
Capítulo 352
Casamento Predatório
No segundo dia do banquete, Ishakan partiu novamente bem cedo.
Leah achou que o palácio estava um pouco frio, já que ele havia levado todos os Kurkans com ele. Ele dissera que não conseguiria comparecer ao banquete naquele dia e provavelmente nem voltaria naquela noite.
Leah tinha certeza de que a partida dele tinha algo a ver com Balkat.
As intenções deles já haviam sido descobertas. Eles planejavam tentar seduzir Leah e Ishakan para romper a aliança entre seus reinos. Mas escolheram maneiras bizarras de perseguir esse objetivo. Eles não estavam apenas tentando seduzi-los, estavam fazendo isso publicamente e de forma grosseira, colocando em risco o acordo de paz existente com Estia.
Ela não achava que eles arriscariam a menos que estivessem convencidos de que Leah e Ishakan cairiam em suas mãos. Havia algum fator que estava lhes dando uma confiança injustificada. Ishakan provavelmente havia deixado o palácio para descobrir o que era.
Parecia um mau sinal que ele estava escondendo, e Leah esperava que ele descobrisse logo. Ela confiava em Ishakan, mas ainda estava triste por ele ter partido novamente, tão cedo depois de retornar da guerra. Mas ela não teve muito tempo para se sentir sozinha, com Lesha.
“Lobinho vai uoooo! Muito uoooo! Tão fofo!”
Lesha cantava a estranha canção enquanto pulava na frente dela, e Leah sorriu, observando seus cabelos prateados voando.
Ela havia decidido passar a tarde com ele, já que não tinha tido tempo de brincar com ele na noite anterior, e Lesha estava vagando por todo o palácio. Ela o seguiu por um longo tempo até que finalmente chegaram a algumas cadeiras no jardim, e ela se sentou.
Ela conseguia ouvir o som da água de uma fonte. Depois de dissuadir Lesha de caçar os pássaros cantando nas árvores, ela o chamou para fazer uma pergunta.
“Do que você e seu pai estavam conversando ontem?”
Ela estava curiosa. Os dois tinham sido muito secretos. E ela estava ainda mais preocupada porque Ishakan parecia tão sério depois que Lesha terminou de sussurrar para ele.
“Não. Segredo.”
“Você pode contar para sua mãe também.”
“Não, eu prometi, é um segredo.”
Lesha cobriu a boca com a mão, e Leah decidiu sacar sua própria arma secreta.
“Você não quer contar para a mamãe?”
“Uh…”
“Entendo”, disse ela. “Estou triste…”
Os olhos de Lesha se arregalaram, enquanto Leah abaixava a cabeça como se estivesse prestes a chorar.
“Mamãe!”
Lesha correu para confortá-la para que ela não chorasse. Leah mal começara a soluçar quando Lesha confessou.
“Eu tive um sonho…” disse ele. “A mamãe comeu algo ruim.”
“Algo ruim?”
“Sim.”
Ishkan já a havia avisado para não comer nada suspeito. Seria estranho se ele a tivesse avisado por causa do sonho de uma criança, como se os sonhos de Lesha pudessem realmente ser premonições.
Ela sabia com quem deveria falar sobre isso. Leah anotou mentalmente para perguntar a Morga. Uma pequena mão tocou a dela enquanto ela pensava.
“Está tudo bem, Mamãe”, disse Lesha, orgulhoso. “Eu vou p’roteger a Mamãe. Eu sempre protegi a Mamãe, mesmo antes de nascer.”
Lesha imitou as garras de um lobo com as mãos, e Leah acariciou a cabeça do filho. Às vezes, ele contava histórias sobre o que aconteceu antes de nascer, como se se lembrasse de todas as suas batalhas quando ainda estava em seu ventre. Por mais dolorosa que tenha sido aquela experiência, ele não parecia se incomodar com isso. Ao contrário, ele sempre se gabava de como havia protegido sua mãe.
E além dos avisos de seu filho, havia outro jantar marcado antes do banquete de hoje à noite, com os emissários de Balkat. Ela se sentiu exausta só de pensar em ter que lidar sozinha com o Rei Herodes e a Rainha Júdia.
Bem, não totalmente sozinha.
Leve Lesha com você, disse Ishakan. Ele insistiu que Lesha deveria ir ao jantar. Você precisa de outra escolta, já que você não tem Mura.
Ele acrescentou que ela se sentiria mais à vontade se levasse Lesha com ela. Embora fosse apenas uma criança pequena, Ishakan considerava Lesha um Kurkan de pleno direito.
“Então, Mamãe, não tenha medo!” Lesha já estava determinado a cumprir seu papel de escolta de sua mãe, e Leah o abraçou, sorrindo.
“Claro, Mamãe confia em Lesha.”
Embora, mesmo enquanto elogiava Lesha por sua bravura, Leah pensou que faria o melhor para lidar com a situação sozinha e mantê-lo fora de perigo.