntando as mãos e olhando para ele com olhos úmidos. “É sobre o acordo de paz. Mas não quero que outros escutem... poderíamos conversar em particular?”

Como ela o pediu tão educadamente, Ishakan concedeu.

“Todos, retirem-se.”

Os kurkans desapareceram no instante em que ouviram sua ordem. Judia sentiu um arrepio na espinha ao vê-los desaparecer, fundindo-se nas sombras. Mesmo vendo com seus próprios olhos, mal conseguia acreditar.

“Então, o que deseja, Rainha?”

Ao som de sua voz agradável, Judia recompôs-se. Finalmente, eram apenas os dois, e o desejo de tê-lo a dominou. Seu coração acelerou, e ela sentiu um formigamento de antecipação entre as pernas.

Ela tinha certeza de que, depois daquela noite, teria o Rei de Kurkan na palma da mão. Principalmente porque ela o trouxera.

Judia agiu ousadamente. Tirando o robe, sentou-se diante de Ishakan, e mesmo com tamanha ousadia, ele não a repreendeu.

Sorrindo levemente, ela olhou para a mesa. Havia uma tigela funda sobre a mesa, cheia de frutas marrons enrugadas.

Ela havia ouvido dizer que os kurkans comiam tâmaras com frequência. Provavelmente era dali que vinha o aroma doce. Parecia apropriado combinar sua doçura com a bebida que ela trouxera. Judia colocou a garrafa de vinho sobre a mesa com satisfação. As tâmaras pareciam um bom presságio.

“Primeiro, posso oferecer-lhe uma bebida?”

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