
Capítulo 349
Casamento Predatório
A resposta de Ishakan ecoou pelo salão de banquetes silencioso. O rosto de Judia se contraiu.
Parecia que ela não esperava que ele a rejeitasse tão abertamente. Por um instante, enquanto se recompunha, ela ficou sem palavras.
“Ah, sim”, conseguiu dizer.
Seus olhos se voltaram para Leah, observando-a com insistência.
“Tenho o prazer de conhecer a Rainha de Estia”, acrescentou com um sorriso. “Espero que a Rainha permita relações amistosas entre Balkat e Kurkan.”
Um murmúrio de protesto percorreu a sala.
“Permitirei”, respondeu Leah, impassível.
A sobrancelha de Judia se ergueu.
“Mas, infelizmente, existem algumas coisas neste mundo que são impossíveis, não importa o quanto você tente”, suspirou Leah, colocando a mão no braço de Ishakan, que estava firmemente em volta de sua cintura, e deixou escapar um pequeno sorriso, como se estivesse se divertindo. “Parece que será difícil para você conseguir o que quer.”
“……”
Os olhos de Judia se arregalaram, e seus lábios carnudos tremeram por um instante com a humilhação. Mas então ela ergueu o queixo, como se nada tivesse acontecido.
“Agradeço sua permissão, Vossa Alteza”, disse Judia, e conduziu os bailarinos para fora do salão de banquetes.
Instantaneamente, houve um alvoroço.
Leah não gostou daquela mulher. Ela realmente acreditava que poderia alcançar seu objetivo agindo feito uma megera. E como anfitriã do banquete, Leah precisava contornar a situação.
“Foi um espetáculo maravilhoso”, disse ela, olhando para Herodes em vez da Judia que se retirava. “Não esperava isso de Balkat.”
Herodes sorriu. Parecia ter se divertido assistindo à desgraça de sua rainha.
“É uma honra, Vossa Alteza.”
“Espero que aprecie o banquete de Estia a partir de agora.”
“Apreciarei ao máximo.”
Ela sentiu uma insinuação em suas palavras, mas Leah apenas sorriu e fez sinal para os músicos. A música encheu novamente o salão.
Os nobres estianos se comportaram como se nada tivesse acontecido, mas em cada rosto da delegação de Balkat, a tensão era palpável.
“Você não vai me elogiar?”, sussurrou Ishakan, interrompendo seus pensamentos. Leah riu. Ishakan podia ser tão insistente quanto Lesha. “Vamos logo.”
Assim que ninguém estava olhando, Leah se virou para beijar sua bochecha.
“Obrigado”, disse ele, satisfeito. “Agora me sinto melhor.”
Ishakan recostou-se, sorrindo contente.
“Não faz sentido nenhum.”
A voz de Judia subiu em tom agudo.
“Isso não pode estar acontecendo!”
Judia agarrou seus cabelos, sua voz cheia de descrença.
“Ele não demonstrou nenhum interesse em mim…!”
Judia tinha sido cercada por homens a vida toda. Ela nunca havia deixado de atrair qualquer homem que desejasse com seu olhar sedutor, e não via razão para que desta vez fosse diferente.
Ela gostava de Ishakan, embora seus olhos fossem um pouco assustadores. Seu rosto esculpido, seu corpo musculoso, sua pele bronzeada rica, tão rara no continente… tudo isso o tornava ainda mais atraente. Ela o queria.
Judia rangeu os dentes ao se lembrar de sua humilhação no banquete. Incapaz de conter o temperamento, virou a cabeça e gritou para o homem deitado em um sofá próximo.
“Herodes!”
Herodes recostou-se no braço do sofá, franzindo a testa. Seus dedos se ergueram para massagear levemente as têmporas.
“Cuide disso sozinha. Concordamos que cada um lidaria com seus próprios alvos”, lembrou-a, e então sorriu de repente. “Ou você está perdendo a fé em si mesma?”