Casamento Predatório

Capítulo 353

Casamento Predatório

Naquela noite, Leah jantou com Lesha. O príncipe, usando um terno formal com uma gravata borboleta, era carregado nos braços da Baronesa Cinael e contava tudo sobre o delicioso sorvete de limão que havia comido outro dia. Queria mais.

Quando Leah descia o corredor, o sol já havia se posto, e o crepúsculo dera lugar à escuridão. Muitas luzes do palácio tentavam afastá-la, mas pareciam projetar sombras enormes e alongadas.

A visão daquelas sombras oscilantes fez seu coração palpitar inexplicavelmente. Naquele instante, Lesha pulou dos braços da Baronesa Cinael e veio andar ao lado de Leah, olhando para ela e sorrindo.

Era a cara do pai. De alguma forma, Lesha nem lhe deu chance de pensar em coisas ruins. Leah caminhou o resto do caminho até o salão de banquetes com um sorriso no rosto. Mas assim que as portas se abriram, percebeu que suas más premonições estavam corretas.

Em todo o grande salão de banquetes, apenas uma pessoa estava sentada.

“Esperava por você.”

Herodes era o único ali, e levantou-se da cadeira para recebê-la. Leah sorriu irônico. Ele viera sozinho, mesmo que todos os emissários de Balkat tivessem sido convidados para o jantar. Como havia sido difícil criar uma oportunidade para uma conversa particular com ela, ele havia recorrido a isso.

“Vossa Alteza...” disse a Baronesa Cinael baixinho, uma pergunta silenciosa sobre o que deveriam fazer. Leah respondeu entrando no salão.

Ela queria ver até onde ele iria. Sentou-se em frente a ele com um sorriso frio no rosto, e Lesha subiu na cadeira ao lado dele. Herodes fez sinal para um criado atrás deles para que trouxesse a comida.

Observando-o, Leah piscou surpresa. Herodes não estava usando seus óculos naquele dia, e era estranho ver seu rosto sem eles. Mas aquilo não era o único detalhe incomum. Apesar do clima quente, ele estava usando uma camisa de gola alta.

Leah o observou furtivamente. Havia marcas vermelhas tênues em seu pescoço.

Marcas de mãos…?

Parecia que alguém tinha tentado estrangulá-lo. Ela olhou de novo, se perguntando se havia cometido algum erro, mas Herodes voltou-se para ela, e as marcas estavam escondidas novamente.

“Sinto muito por ter vindo sozinho”, disse ele com um sorriso.

“Não há nada a lamentar”, respondeu Leah, com o rosto inexpressivo. “Estou apenas curiosa. Imagino o que Balkat está planejando, para continuar fazendo coisas assim. É guerra que você quer?”

Herodes riu como se ela tivesse feito uma piada.

“Claro que não.”

Não valia a pena tentar fazer mais perguntas; ele só ofereceria mais bobagens. O jantar começou, e por um tempo, tudo correu tranquilamente.

Leah estava comendo sua refeição obedientemente, e Herodes estava oferecendo conversas casuais para animar a conversa. Ele até elogiou Lesha enquanto o menino devorava sua carne.

“O príncipe é muito bonito.”

Mas seus olhos estavam fixos em Leah, não em Lesha.

“Ouvi dizer que cabelos prateados são um sinal da família real de Estia”, disse ele. “Quanto mais vejo, mais interessante fica.”

Seus olhos percorreram seus cabelos e demoraram-se em seu rosto, e Leah franziu a testa levemente. Era difícil fazer contato visual com ele, agora que seus óculos não cobriam seu rosto, e havia uma loucura estranha em seus olhos naquele dia. Como um homem encurralado.

Herodes limpou a boca com um guardanapo e levantou a mão para chamar o criado.

“Trouxe um presente, como desculpas.”

Ele fez uma explicação elegante sobre o famoso vinho de Balkat, e Leah já havia ouvido falar dele; era um vinho valioso.

Pegando a garrafa do criado, ele mesmo a destampou e serviu, enchendo uma taça inteira.

Leah aceitou a taça quando ele a entregou, e Lesha parou de comer, seu olhar se voltando para a taça.

Delicadamente, ela girou a taça, cheirando seu aroma. Ela gostou do cheiro do vinho, mas não conseguiu levar a taça à boca após o aviso de Ishakan.

Herodes havia destampado a garrafa na frente dela. Deveria ser seguro beber. Mas Leah tinha fé absoluta nas palavras do marido.

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